Sorria Nº 40. Saber cuidar | Revista Sorria* quarta-feira, out 29 2014 

Comprei a minha revista no dia 10/10/2014 e só neste momento estou podendo recomendar a compra e a leitura dela.

Fiquei muito contente, pois, dentre os excelentes textos,  nas páginas 20 e 21, “Como eu faço?”, “Manual de Boas Maneiras”, o texto de Carla Pimentel, ilustração de Giovana Medeiros, “Sua origem, sua história”, trata de árvore genealógica: na dica de número 4, Organize os dados, há a recomendação para o site MyHeritage.Com.

Sorria Nº 40. Saber cuidar | Revista Sorria*.

MyHeritage Library Edition – mensagem recebida de Karen e Press Release em “pdf” sábado, out 11 2014 

 

Mensagem recebida em 10-10-2014:

Boa tarde Maria Lúcia,
tudo bem?

Acabamos de lançar uma novidade: uma versão institucional de MyHeritage, intitulada MyHeritage Library Edition™, para permitir que bibliotecas e institutos educacionais em todo o mundo tenham acesso instantâneo a bilhões de documentos históricos mundiais.
Juntamente com este lançamento, MyHeritage iniciou uma parceria estratégica com a EBSCO Information Services (EBSCO)l. A EBSCO é o provedor de conteúdo de pesquisa online para bibliotecas líder do mercado, e o distribuidor exclusivo da MyHeritage Library Edition™.
A MyHeritage Library Edition™ é uma das maiores fontes do gênero do mundo e a mais internacional. Os dados incluem registros de nascimento, óbito e casamento, de 48 países, os censos completos dos Estados Unidos e Reino Unido, registros de imigração, militares e de sepultamento, além de mais de 1.5 bilhões de perfis de árvore genealógica. O banco de dados está disponível em 40 idiomas, o que constitui o banco de dados mais internacional do mercado. E ele cresce a um passo de mais de 5 milhões de registros históricos sendo adicionados diariamente.
Para mais informações em relação à MyHeritage Library Edition™, visite: MyHeritagelibraryedition ou assista o filme, no mesmo endereço.
Também incluí a nota de imprensa oficial.
Ficaria feliz se pudesse ajudar a divulgar a notícia.
Abraço,
Karen


Karen Hägele
Country Manager Brasil & Portugal
Fone: +55 (11) 3042 1278  karen.hagele@myheritage.com/www.myheritage.com.br
Blog MyHeritage BrasilFacebook MyHeritage BrasilTwitter MyHeritage Brasil


O Press Release enviado por Karen, no parágrafo “Também incluí nota de imprensa oficial” pode ser lido em arquivo extensão “pdf”:

MyHeritage e EBSCO Information Services unem-se para levar o MyHeritage a Instituições educacionais e bibliotecas do mundo todo_Press Release

Parabéns por mais esta parceria MyHeritage e EBSCO

Água (música infantil) – 2013 Ano Internacional da Cooperação pela Água – YouTube quinta-feira, jul 4 2013 

viaÁgua (música infantil) – 2013 Ano Internacional da Cooperação pela Água – YouTube.

Website das personagens de O Tempo e o Vento – MyHeritage.com sábado, jan 19 2013 

Ainda faltam muitos “dados” para os perfis das personagens do romance O Tempo e o Vento para eu inserir, além de creditar as fontes de modo mais correto.

Veja o que é possível fazer com um romance do “quilate” de O Tempo e o Vento.

Iniciei esse website das personagens de O Tempo e o Vento estimulada pela criação, do MyHeritage, numa homenagem não só ao romance mas também a Erico Verissimo.

Acompanhe e imagine o que você poderá fazer com os perfis de sua família, quando criar seu próprio website de família.

Comece com o Plano Básico e descobrirá que a atualização para um plano pago é fundamental para manter e melhorar o website de família.

Website das personagens de O Tempo e o Vento – MyHeritage.com.

O Tempo e o Vento na Wikipédia_atualizado em 04 jan 2014

Drogas: o que fazer a respeito – Superinteressante domingo, jun 19 2011 

Edição 172, de janeiro de 2002, revista Superinteressante, Editora Abril.

Minha contribuição para o debate; utilizei, em sala de aula, com alunos do Ensino Médio, em 2002, a partir de distribuição de cópias da publicação desse conteúdo, dividindo as classes do Ensino Médio em dois grupos, cada grupo escolheu ser pró ou contra a descriminalização das drogas, baseado nos argumentos que o texto fornece.

Deslumbrante conteúdo, propiciou cerca de quatro aulas, de Língua Portuguesa em cada uma das três séries do Ensino Médio para as quais eu ministrava aulas, em que os alunos puderam ler e se manifestar, oralmente, para que não se sentissem inseguros (para poupá-los, caso a exigência fosse por escrito) de serem acusados de consumidores de droga.

Drogas o que fazer a respeito – Superinteressante.

Itu na cruzada brasileira de entradas e bandeiras quarta-feira, out 6 2010 

A tentativa anterior fracassou.

Espero que esta seja um sucesso.

Itu na cruzada brasileira de entradas e bandeiras_cópia de apostila mimeografada.pdf – Windows Live

Itu na cruzada brasileira das entradas e bandeiras quarta-feira, out 6 2010 

Esta é uma tentativa de mostrar um dos anexos do Windows Live que inseri hoje, dia 06/10: uma coletânea de textos sobre a cidade de Itu/SP, originalmente uma apostila mimeografada, textos esses que serviram de pretexto para que os alunos sob minha responsabilidade, na época 1991 ou 1992, 5.ª ou 6.ª série do Ensino Fundamental, produzissem um texto sobre a cidade em que moravam.

Se puder ser lida, observarão que todos os textos foram redatilografados, as fontes citadas e, como já comentei, essa coletânea embasaria os alunos para uma descrição, como se tivessem asas e pudessem descrever a cidade do alto (sugestão de produção de texto do livro didático de apoio). 

Bem, essa coletânea não descrevia a cidade, mas resgatava um pouco da história. Outros dados sobre a cidade seriam fornecidos pelos demais componentes curriculares, se esta atividade tivesse sido produzida levando-se em consideração a interdisciplinaridade, os temas transversais.

Ver se o post posterior funciona, pois o link que eu havia colocado aqui me expunha completamente. Ups, a pasta é “Público”, mas o site é meu.

Porque ainda estou aprendendo, perdoem-me qualquer falha.

Sugestão de atividade pedagógica – Os dez pecados dos brasileiros (1987) domingo, ago 30 2009 

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Reformatei, em Power Point, extensão “pps”, “Os dez pecados dos brasileiros na visão de Agências de Propaganda”.

Como explico no primeiro slide, os recortes foram tirados de dois jornais, em 1987.

Primeiro, li essas propagandas combatendo os dez “pecados” no jornal O Estado de São Paulo.

Guardei as páginas.

No final de semana, minha irmã Maria Ignez (que já havia telefonado para mim, durante a semana, para avisar-me da publicação e comentou do encantamento dela com relação à publicação), trouxe o exemplar de Folha de São Paulo.

Guardei, também, e, no momento adequado, recortei as “propagandas”. Infelizmente, não guardei as páginas e a data (mês e dia).

Apenas usei esses recortes, a partir de 1992, na escola “Convenção de Itu”.

Lembro-me de, a caminho da escola, ter deixado uma cópia do que aborda os “pecados dos brasileiros no trânsito”, na Delegacia de Polícia (acho que Militar), nas mãos de um policial, para que, se quisessem, afixassem num mural.

Na escola “Convenção de Itu”, acredito ter apenas mostrado as cópias aos alunos, lido os textos, mostrado as ilustrações.

Em 1997, na escola “Pinheiro Júnior”, o livro didático de apoio, volume destinado a 7.ª série, Ensino Fundamental, abordou, num dos capítulos iniciais (ou no primeiro capítulo) essas ilustrações e um dos “pecados”.

Em 15/03/1997, tentei pôr em prática o que tinha guardado, com cópias para que os alunos, em 10 grupos, 7.ª série “D”, observassem as cópias dos recortes, lessem duas perguntas que havia nos versos das cópias dos dez diferentes “pecados” abordados e, em grupos, respondessem às questões.

A atividade foi um fracasso no meu modo de entender. Refiz as respostas às perguntas e, em 18/03/1997, mostrei aos alunos o que eu esperava deles.

Em 2003, ainda na escola “Pinheiro Júnior”, sem possibilidade de usar microcomputador em sala de aula e com o retroprojetor comprometido por “empréstimos” tanto à Oficina Pedagógica quanto a “palestrantes” que, de acordo com o que me disseram, ganhava dinheiro público para “palestrar” para os professores de escola pública – estou vendendo pelo preço que comprei a informação, ou seja, nada paguei por ela, nada cobro – preparei, novamente, a atividade, dentro do “Plano de Aula”, para os alunos do Ensino Médio.

Desta vez, pedi para copiar os recortes em folhas tamanho A3, de modo que ficaram como pôsteres na parede da sala de aula que eu ocupava.

Às vésperas do meu aniversário, num sábado, 15/03/2003, o Diário Oficial do Estado publicou a minha aposentadoria, a pedido.

Na segunda-feira, 17/03/2003, fui à escola, recolhi todo o meu material didático-pedagógico, devolvi tudo o que não me pertencia, passei todos os diários de classe, Planos de Aulas bimestrais para quem me substituísse, deixei tudo o que afixara nas paredes da sala de aula e, quem dera fazer como contam a respeito de Maria, a Louca, queria ter tirado o que calçava e dizer: “Deste lugar não quero levar nem a poeira nos sapatos” (referindo-me ao sistema educacional e a determinadas pessoas).

Infelizmente, o assediador que me prejudica há muitos e muitos anos, obrigou-me a voltar à escola (que eu não queria nem ver pela frente nem pelas costas), num ato sádico costumeiro, a retornar à escola para entregar “uma cópia que faltara ao processo de minha aposentadoria”. Balela pura! Pois se faltasse algum documento, a Secretaria de Educação não teria homologado minha aposentadoria a pedido, da qual tratei sozinha, sem pagar para terceiros que fizessem o serviço que era obrigação (hoje, com tudo absolutamente terceirizado, dificilmente esse serviço deva estar sendo feito por funcionários públicos) de funcionários públicos pagos para isso.

Como sugestão de atividade pedagógica, os dez pecados dos brasileiros, na visão de dez agências de propaganda, de 1987, é de uma riqueza sem par, porque além das imagens, dos textos, a discussão pode ser ecumênica (a visão de pecado nas diferentes crenças religiosas e na crença católica; quais são os dez pecados capitais, na visão católica; abordar outros, tais como os pecados veniais, a discussão desses “novos” pecados que foram abordados nas “propagandas” e um leque que se abre, envolvendo, portanto, a multidisciplinaridade ou temas transversais…)

Fiquei contente com a nova formatação dos recortes. Já havia tentado inserir esse assunto, em extensão “pps”, neste espaço, mas ficou tão pesado e só em extensão “ppt”, que o substituí por um sem os recortes.

O link para “Sugestão atividade pedagógica_Os dez pecados dos brasileiros_1997” é, na pasta “Público” deste espaço:

http://cid-a465ed4d8857cffb.skydrive.live.com/self.aspx/P%c3%bablico/Sugest%c3%a3o%20atividade%20pedag%c3%b3gica%7C_Os%20dez%20pecados%20dos%20brasileiros%7C_1987.pps

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Peça teatral sobre a fundação de Itu/SP quinta-feira, set 25 2008 

Texto elaborado por Maria Lúcia Bernardini para apresentação em gincana de 18/04/1991.

Em forma de peça teatral, o texto, totalmente baseado na fonte descrita abaixo, foi apresentado no ginásio da Associação Atlética Ituana, por alunos da escola “Convenção de Itu”.

Eu, Maria Lúcia Bernardini, não assisti à peça, pois não foi permitido que quem estivesse em período de aula, no meu caso e dos alunos sob minha responsabilidade, saísse da escola para assistir a participação da EEPSG “Convenção de Itu”.

 

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 Bibliografia para a peça teatral: Itu, cidade histórica, separata da Revista n.º 1, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Nossa Senhora do Patrocínio. Texto da Prof.ª Irmã Maria José de Toledo Pizza, 1972, Itu/SP.

 

Observação: o mapa de Itu e das cidades vizinhas fez parte de uma apostila que apresentava dados do IBGE, de 1991. Itu possuía, então, 116.694 habitantes.

O texto foi digitado a partir de um rascunho datilografado, com  inserções manuscritas por Maria Lúcia, encontrado em 29/08/2008.

 

Foram feitas cópias das páginas, reduzidas a A4, escaneadas para servir de prova de que o rascunho pertence à Maria Lúcia, bem como a autoria..

Peça teatral que recriou a fundação de Itu.

Comemorada no dia 02 de fevereiro, por causa da padroeira Nossa Senhora da Candelária. O ano foi 1610.

(Em séquito composto por homens vestidos de bandeirantes, índios e uma das personagens com uma cruz entram no palco. Duas figuras – a de Domingos Fernandes e a de Cristóvão Diniz – deverão estar trajadas a caráter. Os demais serão figurantes e não falarão nada. Não aparecerão mulheres, pois este séquito marcará a posse da sesmaria por Domingos Fernandes e as mulheres serão trazidas depois. No palco, haverá uma mesa com uma cadeira que não precisam ser de época, basta que sirvam para uma cena posterior. Sobre a mesa deverá estar uma folha de papel e uma pena dentro de um tinteiro. O séquito acomoda-se de frente para o público e para a Comissão organizadora do evento, A UM SINAL DE “ALTO” FEITO COM O BRAÇO pela personagem que representa Domingos Fernandes – Domingos e Cristóvão permanecem em pé, de frente para o público – os figurantes se acomodam, sentados ou agachados, de costas para o público, ao redor dos dois bandeirantes. Cristóvão aproxima-se de Domingos Fernandes):

CRISTÓVÃO: Meu sogro, já estamos em sesmaria de tua propriedade?

DOMINGOS: Há muito, meu genro. Este é o local de nossa parada. Neste ano de 1610, tomo posse desta sesmaria.

CRISTÓVÃO: Deixaremos Parnaíba, fundada por teu pai?

DOMINGOS: Certamente. Iniciaremos um povoado aqui. Para isso, traremos nossas famílias e os índios que me couberem da partilha de minhas entradas pelo sertão.

CISTÓVÃO: Que Deus nos abençoe nessa empreitada!

DOMINGOS: ELE está conosco. Sob a Santíssima Trindade e em nome de Deus, neste local que pisamos, campos de Pirapitingüí, construiremos um orago à Nossa Senhora da Candelária.

(Cristóvão abaixa a cabeça e parece rezar. Domingos se dirige ao séquito acomodado ao redor dele e de Cristóvão. O séquito passa a prestar atenção ao sertanista):

DOMINGOS: Eu, Domingos Fernandes, o terceiro de sete filhos de Manuel Fernandes Ramos e Suzana Dias, deixo Parnaíba, fundada por meu pai, para fixar residência entre a estrada das monções e o caminho para o salto do Anhembi, local denominado em língua indígena de “Ytu-Guassu”.

(Cristóvão apruma o corpo e toma a palavras):

CRISTÓVÃO: Eu, Cristóvão Diniz, filho de Domingos Dias o moço, casado com Isabel da Costa, filha de Domingos Fernandes e D.ª Ana da Costa, acompanho meu sogro e o mesmo fará minha mulher, Isabel, para aqui residirmos com os nossos familiares e com todos aqueles que quiserem nos acompanhar. (Aponta Domingos com uma das mãos) Este sertanista paulista, rico, dono de escravos, de criações, de vastíssimas terras, de jóias e adornos e de móveis tem algo para vos dizer…

DOMINGOS: Eu mesmo povoarei Ytu-Guassu, trazendo para cá toda a família e os que quiserem me acompanhar. Meu pai era de fidalga linhagem portuguesa. Minha mãe era paulista, filha de Lopes Dias e de D.ª Beatriz Dias, filha de João Ramalho e de Bartira, neta do chefe guaianá Tibiriçá. Sou, pois, bisneto do cacique Tibiriçá. Sou tido como mameluco. Sou cristão pela vontade e misericórdia de Deus Nosso Senhor e merecimentos de Cristo, batizado na Santa Madre Igreja Romana.

CRISTÓVÃO: Eu, Cristóvão Diniz, acompanho meu sogro que, como sesmeiro, se estabilizará em sua sesmaria com a família, com os escravos, como o gado. Nela, construirá habitação e dedicar-se-á à cultura da terra, à criação. Acompanho meu sogro e com ele erigirei um orago à Nossa Senhora da Candelária. Tragam, portanto, a cruz que marcará o local.

(Os que estavam sentados ou agachados levantam-se, tiram os chapéus ou qualquer coisa que tragam na cabeça. O figurante que carrega a cruz aproxima-se de Domingos. Dois outros figurantes encenam estar escavando e, depois, o figurante que carrega a cruz faz gesto de fincá-la num buraco. Cena rápida. As luzes se apagam, Domingos Fernandes se dirige à mesa/escrivaninha e molhando a pena no tinteiro, aguarda que o palco fique livre. Um foco de luz, apenas, deverá estar sobre Domingos Fernandes que escreve enquanto o palco fica livre. Quando tudo se aquieta, Domingos olha para o público e para a Comissão organizadora do evento. Domingos poderá ter tirado o colete de bandeirante ou pode permanecer com a roupa completa, como for mais conveniente):

DOMINGOS: Escrevo meu testamento. Corre o ano de 1652. Ao redor da singela ermida em honra de Nossa Senhora da Candelária, esboçou-se um povoado, hoje um núcleo civilizado. A capelinha de taipa rebocada e caiada foi sentinela das casas rústicas de moradores altivos, briosos e corajosos. Esse povo ituano tem raízes profundas na história e fará história. Minha mulher, meu genro Cristóvão, outros genros e até alguns de meus filhos já estão mortos. Quero ser enterrado na capela que erigi com Cristóvão Diniz. Se no dia de minha morte eu estiver em Parnaíba, desejo ser enterrado na Igreja Matriz daquela vila, na mesma sepultura de minha mulher, Ana da Costa. Deixo à Nossa Senhora da Candelária, de cuja capela sou padroeiro, parte de meus bens, depois de dividido entre meus herdeiros. Será meu substituto, como padroeiro, o filho mais velho do meu filho mais velho, meu neto Domingos Dias da Costa o manco, que, juntamente com a tia, Isabel da Costa, minha filha viúva de Cristóvão Diniz, administrarão a capela. Liberto todos os gentios que possuo como escravos. Estão livres depois de minha morte. Deixo uma filha, com seis ou sete meses por esta época, filha que tive com uma índia livre depois que enviuvei e que, também, é minha herdeira como os demais filhos que nomeio no testamento. Encomendo muitas missas e recomendo: quero ser enterrado na capela que erigi. Pretendo que ali meus ossos aguardem o juízo universal e, assim, por nenhum modo, consinto que a capela e os meus ossos sejam mudados. Deverão permanecer onde a capela agora está levantada. A não ser que este lugar se despovoe… a não ser que este lugar se despovoe…

(baixando o tom de voz, vota-se para o papel, Domingos repete “a não se que este lugar se despovoe”, enquanto a luz se apaga. Então, apenas o vulto de Cristóvão escrevendo, ouve-se uma gravação do Hino de Itu ou um poema que exalte Itu).

 

Hino de Itu

Letra: Prof. José Luiz de Oliveira

Música: Prof. Roberto Manzo


 

I

Suba aos céus nosso brado de orgulho

exaltando a cidade sem par

que jamais se deixou igualar,

pelo brio dos filhos que tem!

 

ESTRIBILHO

Teu início foi Utu-Guaçu,

que Fernandes fundou para a glória

de tornar-se a cidade de Itu

Fidelíssima, berço da História!

Quem tuas ruas percorre insensível?

Quem te vê, minha Itu sem igual,

e não vibra, ao sentir, invisível,

renascer o Brasil colonial?

 

II

Glória a Itu, que enviou bandeirantes

para a mata fechada explorar

e, afastando as fronteiras do mar,

o gigante Brasil desdobrou!

 

ESTRIBILHO

 

III

Nos teus templos de tanto esplendor

o presente revive o passado!

Foi em ti que, de alerta num brado,

a República disse: “Presente”!

 

ESTRIBILHO

 

IV

Mas não só de passado tu vives,

minha Itu: teu progresso é brilhante!

Marcha em frente, com passo gigante

Para a glória de um grande amanhã!

 

ESTRIBILHO


 

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Observação: a letra do Hino de Itu não fez parte do rascunho nem do original entregue a quem preparou os alunos para a apresentação, bem como, ao digitar, algumas correções foram necessárias.

 

Prêmio DERSA 1987: o que a corrupção provoca de tragédia pode ser comprovada pela passagem do tempo segunda-feira, set 1 2008 

clip_image002O aluno premiado viajou, com acompanhante, até Brasília/DF, e, entre os prêmios, em 1987, ganhou a oportunidade de iniciar um curso de informática,

Antes que me esqueça, todos os que se envolveram no concurso tinham direito a dar um "palpite" no texto. Ao premiado, coube as honras de ter sido um pretexto para que o texto acima tivesse o resultado que teve: era para escrever uma mensagem, sobre a segurança no trânsito, envolvendo os poderes executivo, legislativo e judiciário. Claro que os alunos, todos, de 8.ª série, aprenderam ou recordaram o que sabiam sobre esses três poderes fundamentais de uma sociedade organizada.

Para desgosto do crime organizado e de qualquer parasita que queira se promover às minhas custas, apresento esse panfleto que demonstra que não sou visionária, profetisa ou louca de pedra: apenas demonstro o que, não corrigido a tempo, provoca as tragédias de “injustiça social” pois a corrupção é, cem por cento, a responsável por injustiça social seja ela num dos poderes ou nos três. Sinhá, cadê "seu" padre?

Para não me esquecer do verso do panfleto, o Banespa ainda existia e era um dos patrocinadores do concurso. A Vasp também existia.

Caça-palavras baseado em textos de jornais sexta-feira, out 5 2007 

A ilustração inserida é um dos exemplos de minha atuação impecável em escolas públicas.
Baseada em textos jornalísticos, publicados pela Folha de São Paulo, em 2002, os alunos tiveram acesso à leitura deles, por mei de cópias que eu providenciava e distribuía,em sala de aula, sem custo algum para eles, a saber:
1) Programa de hidrovias de FHC encalha 3 anos depois
2) Dinheiro não foi aplicado devido a impasse judicial
3) Degradação ambiental começa a afetar navegação
4) A guerra pela água limpa
 
Após a leitura dos textos, os alunos receberam, como atividade a ser considerada participação em sala de aula, juntada entre outras participações aos conceitos obtidos em provas ou avaliações escritas, computadas, todas, para a média bimestral (ou seja, só ficava sem conceito bimestral quem não comparecia às aulas e havia os que não compareciam às aulas, mas eram aprovados, porteira aberta, no final do ano, não importava o que eu havia controlado, tim-tim por tim-tim freqüência e participação, naquelas recuperações de ausências, além da recuperação de "férias" de um ano letivo para outro).
Se eu soubesse inserir melhor, haveria possbilidade de localizar todas as palavras (cujos significados foram esclarecidos aos alunos por meio de uma lista de vocábulos, definições, sinônimos) e, certamente, quem tiver acesso à ilustração encontraria dois ou três erros meus. Num caça-palavras de mais de trinta palavras, isso é passável e meus enganos foram apontados no momento da correção, série por série, das cinco séries que executaram essa atividade.
Sempre fui a melhor, porém, a maquiavélica "máquina do Estado", além de minha recusa em me prostituir ou de fazer parte de "panelinha" me fizeram desaparecer na maioria dos incompetentes.
Hoje, minha aposentadoria (a pedido) está servindo para esconder os rombos da corrupção, do desvio de dinheiro público e, ainda por cima, a Nossa Caixa me desconta doze reais por estar fazendo o grande favor de minha aposentadoria estar sendo depositada nesse órgão oficial de escamotear dinheiro público, usando o dinheiro dos funcionários públicos para isso.
Vade retro, FHC e "tchurma".
Vade retro, PSDB. Dezesseis anos de desgoverno e falta de competência de estadistas.

Um retrato da praça tem a sua graça segunda-feira, set 24 2007 

 

Um retrato da praça tem a sua graça

(Anônimo)

 

                O freguês escolhe a pose. Sozinho ou acompanhado. De pé ou sentado. Se quiser sorrir, sorri. Se não quiser, fica sério. E se precisar de um acessório, o seu Honorino dá um jeito.

– Quer tirar de gravata?

– Acho melhor. É para dar pra noiva.

– Toma lá.

                Seu Honorino tem uma gravata pronta para estas ocasiões. Ajuda o freguês a fazer o laço. O freguês quer se pentear? Seu Honorino empresta o pente e segura o espelho. Depois diz para o freguês não mexer e vai para trás de sua máquina. O freguês fica duro.

Sempre tem uma criança que pára de boca aberta para ver seu Honorino trabalhando. Ele prepara a chapa, insere a chapa na sua armação de madeira, destapa a lente, tapa outra vez, diz “Pronto” para o freguês, depois desaparece dentro do pano preto atrás da máquina.

Visto de uma certa distância, seu Honorino com a cabeça enfiada na máquina sobre o seu tripé parece um monstro de cinco patas. Um estranho centauro de praça, metade câmera fotográfica. As crianças se perguntam o que ele faz dentro do pano preto. Boa coisa não pode ser, pra fazer escondido.

– Ele está lambendo.

– Lambendo?

– É. É tudo feito com “guspe”. E ele aproveita para comer escondido, ali dentro. E come feio.

Mas seu Honorino, quando reaparece, não tem cara de quem andou fazendo coisa feia. A foto está pronta. Digna de um noivo. De gravata.

Tem vezes em que, depois de um batizado, o pessoal sai da igreja direto para a praça e posa para o seu Honorino. A madrinha segurando a fera, o padrinho do lado e o resto da família se espremendo para caber na chapa. Alguém grita: “Olha o passarinho!” e o seu Honorino sempre faz a mesma coisa: olha para o céu e finge que está procurando.

– Onde? Onde?

Quando a pose é de casamento, seu Honorino manda apertar de um lado, apertar do outro, e depois diz:

– Vamos, gente, que o noivo está com pressa.

E todos dão risada, e a noiva tapa a boca para rir também.

Seu Honorino ainda não fotografou nenhum rei, mas capitão, soldado e ladrão, já. Preto, branco, japonês, baixo. Alto, gordo, magro e manicure. Anões gêmeos, mulher com o cachorro no colo, uma feia que quando viu a foto quis bater no seu Honorino, namorados, família, solitários, certa vez até um macaco de chapéu.

E uma vez apareceu um velhinho pedindo:

– Me retrata.

– Sim senhor. Que tipo de moldura o senhor quer?

O freguês pode escolher vários tipos de moldura para a sua foto. Simples, com rendado, redonda… O velhinho escolheu uma moldura em forma de coração.

Quando seu Honorino destapou a lente, o velhinho sorriu. E na hora de entregar a foto pronta, seu Honorino brincou:

– É para uma namorada?

– Não, é para minha mãe…

Outra vez apareceu um homem carrancudo e perguntou se podia ser com moldura preta. Podia. Seu Honorino pediu para o homem não se mexer, foi para trás da sua máquina, preparou a chapa, e só quando ia destapar a lente viu que o homem estava botando a língua. Saiu a foto com moldura preta do homem botando a língua para Deus sabe que desafeto, porque seu Honorino não teve coragem de perguntar.

Seu Honorino lambe-lambe vai retratando todo mundo.

– Quer tirar de gravata?

– Não precisa. É para mim mesmo e eu já me conheço…

 

(In Estórias do povo brasileiroVeja, n.º 412, julho de 1976. Apud: A interpretação do texto e o pretexto – Agostinho Dias Carneiro e A. Farias, Volume 1, Guia do Professor, Ao Livro Técnico S/A, Rio de Janeiro, 1979. Ilustração: crédito para o livro A interpretação do texto e o pretexto.)

 

Observação: o autor (anônimo) empregou a forma “guspe”, em lugar de “cuspe”, para registrar a pronúncia natural das crianças.

 

 

Diferença entre elogiar e adular sábado, abr 21 2007 

 

Diferença entre elogiar e adular

A apostila abaixo, redigitada, mas comprovada por meio de imagens escaneadas, foi utilizada a partir de 05/10/2002, com cópias, com os alunos, sob minha responsabilidade, na escola “Pinheiro Júnior”. Embora eu nunca tenha deixado de ensinar o certo e o errado e me esfalfado em ensinar alunos de quinta série em diante a aprender a ler e a escrever, também tentava ensinar o certo e o errado e, principalmente, dei excelentes exemplos por meio de minhas atitudes e nunca por omissões. A bem da verdade, quando houve omissão de minha parte foi em denunciar todas as retaliações que sofria. Todavia, quem me garante que eu não estaria denunciando retaliações, humilhações, calúnias, difamações, injúrias de que fui alvo EXATAMENTE PARA QUEM AS PROMOVERA?

Sim, pois do mesmo modo que o traficante de drogas, o criminoso do colarinho branco adula para aliciar, quem me garante que não estaria pedindo ajuda aos criminosos? Tive tantas provas –  e continuo a tê-las – de que quem denunciei foi promovido e quem elogiei está pastando até agora ou foi convencido de que eu nunca o elogiara, mas o criticara e quem o elogiava era quem o estava adulando e fazendo-o de “laranja”. Inclusive para retaliar contra mim mesma.

Thank you very much a todos os suínos capados que interferiram em minha vida profissional e pessoal e continuam a interferir em minha vida pessoal, pois me deram mais uma ótima idéia: procurar a diferença entre cinismo e descrença. Foram os que aliciaram os deslumbrados, certos de que estavam para serem promovidos sem mérito algum, simplesmente “encostando” em mim ou estourando todas as bolhas de meu entusiasmo. Continuo com minha auto-estima intacta, embora lutando, ainda, contra os retardados deslumbrados que se convenceram de que a única saída é: “se não pode com os inimigos, junte-se a eles”.

 

(SEM OS ERROS E AS CORREÇÕES A MÃO QUE A APOSTILA ORIGINAL APRESENTAVA)

elogiar [De elogio + -ar.] V. t. d. 1. Fazer elogio(s) a; louvar, gabar; enaltecer: elogiar um escritor, um romance, um filme. {Pret. Imperf. Ind.: elogiava, … elogiáveis, elogiavam. Cf. elogiáveis, pl. de elogiável.]

adular [Do lat. adulare.] V. t. d. 1. Lisonjear servilmente; bajular, incensar, sabujar: Adula sempre os poderosos. 2. Gabar por interesse próprio e com afetação. 3. Bras. MG Acarinhar, acariciar, agradar. Como aquela mãe adula o filho! 4. Bras. N.E. Sentir admiração a; admirar. [Fut. Do pret.: adularia, etc. Cf. adularia.]

pejorativo [De pejorar + -tivo] Adj. 1. diz-se de vocábulo que expressa desaprovação ou significação desagradável. [O sufixo –ês, p. ex., quando designa um jargão e não um glossônimo, tem uso pejorativo: economês, politiquês.] 2. Diz-se de vocábulo que adquiriu ou tende a adquirir significação torpe, obscena. 3. Diz-se de tal significação: Usou a palavra moleque em sentido pejorativo. Fonte: Dicionário Aurélio http://www.uol.com.br/aurelio/

“Definir uma palavra é capturar uma borboleta no ar” = Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.

 

Noções de valores morais

            De acordo com as definições acima, o significado de “adular”, em nossa região, a região Sudeste, é pejorativo. Portanto, quem elogia com objetivos futuros de conseguir algo ou age de um determinado modo, por determinado tempo, e, repentinamente, muda esse modo de agir, indica que “descobriu” que estava sendo sincero para a pessoa errada e, agora, quer mudar isso da noite para o dia. No entanto, é muito tarde e perdeu a confiança de quem agiu, e sempre agiu, com boa fé, boa vontade, para o bem de todos.

confiança [De confiar + -ança] S. F. 1. Segurança íntima de procedimento. 2. Crédito, fé. O mensageiro não merecia a confiança nele depositada. 3. Boa fama: A joalheria é de confiança. 4. Segurança e bom conceito inspiram as pessoas de probidade, talento, discrição, etc. 5. Esperança firme: O congresso inaugurou-se numa atmosfera de confiança. 6. Pop. Familiaridade (3). 7. Pop. Atrevimento, petulância[: Boçal, quem foi que lhe fez pensar que lhe dei o direito de agir com tanta confiança para comigo?] 8. Bras. Atos libidinosos; licença. =S. m. 9. Bras. RS Empregado (ou outra pessoa) de confiança, com quem se pode contar em qualquer situação: “andei muito por esses meios, como vasqueano, como chasque, como confiança dele (Simões Lopes Neto, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, p. 168). Dar confiança a. 1. Tratar (alguém) com familiaridade e/ou consentir em ser assim tratado. Depositar confiança em. 1. Crer na honradez ou discrição de. 2. Ter em bom conceito, em alta estima.

            A partir de agora e, principalmente, após a leitura de “Os estatutos do homem” de Thiago de Mello [eu tinha aluno tão aliciado, adulado pelo crime que a simples menção do prenome “Tiago” era suficiente para tirá-lo do chão e fazê-lo pensar que ele é que era o assunto, e, assim, qualquer boçal, à simples menção de uma marca, de uma cor, como se de minha boca brotasse, o tempo todo, propaganda e eu ganhasse dinheiro com isso], procure agir com honestidade, sinceridade, admitindo que ignora e, no momento certo, mostrando o que sabe. Sua vida melhorará de um modo extraordinário, porque todas as pessoas agindo desse modo mudam a atmosfera (a “aura”, para quem acredita nisso) do ambiente em que estão, do ambiente que freqüentam. Como conseqüência, os inoportunos perderão espaço e Cidade mudará, o Estado mudará, o País mudará.

            Assuma as falhas e os erros. Verifique como poderá sanar as falhas e corrigir os erros e será, de verdade, alguém livre. Ninguém o terá nas mãos nem guiará seus atos e seus pensamentos.

            Esta é a verdadeira aula do “conheça-se a si mesmo”, porque se você se conhece, ninguém será capaz de lhe impor nada nem convencê-lo a fazer parte de um grupo com o qual não se identifica.

Itu, 05 de outubro de 2002.

Maria Lúcia Bernardini.

 

Na parede da sala de aula, afixei uma cópia, A3 de “Os Estatutos do Homem”, de Thiago de Mello, que tinha, como plano de fundo, a escultura de Auguste Rodin, A mão de Deus ou A criação, com data de 29 de outubro de 2002.

 

Os Estatutos Homem

(Ato institucional permanente)

Thiago de Mello

Artigo I – Fica decretado que, agora, vale a verdade, que, agora, vale a vida e que, de mãos dadas, trabalharemos pela vida verdadeira.

Artigo II – Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III – Fica decretado que a partir deste instante haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis  terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer o dia inteiro abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV – Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único – O homem confiará no homem como um menino confia em outro menino.

Artigo V – Fica decretado que os homens estão livres do jogo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura das palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo, porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa.

Artigo VI – Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII – Por decreto irrevogável, fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da caridade e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII – Fica decretado que a maior dor sempre foi e sempre será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX – Fica permitido que o pão de cada dia tenha, no homem, o sinal de seu suor. Mas que, sobretudo, tenha sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X – Fica permitido a qualquer pessoa, a qualquer hora da vida, o uso do traje branco.

Artigo XI – Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que, por isso, é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII – Decreta-se que nada será obrigado nem proibido. Tudo será permitido, inclusive brincar com rinocerontes e caminhar, pelas tardes, com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo Único – Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.

Artigo XIII – Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do que chegou.

Artigo Final – Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante, a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio e a sua morada será sempre o coração do homem.

(Santiago do Chile, abril de 1964.)

Apud: páginas 62 e 63 de Palavra & Ação. Português: recepção e produção de textos, 8.ª série, Editora do Brasil S. A., São Paulo, 1983.

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Aos de intelecto “carreta na subida”, amor, neste texto, não se refere a amor físico, mas amor fraternal.

Posto e inserido, ao final, passo a fragmentar as cópias que, entregues aos alunos, para que acompanhassem a leitura junto comigo, que serviram para nada, ou seja, a fragmentar mais um pacote de apostilas pelas quais gastei dinheiro e continuei a tomar sorvete pela testa, enquanto o crime organizado se divertia e gargalhava.

 

 

 

 

Apostila ano 2002 sobre Timor Leste quinta-feira, fev 15 2007 

Em 2002, por causa de uma falta abonada, preparei uma estupenda aula sobre a Independência do Timor Leste (tudo a ver, pois ocorrera dias antes).
Deixei o conteúdo e as instruções sobre a leitura do material, junto com os alunos, para o professor que me substituiria e, depois da leitura (cópias em número de 20 distribuídas aos alunos, para que, aos pares, acompanhassem o conteúdo), haveria uma atividade de redação, conforme instruções na capa da apostila do professor).
Como as vinte (20) cópias já viraram fragmentos, ou seja, foram fragmentadas (porque eu não doaria as cópias para que parasitas as utilizassem e porque, se tivesse que, hipoteticamente, ministrar aulas sobre o assunto eu atualizaria o conteúdo), coloco as imagens da apostila, mesmo que em desordem, para que fique como documento no micro e aqui.
Atentar para a rudimentar técnica de imprimir diretamente dos sites da Internet, das fontes, porém citadas no final de cada página, pois foram impressas e transformadas em apostila.
Isso mostrava aos alunos (e aos parasitas que chafurdavam no meu material pedagógico por ocasião das cópias numa copiadora e, depois, quando nas mãos de substitutos e guardadas no armário, em sala de aula, trancado à chave, mas de fácil acesso aos lacaios do crime organizado), mas de nada valeu dar bon exemplos, pois os "heróis" criminosos são muito mais poderosos para influenciar e "presentear" aqueles que aliciam, que as fontes têm que ser respeitadas.
"Quem não tem competência, não se estabelece". Ditado popular furado!
Que utiliza outros como corrimão, escada ou trampolim, recebe os louros, além de "prêmios" em dinheiro ou em forma de promoções.
Candidatam-se, depois, a cargos políticos e, claro, conseguem seus objetivos, pois serão suínos capados dos criminosos, aguardando o momento do abate.
Finalmente, quando conseguem entender que foram "sacaneados", também, como sacanearam aqueles de quem roubaram bens materiais ou intelectuais, tentam "ajudar", no mau sentido, aqueles a quem sacanearam, como se não tivessem tido nada a ver com as tragédias que causaram.  
 

Cartão de Natal, de Iberê Camargo quarta-feira, jun 14 2006 

Se as notas não forem lidas, torna-se impossível entender o que Iberê contou e interpretar o texto, refletir sobre o texto.
 
Eu, também, sou assim: deveria ter notas explicativas por todo o meu corpo, pois os imbecis me interpretam de acordo com suas limitações intelectuais e seus desvios morais.
 

Transformei este texto numa das avaliações escritas mais bem elaboradas de minha vida de Educadora. Tomadora de sorvete pela testa, ainda tenho esperança de não ter jogado pérolas aos porcos com relação aos alunos sob minha responsabilidade (não os que já eram lacaios do crime organizado). Joguei, sim, pérolas aos suínos capados, para os praticantes de politicalha assassina, aqueles que marginalizaram e marginalizam a possibilidade de que TODOS recebam informações, como no caso do “Entulho precioso”, em que a informação ficou restrita aos que praticam politicalha assassina, aos que esperam ser os que ganharão com o entulho precioso e prejudicarão, como sempre, os que precisam ter acesso a moradia.

No entanto, foi um dos retornos mais decepcionantes, da parte dos alunos de Ensino Médio, no sentido de defasagem de leitura e de entendimento de texto (supostamente, estavam na escola há dez anos ou mais), apesar de toda a estratégia de leitura do texto PARA os alunos, COM os alunos e leitura silenciosa dos alunos, antes de interpretar, por escrito, o texto “Cartão de Natal”. Quanta miséria, Deus, provocada pela politicalha assassina que marginaliza os alunos e permite que os que praticam politicalha assassina ganhem votos e dinheiro público!

Não reproduzirei a interpretação de texto, porque cópias do que elaborei foram distribuídas a impotentes intelectuais, lacaios do crime organizado, que usaram essa minha atividade pedagógica para apresentar como de suas autorias.

 

Cartão de Natal

(Iberê Camargo)

“Um muro se ergue à minha frente, na curva do caminho…”

Pierre Teilhard de Chardin

            Sexta-Feira, 5 de dezembro de 1980.1 Tenho o hábito arraigado de andar pelas mesmas ruas, de freqüentar os mesmos lugares, como se deles não pudesse me afastar. Mas, nesta sexta-feira do mês natalino, decidi, para abreviar o caminho, percorrer uma rua pela qual não costumava transitar.

            ¾ Hoje, faremos um caminho diferente ¾ disse à minha auxiliar.

            Não imaginava que, ao mudar o rumo de meus passos, mudaria, também, o de minha vida.

            Vou ao encontro do destino, de coração alegre, conduzido pelas mãos inocentes de crianças pobres que pintam cartões de Natal para vender.

            Parece que o instante está prefixado no tempo, “na curva do caminho” de que fala Chardin.

            Sigo despreocupado, pensando nos amigos que à noite viriam jantar conosco. Pretendia regressar a casa mais cedo para recebê-los. Caminho, pois, com meus pensamentos, surdo ao tumulto permanente da rua. Levo a paz no coração, o silêncio na alma.

            O céu está claro, luminoso, azul. Nenhum sinal de borrasca, nenhuma nuvem no céu que esconda o sol e ensombreça a terra. Na rua, nenhum prenúncio do que se avizinha célere, do que está para acontecer, como no cenário das tragédias que vaticinam o drama. Meu drama não foi escrito pela mão do homem.

            A violência que se desencadeou alhures2 aproxima-se sem que eu a veja.

            Ela se oculta atrás dos muros, como fazem os salteadores. Caminho com meus pensamentos, com meus sonhos.

            São três horas da tarde.

            Eis que, de imprevisto, saído não sei de onde, como se rompesse uma barreira, desaba sobre mim um formidável vendaval de força física, um impacto que me aterra, que me arrasta no vórtice3 de uma fúria, que me arremessa ao chão, que me dilacera e me enche os olhos de espanto e medo.

            Ergo-me. Acossado, recuo. Hesito, vacilo, sem nada compreender. Ando com passos titubeantes. Ressoam dois tiros no ar morno daquela tarde que se imobiliza para sempre na memória.

            O homem, atingido, estremece, ergue-se no ar como se impulsionado por uma onda invisível. Um urro inumano reboa e antecede a sua queda.

            Agora, o homem seminu procura erguer-se. Com esforço, põe-se de joelhos, inclina-se para a frente, apoiando-se nos braços. As mãos tateiam o asfalto. A cabeça lhe pende. A respiração é curta, difícil, ofegante. Seus esforços são vãos. Fogem-lhe as forças. Do amplo dorso brotam, sem parar, sutis filetes de sangue – uma vertente, a fonte da vida que se esvai. Eu permaneço petrificado, mudo, como se uma catapulta me houvesse projetado para fora do tempo.

            Deixo-me levar. A provação chegou. Agora, o cansaço, uma lassidão me invade.

            Doravante, sou arrastado no caudal dos acontecimentos, na voragem do noticiário, no frio formalismo da Justiça. Provo, então, o amor e o ódio, a compreensão e a incompreensão, o insulto, a infâmia. A verdade e a mentira da notícia misturam-se na versão que adultera o fato.

            Presto depoimento na delegacia do bairro. As testemunhas se omitem, mentem pelo silêncio. A imprensa, cruel e insaciável. Alguns cronistas vomitam um ódio até então insuspeitado.

            Perseguido por repórteres, sou conduzido ao Ponto Zero, um velho casarão em Benfica.

            À entrada do túnel, o carro que me conduz sofre uma pane no motor. O advogado que me assiste põe-se a rezar o terço, coisa inusitada para mim.

            Finalmente, chego ao velho casarão. Para alcançar a cela, que ocupa um amplo espaço no terceiro andar, galga-se uma escadaria de pedra. A cela compõe-se de várias dependências, separadas do vasto salão de entrada, onde permanece a guarda, por uma grade de ferro que toca o teto. Nesse recinto, ocupado por quatro ou cinco presos, arma-se um leito, que me é destinado.

            Minha mulher e meus amigos que me acompanharam retiram-se com palavras de carinho. Agora, estou só entre estranhos. Exausto, deito-me de costas e cerro os olhos para evitar a luz da lâmpada, que permanece acesa, como uma lâmpada votiva, em vigília. O sono não vem.

            A noite é longa. Eu a atravesso insone, mergulhado na minha escuridão interior.

            Tenho fixa, na retina, uma cena que repete, sem cessar, que passa e repassa interminavelmente. Uma imagem obsessiva, cruel, que reverte a marcha do tempo: um corpo enorme que se ergue e se abate com o vagar da árvore que tomba. Mostra um dorso flagelado, mãos enormes que se aproximam, ameaçam, suplicam. Essa cena se repete ao infinito, incrustada, indelével, no meu cérebro.

            O dia chega devagar. A luz, a princípio tênue, penetra sorrateira e ilumina as paredes sujas do cárcere, nelas projetando a sombra das grades que guarnecem as janelas, no alto do muro. Os desconhecidos companheiros ainda dormem em seus beliches. O calor é intenso. Recende um fétido cheiro de lixo acumulado de vários dias e um insuportável fedor de latrina.

            Experimento uma profunda solidão. Fora, o mundo deixou de existir.

            Após permanecer dois dias no Ponto Zero, sou transferido para o Regimento Marechal Caetano de Farias4, antiga fortaleza, hoje transformada em quartel. Conduzem-me para a cela X-2, onde estiveram presos, antes, alguns políticos notórios.

            Encontro aí, dois reclusos – um jovem e um preto de setenta e um anos, que se entretém em dar migalhas de pão aos pombos. Às vezes, rompe o silêncio, murmurando frases místicas, em que aprecem o nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

            A cela é espaçosa, permanentemente iluminada pelo sol e convenientemente mobiliada com mesas, cadeias, geladeira e televisão.

            Sobre uma bancada, junto da pia, um fogareiro elétrico onde se esquenta o café. Nas prateleiras de madeira, xícaras, pratos, utensílios de cozinha. Percebo, ao chegar, que a televisão está ligada em alto volume.

            Para atender – soube-o depois – a um pedido do sentinela, que, distante, queria ouvir os programas.

            O pátio que se estende em frente à cela é limitado pelas quatro fachadas internas do prédio, formando um espaçoso retângulo, que serve para exercícios dos soldados. Pela manhã, os pelotões marcham entoando hinos, de cujas letras posso apenas distinguir: “Essa é uma corrida mixuruca”.

            Quando cheguei, achava-se de visita ao quartel um jovem capitão da PM, que, de imediato, com avidez, quis saber como tudo tinha acontecido.

            Tentei relatar o ocorrido, sem contudo conseguir: ele sempre me interrompia com novas perguntas, mostrando-se surpreso com o tipo de arma, que assumia, a seus olhos, desmesurada importância. Cansado de recomeçar a narrativa que apenas iniciara, disse-lhe de chofre:

            ¾ Cada um tem seu modo peculiar de narrar. Certamente, capitão, o senhor já leu alguns livros e sabe, portanto, que escritores há que escrevem longos prólogos, outros são menos prolixos e outros ainda mais breves. Outros apenas fazem uma dedicatória à mãe.

 

(Fonte: http://www.uol.com.br//iberecamargo/pensamento/p5.htm)

Atualizado em 27/11/2011, porque o “link”, acima, não funciona mais:

http://iberecamargo.org.br/content/artista/pensamentos_05.asp

Imensamente grata a quem acessou, pois me alertou para o problema com o link antigo.


 


1 Na tarde de 5 de dezembro de 1980, por volta das três horas da tarde, Iberê Camargo, acompanhado de sua secretária, Sueli Santos da Silva, 27, deixa seu atelier, na Rua das Palmeiras, pega a Rua Sorocaba, quase na esquina da Voluntários da Pátria, em Botafogo, à procura de cartões de Natal. Pouco depois, surge o engenheiro projetista do setor de mineração e metalurgia da IESA, Sérgio Alexandre Esteves Areal, 32, que, trajando apenas um short, interpela Iberê: “O que você está olhando?”. Ao que este respondeu: “Não estou olhando nada”. Depois de empurrar Sueli, Sérgio avança contra Iberê e o derruba no chão. Este, recomposto, pega a arma na capanga e ameaça: “Não vem que eu atiro”. O engenheiro investe, novamente, contra o pintor que dispara duas vezes um Smith-Wesson 357, do tipo Magnum, calibre 38. O pintor possuía porte de arma. Defendido pelos advogados Evandro e Técio Lins e Silva, foi absolvido, liminarmente, em sentença confirmada pelo Tribunal de Justiça, pois prevaleceu a tese de que agira em legítima defesa.

2ALHURES  adv. Em outro lugar.

3 VÓRTICE s. m. 1. Redemoinho, remoinho, voragem: “Ébrios de prazer, alheados da realidade ambiente, ei-los que, envolvidos no vórtice das fascinações de momento, se julgam no melhor dos mundos.” (Sílvio Romero, Provocações e Debates, pág. 170.). 2. Sentido figurativo: furacão. “Como o calor força o ar a subir, em vez de descer, o vento pára e o vórtice se desfaz”. (GUERRA DOS VENTOS, “Como cozinhar um tornado no microondas”, Superinteressante, pág. 28, outubro/2000, ano 14, n.º 10.)

4 Em maio de 1981, Iberê expõe na Galeria do Acervo, Rio de Janeiro, 28 trabalhos feitos durante o mês em que esteve preso no Regimento Marechal Caetano de Farias: 21 desenhos registram cenas do pátio interno da prisão. Dois deles intitulados “Tranca Rua”, apelido de um prisioneiro, condenado por ter assassinado mendigos. Um óleo, “Hup”, assim batizado por captar os gritos dos soldados em exercício militar.

 
 

Como Stonehenge foi construído – 2 segunda-feira, maio 1 2006 

 
O quê abordar como tema de interdisciplinaridade? = Como Stonehenge foi construído.
Por que abordar esse tema?
Como abordar esse tema?
Quando abordar esse tema?
Onde abordar esse tema?
Quem abordará esse tema? = Todos os educadores responsáveis por determinado componente curricular ou matéria ou disciplina.
 
As demais respostas deverão ser encontradas pelos absolutamente geniais pares com quem deixei de conviver quando pedi aposentadoria baseando-me no tempo de serviço.
 
Além disso, as fontes podem ser enriquecidas com outras revistas, outras enciclopédias multimídias, por fontes, na Internet, que são muito ricas em informação, por videocassetes, DVDs produzidos por National Geographic, por exemplo, que deverIAM poder ser comprados com o dinheiro da Educação que é desviado pelo crime organizado e nunca chega às escolas. Dinheiro esse que deveria ser destinado a aumentar os salários dos professores, para que possam se abastecer de material didático para suas leituras e atualizações; que deveriam permitir a compra de material pedagógico de consulta tanto para professores quanto para alunos de organizações (como a National Geographic citada) que não existam para esconder desvio de dinheiro para paraísos fiscais ou para esconder dinheiro da Receita Federal. Ao partir desse princípio, é óbvio que nenhuma produtora, editora de recursos de mídia tem obrigação de fornecer material gratuito, pois vive da renda que essas publicações lhes dão. Apenas acrescento que educadores como EU são os verdadeiros responsáveis pela formação de leitores, de escritores e de trabalhores de todas as demais profissões que exijam saber ler e escrever. Portanto, deveríamos, sim, educadores como EU, sermos mais privilegiados ou termos acesso à compra desse material, de acesso a provedores de Internet, de sermos privilegiados pelas empresas de telefonia para que pudéssemos (no me caso) e possam (os demais educadores na ativa) pagar uma taxa mais condizente com a miséria que sempre ganhamos como salário.
 
E. T. Internet não serve apenas para bate-papo inútil (estou excluindo os úteis), para caluniar, difamar, injuriar quem não faz parte de alguma quadrilha. Não serve, também, para baixar documentos de sites, copiá-los, imprimi-los como se fossem de autoria de criminosos que usam e abusam dessas apropriações indébitas de autoria. Acima de tudo, Internet não deveria servir para que impotentes intelectuais – e, quem sabe?, sexuais – invadam micros alheios, para satisfazer libidos mal formadas por pais ou responsáveis, que nunca assumiram a paternidade e a maternidade responsável, de e por hackers e crackers. A Internet é o mundo virtual, literalmente, e os criminosos reproduzem, no virtual, todos os crimes que cometem na vida real, mas não são devidamente contidos pelos que se denominam pais ou responsáveis por esses criminosos. No caso de adultos criminosos, a falência das instituições impede que sejam devidamente processados e punidos pela Lei dos Homens.
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De Reader’s Digest Selecões, novembro de 1997, exemplar de assinante, páginas 85 a 87.

Como Stonehenge foi construído

A solução para um dos mais antigos enigmas do mundo.

(Stephen Fay)

            Os maciços arcos de pedra da Planície de Salisbury aguardam o nascer do sol como vêm fazendo, dia após dia, há 4 mil anos. Erguem-se em silêncio vigilante, a cor escura em contraste com o céu cinzento.

            Stonehenge pode ser a maior maravilha do mundo pré-histórico. Com certeza,  é um de seus maiores mistérios. O círculo foi deliberadamente alinhado com o nascer do sol do solstício de verão, o amanhecer do dia mais longo do ano. Como poderiam os homens primitivos ter colocado aqueles gigantescos blocos de pedra, pesando até 50 toneladas cada um, em suas atuais posições? E por que fizeram isso?

            Na Idade Média, o monumento de Stonehenge era explicado pelo poder da magia: Merlin, mago da corte do Rei Arthur, invocara as forças das enormes pedras da Irlanda. No século 19, as pessoas estavam presas à idéia dos druidas, sem atentar para o fato de que aqueles antigos sacerdotes celtas faziam os cultos em bosques de carvalhos sagrados, e não em templos de pedra. Sacerdotes barbados em vestimentas brancas celebrando o solstício de verão em Stonehenge constituem sua imagem mais duradoura.

            O astrônomo Sir Fred Hoyle declarou que Stonehenge é um computador pré-histórico, programado para prever os eclipses do sol e da lua.

            Ninguém sabe exatamente o que é Stonehenge. No entanto, hoje temos conhecimento de quando foi construído – e como. Recente estudo feito pela Associação Arqueológica de Wessex resolve as discussões sobre a idade de Stonehenge. Tudo começou logo após o ano 3.000 a.C., numa área circular delimitada por pequena encosta com grande fosso externo. “No ano 2.600 a.C., enormes pedras retangulares foram trazidas das Montanhas Preseli, situadas a cerca de 217 quilômetros dali”, diz Andrew Lawson, diretor da Associação.

            O anel externo e a arcada interna foram feitos de blocos de arenito provenientes das Planícies Malborough, situadas 40 quilômetros ao norte. Os maiores dolmens da arcada interna, chamados de trilithons, são constituídos por dois pilares denominados megálitos e uma pedra colocada sobre o topo. Os megálitos têm aproximadamente sete metros de altura e pesam até 50 toneladas. Acredita-se que foram construídos por volta do ano 2.400 a.C.

            Quando prepararam as pedras, os criadores de Stonehenge fizeram pequena elevação no meio das colunas, técnica que na Grécia, 1.500 anos mais tarde, seria chamada de êntase. Contrariando o efeito de distorção da paisagem, a êntase faz a aresta de uma coluna parecer perfeitamente reta.

            Entretanto, a descoberta mais intrigante da Associação é que o tempo de construção de Stonehenge talvez tenha sido bem menor do que se imaginava: “O monumento poderia ser construído em uma geração, com potencial humano e gerenciamento ágil”.

            Isso é incrível. O transporte e a edificação de 40 blocos de rocha, com outro bloco de 10 toneladas colocado sobre eles, é obra que mesmo hoje seria de tirar o ânimo de qualquer um. Que força bruta foi necessária para colocar aquelas pedras na posição, sem guindastes ou roldanas?

            Há três verões [1995], num campo não muito distante de Stonehenge, certo grupo de entusiastas liderado pelo engenheiro Mark Whitby e pelo arqueólogo Julian Richards mostrou como os arcos podem ter sido construídos.

            Whitby coordenou uma operação onde réplicas das pedras – duas colunas de 45 toneladas e uma viga transversal de 10 toneladas, feitas de concreto – foram puxadas sobre trilhos de madeira besuntados com sebo. Uma versão do sistema em que os grandes navios, com as quilhas lubrificadas são lançados ao mar sobre trilhos. Os grandes blocos de pedra foram puxados colina acima por 130 soldados, bombeiros e estudantes usando quase 150 metros de corda.

            A força bruta, no entanto, não foi suficiente para erguer as pedras. Para alcançar seus objetivos, Whitby teve de pensar como os construtores originais. “Esses rapazes da Idade da Pedra eram engenhosos”, admite Whitby. Uma dica importante foi o formato do buraco onde fica a coluna maior. Ele era vertical, com um dos lados fortemente inclinado. Whitby construiu uma rampa perto do buraco e mandou que puxassem a enorme pedra sobre ela, até que a terça parte da pedra se projetasse sobre o buraco. Pesados fragmentos de rocha foram colocados sobre o bloco de pedra e empurrados para sua extremidade.Momentos depois, o peso desses fragmentos fez o imenso bloco se inclinar e cair dentro do buraco abaixo dele.

            Uma vez erguido o segundo bloco, a viga transversal foi arrastada sobre a rampa mais íngreme. Os três blocos se adaptaram de maneira impecável e formaram a perfeita arcada do século 20. Whitby acredita ter solucionado o problema. “Com 140 pessoas, eu poderia construir Stonehenge em menos de 20 anos”.

            Como Stonehenge foi construído: na ilustração da página inicial =

©1995 Stephen Fay. Condé Nast Traveler (fevereiro de 1995), 350 Madison Ave. Nova York, N. Y. 10017. Foto: ©Rick Browne; Infográfico: © Bob Corley.

 

 

Como Stonehenge foi construído – 1 segunda-feira, maio 1 2006 

Demonstrarei como passaria material pedagógicos, com todas as fontes citadas, impresso de modo que  os conteúdos programáticos fossem abordados em todos os componentes curriculares ou matérias ou disciplinas. Obviamente, isso esbarraria na formação e informação dos demais envolvidos (envolvidos, mas não comprometidos) com a Educação Formal, além de um grave problema: medo de que quem sugeriu obtenha mais holofotes do que esses que não conseguiriam ler e entender o material fornecido e não saberiam, jamais, como explorar o assunto em suas matérias ou disciplinas ou componentes curriculares.
Por que isso falharia, como falhou em outras oportunidades, quando sugeri os assuntos a serem abordados e forneci cópia de tudo o que poderia ser usado, assunto diferente deste, com as fontes citadas, seria uma especulação que se tornaria uma defesa de tese de doutorado e não interessaria, jamais, ao Sistema Educacional, que chegasse ao conhecimento de todos.
 

Homônimas e parônimas para alunos até 8.ª série domingo, abr 23 2006 

Para alfabetizandos e alunos até 8.ª série poderem ter acesso e oportunidade de aprender sobre polissemia (os diferentes significados de uma mesma palavra) e se acostumarem com os nomes homônimas, parônimas, eu usava os livros de Ricardo Azevedo que eu comprara, após um "workshop" realizado na escola "Regente Feijó", em Itu.
 
Já comentei em outra inserção a respeito de conseqüências estranhas, após esse "workshop" em que foram mostradas todas as obras desse autor e, inexplicavelmente, nunca tive acesso a outras atividades pedagógicas envolvendo os livros?
 
 
Uma das atividades feitas, em sala de aula, foi a criação, da parte dos alunos, de novas sugestões que seriam enviadas ao autor, por meio do endereço da editora. Preciso voltar às minhas anotações arquivadas, para confirmar se eram alunos de quinta ou de sexta série que criaram novas frases em que as palavras homônimas mudavam de classificação gramatical e de significados. No entanto, após datilografá-las, com as devidas autorias, idade e série, um dos alunos se prontificou a enviar o envelope (já endereçado) e, estranho, muito estranho, o envelope não foi enviado, porque "papi" se esquecera de colocar no correio.  Isso aconteceu na escola "Convenção de Itu". Ao aluno que se prontificou a enviar as frases dele mesmo e dos colegas de classe, meus sentimentos pelo "papi" péssimo exemplo, que devia estar devendo muito ao crime organizado, para ensinar o filho a agir errado pelo resto da vida. Ou "papi" foi contaminado pelos criminosos que atribuíam às suas vítimas tudo o que não prestavam? Papi, papi: espero que seu filho tenha se tornado alguém melhor, na vida, que você!
 
 
A inserção da capa e da contracapa de um dos livros de Ricardo Azevedo (esses nunca doei, pois eram, inclusive, destinados a meus sobrinhos; mas, nas escola "Pinheiro Júnior", perdi o de título "Maria Gomes" para o tráfico de drogas ou tráfico de influência) servirá para a outra inserção, destinada a alunos em fases mais adiantadas de aprendizagem e serve de consulta para mim até hoje.

O que não pode faltar em um texto bem escrito? quarta-feira, abr 19 2006 

O que não pode faltar em um texto bem escrito, seja uma redação escolar ou texto jornalístico ou qualquer outro tipo de texto são as RESPOSTAS para as perguntas:
QUEM?
QUANDO?
ONDE?
COMO?
O QUÊ?
POR QUÊ?
 
Caso contrário, a comunicação não se estabelecerá.
 
Uma sugestão de atividade pedagógica, em todas os componentes curriculares ou "matérias" seria, junto com os alunos, localizar essas respostas no texto que esteja sendo o pretexto para o conteúdo programático ou seja o texto principal do conteúdo programático.
 
Seria, porque isso evitaria "decorebas", todos, sem exceção, aprenderiam, e os professores – muitos fazem isso – não se posicionariam como "donos do saber; sem mim vocês não aprenderão nada!", o que parte de uma idéia pré-concebida de que todos os alunos devam ser subestimados em relação ao que já sabem.
 
Com relação a isso, há uma atividade pedagógica que sempre executei, não importando a série para a qual estivesse ministrando aulas, desde o ano de 1988.
 
O jornal O ESTADO DE SÃO PAULO publicou, em 17/08/1988, um fato ocorrido em 16/08/1988.
Chamada de capa, a foto mostrava Thiago de Lima Moreira, na época com um ano e oito meses, sendo retirado de um buraco onde ficara preso durante 3h15m.
A foto mostra Thiago como se estivesse nascendo de cezariana (foto de José Agusto Cindio/AE) e o "lead" ou lide indicava o texto completo na página 11.
Recortei tudo, colei em folhas de papel sulfite, copiei tantas vezes (paguei pelas cópias) quanto seria possível para que os alunos pudessem acompanhar o texto com os olhos, não apenas com os ouvidos, e, ao final da leitura, anotamos as respostas às perguntas (respostas simples, pois estava executando atividades com alunos de 5.ª a 8.ª séries, não eram aulas para jornalistas):
 
Quem? = Thiago de Lima Moreira, um ano e oito meses, filho do caseiro da residência.
Quando? = 16/08/1988 – período da manhã.
Onde? = no quintal da casa onde Thiago morava, rua Sílvio Tramontino, Bairro Morumbi, São Paulo / SP.
O que aconteceu? Thiago caiu num poço de 3m de profundidade por 25cm de diâmetro; foi retirado pelos bombeiros, 3h15m depois, por meio de um poço cavado paralelo ao poço em que caiu.
Como Thiago caiu? = jogando bola, não viu o poço e ficou entalado.
Por que Thiago caiu? = o poço estava descoberto para a construção de um pilar.
 
Anotadas as respostas às perguntas, os alunos tinham todos os detalhes do texto (texto impecável em relação às respostas) e, após terem lido o texto – com a professora e sozinhos – duas vezes, estavam prontos para relatar, POR ESCRITO, o conteúdo da reportagem.
 
Seria, sim, uma estratégia muito útil para todos os componentes curriculares ou "matérias".
 
 
 

Folha para produção de texto quarta-feira, abr 12 2006 

Itu, ____ de ___________________ de 2003. EE “Prof. José Leite Pinheiro Júnior”

Nome completo: ___________________________________________________________________________

Número de chamada = _____ – Série = __________ do Ensino Médio.

Produção de texto em Língua Portuguesa. Professora Maria Lúcia Bernardini.

Você é outra pessoa.

Escreva um texto, após a leitura de “Arapucas da fama”, em que relata, conta uma experiência bem sucedida ou mal sucedida nessa busca de profissionalização.

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(Esta linha se destina ao TÍTULO de sua produção de texto)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se faltar espaço, continue no verso.

Produção de texto: “Você é outra personagem” segunda-feira, abr 10 2006 

Arquivo de 17/03/2003. Apaguei da memória se foi colocado em prática, pois minha aposentadoria, a meu pedido, foi publicada em 15/03/2003 e, planejar e colocar em prática uma atividade, na escola “Pinheiro Júnior”,  era um inferno: quando eu chegava na sala de aula, com todo o material debaixo do braço, para que fosse aplicada, havia, sempre, um transtorno, tais como, rebelião de alunos (contra mim, antes de expor, por escrito, o conteúdo da atividade, o que demonstra que já era de conhecimento do crime organizado), palestras de pessoas vindas de Sorocaba, principalmente (sei de cor e salteado as palestras sobre educação sexual e educação bucal), portanto as aulas daquela noite estavam comprometidas e outras desventuras mais. Nunca desci do salto ou das tamancas. Certamente, aquelas experiências nazi-fascistas serviram para que alguém defendesse tese de mestrado, de doutorado e publicasse muitos livros às custas das torturas impingidas em mim. Além disso, assistia a tudo como se fosse um grande teatro, com péssimos atores e piores diretores ainda, deturpando as personalidades mal formadas dos alunos e dando péssimos exemplos de como é “fazer sucesso” sem muito esforço, às custas de cobaias competentes como eu. Tenho, certamente, as cópias, ainda, dessas folhas que distribuiria aos alunos, pelo menos tenho, ainda, o que foi arquivado em disquete. O material era, então, deixado dentro do armário do professor (os da manhã tinham acesso, os da tarde também), para não trazer aquele peso todo de volta para casa e, conseqüentemente, tenho muitos indícios de quem era lido, copiado e, depois, pasmem, usado CONTRA mim. Passei, então, a dar uns “coices”, por escrito, e a utilizar-me de ironia, para que quem mexia em meu material soubesse que eu sabia disso. No entanto, criminosos não têm “semancol” por causa da impunidade e da certeza de que estão muito bem “escorados” pelos “patrões”.

Neste momento, considero absolutamente oportuno o que aprendi (algo que sempre fiz e continuarei a fazer na vida) com leituras de crônicas, por exemplo, com informações que não obtinha por meio das leituras especializadas, a respeito de segurança em informática, por exemplo.

Lembram-se da “passagem do século”, comemorada entre 1999 e 2000? Havia o “bug” do século e todos os micros do mundo ficariam danificados. Foi um horror! Ao ler uma crônica de Nélson Piquet, na época no jornal O Estado de São Paulo, dá-lhe, Nélson Piquet, a respeito do assunto, havia uma referência muito simples com relação à manutenção das informações  mais preciosas, no meu caso, os documentos arquivados no micro. No caso de empresas, um disquete, claro, não seria suficiente, mas deveria ter recursos adequados. Era fazer “back-up”. Pobrezinha de marré, marré, marré, meu único “back-up” poderia ser dos documentos em disquete e entregar o micro nas mãos de Deus, caso tudo se apagasse e fosse para o “buraco negro” no momento da “passagem do século”. “Ingnorante”, até então, comecei a passar TODOS os documentos para disquete, pois não tinha esse cuidado com todos. E, para mim, as preciosidades eram minhas atividades pedagógicas e as informações que estruturava de meus familiares, para, mais tarde, escrever a memória da família.

O “século passou”, meu micro estava conectado à Internet, não perdi o conteúdo do micro, exceto para, posteriormente, invasores que provocaram a reformatação de micros por cerca de quatro vezes (o antigo e o mais recente). Com relação a isso, cada técnico em informática era um “dotô” no assunto e sugeria que programas colocar, que provedor acessar, sem contar que, inúmeras vezes, todo o conteúdo do “hardware”, antes da reformatação ou após a reformatação, foi “chupado” para entrega a patrões do crime organizado. Muitas e muitas vezes, apesar de apagar o histórico da Internet com freqüência, afirmo que esses “técnicos” deixaram rastros, adwares, vírus maliciosos que não só permitiam que, assim que eu ligasse o micro, era detectada, seguida e o conteúdo surrupiado de imediato. Depois, em reuniões de HTPC ou em sala de aula, os professores e os alunos apresentavam aquele ar “blasé” de quem não estava lendo nem ouvindo nenhuma novidade. Consegui não permitir que minha auto-estima fosse destruída (como destruíram a de minha irmã que cometeu suicídio) e não foi por meio de nenhum “salvador da pátria de araque”. Portanto, quando os recados a alunos ou a professores parecem grosseiros, fora do contexto, era defesa antecipada do que me aguardava no momento de aplicar as atividades elaboradas por mim e no momento do retorno dessas atividades, apoiadas em fontes das quais aprendi algo PARA O BEM, nunca para o mal.

Desse modo, resgato as atividades que foram digitadas e impressas por meio de utilização de microcomputador, dos disquetes em que foram arquivadas.

 

Atividade de redação “Você é outra personagem”

Esta apostila será distribuída (emprestada) aos alunos (aos pares) após terem assistido ao vídeo da PUC/2000 [esse vídeo pertencia ao acervo da escola “Pinheiro Júnior” e foi utilizado em todas as séries para as quais eu ministrava aulas; nele, tudo o que eu tentava passar aos alunos era apresentado de modo concreto]sobre produção de textos. Embora o vídeo se destine a quem prestará vestibular, todos os alunos, independentemente de quererem ou não prestar vestibular, têm o direito de estar informados sobre técnicas de redação e ter a prática de diferentes tipos de redação. Caberá aos alunos aproveitar ou não estas oportunidades de aprendizagem. Como falo, sempre, em sala de aula, ao saírem da escola, quem quiser “cair de quatro” e comer grama, fique à vontade. Porém, cuidado, faltará grama!

Dentre os “pecados” dos brasileiros, na atividade “Os dez pecados dos brasileiros na visão de dez agências de propaganda”, há o pecado de querer, sempre,  “Levar vantagem”,

            No “Folhateen”, Folha de São Paulo, 17/02/2003, destaco o texto “Arapucas da fama”, que, transformado em apostilas emprestadas aos alunos (texto abaixo e nas folhas seguintes), servirão de texto motivador para uma atividade de redação que será aplicada em todas as séries para as quais ministro aulas, com orientação de Produção de textos do livro didático de apoio, páginas 09 e 10. [Nome do livro didático de apoio já citado em “Redigitação de atividades de livro didático de apoio”; ilustração da capa nesta entrada do Espaço da Maria Lúcia].

 

ARAPUCAS DA FAMA
Conheça os truques que seduzem os adolescentes com promessas de virar estrelas e aprenda a evitá-los

Sucesso a qualquer preço

FERNANDA MENA
DA REPORTAGEM LOCAL

Em tempos de celebridades instantâneas, todo mundo quer seus 15 minutos de fama. E quem não tem a sorte (ou o azar) de cair em um "Big Brother" da vida, corre atrás do sonho como pode.

Se o objetivo é ficar famoso, o sonho mais corriqueiro é conseguir exposição na TV, os olhos do mundo. Outro ideal comum é desfilar nas passarelas ou se exibir para as lentes de um fotógrafo. E há ainda aqueles que sonham mesmo em estrelar nos palcos, em brilhar no teatro.

Aí todo mundo pensa que basta ser desinibido e brincalhão ou ter mais de 1,70 metro e menos de 60 quilos para tirar de letra a profissão e começar a acenar nas ruas.

De olho nesse filão, entram em cena agências oportunistas que se valem da ilusão ingênua do sucesso fácil para prometer consagração e seqüestrar um bom número de cifras do bolso de pais desavisados, que pegam carona na empolgação inocente dos filhos.

O esquema é o seguinte: com sedutores anúncios -em revistas, na TV ou em folhetos distribuídos em portas de colégios- as agências recrutam meninas e meninos que têm vontade de tentar a sorte em uma carreira artística. Basta pagar uma taxa de adesão à agência e pronto: você estará cadastrado entre suas "estrelas".

Só que, para "vender" os rostos desses jovens para comerciais, novelas, "folders" etc., os agentes precisam de fotos profissionais: o tal do book. E não adiante ter pai, tia, vizinho ou amigo fotógrafo. O book tem de ser feito na própria agência e custa quanto ela julgar interessante.

Como a maioria das pessoas que caem nas garras desse tipo de empresa do truque não sabe o preço justo (que pode variar de R$ 300 a R$ 3.000), cobra-se um valor bastante alto por um book meia boca: de R$ 600 a R$ 2.000.


Indústria do book

Como se apresenta o book como pré-requisito para o início da busca de trabalhos e ainda se lança mão do argumento de que "o cachê do primeiro trabalho já paga o custo das fotos", há família que faz das tripas coração para conseguir bancar o tal álbum.

"Já vi família vender fogão e geladeira para pagar o book do filho, achando que receberia tudo de volta com os trabalhos. Cheguei a ver uma mãe que interrompeu um tratamento de câncer para fazer o book da filha", conta Tecka Mattoso, 42, atriz e educadora, que deu algumas aulas de interpretação em agências desse tipo.

"Os jovens chegam às agências com muitos sonhos, e elas usam um marketing voltado para esse encantamento. Há fotos de modelos por toda parte, televisões etc. Mas é como se fosse um cenário, entende?", explica Tecka. "Fiz um trabalho de conscientização dos alunos através do teatro. Mas, depois, quando um pai veio tirar satisfação comigo, achando que era eu quem tinha dito ao filho dele que ele iria trabalhar na Globo, que era eu quem fazia as promessas, percebi o quanto estava me comprometendo ao trabalhar ali e saí para fazer um projeto anti-arapuca", conta. Depois dessa experiência, Tecka criou o Núcleo de Desenvolvimento Artístico, que pretende orientar crianças e jovens que queiram ingressar na carreira artística.

Alvos

Como a lógica dessas agências do truque é a dos cifrões, quem paga pode fazer parte da agência, mesmo sem o perfil, o talento ou a vocação necessários aos trabalhos de ator ou de modelo. O resultado é que, depois de pagas as suaves prestações do book, o agenciado cai em um limbo da agência e raramente (às vezes, nunca) consegue trabalhar através dela. Detalhe: de tempos em tempos, o book tem de ser refeito. E, se a ficha ainda não tiver caído, lá vai toda aquela grana de novo.

"O sucesso fácil vendido por essas agências caça-níqueis seduz qualquer um, mas as pessoas de nível cultural mais baixo são os alvos preferidos", explica Débora Rocha, 31, diretora do conselho da Abrafama (Associação Brasileira das Agências e Agentes de Atores, Artistas, Modelos e Figurantes). A organização foi criada há mais de dois anos para valorizar e diferenciar as agências sérias daquelas que são fábricas caras de books. "Queremos formar uma ética e valorizar as agências que direcionam a carreira do artista que estuda e que tem talento", explica. "Muita gente que é dessas agências reclama de que não consegue trabalho. E só de olhar o book dessas pessoas dá para ver que foram feitos nesse tipo de empresa. Aí, a pessoa tem de refazer todo o material, porque são produções muito ruins, que não servem para o mercado real", alerta Rocha.

Vivian Golombek, 40, presidente da Abrafama, completa: "Um book desses poderia custar R$ 50 e já seria caro, porque não serve para nada".

Cortar caminho X enfrentar o trajeto mais duro

DA REPORTAGEM LOCAL

Quando Mariana (nome fictício), 15, encasquetou que queria ser modelo, sua mãe Juliana (nome fictício), 32, a levou a uma agência pequena. "Falaram que ela era fotogênica sem ela ter feito nenhum teste. Vi um monte de gente lá que dava para perceber que não tinha como ser modelo", conta. "Prometeram divulgar as fotos, mas devolveram o book antes do fim do contrato e inventaram que começariam a trabalhar só com vídeo."

Na segunda agência foi um susto. "Queriam convencer a gente a pagar R$ 2.000 por um book", reclama Mariana. A reportagem do Folhateen encontrou as duas minutos depois de terem fechado com uma terceira agência. "Paguei seis vezes de R$ 130. É um dinheiro que faz falta. Para mim, isso é a compra de supermercado de um mês inteiro."

Joana da Silva, 39, mãe da aspirante a atriz Gabrieli, 13, já caiu na real. "Acho que isso é uma fábrica de dinheiro. E é claro que quem está ganhando vai falar que ela tem jeito. Não fico iludindo a Gabrieli. Que o book sirva de recordação."

Gabrieli quer atuar, mas prefere o caminho mais fácil. "Quero ser atriz. É legal. E uma agência é mais fácil do que uma escola de teatro. Só não é melhor."

Na posição oposta à de Gabrieli estão Francisco Biachi, 17, Paula Novaes Sena, 16, Karyna Bayma, 18, Isabella Mazzco, 17 e Larissa Orlow, 18, alunos do Teatro Escola Célia Helena, cujo curso profissionalizante, de três anos, é um dos mais renomados de São Paulo. Para entrar na escola, é preciso passar por uma série de testes. "Quem quer ser ator tem que estudar, não só pela bagagem técnica, mas pela formação cultural. A carreira já começa na escola, e quem desiste do curso é por causa do tempo apertado, porque não quer estudar, ou porque achava que teatro é gandaia", explica Lígia Cortez, 41, diretora artística da escola.

Para eles, fama é secundário. O importante mesmo é a formação do ator. "A primeira coisa que as pessoas falam quando digo que faço teatro é que eu quero ser famosa", diz Sena. "Mas a gente sabe que o mercado de trabalho é difícil, que ator não ganha muito dinheiro", diz Orlow. "Precisa amar o palco sem pensar na fama", completa Bayma.
Paula Gauss, 22, que já se formou como atriz profissional na escola, lembra como idealizava a profissão no início. "Pensava em fama, em oba-oba. Mas, quando começam os preparos físicos de uma hora e meia, não poder sair a noite para ter voz na manhã seguinte e não ir ao aniversário de sua avó para ensaiar, é que você vê quem tem vocação e vontade."

Conheça o passo a passo para não se perder

DA REPORTAGEM LOCAL

Para você não correr o risco de achar que quer ser ator e se estrepar na hora de procurar uma agência, o melhor é mesmo começar a conhecer esse meio, seus profissionais e suas empresas.

Uma maneira de ter um primeiro contato com o teatro são oficinas e cursos livres que podem dar uma primeira idéia de como é o trabalho de ator na verdade.

De hoje a sexta (21/2), a Carmina Escola de Atores (r. Capitão Prudente, 223, tel. 0/xx/11/3813-2500) promove uma semana de aulas abertas gratuitas das 19h30 às 21h30. A Secretaria de Estado da Cultura abre, a partir de terça (18/2), as inscrições para suas oficinas culturais gratuitas, que incluem aulas de teatro. Informações pelo tel. 0/xx/11/3351-8087.

Para receber uma orientação mais pessoal e explorar não só o teatro mas também outras formas de expressão artística, há opções como o Núcleo de Desenvolvimento Artístico, que tem aulas aos sábados no Teatro Ágora (r. Rui Barbosa, 672, tel. 0/xx/11/3234-0290), e a Casa do Teatro, curso livre do Teatro Escola Célia Helena (tel. 0/xx/11/3884-8214).

Daí até se tornar um ator profissional, é preciso fazer um curso superior ou profissionalizante. Além de um programa mais completo, com aulas teóricas e práticas, o aluno conclui os estudos e recebe o DRT, o registro profissional do ator.

"Quem não tem registro não pode atuar como profissional porque é ilegal. Esse pessoal acaba caindo numa agência qualquer, paga um dinheirão e fica mofando por lá", afirma Iremar Melo, 28, diretor do Data (Departamento de Apoio ao Trabalhador Artista). "As escolas profissionalizantes são todas legalizadas. Cabe ao interessado nos cursos fazer uma pesquisa e escolher a escola de acordo com o seu bolso", diz. O site do sindicato (www.satedsp.org.br) tem listas dos cursos profissionalizantes e livres regulamentados.

 

A partir deste momento, os alunos sob responsabilidade de Maria Lúcia Bernardini receberão uma folha preparada para a atividade de redação.

Para a produção de texto, os alunos seguirão as instruções de páginas 09 e 10 do livro didático de apoio.

Atenção: Não é para pular linha entre um parágrafo e outro. Embora o texto motivador esteja com essa formatação, isso se deve ao fato de eu o ter retirado diretamente do “Folhateen”, sem redigitar o texto.

Ao terminar a produção do texto, entregue a página que lhe foi emprestada à Professora Maria Lúcia Bernardini, para produzir o texto, porque ficará, após lida, arquivada para o professor que me substituir, após minha aposentadoria, de modo que tenha um diagnóstico de como os alunos de 2.ª B, 2.ª C, 3.ª A, 3.ª B e 3.ª C produzem textos e do que precisam aprender para melhorar suas produções, além, claro, de saber o que os alunos já dominam a respeito de redação.

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O desafio da América Latina sábado, abr 8 2006 

Observar o ano do pretexto, de Robert Kennedy, e refletir o que mudou.

 

Fonte: Palavra e Ação. Português: recepção e produção de textos. Ana Maria de C. Guedes, Clodoaldo Meneguello Cardoso, Nélson Neto da Silva. 8.ª série. Editora do Brasil S/A, São Paulo, 1983. Preparado por Maria Lúcia Bernardini, para todas as séries de Ensino Médio para as quais ministra aulas. Outubro / 2002

 

O desafio da América Latina

(fragmentos)

 

            Voltei da América Latina com impressões e emoções tão variadas quanto são diferentes os povos e os lugares daquele vasto continente.

            Pois ele é um continente diversificado: cada região tem suas próprias instituições, sua própria história, seus próprios sonhos para o futuro. Níveis1 de renda, de educação, de composição de populações, níveis de vida e maneiras de viver – tudo isso varia intensamente de uma nação para a outra, e dentro dos próprios países.

            Apesar disso, têm muitas características comuns…

            Em todos os lugares por onde viajamos, os ideais de independência, de liberdade e de justiça são uma força altiva2 e em movimento. Em toda parte é esta herança que está impelindo3 para frente, e pode-se sentir facilmente o futuro no semblante4 de cada latino-americano.

            No seu cerne5, na base de todas as esperanças por progresso econômico e por justiça social, estão dois grandes e resistentes problemas: a educação e a reforma agrária6. Tanto educação como reforma agrária são indispensáveis  para o crescimento econômico.

            De nada adianta a riqueza ou o poder de uma nação, se seus filhos são condenados à ignorância, as famílias escravizadas à terra que não podem esperar possuir; se lhes são negadas a dignidade e a satisfação do talento e da esperança que constituem o objetivo do progresso econômico. Progresso sem justiça é um falso progresso e será uma falsa esperança. Então, a educação e a reforma agrária têm de ser o centro de nossas preocupações pelas reformas na América Latina, e devem estar entre as primeiras prioridades dos próprios governos latino-americanos.

(Robert Kennedy. O desafio da América Latina. Tradução de Álvaro Valle. Editora Laudes, Rio de Janeiro. Apud: Telecurso do 1.º Grau, páginas 338/339.)

Vocabulário

1.       Nível = plano, situação.

2.       Altivo = elevado, brioso, orgulhoso.

3.       Impelir = empurrar, estimular.

4.       Semblante = rosto, fisionomia.

5.       Cerne = interior, âmago, centro, no aspecto mais profundo.

6.       Reforma agrária = divisão de terras para os pequenos agricultores, visando maior produtividade e justiça social.

Entendendo o texto

Não escreva (nem rasure) nestas folhas emprestadas a você

1.       Este texto contém as impressões de um político norte-americano após sua viagem pelos países da América Latina. Por que ele teve impressões tão variadas?

2.       A diversidade existente entre os países se percebe em vários setores. Destacar  dois.

3.       A par da diversidade, há uma grande unidade de ideais na América Latina. Quais são?

4.       Transcrever (= significa “copie no seu caderno de respostas, utilizando aspas”) a passagem do texto que mostra a esperança  dos latino-americanos.

5.       Quais são os dois maiores obstáculos para o desenvolvimento da América Latina citados no texto?

6.       Robert Kennedy coloca uma condição para o verdadeiro progresso na América Latina. Transcrever (= significa “copie no seu caderno de respostas, utilizando aspas”) a passagem a esse respeito.

7.       A que conclusão chegam os políticos sobre os problemas da América Latina?

8.       Copie, em seu caderno, e assinale somente as afirmações que podem ser concluídas do texto:

a)       O desnível sócio-econômico é um problema comum entre os países latino-americanos.

b)       O progresso econômico depende, em grande parte, do desenvolvimento agrícola.

c)       Na América Latina, existem, ainda, muitos latifundiários.

d)       O povo latino-americano vive na ignorância por opção própria.

 

Vivendo o texto

1.       O texto afirma que o povo latino-americano tem um ideal comum: o de independência. De que você acha que ele quer se libertar?

2.       Conte algum fato que revele esse ideal de independência e que tenha ocorrido recentemente em um país da América Latina que não seja o Brasil.

3.       Você acha que os brasileiros devem se interessar pelos problemas dos outros países latino-americanos? Por quê?

4.       Você também é um latino-americano. Como você vê o futuro da América Latina?

 

Leitura suplementar do texto “O desafio da América Latina (fragmentos)”

Enquanto EUA se voltam para o terror e o Iraque, a América Latina queima lentamente
Mike Williams

Cox News Service

Em Buenos Aires (Argentina)

 

Durante a próspera década de 90, a Argentina, este grande país parecia um exemplo brilhante da prescrição americana para a América Latina: adote reformas de mercado e eleições democráticas e você obterá uma sociedade vibrante sustentada pela prosperidade econômica.

Mas a Argentina atualmente vive o quadro inverso, sofrendo sua pior crise econômica e política dos últimos cem anos. Pior, há temores de que seu colapso se espalhará para seus vizinhos, enquanto as dúvidas em torno da liderança americana e o ressentimento em relação às reformas apoiadas pelos Estados Unidos crescem por toda a América do Sul.

"Por toda a região há um sentimento de que as coisas não saíram como deveriam", disse Fernando Robles, um especialista em América Latina da Universidade George Washington, em Washington, DC. "As pesquisas de opinião mostram que cada vez há menos apoio às reformas de mercado e até mesmo à democracia. As pessoas estão dizendo que as reformas ocorreram rápido demais e que talvez seja melhor fortalecer as instituições antes de prosseguir".

            As ondas de choque da implosão da Argentina já abalaram as economias dos vizinhos Paraguai e Uruguai, enquanto a maior economia da América do Sul, o Brasil, está cambaleando em meio aos crescentes temores internacionais de que pegará o vírus da Argentina ou dará uma forte guinada para a esquerda caso, como se espera, os eleitores troquem o governo conservador, orientado aos Estados Unidos, pelo líder trabalhista Luiz Inácio Lula da Silva.

            Enquanto isso, o presidente reformador do Peru que estudou nos Estados Unidos, Alejandro Toledo, está enfrentando péssimos índices de aprovação. Ele parece não conseguir curar a recessão debilitadora do Peru, enquanto a vizinha Colômbia permanece em grande parte paralisada devido à sua longa guerra civil e aos poderosos chefões do narcotráfico.

Enquanto isso, a Venezuela oscila à beira da anarquia, com sua economia rica em petróleo abalada pelo alto desemprego enquanto rumores de golpe perseguem seu presidente populista, Hugo Chávez, um oponente declarado dos Estados Unidos. Chávez já sobreviveu a uma tentativa de golpe realizada pela poderosa coalizão de interesses empresariais e sindicatos trabalhistas.

            Apesar da maioria dos especialistas dizer que cada país tem sua própria dinâmica e que os problemas da Argentina são singulares, ela também concorda que as dificuldades econômicas e condições políticas que atualmente envolvem a maioria dos país da América do Sul e Central não devem melhorar tão cedo, o que significa que haverá um maior questionamento da liderança dos Estados Unidos.

"É muito sério", disse Michael Shifter, um analista da Diálogo Interamericano, um centro de estudos baseado em Washington. "A estrutura que estabelecemos baseada em comércio e paz está ameaçando desmoronar, e as pessoas estão buscando alternativas. O verdadeiro perigo é que há um sentimento crescente de vale tudo".

            Os problemas não têm atraído muito a atenção de Washington, onde o governo Bush está concentrado quase que exclusivamente na guerra contra o terrorismo e no debate em torno da remoção de Saddam Hussein do Iraque.

"Os Estados Unidos não têm se envolvido", disse Shifter. "Mesmo antes de 11 de setembro, esta era o caso devido à visão de que estes países não afetam interesses vitais dos Estados Unidos. A postura é, ‘Estes problemas se resolverão sozinhos’. É uma visão muito míope porque esta é uma região passando por um declínio e males terríveis".

Após décadas de regimes militares repressores que contiveram insurreições esquerdistas e protegeram a classe empresarial, a América Latina passou por uma renascença durante os anos 80 e 90. Um a um, os governos militares do Brasil, Argentina e Chile deixaram o poder e governos democráticos foram eleitos.

Enquanto isso, levados por instituições apoiadas pelos americanos como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, os governos latino-americanos abriram suas economias, venderam suas empresas estatais, contiveram os gastos governamentais e removeram ou reduziram as barreiras comerciais.

Em Washington, tais desdobramentos foram saudados como prova do sucesso do modelo americano. Com a queda do comunismo soviético, as revoltas esquerdistas em países como Peru, El Salvador, Guatemala e Nicarágua definharam ou se deslocaram para o centro político, reduzindo antigos temores de contestação à doutrina americana em seu próprio quintal.

            Mas agora o momento estagnou. As pesquisas de opinião pública na América Latina mostram um profundo ressentimento com as reformas de mercado, com muitas pessoas acreditando que as medidas favorecem os ricos e as corporações multinacionais, deixando os pobres para trás.

            Há também crescentes dúvidas em relação à democracia. Pesquisas feitas pela firma Latinobarometro do Chile mostram que o número de pessoas que preferem a democracia a outras formas de governo caiu – apesar de que na maioria dos casos apenas ligeiramente- em 13 de 17 países latino-americanos nos últimos cinco anos.

            "Em alguns lugares há até mesmo nostalgia das ditaduras", disse Atilio Boron, um sociólogo argentino formado em Harvard. "Se você é uma mãe solteira com cinco filhos vivendo em uma favela, o tempo das ditaduras militares parece melhor porque não havia os traficantes de droga por toda a parte. Elas dizem: ‘Pelo menos havia lei e ordem’ ”.

            As causas da erosão da confiança são diversas, com cada país sofrendo com seus problemas particulares, dizem os especialistas. Mas há elementos comuns: políticos corruptos e ineficazes, instituições fracas geralmente comprometidas pelo tráfico de influência, preocupações com a criminalidade e a continuidade das enraizadas disparidades de renda nas quais as massas empobrecidas vêem pouca esperança de sucesso em sistemas dominados por minúsculas elites ricas.

"A liderança é um grande problema", disse Shifter. "Você precisa de instituições fortes, eficientes, e de uma classe política mais preocupada com os interesses nacionais do que com suas próprias agendas".

Juntamente com a pouca confiança em seus líderes, muitos latino-americanos também duvidam que as instituições, particularmente os tribunais, os protegerão, disse Boron.

            "Em toda a América Latina, não há independência do sistema judiciário", disse ele. "Eles não são independentes dos poderes estabelecidos, de forma que os cidadãos não tem nenhum lugar onde apelar e nenhuma confiança nos tribunais. Também há muita corrupção por parte das grandes corporações que são protegidas pelos poderes estabelecidos. Para mim, a única solução seria uma reformulação completa destas instituições. Qualquer coisa menos que isto não funcionará".

            A preocupação de muitos é que sem tais reformas, a América Latina pode voltar ao governo do homem forte de militares e demagogos populistas, fechando mercados e expandindo o controle do governo de indústrias chaves.

            No Peru, as tentativas de Toledo de privatizar uma empresa estatal levou a protestos sangrentos no início deste ano, obrigando o presidente a recuar. Eleito no ano passado após a renúncia do corrupto Alberto Fujimori, Toledo tem se mostrado ineficaz até o momento, lutando para superar um índice baixo de aprovação.

Também há fortes temores de que o Brasil penderá para a esquerda, erguendo barreiras comerciais e ampliando caros programas sociais enquanto sua dívida externa desponta como uma crise potencial. Lula, um líder sindical de esquerda, parece prestes a conquistar a presidência, e apesar de ter se deslocado para o centro político, ele representaria uma profunda ruptura em relação à liderança do conservador Fernando Henrique Cardoso.

E há a Venezuela de Chávez, um populista de esquerda que tem persistentemente zombado de Washington enquanto repreende a "oligarquia rançosa" de seu país. Ele também faz propaganda de sua amizade com o velho ditador comunista de Cuba, Fidel Castro.

            Chávez sobreviveu a uma tentativa de golpe em abril, mas tem se segurado no poder em meio ao agravamento da crise na qual seus opositores – os sindicatos, os interesses empresariais e alguns oficiais militares- organizam marchas de protesto e continuam a pedir a sua renúncia.

Poucos parecem saber quem poderia emergir como sucessor de Chávez, ou que direção a problemática Venezuela poderia tomar.

            Na Argentina devastada pela crise, Boron diz que os problemas se tornaram agudos.

"Este país fez exatamente o que os Estados Unidos e o FMI queriam", disse ele. "Mas as pessoas sentem que a única preocupação de Washington é com a lucratividade dos interesses americanos na Argentina. Nós tivemos um levante popular que removeu um presidente, mas não foi o bastante. As pessoas ainda sentem que um Congresso corrupto e corporações poderosas estão comandando o país".


Tradução: George El Khouri Andolfato

Fonte: http://www.uol.com.br/times/nycox/ult584u219.htm

 

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Inoportuna, inadequada, inconveniente = sou eu terça-feira, mar 21 2006 

Este é mais um exemplo de atividade pedagógica … falida.
 
Peço desculpas aos nomes citados, mas foi impresso assim, distribuído aos demais professores assim  e arquivado em disquete assim.
 
Inoportuna, inadequada e inconveniente, sempre acreditei – e desse modo agi – que jamais ensinaria algo, mesmo que os alunos estivem prontos (prontidão de aprendizagem, vontade de aprender) para aprender, se eu, como educadora não dominasse o assunto.
 
A proposta abaixo, como tema transversal – uma conversa para boi dormir, quando apenas um professor ou uma professora é capaz de desenvolver o tema e os demais pegam carona, rabeira, ficam com as glórias, e o tomador de sorvete pela testa com o serviço – era excelente. Como se pode despertar a cidadania se o cidadão é inconveniente, inadequado e inoportuno? Quais os significados dessas palavras DENTRO DO CONTEXTO cidadania? Não, não estou gritando ou você ouviu a minha voz? Pareço estar gritando? Estou dando destaques, por meio de um recurso denominado letras maiúsculas. Antes de dar início ao planejamento da atividade, todos nós sabíamos as definições, para contextualizá-las? Eu não saberia definir sem auxílio de dicionário. Definição geral.
 
Dããããã, fiz a proposta, por escrito, e, aparentemente meu TOM prevaleceu, pois o único a agradecer a sugestão foi o Prof. Cornélio, no próximo HTPC, mas ou não foi adiante ou esta inoportuna, inconveniente e inadequada foi marginalizada e se tornou um PROJETO que foi desenvolvido sem meu conhecimento. Quem sabe desenvolvido em outra escola que não naquela de que eu, supostamente, fazia parte do corpo docente? Dãããããã. 
 
Quem sabe os endereçados NÃO TENHAM RECEBIDO cópias e o conteúdo tenha sido passado de modo distorcido?
 
Alternativa correta: ninguém entendeu nada do que escrevi, portanto, sou meio "anarfabeta".
 

Aos professores: Maria Lúcia Guitte e Cornélio

De: Maria Lúcia Bernardini, 08/04/2002.

Com cópias para a Diretora Sônia e à Coordenadora Pedagógica Marilene.

            Esta é minha colaboração inicial ao tema transversal Cidadania, “O cidadão no contexto social”, com o título INOPORTUNO, INADEQUADO, INCONSEQÜENTE: a definição e a discussão dos significados dessas palavras, para começar. Depois, sim, quando todos os professores, funcionários e direção tivessem discutido esses significados, além de termos feito autocrítica (=autocrítica . [De aut(o)-1 + crítica.] S. f. 1. Crítica feita por alguém a si mesmo ou a suas próprias obras. 2. Capacidade de exercer autocrítica (1): Medíocre, considera-se um gênio: não tem autocrítica.), poderíamos pensar em elaborar um projeto, exigindo o que quiséssemos dos alunos. [Confesso que não retirei esse exemplo de propósito. Portanto, meu TOM ficou evidente.]

 

inoportuno . [Do lat. tard. inopportunu.] Adj. 1. Que não é oportuno; intempestivo. 2. Que vem, se faz ou sucede fora de tempo ou de ocasião conveniente. [Sin. ger.: desoportuno.]

oportuno . [Do lat. opportunu.] Adj. 1. Que vem a tempo, a propósito, ou quando convém; apropriado. 2. Cômodo, favorável.

 

inadequado . [De in-2 + adequado.] Adj. 1. Não adequado; impróprio.

adequado . [Part. de adequar.] Adj. 1. Apropriado, próprio, conveniente: "À intensa religiosidade do homem medieval correspondeu também uma literatura religiosa adequada." (Feliciano Ramos, História da Literatura Portuguesa, p. 43.) 2. Acomodado, ajustado, adaptado. 3. Conveniente, oportuno. 4. Filos. Diz-se de uma representação que tem exata correspondência ou conformidade com o seu objeto. ~V. conhecimento –.

próprio . [Do lat. propriu.] Adj. 1. Que pertence a; pertencente: Reside em casa própria. [Equivalente ao possessivo: meu, teu, seu, nosso, vosso.] 2. Peculiar, particular, natural: "O orgulho é próprio dos homens, a vaidade das mulheres." (Marquês de Maricá, Máximas, Pensamentos e Reflexões, p. 31.) 3. Adequado, apropriado: Gosto de estudar no livro próprio. 4. Oportuno, conveniente: Chegou em hora própria. 5. Idêntico, exato. 6. Exato, certo; preciso: Chegaram na própria hora combinada. 7. Textual (3): Repeti suas próprias palavras. 8. Verdadeiro, autêntico: Nem o próprio Deus me demoveria. 9. Não figurado; primitivo: Usei a palavra em seu sentido próprio. [Superl. abs. sint.: propriíssimo.] ~ V. divisor –, freqüência -a, função -a, mão -a, movimento –, nome –, oscilação -a, peso –, substantivo –, tempo – e valor –. • S. m. 10. Qualidade ou feição especial. 11. Portador ou mensageiro: "Nesse mesmo dia Joaquim Ribeiro despachou um próprio com um bilhete a Roberto" (Bernardo Guimarães, História e Tradições da Província de Minas Gerais, p. 122) 12. Lit. Obsol. Até o Concílio Vaticano II (1962-1965), cada uma das partes variáveis da missa (1) [intróito, gradual, aleluia, trato (eventualmente, seqüência), ofertório, comunhão], cujos textos lidos, recitados ou cantados, mudam de acordo com as sucessivas divisões do ano litúrgico ou com as festas dos santos. [V. ano litúrgico.] 13. Lóg. Um dos predicáveis (q. v.): característica que não faz parte da essência de uma coisa mas só a ela pode ser atribuída. Ex.: ser geômetra, com relação a homem. Próprios nacionais. 1. Bens próprios da nação ou do Estado.

 

inconseqüente . [Do lat. inconsequente.] Adj. 2 g. 1. Em que há inconseqüência. 2. Inconsiderado, imprudente. 3. Contraditório. • S. 2 g. 4. Pessoa inconseqüente.

conseqüente Adj. 2 g. 1. Que segue naturalmente: o conseqüente resultado de uma imprudência. 2. Que se infere, que se deduz. 3. Que procede coerentemente; que raciocina bem; coerente, lógico, racional: O educador deve ser conseqüente em seus atos e suas palavras. • S. m. 4. E. Ling. A oração subordinada. 5. E. Ling. Unidade lingüística que se refere a outra anteriormente apresentada na sentença. [Por ex., o pronome relativo que na frase: Esse é o homem que eu vi.] [Cf., nesta acepç., antecedente (4).] 6. Lóg. Em relação de implicação, o termo que é implicado. [Opõe-se a antecedente (5).] 7. Mat. Denominador de uma razão. 8. Mat. Numa seqüência ordenada, termo que sucede imediatamente a outro. 9. Mús. V. imitação (2).

 

Fonte: http://www.uol.com.br/aurelio/

 

O CASARÃO: informações iniciais (com imagens dos planos de atividades) domingo, mar 5 2006 

Informações sobre o casarão (sobrado) que serviu de estímulo para a produção de texto dos alunos de primeira série e a única segunda série da Professora Maria Lúcia Bernardini, Ensino Médio, em março/99, escola “Pinheiro Júnior”, em Itu / SP e ROTEIRO PARA A PROFESSORA (atividade iniciada em 16/03/1999, conforme instruções deixadas na escola para o professor substituto, pela Professora Maria Lúcia Bernardini, pois era falta abonada da professora por causa do aniversário dela.)

 

Fonte: O Barão de Itaim, Inaldo C. S. Lepsch, Ottoni Editora, Itu – SP , 1999

Ressalva: esta fonte foi inserida MUITO DEPOIS de a EDUCADORA Maria Lúcia Bernardini ter iniciado a atividade com os alunos; a professora não tinha a mínima idéia de que a referida fonte, livro, estava sendo impressa ou já tinha sido impressa, aguardando o momento do lançamento apoteótico, aparentemente com apoio político-partidário, o que, no modo de entender da EDUCADORA Maria Lúcia Bernardini, serve apenas para propósitos que beneficiam alguns privilegiados e não os interesses da comunidade; para que possa esclarecer um pouco mais, a referida atividade a ser desenvolvida com os alunos foi elaborada em casa, pela EDUCADORA Maria Lúcia Bernardini, por meio de uma matriz com a foto do casarão “escaneada” pelo irmão, Washington, da professora, e essa matriz foi copiada na mesmo copiadora que imprimiu o livro citado acima como “fonte” e, repito, isso aconteceu meses antes de o livro ser lançado. Coincidentemente, a rede “Globo” apresentou o tema dos imigrantes numa novela e é fácil imaginar o desespero de oportunistas que queriam ser “fontes de consulta”, mesmo que para isso precisassem atropelar e “melar” as vidas pessoais e profissionais de quem não tinha os mesmos interesses:

 

       Um casarão semelhante ao que hoje abriga o Museu Republicano “Convenção de Itu”, porém modificado, arquitetonicamente, após 1910.

       Antigo dono: Padre João Leite Ferraz, o edificador da Igreja Matriz de Itu.

       Pertenceu, depois, ao Barão de Itu: o registro histórico mostra o nome da Baronesa de Itu (viúva), D.ª Leonarda de Aguiar Paes de Barros. O nome do sítio era “Tietê”.

       Em 1868, o Capitão Bento Dias de Almeida Prado e a mulher passam a ser proprietários desse sobrado. O Capitão Bento recebe o título de Barão de Itaim em 1885. O sítio, após 1868, passa a ser denominado “Paraíso”.

       Por volta de 1870, o S.r Antônio Franklin de Toledo, casado com uma prima do Capitão Bento, supervisor do plantio de cana-de-açúcar do sítio “Paraíso”, montou a primeira moenda do engenho e se tornou o principal auxiliar e gerente dessa propriedade.

       Entre 1878 e 1889, Bento Dias se tornou o maior produtor de açúcar de Itu.

       Por um século, aproximadamente de 1750 a 1850, o plantio de cana e o comércio do açúcar se constituíram na base da economia de Itu.

       Em 1890, o Barão de Itaim vendeu a “Paraíso” para um primo (por 30 contos de réis). Já produzia café. Dez meses depois, acrescida de 1.800 pés de café, sem quaisquer outras benfeitorias (o que mostra que já não se plantava cana nem se  comercializava açúcar, como antigamente, mas tinha como plantio e comércio o café), foi revendida por noventa contos.

Informações da professora e da família dela

       Por volta de 1912, passa a pertencer à família de Joaquim da Fonseca Bicudo.

       Em 1926, o pai da professora, com três anos de idade já se recorda de estar morando na Fazenda “Paraíso”. O avô dela, Brazil Bernardini, filho de imigrantes italianos, casado  com Ignez Micai Bernardini, filha de imigrantes italianos (ambas as famílias chegaram ao Brasil em 1897), foi “capataz” ou “feitor” (os títulos da função são resquícios da época em que havia escravos negros) dos trabalhadores rurais, na maioria imigrantes. O sobrado foi “modernizado”, arquitetura neoclássica, antes do  declínio da produção cafeeira atingir, completamente, quem plantava e comercializava café.

       Hoje, o sobrado (ou o casarão) está em ruínas e, para que os alunos entendam os significados de algumas palavras como “aristocracia” ou “aristocrata”,  usadas de maneira a despertar neles uma curiosidade, pois, no Brasil, nunca houve nobreza, exceto quando a família real fugiu de Portugal para o Brasil, e, principalmente, para que os alunos REESCREVAM OS TEXTOS QUE PRODUZIRAM EM MARÇO, REVISADOS PELA PROFESSORA E PASSADOS A LIMPO por eles, ENRIQUECENDO-OS, CORRIGINDO INFORMAÇÕES QUE ESCREVERAM (E  POR NÃO CONHECEREM OUTRAS), após a visita ao Museu Republicano, o que lhes possibilitou conhecer as dependências de um casarão semelhante ao sobrado que lhes serviu de estímulo visual para a produção dos textos, a professora Maria Lúcia:

1)    Pretende ler, em voz alta, para as classes o texto de Rubem Braga, “Luto da família Silva”, Para gostar de ler, 4ª EDIÇÃO, São Paulo, Ática, 1984, volume 5, páginas 44 e 45, explicando bem que o autor não está ofendendo a família Silva, pois os Silva somos todos nós que trabalhamos honestamente e seguimos os exemplos de nossos antepassados, mas que somos sacrificados, somos.

2)    Pretende ler, em voz alta, para as classes o texto “Eu me orgulho de ser paulista”, de João Mellão Neto, Espaço aberto, Sexta-feira, 16/07/1999, “O Estado de São Paulo”, destacando os trechos que citam os imigrantes e o progresso de São Paulo e as evidências de que os barões do café, no máximo, construíram belos casarões (além de outras informações contidas no texto).

3)    Comentar com os alunos sobre o que sabem a respeito da situação financeira do município de Itu (e de outros municípios), pois muitos sugeriram que a prefeitura deveria restaurar o casarão e usá-lo para diversos fins (houve até quem sugerisse que o casarão deveria ser derrubado, discutir isso) e se continuam com essa sugestão ou acrescentam a informação de que a Prefeitura não tem dinheiro nem para pagar as desapropriações feitas em governos anteriores.

4)    Após os alunos melhorarem os textos, enriquecendo-os com as informações recebidas, a professora lerá para eles os depoimentos de Agenor Bernardini, Alzira e Wanda (irmãos que escreveram como se lembravam do casarão, quando viviam ao lado, porque o pai era o administrador da fazenda).

As imagens inseridas são apenas para comprovar a data dessa atividade.

Sempre "tomei sorvete pela testa" e, em faltas abonadas, deixava as atividades perfeitamente em ordem para que o professor substituto (geralmente um estagiário) usasse e abusasse do que eu preparara e gastara para que o substituto aplicasse. Depois, o estagiário ou o professor substituto (no masculino, por machismo da Língua Portuguesa) ficava com "as glórias" e, sempre, conseguia "uma boquinha", às minhas custas, claro.

 

AGUARDEM AS PRÓXIMAS INSERÇÕES.

Não serão inseridas as produções dos alunos, pois ficou evidente que muitas produções não eram dos alunos, mas de oportunistas e a EDUCADORA não conseguiu entender, na época, quais seriam os motivos para os alunos terem sido aliciados a cometer delitos e crimes, quando a EDUCADORA estava, como sempre, desempenhando as funções e obrigações de EDUCADORA. Com o decorrer do ano letivo, ficou evidente que os alunos aliciados a assumir a autoria de determinados textos não tinham, ainda, as habilidades que demonstraram na produção de texto sobre O Casarão. Isso foi possível de ser detectado pelas novas produções, pelas interpretações de texto e pelas atitudes em sala de aula.

 

 

Tem uma história nas cartas da Marisa (Continue a história) sexta-feira, mar 3 2006 

Um texto que utilizei em mais de um ano letivo, com alunos de quinta e sexta séries, Ensino Fundamental, como atividade de leitura para estimular a produção de texto: eu lia o texto do livro para eles e, num determinado trecho, que será apontado aqui, parava a leitura e pedia aos alunos que soltassem a imaginação e ESCREVESSEM qual seria a solução do mistério que Marisa relata por meio de cartas para a prima. Após as leituras de suas produções, em classe, em voz alta, para que os demais alunos ouvissem e eu também, terminava a leitura de Tem uma história nas cartas da Marisa. Invariavelmente, os alunos e eu amávamos os resultados das produções de texto. Há muito o que explorar, pedagógica e socialmente no texto redigitado abaixo. Basta que o educador, também, solte a imaginação.

 

Tem uma história nas cartas da Marisa

De Mônica Stahel

Editora Clube do Livro Ltda.

Editora: Sônia Junqueira

Ilustrações Miriam Okubo

Projeto Gráfico: Sibele Andreoli

Revisão: Zenaide Rosa de Jesus

São Paulo, Clube do Livro, 1986. Literatura Infanto-Juvenil

Adquirido por Maria Lúcia Bernardini, em 27/04/1987, na 1.ª Bienal do Livro / Nestlé, em Sorocaba / SP. Nesse Encontro, como educadora, aprendi a amar os livros do Ziraldo, por exemplo, por meio da leitura e discussão de vários livros de Ziraldo, entre eles, O menino mais bonito do mundo. Outro livro, de um autor de sobrenome Magalhães, Orelhinha, Orelhudo

                        Sabe Nada, Sabe Tudo,

que, a começar pelo título, interpreta-se que a personagem principal, Orelhinha, quando obediente (como o sufixo “inha”, com conotação afetuosa), não sabia nada, mas quando era chamado de “Orelhudo”, era porque sabia tudo, ou melhor, estava desafiando o status quo, questionando conceitos e atitudes.

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Para a Andréa e para a Renata, porque a gente se ama e vive uma história bonita. E para todos os que entram na nossa história.

(A autora Mônica Stahel)

 

Ângela,

            Depois que você foi embora para Ribeirão Preto, eu fiquei um tempão andando pela casa que nem barata tonta, achando tudo muito sem graça. Cada vez que eu pensava que ia ter que esperar até as outras férias pra brincar outra vez com você, me dava vontade de sair gritando de raiva. Mamãe me deu um picolé pra eu ficar mais contente, mas a raiva era tanta que eu mastiguei a ponta do pauzinho, até fazer uma franjinha. Mais tarde a Maria e a Cláudia vieram me chamar pra brincar. Nós ficamos pulando corda na calçada, e depois sentamos no muro e ficamos brincando de botar apelido nos meninos. O Carlinhos ficou sendo o Carlão-sem-sabão. Toda vez que a mãe dele chama pra tomar banho, ele volta logo depois com outra roupa, mas com a mesma cara. A Cláudia disse que o Carlinhos abre o chuveiro só pra mãe dele ouvir o barulho, mas vai ver ele fica sentado na privada vendo a água correr. Aí troca de roupa, e pronto.

            A mania do Chico é dizer que um jogo não valeu sempre que ele está perdendo. Então, o apelido dele ficou sendo Chico-não-valeu. Não deu pra inventar mais apelido porque os meninos ficaram loucos da vida, quiseram tomar a corda da gente e começaram a puxar nosso cabelo. No fim cansou, a gente acabou indo todo mundo jogar queimada na casa do Fernando.

            Eu voltei pra casa contente da vida, mas quando o Fábio me viu foi dizendo: “Ta tristinha porque a priminha foi embora? Vai ser ruim mexericar sozinha por aí, né?”. Ah, Ângela, que raiva! Às vezes dá vontade de trocar esse irmão marmanjo por uma irmã do meu tamanho, como você!

Um beijo da

Marisa.

Ângela,

            Hoje começou a escola outra vez. No começo, fiquei com um pouco de preguiça de ir, mas depois até que eu achei legal. Acho uma delícia escrever em caderno novo. Só que a gente demora um pouco para acostumar com os colegas, porque todo mundo cresce e às vezes até fica com uma cara meio diferente. Foi por isso que a gente estranhou quando o Duda entrou na classe. Foi o único de nós que, em vez de crescer, diminuiu. Estava com a mesma cara de sempre, gorducho, mas muito menor. Ninguém quis dizer nada pra ele não ficar chateado. Mas susto mesmo a gente levou quando, depois de uns minutos, o Duda chegou de novo, dessa vez bem crescidinho como todos os outros. Acontece que o primeiro Duda não era ele, era o irmão caçula dele, que entrou este ano no pré. A professora encontrou com ele no bebedouro e levou pra nossa classe. Só depois é que ela reparou que ele tinha encolhido.

            Quando eu voltei da escola, ainda deu tempo de brincar um pouco de esconde-esconde com o pessoal aqui da rua. Só que hoje não teve muita graça. Você se lembra daquela casa verde da esquina, que estava desocupada? Pois, quando eu fui entrar lá com o Fernando pra gente se esconder no quintal, o portão estava trancado. Aí que a gente reparou que tinha cortina na janela. Mudou gente pra lá, e está todo mundo curioso para saber quem é, porque ninguém viu a mudança. De todo jeito, não dá mais pra brincar lá.

Vê se me escreve também, viu? Um beijo da

Marisa.

 

Ângela,

            Hoje eu sonhei que o Fábio estava me ajudando a catar tatuzinho no quintal e, de repente, ele virou uma garrafa de coca-cola vazia. Na hora do café eu contei o sonho e ele ficou louco da vida. Disse que nunca mais vai me ajudar a catar tatuzinho, que isso é besteira de criança pequena, e começou a me chamar de Marisa-cara-de-tatu.

            Sabe, hoje de tarde eu passei com a turma um monte de vezes na frente da casa verde pra ver se a gente descobria quem é que está morando lá. Não deu pra ver nada, mas deu pra ouvir barulho de gente varrendo o chão. Então nós combinamos de um de nós ir lá, tocar a campainha, e sair correndo. Enquanto isso, os outros ficavam escondidos atrás do muro da casa do Chico, que moram em frente, pra espiar quem vinha abrir a porta. Quando a gente estava escolhendo quem ia tocar a campainha, o pai do Chico chegou e descobriu nosso plano. Aí ele falou que era pra deixar os vizinhos sossegados e ir brincar longe dali. Mas eu acho que é tudo fingimento do seu Francisco, porque ele também deve estar louco pra ver a cara do pessoal que está morando lá em frente.

            Com a bronca do seu Francisco mixou a brincadeira e a gente veio sentar no muro aqui de casa. O irmãozinho da Maria Luísa foi buscar os tatuzinhos dele pra eu ver. Aí o Fernando teve a idéia de fazer uma corrida de tatu: os do Tonhão contra os meus. Mas nem teve graça: o Tonhão tem um tatu de corrida que ganhou todas. Eu fiquei morrendo de vontade de ter um tatu daqueles, mas o Tonhão não quis trocar nem pelos meus cinco. Ele disse que só vende por dez cruzados. E a mamãe falou que dinheiro pra comprar tatu ela não dá, porque no quintal tá cheio. Acontece que tatu de corrida só tem no quintal da casa verde, e lá não dá mais pra entrar.

            Olha, Ângela, vê me escreve. A turma sempre pergunta de você, e eu fico até com vontade de inventar umas novidades pra não ficar sem graça.

Um beijo da

Marisa.

 

Marisa,

            Gostei muito das suas cartas. Você vai bem? Por aqui está tudo bem. Mamãe manda lembranças. Um beijo da

Ângela.

 

Ângela,

            Foi legal saber que por aí vai tudo bem. Só que achei a sua carta meio sem graça. Aposto que você não sabia o que escrever e foi pedir pra sua mãe ditar.

            Minha mãe está na sala trabalhando, e eu estava espichada na cama, resolvendo se ia ler um livro ou escrever para você. Aí comecei a imaginar como é que ia ser se a cama saísse voando por aí comigo em cima. Fui correndo buscar um pacote de bolacha, uma garrafa de guaraná e o penico, e deixei tudo aqui perto de mim. Agora posso escrever sossegada, porque se a cama voar eu não passo fome nem sede, e nem preciso ficar segurando xixi.

            Depois que eu pedi dinheiro pra comprar tatu, a mamãe e o papai resolveram me dar uma mesada para eu gastar no que quiser. Na mesma hora eu saí correndo pra comprar o tatuzinho de corrida. Mas quando o Tonhão foi buscar o tatu, ele estava morto dentro do vidrinho. Também, acho que o Tonhão se esqueceu dele: nem pra dar comida e abrir um pouquinho a tampa do vidro pro coitadinho poder respirar! Só quero ver se ele consegue arrumar outro.

            Sabe, o Chico contou que outro dia ele acordou de noite pra ir no banheiro e quando chegou na sala o pai dele estava no escuro espiando a rua por um buraquinho da janela. Aí o seu Francisco disse que não estava conseguindo dormir e foi tomar um pouco de ar. Mas a gente achou muito gozado alguém tomar ar com a janela fechada e o olho pregado num buraquinho.

            A mamãe disse que o açougueiro contou pra ela que todo dia, quase na hora de fechar o açougue, vai lá um homem meio esquisito, com uma capa marrom. Ele chega, pede quatro bifes, paga, e vai embora sem falar nada.

            Acho que ele mora na casa verde.

            Eu contei isso pra turma, e a gente anda achando que esse homem esconde alguma coisa lá na casa.

            Ontem a gente ficou até tarde fingindo que estava brincando lá na calçada do açougue, mas o homem não apareceu. Aí a Cláudia falou com o açougueiro e ele disse que ontem o homem levou doze bifes. A Maria Luísa fez as contas e disse que dá para três dias. Então hoje também não adianta a gente esperar.

Um beijo da

Marisa.

 

Ângela,

            Hoje amanheceu chovendo. Que raiva que me deu! Justo num fim de semana, e eu sem nada pra fazer. Resolvi arrumar minha caixa de lembrancinhas. O Fábio entrou no quarto e ficou vendo as coisas comigo. Tem um garfinho de plástico da festa do Duda, um broche sem alfinete que eu achei na escola, uma fita estragada de gravador que o papai me deu, um cinto velho de um vestido da vovó, tampinha de garrafa, um monte de vidrinhos de remédio vazios (alguns até ainda estão na caixinha), uma pena de galinha, uma pedras redondinhas que eu achei na rua, aquele palito de sorvete mastigado, e um monte de outras coisas. O Fábio só reclamou quando ele achou uma bexiga velha, foi encher e percebeu que ela estava furada. Aí ele disse que tudo aquilo não serve pra nada, mas mesmo assim ficou olhando até eu acabar a arrumação.

            De tarde, a Cláudia veio aqui. Nós brincamos um pouco de boneca e depois fomos pra casa do Chico jogar dominó com todo mundo. De repente começou uma briga porque o Fernando grudou chiclete no cabelo da Maria Luísa. Os meninos começaram a defender o Fernando. Eu acho que a Maria Luísa é meio chata mesmo. Só porque ela é a mais velha, vive se exibindo e querendo mandar nas brincadeiras da gente.

            Eu não estava com vontade de brigar e fui pra janela olhar a chuva. Aí, menina, eu via as duas mãos de alguém fechando a veneziana da casa verde. Chamei o pessoal, e foi aquela correria. Mas, quando eles chegaram na janela, as mãos tinham entrando e ninguém viu nada.

                        O Chico acha que o homem da capa marrom é dono de um bicho-papão que ele não quer que ninguém veja. Eu lembrei da história dos quatro bifes. Mas o Chico disse que bicho-papão come muito e que deve ser três bifes pra ele e um pro dono. Só se for isso.

            O Tonhão acha que o homem é um bruxo disfarçado de gente. Como a bruxa é mais difícil de disfarçar por causa da verruga na ponta do nariz, ela manda o marido comprar carne pra ela e pros dois filhos. Mas aí eu já acho que é invenção do Tonhão, porque ele é muito pequeno.

Um beijo da

Marisa.

 

Marisa,

            Minha mãe disse que bicho-papão não existe. Por aqui vai tudo bem. Um beijo da

Ângela.

 

Ângela,

            Você parece boba! Todo mundo diz mesmo que bicho-papão não existe. Mas ninguém consegue descobrir quem é que mora na casa verde. Nem você e nem sua mãe.

            Ontem, eu ganhei duas tartaruguinhas daquelas que ficam na água. Arranjei uma bacia com água e algumas pedras pra elas subirem pra tomar sol. De tarde o Tonhão veio aqui e a gente achou que as tartarugas estão muito fracas, porque elas estão nadando meio devagar. Elas estavam precisando de um pouco de ginástica. Na mesma hora nós começamos a fazer exercícios de abrir e fechar as patinhas da frente, depois as de trás, plantar bananeira, como a gente aprende na aula de Educação Física da escola. Elas ficaram tão cansadas, que depois encolheram as patinhas e a cabeça dentro da casca e ficaram dormindo em cima das pedras. O Fábio disse que desse jeito nós vamos matar as tartarugas, mas eu nem liguei. Cobri as duas com uns paninhos pra elas dormirem melhor.

            De repente a Maria Luísa apareceu gritando que nem doida. Quando ela estava voltando da escola, passou na frente da casa verde e ouviu uns gritos horríveis lá dentro. Saímos correndo pra chamar o resto da turma e fomos pra lá, mas estava tudo quieto. Eu achei bom, porque estava com um pouco de medo, mas ia ser a primeira vez na minha vida que eu ia ouvir voz de bicho-papão. A Maria Luísa imitou pra gente ver, mas não saiu direito.

            A gente ficou um tempinho atrás do muro do Chico, todo mundo meio escondido. Quando o medo foi passando a gente começou a chamar o bicho-papão pra ver se ele respondia. Mas nada. A gente chamava cada vez mais alto e cada um ia dizendo uma coisa:

            “Homem da capa marrão, traz aqui o bicho-papão.”

            “Bicho-papão bobão, come bife com feijão.”

            “Fugiu, seu fujão, trepado no vassourão.”

            Essa quem inventou foi o Tonhão, porque ele continua querendo pôr uma bruxa de vassoura no meio da história. Mas ninguém ligou pra nossa gritaria, só as mães que começaram a chamar pra tomar banho. Aí a gente reparou que todas as casas já estavam de luz acesa, menos a casa verde.

Um beijo da

Marisa.

 

Marisa,

            A mamãe disse que o homem da capa marrom deve ser muito bonzinho e que ele compra bife pra dar pras crianças pobres que moram perto da casa dele.

            Por aqui vai tudo bem.

Um beijo da

Ângela.

 

Ângela,

            Essa história que a sua mãe inventou é história mais maluca e mais sem graça que eu já ouvi na vida. Sua mãe não deve entender muito mesmo dessas coisas, porque só aqui perto tem muito mais de quatro crianças pobres.

            E, depois, o açougueiro contou pra gente que faz um tempão que o homem da capa marrom não aparece mais pra comprar carne. Será que ele está doente? Será que o bicho-papão aquele dia estava berrando de fome? Será que o bicho-papão comeu o homem porque ele não quis mais comprar bife? Será que o homem comeu o bicho-papão porque ele comia bife demais?

            Não sei, não… Naquele dia que a gente aprontou aquela gritaria, o Chico disse que de noite apareceu uma luz misteriosa dentro da casa verde, fraquinha, que piscava muito.

            Hoje de manhã eu fiz um leãozinho de papelão e caixa de fósforo, pra aproveitar o palito mastigado de sorvete pra fazer o rabo. Também aproveitei um papelzinho de bala de coco pra fazer a juba. Achei o leãozinho tão legal, que me deu vontade de dar ele pro bicho-papão. O Tonhão veio aqui pra me perguntar uma coisa e achou a idéia ótima, pra dar um susto no bicho-papão. Isso eu não sei, vai depender do tamanho dele. Se for do tamanho da gente, acho que não assusta não. Mas, se for assim, do tamanho de um ratinho, aí acho que ele vai mesmo morrer de medo. Amanhã depois da escola eu vou lá na casa verde. Vou pular o portão, pôr o leãozinho bem na porta e sair correndo. Mas isso é segredo só meu e do Tonhão. Só que eu não queria que o bicho-papão ficasse com muito medo. Até amarrei no pescoço do leãozinho um bilhetinho assim: “Bicho-papão, fiz esse leãozinho pra você brincar.”

Marisa

Será que ele vai ficar bravo? Um beijo da

Marisa.

 

Marisa,

            Você não disse o que é que o Tonhão foi perguntar pra você. Aqui vai tudo bem. Um beijo da

Ângela.

 

Ângela,

            Eu esqueci mesmo de dizer o que o Tonhão veio me perguntar. É que o pai dele foi levar o cachorro no médico pra vacinar, e ele queria saber se o médico de cachorro é cachorro. Eu disse que devia ser, mas não é.

            Hoje não tenho nenhuma novidade da casa verde pra contar. Depois que eu deixei o leãozinho lá, não aconteceu mais nada. Mas ontem eu fui lá bem pertinho e vi que o meu presente não está mais lá. Alguém tirou, ou pisou em cima, ou comeu.

            A turma toda não tá mais agüentando esperar. Ontem a gente já começou a pensar em fazer a invasão da casa verde. O Fernando deu a idéia de entrar lá gritando e jogando pedra, até aparecer alguém. Só que a gente fica com medo das mães e dos pais. Acho que eles iam dar a maior bronca. A mãe do Carlão até falou pra gente ir lá, tocar a campainha e perguntar quem é que mora lá. Você já viu idéia mais boba?

            Hoje o Tonhão e eu fizemos uma armadilha de formiga. A gente pôs açúcar num vidrinho e deixou lá no chão do terraço. Amanhã, quando estiver tudo cheio de formiga, é só tampar o vidrinho e pronto. Já tem uma coleção. É mais fácil do que catar tatu. O Fábio quis jogar a armadilha fora porque ele disse que a gente só vai conseguir caçar barata. Mas eu já falei que se ele fizer isso eu jogo todos os carrinhos dele na casa do bicho-papão.

Um beijo da

Marisa.

 

Ângela,

            Você nem imagina o que aconteceu hoje. Pulei da cama logo cedinho e fui abrir a janela da sala pra ver se tinha muita formiga na armadilha. Mas não deu nem pra olhar pras formigas. Bem ali, pertinho da janela, tinha um embrulhinho todo ajeitadinho, amarrado com uma fitinha. Eu abri o embrulho e, dentro, achei um bonequinho feito de argila, lindo de morrer. O boneco tem uma verruguinha bem na ponta do nariz. Procurei ver se tinha algum bilhete, mas não achei nada, nem uma palavra. Puxa, bem que o bicho-papão podia ter mandado algum recado. Eu estava louca pra saber se ele gostou do leãozinho. Ainda não contei pra ninguém desse presente que eu ganhei. É capaz do pessoal achar que eu estou ficando lelé, e a Maria Luísa pode até ficar dizendo que bicho-papão não sabe fazer boneco de argila. Mas esse sabe.

Um beijo da

Marisa.

 

Ângela,

            Eu ia escrever agora pra você, mas tocou a campainha e eu estou vendo pela janela que é um homem de capa marrom. Eu vou lá com a mamãe pra ver o que é que ele quer. Tchau.

Marisa.

 

[Neste trecho, costumava parar a leitura para os alunos e esperar que escrevessem, naquela mesma aula ou na aula seguinte, uma continuação em que usassem a imaginação deles. Como os alunos escreviam em seus próprios cadernos e liam, em voz alta, para a classe toda e para mim, não estavam sendo corrigidos com relação à semântica ou à sintaxe, mas sendo OUVIDOS, isto é, o que importava era o conteúdo. Não tenho nenhum documento que possa redigitar aqui como produção literária desses alunos, pois ficavam nos cadernos deles. Acredito, sinceramente, que foi por atividades como essas, em que os alunos liam suas produções, do caderno, e não recebiam correções, que se criou um conceito errado sobre mim (que partiu, claro, do crime organizado, pois eu nunca fiz parte de quadrilha nenhuma e era "perigoooooooosa") de que eu jamais "corrigia" o que os alunos produziam. "Tadinhos", rezem pelos lacaios do crime organizado, lacaios que queriam (em obediência aos "patrões" do tráfico de influência) que eu saísse do Magistério Público, para que, de posse de todas as minhas produções pedagógicas, [os lacaios] ocupassem meu lugar. Ou será que alguma escola particular, de primeiro, de segundo ou de terceiro grau (como denominávamos naquela época de primeira a oitava séries, colegial e ensino superior) queria me ver "rastejando" para pedir vaga e não pagar o que eu merecia, porque EU os procurara? Certamente, a maioria absoluta das produções dos alunos  era muito boa, pois eu ouvia os alunos e prestava atenção ao conteúdo (enquanto exercitavam a habilidade de escrita para, no devido momento, receberem as correções necessárias) e não os interrompia, a não ser que o erro fosse muito evidente, na leitura, e precisasse de correção; mesmo assim, deixava a correção para o final da leitura do próprio produtor do texto. Sem o receio de que seriam inteiramente corrigidos, soltavam-se. Essa atividade deve ter sido feita entre os anos de 1991 e 1993.]

Final do livro:

 

Ângela,

 

          Faz tempo que eu não te escrevo, né? Nesse tempo todo eu ganhei um amigo. E depois andei muito triste proque fiquei sem ele. Ele tem uma verruga na ponta do nariz, usa sempre uma capa marrom e morava na casa verde do bicho-papão. Você tem que ver que jóia ele é.

          Na casa dele tinha um monte de tinta de tudo que é cor, papel colorido, três gatos numa cestinha, um trombone, um monte de pincel. Sabe, ele é pintor e chama seu Genésio.

          O seu Genésio sabe contar um monte de histórias lindas. Um dia eu fiquei lá a tarde toda fazendo desenho e ouvindo as histórias dele. Cada vez que o seu Genésio ia para a cozinha, ele tropeçava na cesta dos gatos, e eles aprontavam o maior berreiro. Até que eu resolvi tirar a cesta do meio do caminho e ficou melhor. O seu Genésio é muito distraído mesmo. Ele esqueceu de pagar a conta de luz e cortaram a luz da casa. Então, quando começou a ficar escuro, a gente parou de desenhar e acendeu uma vela. Acho que aquela luz misteriosa que a gente enxergava do lado de fora era luz de vela.

          O seu Genésio me contou que ele nunca fica morando muito tempo num lugar só. Ele gosta de conhecer sempre outros lugares e outras pessoas pra sempre ter idéias novas para pintar.

          A gente fez pipoca, mas o sal tinha acabado. Então a gente pôs açúcar mesmo, e ficou meio esquisito. eu fiquei um tempão comendo pipoca e ouvindo o seu Genésio tocar trombone.

          Quando a mamãe chamou pra ir pra casa, deu dei um beijo no seu Genésio. Aí ele me disse que ia mudar no dia seguinte para um país bem longe. Acho que um dia ele vai pintar um quadro da tarde que a gente passou junto.

Um beijo da

Marisa.

 

Marisa,

          Minha mãe não disse que bicho-papão não existia? Por aqui vai tudo bem.

Um beijo da

Ângela.

 

Ângela,

          Foi muito divertido brincar de bicho-papão. Só que agora perdeu a graça. Hoje eu não vou escrever muito. Hoje de manhã eu vi um caminhão de mudança parado na frente da casa verde. Eu vou correndo ver que é que mudou para lá. Vou bater na porta, pedir licença e entrar na casa, porque eu não quero perder mais um amigo.

Um beijo da

Marisa.

FIM

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Comentário de Maria Lúcia: é impressionante o potencial de qualquer livro que se transforme em atividade pedagógica. Neste, em especial, embora o tempo não esteja determinado – por meio de datas nas cartas, por ser atemporal – é possível acompanhar o passar dos dias ensoladorados, chuvosos, se é manhã, se é tarde, se é anoitecer… O estado de espírito de Marisa (características psicológicas, inclusive) se mostra pelo conteúdo de suas cartas à prima Ângela. A prima Ângela, por sua vez, que me perdoe quem estiver lendo e não goste de termos assim, é a própria "antitesão", porque joga um balde de água fria no entusiasmo de qualquer um. Todavia, como "antagonista", serve para orientar sobre algumas noções de educação, polidez e, quem sabe, determinar que a formação e informação dela são inferiores às de Marisa. Sem um "tico" de imaginação, Ângela desmonta todas as hipóteses de Marisa, dando-lhes soluções típicas de adultos, o que prova que a mãe de Ângela é que ditava as respostas para ela, enquanto Marisa, independente, extrovertida e imaginativa insistia em enviar notícias à prima.

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As imagens inseridas são do livro, muito manuseado por alunos, a quem eu o emprestava, e, mais recentemente, pela minha sobrinha Marina, que ri, todas as vezes, exatamente nos mesmos trechos e expressões. Marina já reparou, muito bem, que a Ângela não responde às cartas de Marisa e não gosta da Maria Luísa, porque é mandona, embora não reconheça essa "falha" nela mesma. O livro precisou ser reencadernado, com espiral, por causa do perigo de desfazer-se e a capa plástica era, sempre, uma providência, de minha parte, para que o livro durasse mais tempo (filho único de mãe solteira!) em virtude do manuseio por parte dos alunos. Nunca me incomodou o fato de o livro estar marcado pelas mãos que os liam, mas o fato de serem furtados me deixava p*** da vida!

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Sou índio mais feliz (com imagens jpg) quinta-feira, mar 2 2006 

Este texto serviu, em sala de aula, para entendimento do conteúdo, após a leitura dos alunos comigo, porque tinham cópia mimeografada em mãos, e, posteriormente, para que os alunos percebessem, respeitassem e assimilassem que o português coloquial, falado por alguém que tem o português como 2.ª língua ou de quem não pôde freqüentar escolas, além de ser perfeitamente inteligível, poderia ser transformado em português padrão, num exercício daquilo que os alunos já conheciam após estarem na escola por cinco ou seis anos. Repito: sem desrespeitar aqueles que, por um motivo ou outro, não puderam ter o mesmo conhecimento do português padrão que, supostamente, é aprendido nas escolas.

Sou índio mais feliz

Davi Kopenawa Yanomami

Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, 14/02/1989, Espaço Aberto

[1]

            Com esse prêmio da ONU fiquei mais forte. Os brancos ajudando a mim, me dão coragem para qualquer briga. Sou um índio mais feliz que outros. Meus parentes  são muitos, mas são poucos que falam português. Na minha tribo yanomami somos atrasados, somos primitivos, lá todo mundo anda nu. Tem só uns dez ou vinte que falam português. Muitos têm medo de lutar contra os garimpeiros, os fazendeiros, os brancos. Eu não, eu não tenho medo. Porque nasci para defender meu povo. Não nasci pra ficar na cidade. Me criei no mato, nunca saí do meu lugar, onde meus pais nasceram, se criaram.

            Não faço como os brancos, que saem daqui pra lá, vão a Roraima, fazendo barulho, criando problema. Os yanomami não fazem isso, os yanomami têm respeito. Não têm estudo, mas andam na linha. A Funai pra mim já morreu. Só ficou o nome da Funai. Primeiro Funai tinha força pra ajudar índio, agora tá do lado dos garimpeiros. A Funai esqueceu dos índios, por causa do ouro. Muitos meus parentes não sabem que ganhei prêmio. Nós somos tão espalhados… não tem comunicação. Só vão saber quando eu chegar. Mas tem outros parentes muito preocupados de mim. Os pajés que trabalham pra proteger mim estão muito preocupados. Porque sou filho único pra defender povo yanomami.

            Então pajés tão fazendo trabalho pra não acontecer pra mm o que aconteceu Chico Mendes. Tem os guerreiros também que estão do lado de mim, cuidando. Se garimpeiros quiser fazer matança de mim no mato, na aldeia, eles também não escapam não. Eles podem escapar na cidade, porque índios não vão lá. Mas na aldeia, não escapam. É bom que fiquem sabendo.

            Agora nós tamos quietos. Mas se garimpeiros, se branco forem mexer com nós vai ser pra matar e morrer. Daí morre índio, morre branco, morrem todos. Tem que respeitar os índios. Nós estamos respeitando brancos. Conheço vocês, falo língua de vocês, não sou contra os garimpeiros. Sou contra a garimpagem porque deixa buraco, estraga rio e igarapé. Os yanomami não fazem isso, cortar terra, cortar árvore, queimar floresta. Nós não ser inimigo da natureza. Somos amigos da natureza porque vivemos lá na selva. Ela é que cuida da nossa saúde. Lá não faz calor porque tem árvore alta. Aqui não tem pau alto, por isso vocês têm que ficar comprando ventilador. Omani (Deus) deu a terra pra gente viver nela, não pra vender. Branco vende, vai pra outro lugar. Índio nas faz isso.

            Não estou satisfeito porque brancos deram esse prêmio. Estou e não estou. Porque os meus parentes estão morrendo. Antes não acontecia isso, os yanomami não sabiam que os brancos iam fazer mal pra gente. Agora os peixes estão sofrendo, os rios tão acabando. Os brancos também tão sofrendo lá. Índio e branco, branco pobre e branco rico. Porque a doença não tem medo, ela mata qualquer um, pode ser rico, pode ser brabo, pode ser grande.

            O governo brasileiro vai ter que ajudar para parar isso aí. Se ele deixar invadir esse pedacinho do Brasil, não vai ter outro igual a essa área yanomami. A minha é a última terra pra invadir, é a última invasão. Depois do índio sofrer, o branco vai sofrer trambém. Aí vai chegar a guerra entre vocês: venezuelanos e brasileiros vão brigar, vocês vão ver. O meu trabalho é pra frente, eu não penso só no hoje não.

            Eu sabia que os garimpeiros iam chegar na minha área, eu sabia tudo. Eu sabia que a Funai ia abrir mão pros garimpeiros invadirem. Os índios pediam pra retirar os garimpeiros e a Funai não tomava providência. O branco diz que o Brasil vai melhorar, mas tá piorando. Os brancos tão sofrendo também, os pobres. Não tão sofrendo? Não têm terra pra plantar, não têm terra pra viver. O governo quer tudo só pra ele. Não devia estar fazendo isso não. Devia dar pros  pobres também. Eles acham que quando morrerem vão poder levar tudo junto com eles? Não. Vão ter de deixar. Esse é o meu pensamento, esse é meu trabalho. Era só isso que queria dizer.


[1] Davi Kopenawa Yanomami é líder indígena e ganhou o prêmio ecológico GLOBAL 500 das Nações Unidas. Este depoimento foi prestado verbalmente à repórter Rosana Bond, da Agência Estado de Brasília.