Ruy Barbosa Academia Brasileira de Letras

Ruy Barbosa, o Águia de Haia, c. 1923

Nome completo
Ruy Barbosa de Oliveira

Nascimento
5 de novembro de 1849
Salvador,

Morte
1º de março de 1923 (73 anos)
Petrópolis

Nacionalidade
Brasileiro

Ocupação
Jurista, político, diplomata, escritor, filólogo, tradutor e orador

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A lei de Caim

Rui [Ruy] Barbosa

(1849 – 1923)

Fonte: Antologia do Pensamento Mundial – Volume V – Livraria e Editora Logos Ltda. São Paulo – SP; 10ª edição, junho de 1963.

A lei de Caim é a lei do fratricídio. A lei do fratricídio é a lei da guerra. A lei da guerra é a lei da força. A lei da força é a lei da insídia, a lei do assalto, e a lei da pilhagem, a lei da bestialidade. Lei que nega a noção de todas as leis, lei da inconsciência, que autoriza a perfídia, agaloa a insolência, eterniza o ódio, premia a barbárie, assenta o direito, a sociedade, o Estado no princípio da opressão, na onipotência do mal. Lei de anarquia que se opõe à essência de toda legalidade, substituindo a regra pelo arbítrio[1], a ordem pela violência, a autoridade pela tirania, o título jurídico pela extorsão armada. Lei animal, que se insurge contra a existência de toda a humanidade, ensinando o homicídio, propagando a crueza, destruindo lares, bombardeando templos, envolvendo, na chacina universal, velhos, mulheres e crianças. Lei da torpeza, que proscreve o coração, a moral e a honra, misturando a morte com o estupro, a viuvez com a prostituição, a ignomínia com a orfandade. Lei de mentira, na falsa história que escreve, nos falsos pretextos que invoca, na falsa ciência que explora, na falsa dignidade que ostenta, na falsa bravura que assoalha, nas falsas liberdades que reivindica, fuzilando enfermeiras, atacando hospitais, metralhando povoações desarmadas, incendiando aldeias, bombardeando cidades abertas, minando as estradas navais do comércio, submergindo navios mercantes, canhoneando tripulações e passageiros refugiados nas lanchas de salvamento, abandonando as vítimas da covardia das suas proezas marítimas aos mares revoltos, e aos frios dos invernos boreais. Lei do sofisma, lei da inveja, lei da carnificina, lei do instinto sanguinário, lei do homem brutificado, lei de Caim.

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À medida que digitava o texto para postagem, fiquei cada vez mais surpresa com a visualização dos males provocados pela Lei de Caim, porque, contemporaneamente, Ruy Barbosa descreve, entre outras imagens, a 2.ª Guerra Mundial, os refugiados de países em guerra ou sob opressão ditatorial, mas não consegui contextualizar Lei de Caim, portanto, pode ser que Ruy Barbosa tenha acompanhado as tragédias da 1.ª Guerra Mundial.

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[1] No texto original, aparece “arbítro” [acento tônico na sílaba “bi”]. Tomei a liberdade de substituir por “arbítrio”, em função do contexto [grafia de 1963; possível erro de impressão] e da pesquisa feita: arbítrio Datação sXIV cf. IVPM Acepções substantivo masculino 1 decisão dependente apenas da vontade; alvedrio Ex.: impôs à moça o a. de pai.

Fonte: http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=arb%EDtrio&stype=k

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