Olá, Marcus Vinicius:

Recebi seu comentário e, embora não concorde com ele em determinados aspectos, como mediadora do blog tenho a liberdade de aprovar ou desaprovar os comentários.

Quis lhe dar um retorno, por meio desta postagem, para que saiba que o teor da crônica que criticou, ou seja, o assunto da crônica, me tinha sido enviado por correio eletrônico e fiquei pasmada.

Na semana seguinte, a crônica a que se referiu foi publicada na revista semanal que assino.

Posteriormente, fiz uma busca mais profunda, na Web, e encontrei não só o comentário que deu origem a toda essa indignação como as mais diversas reações a ela.

Inferi que tudo não passava de um tremendo malentendido com relação – agora, cito = a um pedido de censura ao racismo expresso nas obras de Monteiro Lobato, envolvendo obras que são destinadas ao público infanto-juvenil – e, quanto mais eu lia a respeito, mais se elaborava em minha reflexão o malentendido. O pedido não é de censura, mas reedição das obras com esclarecimentos a respeito do que é considerado racismo, eugenia, no rodapé das edições.

Procurei, então, reunir em outras postagens os dois lados dessa controvérsia, na esperança de que quem lê minhas postagens também chegasse à mesma conclusão que eu, sem que eu mostrasse isso com todas as letras.

Não fui bem sucedida nisso, pois deveria ter, no texto da escritora que citou, direcionado os leitores para tudo o que reuni. Minha falha, sem dúvida.

Conclusão: o pedido encaminhado não foi o de censurar as obras de Monteiro Lobato que envolvam o Sítio do Pica-Pau Amarelo. O pedido foi no sentido de que os leitores infanto-juvenis sejam esclarecidos de que Monteiro Lobato viveu num período em que a eugenia era uma filosofia de vida; que os educadores esclarecessem os fatos históricos do período em que as obras foram produzidas (por exemplo, a família de Monteiro Lobato era de fazendeiros, quiçá latifundiária, que vivia às custas da mão-de-obra escrava). Subentendi que não era para censurar Monteiro Lobato ou fazer de Monteiro Lobato um déspota, mas esclarecer os educandos a respeito de crenças dos contemporâneos de Monteiro Lobato que, hoje, são passíveis até de processos judiciais e condenação. Subentendi, e espero que seja verdadeiro esse entendimento, que não é para fomentar lutas de classe, defender movimentos ilegítimos, porém conduzir os educandos a entender a realidade anterior e compará-la com a realidade democrática de uma sociedade inteira.

A própria autora de um estudo profundo a respeito de Monteiro Lobato, a meu ver, se excedeu, quando atacou os que assinaram um documento em defesa de Monteiro Lobato. Portanto, indico, por meio de link, a leitura do texto dessa autora, mas não o publicaria neste post, como não o fiz.

Sempre tenho em mente que não publico nada que ataque o caráter de pessoas ou de órgãos de comunicação falada, escrita e televisiva (exceto, claro, em casos em que eu mesma tenha sido alvo de ataques e, então, “desço das tamancas”, porém assumo e coloco em “Opinião Pessoal e Intransferível”).

Prefiro aquela frase de mensagem eletrônica que roda pela Web: pessoas inteligentes discutem ideias.

A cronista criticada por você (de cujo texto, posteriormente, discordei, mas não comentei isso em inserções) discute IDEIAS e, eventualmente, criticou ATITUDES, mas entendi que ela, como eu, num primeiro momento, sentiu-se tão indignada com a ideia erronea de que era para abolir determinadas obras de Monteiro Lobato das leituras destinadas ao público infanto-juvenil, que se excedeu. Porém, atente bem, não atacou nomes / pessoas especificamente.

Não concordei, em momento algum, por exemplo, com o massacre promovido pelos órgãos de comunicação e até por pessoas ao meu redor, que criticaram um livro didático de apoio por incentivar o ensino da Língua Portuguesa “de modo errado”. Quando no exercício do magistério, ao tentar esclarecer determinadas diretrizes educacionais ou estratégias utilizadas por mim (ou até mesmo quando eu não sabia que tudo estava sendo acompanhado, sem meu conhecimento) fui alvo de tantas agressões e atitudes, como bem diz o José “Macaco” Simão, de “nojo de nóis” e, finalmente, quando tudo “dava errado”, eu sacudia a poeira e “partia para outra” ou insistia no que estava fazendo como educadora que, um dia, cheguei à conclusão que “enxugava gelo”, “dava murro em ponta de faca”, diabética, à beira da exaustão, deixei de lado a minha paixão pelo Magistério. Porém, pedi aposentadoria antecipada, peguei meu banquinho e saí de fininho. Os que mais me “aporrinharam” foram os que nunca, jamais deveriam ter feito isso, pois não são educadores, mas palpiteiros de plantão, a serviço deles mesmos ou de “patrões” (no sentido pejorativo da palavra).

A própria revista semanal, de que sou assinante, e que você criticou, passou várias semanas discutindo a respeito desse livro didático de apoio (que supostamente induzia os educandos a falar e a escrever errado) com distribuição gratuita às escolas públicas. Não concordei com as críticas e, no meu blog, fui inserindo opiniões, letras de música, vídeos do YouTube… mas, obviamente, essas inserções foram para mim mesma, porque meus possíveis leitores não deixaram opiniões nem fizeram as inferências sobre o que eu estava digitando.

Um dos textos inseridos é “Porque é muito chato cantar sozinho”, no qual tento mostrar como aprendi a lidar, em sala de aula (com contribuição de outros pedagogos que lia ou com quem assistia palestras ou fiz cursos de “Reciclagem” ou em Oficinas Pedagógicas), com o português coloquial falado e escrito – sem fazer pouco dos educandos ou da bagagem que traziam do lar – e conduzir os alunos a usar o português formal, aquele que se aprende na escola e será exigido, ao longo da vida, de todos os brasileiros em  muitas e diversas situações. Na verdade, inicio a minha postagem com um relato de como aprendi a mudar de atitude com relação à interpretação de textos dos educandos que não tinham, na época, “bagagem” (no bom sentido) suficiente para expressar, de modo escrito, o que tinham entendido do texto e que era “esperado como resposta”.

Grata, Marcus Vinicius, por ter me dado a oportunidade de expressar minha compreensão, como professora aposentada e eterna educadora, a respeito de suas críticas.

Recusei-me, no entanto, a aprovar o seu comentário, pois você não discutiu ideias, você atacou a pessoa da cronista e o órgão de imprensa em que a crônica foi publicada.

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