O Atlas da Água

Paula Nadal

Planeta Sustentável – 06/2007

Cinqüenta anos. Este é o tempo estimado para que metade da população mundial conviva com a escassez crônica de água, caso nenhuma providência seja tomada para conter o consumo indiscriminado do recurso natural. Os sucessivos ataques ao ciclo hidrológico levam a crer que a humanidade aguarda um futuro em que a água será mais do que um bem de consumo em extinção, mas um fator decisivo na explosão de conflitos armados pela disputa gota a gota. Os navios-tanque, que antes eram associados ao petróleo, começam a ter outra finalidade.

Um acordo firmado em 2004 entre Turquia e Israel, por exemplo, permite que este carregue 50 milhões de metros cúbicos de água por ano, durante vinte anos, retirados do rio Manavgat. Em troca, a Turquia deve adquirir tanques de guerra e tecnologia aeronáutica importada de Israel. Este pacto transforma água em moeda e instrumento de crescimento político e econômico, embora o líquido venha sendo usado com fins militares desde as sociedades antigas, uma vez que os cursos d’água ultrapassam as fronteiras nacionais.

Mais de 260 bacias fluviais são internacionais e 13 se dividem entre cinco ou mais países. O mesmo estado de Israel, que entra em acordo com a Turquia, briga desde a década de 1950 com a Síria e a Jordânia pelo controle de seus recursos hídricos. As guerras no século XXI serão pela água.

Estes e outros dados estão registrados nos 33 mapas, além de tabelas e textos explicativos sobre os recursos hídricos mundiais, presentes em O Atlas da Água, escrito e organizado pelos pesquisadores americanos Robin Clarke e Jannet King, com tradução de Anna Maria Quirino. São informações e números atualizados sobre a escassez de água e os modos como o líquido vem sendo utilizado em 168 países, com um capítulo especial dedicado ao Brasil, detentor de aproximadamente 15% das águas do planeta. Tudo fundamentado em estudos oficiais realizados pela Organização das Nações Unidas, governos, institutos, publicações científicas e organizações voltadas aos cuidados com o meio ambiente, como a “World Water” e o ‘World Resources Institute”.

Autor de outros livros sobre a água e questões ambientais como “Water: The International Crisis”, “The Science of War and Piece”, “We all fall down” e “Science and Technology in World Development”, Robin Clarke é também editor de publicações para o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). Trata, portanto, com objetividade da ausência de um recurso que já afeta mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo e mata, anualmente, de acordo com dados publicados pela WWF (sigla em inglês para Fundo Mundial para a Natureza), cerca de 2 milhões de habitantes do planeta, já que apenas 2,5% de toda a água existente na Terra é doce e somente um terço disso está próprio para o consumo.

A parceria com Jannet King, autora e organizadora de diversos atlas ambientais, históricos e políticos, foi fundamental para que o livro, editado no Brasil pela PubliFolha, servisse mais do que como um excelente meio de instrução e fonte de informações preciosas, mas como um alerta detalhado. O mapeamento indica as principais contradições na utilização da água, as prioridades mundiais com relação ao recurso natural, as medidas que vêm sendo tomadas para amenizar o problema em diversas partes do globo, os erros e os acertos localizados no que se refere a usos e abusos do líquido mais precioso da Terra, responsável pela vida que conhecemos.

Clarke e King mostram, de forma clara e com estatísticas alarmantes, como, por exemplo, o fato de que entre os anos 1960 e 2000 o consumo mundial de água dobrou, sem que houvesse tempo suficiente para o restabelecimento das fontes, que hábitos devem ser modificados pela preservação da vida. O desperdício do recurso natural é cada vez maior, tanto na agricultura, quanto na indústria ou no uso doméstico. Desperdício e mau uso. Desmatamentos, poluição, contaminação de lençóis, exploração indevida de aqüíferos, drenagens, represamentos e irrigações malfeitas contribuem para o crescimento das enchentes e secas descontroladas que ameaçam a sobrevivência de mais um bilhão de pessoas em todo o mundo.

A preservação das fontes depende de ações locais e globais, como o incentivo a pesquisas sobre a conservação e reaproveitamento da água, bem como a valorização de comunidades e do uso que fazem do líquido. Caso medidas efetivas não sejam tomadas e o consumo não seja reduzido, os desastres ecológicos e os desequilíbrios sociais serão cada vez mais acelerados. Qualquer atitude distante da integração e do consumo consciente pode ser a gota d’água. Fenômenos que fazem de O Atlas da Água leitura emergencial, um grito incontido em tempos de crise ambiental.

O Atlas da Água

Robin Clarke e Jannet King

Publifolha
2005

Riqueza natural

O Atlas da Água

De forma clara e com estatísticas alarmantes, o livro dos pesquisadores americanos, Robin Clarke e Jannet King, fala da escassez de água no planeta e os modos como o líquido vem sendo utilizado em 169 países, com um capítulo especial para o Brasil. Eles alertam: as guerras no século XXI serão pela água

 

Paula Nadal

Planeta Sustentável – 06/2007

Cinqüenta anos. Este é o tempo estimado para que metade da população mundial conviva com a escassez crônica de água, caso nenhuma providência seja tomada para conter o consumo indiscriminado do recurso natural. Os sucessivos ataques ao ciclo hidrológico levam a crer que a humanidade aguarda um futuro em que a água será mais do que um bem de consumo em extinção, mas um fator decisivo na explosão de conflitos armados pela disputa gota a gota. Os navios-tanque, que antes eram associados ao petróleo, começam a ter outra finalidade.

Um acordo firmado em 2004 entre Turquia e Israel, por exemplo, permite que este carregue 50 milhões de metros cúbicos de água por ano, durante vinte anos, retirados do rio Manavgat. Em troca, a Turquia deve adquirir tanques de guerra e tecnologia aeronáutica importada de Israel. Este pacto transforma água em moeda e instrumento de crescimento político e econômico, embora o líquido venha sendo usado com fins militares desde as sociedades antigas, uma vez que os cursos d’água ultrapassam as fronteiras nacionais.

Mais de 260 bacias fluviais são internacionais e 13 se dividem entre cinco ou mais países. O mesmo estado de Israel, que entra em acordo com a Turquia, briga desde a década de 1950 com a Síria e a Jordânia pelo controle de seus recursos hídricos. As guerras no século XXI serão pela água.

Estes e outros dados estão registrados nos 33 mapas, além de tabelas e textos explicativos sobre os recursos hídricos mundiais, presentes em O Atlas da Água, escrito e organizado pelos pesquisadores americanos Robin Clarke e Jannet King, com tradução de Anna Maria Quirino. São informações e números atualizados sobre a escassez de água e os modos como o líquido vem sendo utilizado em 168 países, com um capítulo especial dedicado ao Brasil, detentor de aproximadamente 15% das águas do planeta. Tudo fundamentado em estudos oficiais realizados pela Organização das Nações Unidas, governos, institutos, publicações científicas e organizações voltadas aos cuidados com o meio ambiente, como a “World Water” e o ‘World Resources Institute”.

Autor de outros livros sobre a água e questões ambientais como “Water: The International Crisis”, “The Science of War and Piece”, “We all fall down” e “Science and Technology in World Development”, Robin Clarke é também editor de publicações para o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). Trata, portanto, com objetividade da ausência de um recurso que já afeta mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo e mata, anualmente, de acordo com dados publicados pela WWF (sigla em inglês para Fundo Mundial para a Natureza), cerca de 2 milhões de habitantes do planeta, já que apenas 2,5% de toda a água existente na Terra é doce e somente um terço disso está próprio para o consumo.

A parceria com Jannet King, autora e organizadora de diversos atlas ambientais, históricos e políticos, foi fundamental para que o livro, editado no Brasil pela PubliFolha, servisse mais do que como um excelente meio de instrução e fonte de informações preciosas, mas como um alerta detalhado. O mapeamento indica as principais contradições na utilização da água, as prioridades mundiais com relação ao recurso natural, as medidas que vêm sendo tomadas para amenizar o problema em diversas partes do globo, os erros e os acertos localizados no que se refere a usos e abusos do líquido mais precioso da Terra, responsável pela vida que conhecemos.

Clarke e King mostram, de forma clara e com estatísticas alarmantes, como, por exemplo, o fato de que entre os anos 1960 e 2000 o consumo mundial de água dobrou, sem que houvesse tempo suficiente para o restabelecimento das fontes, que hábitos devem ser modificados pela preservação da vida. O desperdício do recurso natural é cada vez maior, tanto na agricultura, quanto na indústria ou no uso doméstico. Desperdício e mau uso. Desmatamentos, poluição, contaminação de lençóis, exploração indevida de aqüíferos, drenagens, represamentos e irrigações malfeitas contribuem para o crescimento das enchentes e secas descontroladas que ameaçam a sobrevivência de mais um bilhão de pessoas em todo o mundo.

A preservação das fontes depende de ações locais e globais, como o incentivo a pesquisas sobre a conservação e reaproveitamento da água, bem como a valorização de comunidades e do uso que fazem do líquido. Caso medidas efetivas não sejam tomadas e o consumo não seja reduzido, os desastres ecológicos e os desequilíbrios sociais serão cada vez mais acelerados. Qualquer atitude distante da integração e do consumo consciente pode ser a gota d’água. Fenômenos que fazem de O Atlas da Água leitura emergencial, um grito incontido em tempos de crise ambiental.

 

Cinqüenta anos. Este é o tempo estimado para que metade da população mundial conviva com a escassez crônica de água, caso nenhuma providência seja tomada para conter o consumo indiscriminado do recurso natural. Os sucessivos ataques ao ciclo hidrológico levam a crer que a humanidade aguarda um futuro em que a água será mais do que um bem de consumo em extinção, mas um fator decisivo na explosão de conflitos armados pela disputa gota a gota. Os navios-tanque, que antes eram associados ao petróleo, começam a ter outra finalidade.

Um acordo firmado em 2004 entre Turquia e Israel, por exemplo, permite que este carregue 50 milhões de metros cúbicos de água por ano, durante vinte anos, retirados do rio Manavgat. Em troca, a Turquia deve adquirir tanques de guerra e tecnologia aeronáutica importada de Israel. Este pacto transforma água em moeda e instrumento de crescimento político e econômico, embora o líquido venha sendo usado com fins militares desde as sociedades antigas, uma vez que os cursos d’água ultrapassam as fronteiras nacionais.

Mais de 260 bacias fluviais são internacionais e 13 se dividem entre cinco ou mais países. O mesmo estado de Israel, que entra em acordo com a Turquia, briga desde a década de 1950 com a Síria e a Jordânia pelo controle de seus recursos hídricos. As guerras no século XXI serão pela água.

Estes e outros dados estão registrados nos 33 mapas, além de tabelas e textos explicativos sobre os recursos hídricos mundiais, presentes em O Atlas da Água, escrito e organizado pelos pesquisadores americanos Robin Clarke e Jannet King, com tradução de Anna Maria Quirino. São informações e números atualizados sobre a escassez de água e os modos como o líquido vem sendo utilizado em 168 países, com um capítulo especial dedicado ao Brasil, detentor de aproximadamente 15% das águas do planeta. Tudo fundamentado em estudos oficiais realizados pela Organização das Nações Unidas, governos, institutos, publicações científicas e organizações voltadas aos cuidados com o meio ambiente, como a “World Water” e o ‘World Resources Institute”.

Autor de outros livros sobre a água e questões ambientais como “Water: The International Crisis”, “The Science of War and Piece”, “We all fall down” e “Science and Technology in World Development”, Robin Clarke é também editor de publicações para o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). Trata, portanto, com objetividade da ausência de um recurso que já afeta mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo e mata, anualmente, de acordo com dados publicados pela WWF (sigla em inglês para Fundo Mundial para a Natureza), cerca de 2 milhões de habitantes do planeta, já que apenas 2,5% de toda a água existente na Terra é doce e somente um terço disso está próprio para o consumo.

A parceria com Jannet King, autora e organizadora de diversos atlas ambientais, históricos e políticos, foi fundamental para que o livro, editado no Brasil pela PubliFolha, servisse mais do que como um excelente meio de instrução e fonte de informações preciosas, mas como um alerta detalhado. O mapeamento indica as principais contradições na utilização da água, as prioridades mundiais com relação ao recurso natural, as medidas que vêm sendo tomadas para amenizar o problema em diversas partes do globo, os erros e os acertos localizados no que se refere a usos e abusos do líquido mais precioso da Terra, responsável pela vida que conhecemos.

Clarke e King mostram, de forma clara e com estatísticas alarmantes, como, por exemplo, o fato de que entre os anos 1960 e 2000 o consumo mundial de água dobrou, sem que houvesse tempo suficiente para o restabelecimento das fontes, que hábitos devem ser modificados pela preservação da vida. O desperdício do recurso natural é cada vez maior, tanto na agricultura, quanto na indústria ou no uso doméstico. Desperdício e mau uso. Desmatamentos, poluição, contaminação de lençóis, exploração indevida de aqüíferos, drenagens, represamentos e irrigações malfeitas contribuem para o crescimento das enchentes e secas descontroladas que ameaçam a sobrevivência de mais um bilhão de pessoas em todo o mundo.

A preservação das fontes depende de ações locais e globais, como o incentivo a pesquisas sobre a conservação e reaproveitamento da água, bem como a valorização de comunidades e do uso que fazem do líquido. Caso medidas efetivas não sejam tomadas e o consumo não seja reduzido, os desastres ecológicos e os desequilíbrios sociais serão cada vez mais acelerados. Qualquer atitude distante da integração e do consumo consciente pode ser a gota d’água. Fenômenos que fazem de O Atlas da Água leitura emergencial, um grito incontido em tempos de crise ambiental.

O Atlas da Água – Planeta Sustentável

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