Em abril de 2006, nos extertores de Serviço Autônomo de Águas de Itu – SAAEI – teretetê, eu tinha que me dirigir ao SAAEI , que não tinha guichê para atendimento preferencial; o atendente decidia quem merecia esse nome (quando não estava com criancinha no colo) – e postei o comentário que continua a valer:

https://maluber2.wordpress.com/2006/04/06/atendimento-preferencial-uma-ova/

No meu retorno mais próximo, haviam destacado um local de atendimento preferencial. Parabéns!

No extinto SAAEI – que, exceto por alguns funcionários dedicados e não pertencentes a partidos políticos nem dependentes de manter seus cargos em função de eleição e reeleição – sentia-me tratada como substrato de pó de ameba, enquanto outros eram tratados respeitosamente.

Até a concessão para Águas de Itu, em 04 de outubro de 2007, minha mania persecutória foi colocada à prova de tal forma que, hoje, qualquer pessoa ligada ao extinto SAAEI – com exceção daqueles que mencionei anteriormente – me são motivo de profundo nojo e desrespeito.

Entre abril de 2006 e outubro de 2007 – embora eu, pessoalmente, discordasse da concessão (não por causa da concessionária), porque desejava que o tapete do SAAEI tivesse sido levantado e todos os envolvidos em deixar a cidade de Itu prostrada, de joelhos, como a Enron fez, nos EUA, com sucessivas interrupções generalizadas no abastecimento e indícios de que havia um gerencimaneto péssimo da autarquia – tivessem respondido a processos judiciais, tive que me dirigir, pessoalmente, ao SAAEI, para solucionar problemas que o próprio SAAEI causava à minha família.

Levava documentos e documentos para comprovar que não éramos devedores, conforme nos “acusavam”, sabe lá Deus quem era o sádico que nos impingia esses problemas.

Não retiro uma palavra do que escrevi, em abril de 2006, e “Atendimento preferencial, uma ova”, foi dirigido ao atendimento do SAAEI.

Tenho acompanhado, na imprensa local, acusações à concessionária Águas de Itu e defesas ao extinto SAAEI.

Posso afirmar que do SAAEI não tenho saudade alguma, mas, aparentemente, há pessoas que se esqueceram, completamente, do último nome de responsável pelo SAAEI e de que, antes da entrega do SAAEI a Águas de Itu, tivemos um racionamento digno de região árida, desértica.

Ao juntar o que escrevi em “Atendimento preferencial, uma ova” ao que digitarei a seguir, continuo a acreditar que nós, os alvos de atendimento preferencial, não temos educação ou caráter suficiente para merecê-lo.

Em 07 de novembro de 2011, providenciei um documento importantíssimo (embora o rascunho já estivesse delineado) e, por ser uma segunda-feira, passei o final de semana adiantando tudo o que podia para encerrar esse documento de 07 de novembro de 2011, que dependia de saldar um débito de consumo de água. Eu precisava de que esse pagamento fosse autenticado, mecanicamente, pelo banco, para evitar aquele comprovante solto que me obrigaria a, em cópia autenticada, a gastar mais do que era necessário.

Peguei a senha preferencial, na agência bancária, pois sou diabética e portadora de degeneração das córneas (há muitos anos entreguei, na agência bancária, comprovantes disso; não sei se ainda existem nos arquivos do banco) e aguardei, pacientemente, a minha vez: 15h31m. Esse foi o horário em que consegui me dirigir à agência bancária.

Havia outros afazeres, fora do banco, tais como: imprimir, numa copiadora, em impressora de melhor qualidade do que a minha, o documento; ir ao cartório, para reconhecimento de firma, para fazer cópias autenticadas dos recibos (inclusive a cópia autenticada do recibo que pagaria na agência bancária), anexar esses recibos ao documento impresso, subscrever o envelope, depositá-lo nos Correios por meio de Aviso de Recebimento.

Enquanto aguardava a chamada de minha senha, na agência bancária, ouvi os eternos comentários dos que lá, sentados, aguardavam a vez de atendimento: “puxa, estive em tal banco e foi rápido; aqui é demorado”; “olhe, eu tenho mais de uma senha, fique com a minha”; “muito obrigada por ter dado a outra senha para mim, já estou indo embora”.

São as pessoas que tiram até três ou quatro senhas e aguardam qual será chamada primeiro! Consideram-se muito espertas e são espertalhonas; são as que, no dizer de Lêdo Ivo, envileceram ao envelhecer. Repassam senhas para pessoas que chegaram depois de quem já retirou senha e aguarda sua vez, educadamente, fazendo uso dos bons exemplos que receberam na educação do lar.

Em determinado momento, ainda não eram 16h, uma voz esganiçada feminina, de uma senhora sentada na primeira fila, ordenou que outra senhora fosse atendida antes de que a senha preferencial seguinte fosse chamada. O atendendente bancário, educadamente, deu sinal para que a senhora, que aparentava ter uns oitenta anos, se aproximasse para ser atendida.

Lá estava o meu pensamento: “coitada (para mim, chamar alguém de ‘coitado’ é ofensivo) tão idosa e não tem quem venha ao banco para ela ou para acompanhá-la, pois ficaria a esperar a vez como qualquer outro mortal”. 

Chegou a vez da dona da voz esganiçada. Ao levantar-se para ser atendida, “mandou”, literalmente, que a senhora que estava ao lado dela se dirigisse ao atendente ao lado do guichê de preferencial. A senhora ao lado não teve dúvidas: obedeceu. Educadamente, o atendente do guichê ao lado dispensou essa senhora: não havia chamado o número da senha dela. Tinha que aguardar a vez.

Quando, por volta de 16h, eu já havia mudado de lugar, porque minha vez estava próxima, guichê de atendimento preferencial, atrás do que estava atendido, postou-se uma jovem, evidentemente grávida, passando, o tempo todo, a mão na barriga volumosa e, assim que o cliente saiu do guichê, aproximou-se do atendente e pediu para ser atendida.

Ô falta de sorte  a minha, bem próximo de minha vez. Ali ficou a grávida, por cerca de quinze minutos, retirando, de dentro de um envelope pardo, documentos e dinheiro separado por documentos, fazendo pagamentos. Vez ou outra, virava-se para o público que aguardava atendimento, pacientemente, e massageava a volumosa barriga.

O número de senha, na minha frente, foi chamado em outro guichê, não o preferencial. Eu estava com “um olho no peixe e outro no gato”, pois não sabia qual guichê me chamaria.

Logo depois de o senhor de número de senha na minha frente começar a ser atendido, o número de minha senha foi chamado exatamente no guichê não preferencial onde estava esse senhor.

Mudei, novamente, de lugar de assento, para ficar próxima a esse guichê que chamara meu número de senha. A evidentemente grávida continuava a retirar pacotes de documentos e seus respectivos montantes de dinheiro para pagamentos.

O senhor que fora chamado na minha frente, em outro guichê que não o preferencial, tinha muito a resolver. A evidententemente grávida continuava a ser atendida.

Por volta de 16h50m, uma atendente, sempre gentil comigo, perguntou se eu perdera a minha vez. Eu disse que não, que o número de minha senha tinha sido chamado pelo atendente onde se encontrava aquele senhor, ainda resolvendo seus problemas bancários. Então, disse-me a atendente, venha aqui, eu a atendo.

Profundamente irritada, fiz comentários sobre a falta de educação generalizada das pessoas, pois só elas existem no mundo; que eu perdera o dia preparando um documento que não seria enviado naquele dia, conforme eu havia me proposto e aguardava, há uma hora e vinte minutos, para pagar aquela conta de água. “Ah, dona Maria Lúcia, nós não recebemos mais conta de água a não ser em débito automático ou pago em locais que recebem”. Respondi que a conta dessa matrícula voltará a ser debitada, automaticamente, mas que eu precisava da autenticação mecânica no pagamento dessa, porque eu recebera o dinheiro do responsável pelo consumo.

Ao sair do banco, dirigi-me à copiadora, para que imprimisse o documento em duas vias (salvo em CD). Faltavam pouquíssimos minutos para as 17h. Na copiadora, a primeira fala de quem me atendeu foi que, talvez, eu tivesse que deixar o CD e só buscar as impressões e o CD no dia seguinte. Que bom que bom, que bom! Disse à atendente que confirmasse essa previsão, pois eu gostaria de esperar. Quando ela se afastou, falei bem alto, para ser ouvida pelas câmeras de vigilância: “Afinal, vocês não são o único local que imprime”.

A atendente voltou e me disse que teria que esperar por quinze minutos. Espero e esperei. O dia estava perdido, não daria mais tempo para nada do que eu havia me proposto e preparado para fazer.

Tenho uma prima que sempre agiu de modo honesto, é trabalhadora, solidária, desde a infância, com os mais necessitados. Em conversa, no domingo, dia 06 de outubro, ela me disse que anda blasmefando, porque a decepção com os mais necessitados é imensa. Incrível, mas ela externou o que eu blasfemo dentro de casa: “Deus, o senhor está perdendo espaço para o diabo. Alguma coisa anda muito errada”. Acrescento: faço tudo o que tem que ser feito e mais. Quando não depende mais de mim, encalacra, “dou de cara” com pessoas palpiteiras que, em vez de fazer o que têm que fazer me dão conselhos inúteis e os obstáculos vão daí por diante.

Quando saí da copiadora, ao chegar no Cartório (naquele dia, nem pensar em Correios mais), o Cartório havia acabado de fechar as portas. Dei meia volta e, profundamente frustrada, voltei para casa, remoendo, como sempre, as causas dessa frustração.

No dia seguinte, dia 08 de novembro, logo no período da manhã, providenciei o que era para ser feito no Cartório, tirei extrato bancário do meu “pé na cova”, voltei para casa, subscrevi o envelope para enviá-lo à p. q. p. e encerrar mais uma pendência em que o capeta da desorganização, da falta de atitudes e cumprimento de cláusulas contratuais nos deu um prejuízo moral e financeiro sem tamanho, dirigi-me à mesma agência bancária em que perdera meu precioso tempo e meu bom humor no dia anterior, depositei meu “pé na cova”, porém, antes, pedi desculpas à atendente do dia anterior, porque ela foi obrigada a me ouvir falar daquela prenha que encostou o barrigão no guichê e de lá não mais saiu, o que causou uma troca de atendimento de guichê preferencial, onde havia encostado um senhor que tinha tanto a resolver que deixou o guichê depois da prenha sem vergonha na cara.

Nos Correios, a cereja do bolo: há um aviso de quem são os preferenciais. Idosos, portadores de necessidades especiais, pessoas com crianças no colo, grávidas e lactantes.

Ao ser atendida por meio de chamada de número de senha, perguntei ao funcionário dos correios como é que identificam as lactantes.

A resposta do desolado funcionário foi que é preciso acreditar na pessoa que alega ser lactante; que há pessoas que alegam estar grávidas de um mês, por exemplo, e os atendentes não podem pedir comprovação e atendem a essas alegações.

Sinhá, cadê “seu” Padre? Alguém tem colocar ordem nesses atendimentos preferenciais. Quando alguém reclama, é taxado de nazista, louco, mal educado.

Diante desse desabafo, faço duas colocações importantes, a meu ver:

1) Nem sempre podemos utilizar “a porta ao lado” para fugir de irritações provocadas pelo capeta em forma de pessoas mal educadas, mal formadas, mal informadas, sociopatas. Entendi, Dr. Drauzio Varela, que, na sua mensagem, o que puder ser evitado para que o problema não se torne “uma bola de neve”, deva ser alvo de soluções em que, muitas vezes, somos submetidos a uma situação que poderia ser chamada de humilhante, covarde de nossa parte, por termos que abaixar a cabeça.

2) Não sei se terei paciência, nesta encarnação, para aguentar os mal educados, mal formados, mal informados, sociopatas que exigem “tratamento preferencial” em prejuízo daqueles que, de fato, merecem esse tratamento. Tenho observado portadores de necessidades especiais que não se impõem por esses motivos: ao contrário, são discretos, independentes, o “mundo não é culpado” pelo fato de serem portadores de necessidades especiais.

Com relação a uma parcela de pessoas idosas, infelizmente, porta-se como se a sociedade organizada inteira tivesse um débito com ela, a ponto de passar por cima dos que, ainda, não aparentam a idade.

Faltam-me três (03) anos para atingir os 60 anos. Espero, sinceramente, tornar-me a pessoa descrita no texto “Tenha idade, mas não seja velho”:

https://maluber2.wordpress.com/2010/10/11/tenha-idade-mas-no-seja-velho/

 Corro um risco muito grande de ser criticada por postar textos que exortam a manutenção do equilíbrio para manter a saúde física e mental de, de repente, inserir uma postagem como esta. Todavia, acredito que, muitas vezes, sou obrigada a enfrentar problemas causados por pobres de espírito (que só nos causam “pobremas”) e que precisam ser expostos, pois não sou pobre de espírito, não sou melhor do que ninguém, mas também  não sou pior.

Enfrentar com bom humor determinadas situações é a melhor atitude, mas, de vez em quando, há necessidade de “descer das tamancas” também.

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