Tartarugas não gostam de bocejar

Para os humanos e várias outras espécies de animais, o bocejo é contagioso. Já entre as tartarugas… Cientistas da Universidade de Radboud, na Holanda, passaram 6 meses ensinando uma tartaruga a, quando estimulada, abrir a boca simulando um bocejo. Quando finalmente conseguiram, puseram outras tartarugas para observá-la fazendo isso. Não deu em nada. (Texto de Tiago Perin, em Superinteressante, julho/2011, Supernovas, Ciência Maluca, página 24)

A fonte da ilustração da esquerda é: www.pixmac.com.br

A da direita, www.papeldeparede.etc.br

Embora pareça cultura inútil, há pessoas que se entediam com leitura, mesmo que seja muito importante, às vezes, essencial para sua informação.

Exemplos que tive em sala de aula, quando no exercício do Magistério: muitas vezes, eu não tinha uma cópia do que estava lendo para os alunos para que acompanhassem a leitura. Embora isso me afligisse, porque sempre considerei que acompanhar a leitura em voz alta por meio de uma cópia é uma ferramenta essencial para aprimorar a escrita e a fala, não havia como fazer isso.

Assisti, muitas vezes, alunos sob minha responsabilidade bocejar de tal modo acintoso que era possível, quando se sentavam nas primeiras carteiras, enxergar a garganta. Sem descrever, a fundo, o alto ruído que produziam.

Recentemente, ao fazer o pagamento de um profissional, por serviços prestados, eu mesma redigi o recibo e o li, em voz alta, antes que o referido profissional o assinasse. Bocejou de tal modo, enquanto eu lia, que me lembrei, de pronto, dos alunos mal educados, em sala de aula, que faziam o mesmo.

Reconheço, portanto, que, em matéria de leitura em voz alta, sou um tédio absoluto. Felizmente, não estou mais em sala de aula, isto é, para a felicidade dos alunos.

Embora, como digitei, a informação da Superinteressante pareça inútil, serviu para esta reflexão de minha parte: quando a pessoa nunca recebeu incentivo para leitura, dificilmente é uma produtora de texto, seja de um orçamento de prestação de serviço seja de um recibo para indicar que recebeu pelos serviços prestados.

Quem presta serviço tem que fazer o orçamento por escrito (segurança para ambos os envolvidos no processo). Quem recebe tem que fazer o recibo ou ler, atentamente, o que assina, quando o recibo está pronto (também uma questão de segurança para ambos os envolvidos no processo). 

Concluí, com o texto da “Super”, que não faz parte da natureza da tartaruga bocejar.

O bocejo indica extremo cansaço, eu sei. Indica, também, tédio, desinteresse, uma forma de agredir, às vezes. Mas, aparentemente, apenas nos seres humanos.

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