Recebido do primo Sérgio em 31-03-2015.

Estou muito atrasada, pois desconhecia esse texto.

Ao pesquisar, a mais antiga postagem é de 2010, mas não cita a autoria.

Desconheço o autor desse texto:

FLIZ ANVERS

Minha filha completou quinze anos e organizamos a festa em um salão para que ela convidasse todos os seus amigos…

Na noite da festa, à medida que iam chegando, os convidados acomodavam-se no lugar designado e, em seguida, abriam seus celulares e começavam a conversar por meio de mensagens de texto, ou a jogar com esses aparatos maravilhosos entre mensagens e mensagens.

Era muito comovente vê-los concentrados, cada um na tela de seus sóbrios e negros aparatos, como especificava o convite “esporte elegante e celulares negros”.

Que grandes estão todos! E pensar que os conheço desde que falavam entre eles… Ainda me recordo da voz deles; alguns não acreditam que quando eram crianças falavam e se olhavam nos olhos! Eu não os corrigia, claro: “Já vão crescer e vão aprender sozinhos a não falar”, pensava eu.

Quando chegou o momento do baile, cada um conectou os auriculares ao seu celular, escolheu a lista de músicas de que mais gostava e entrou na pista de dança. Dava a sensação de que todos estavam bailando ao som da mesma música.

A entrada de minha filha foi apoteótica. Seus amigos se desesperavam para serem os primeiros a fazer-lhe chegar seu texto de felicitações, movendo os dedos a toda velocidade. Alguns, os mais precavidos, já tinham a mensagem preparada e tudo o que tinham a fazer era apertar “ok”. O telefone de minha filha não parava de vibrar e como era impossível ler todos os textos, guardou alguns para mais tarde.

Aproximei-me dela e, sem me dar conta, disse-lhe:
– Feliz aniversário, filhinha.

Ela me olhou horrorizada e se afastou de mim. Preocupado, fui atrás dela e lhe perguntei se havia algum problema, se eu havia feito algo que a incomodara. Tomou o celular e me mandou uma mensagem de texto:

– Vc qr m envrgonr frnte ms amgs? Fçme o fvor! pra q exst os tlfnes?

Não tive remédio a não ser abrir o meu celular e mandar-lhe minhas felicitações.

– Prdão. Fliz anvers, filnha. T am. Papa.

Foi um aniversário perfeito!

Como passa o tempo e que “velho” estou! Pensar que quase lhe dou um beijo!