A propósito desta inserção:

Procuro ler, com respeito a quem redigiu, publicações que defendem e denunciam ações político-partidárias.

À luz deste texto, “As três peneiras”, que pode ser encontrado em muitos endereços eletrônicos, mas quis ficar especificamente com o do endereço mencionado em fonte e que pode ser conferido no link abaixo do texto inserido, tento, dentro de minha capacidade emocional, instintivamente, passar tudo o que me contam ou leio pelas três peneiras da sabedoria: quem conta algo sobre alguém testemunhou ou pode apresentar quem testemunhou?; é algo que o denunciante também já fez ou até pior (a melhor defesa é o ataque para os que têm “rabo preso”)?; qual é, como está no texto, a utilidade dessa informação (beneficia a sociedade inteira ou apenas um grupo específico?).

No aspecto político-partidário, as denúncias que promovam um processo judicial que as comprovem sempre serão bem vindas e úteis para a sociedade inteira.

O que me deixa “fula da vida” são as denúncias oportunistas: em período de greve de determinado setor público ou privado, em campanhas políticas em que a oposição já deveria ter denunciado a situação e vice versa (assumir mandato político sabendo os “podres” e ter ficado calado é crime também) e todos os envolvidos.

Então, fica combinado assim: quando há eleições, mesmo que os eleitos não tenham tido o meu voto, respeito a decisão da maioria. No entanto, fico esperando as denúncias contra os eleitos: cedo ou tarde, vêm à tona. Apenas lamento que, quando vêm à tona, meu honesto e suado dinheiro já tenha sido distribuído entre os que nunca o mereceram.

Por que me refiro só ao meu dinheiro? Porque cansei de ser palmatória do mundo: sempre que defendi os fracos e oprimidos, sem que eles tenham pedido isso, fiquei com as consequências mais tristes que foram, entre outras tantas, a de me tornar persona non grata tanto para os fracos e oprimidos quanto para os fortes e opressores.

Por esse motivo, o nome deste espaço é Sinhá, cadê “seu” Padre?, ou seja, para não ficar repetindo: Eu não disse? Eu não avisei?

Creio que melhor do que o ditado É melhor prevenir do que remediar, em português, seja A stich in time saves nine, em inglês.

Ah, este texto já foi postado aqui mesmo. Vale repeti-lo.

Fonte: Grupo de Estudos Budistas Shurendo http://www.shurendo.org/historias/astrespeneiras.htm

As Três Peneiras

Há muitos séculos atrás, num mosteiro budista, após a cerimônia noturna, o Monge Abade se retira para o seu merecido descanso e enquanto tomava calmamente o seu chá, à luz de apenas uma lamparina de óleo. Fazendo entreabrir a porta de correr, feita apenas de madeira e papel de arroz, entra um dos monges instrutores do templo, reverenciando profundamente o mestre.

Indagado pelo Abade sobre o motivo de sua visita a essas altas horas da noite, o monge lhe diz que o motivo de sua visita é contar ao mestre sobre alguns comentários que estão correndo no templo sobre um outro mestre instrutor.

O Venerável Abade, então, lhe diz em sua profunda sabedoria:

– Calma! Antes de me contares algo que ouviste sobre outra pessoa, gostaria de lhe perguntar: Já fizeste passar essa informação pelas Três Peneiras da Sabedoria?

– Peneiras da Sabedoria, Venerável Mestre? Espanta-se o monge.

– Sim, as Três Peneiras da Sabedoria. Tudo o que ouvires falar sobre os outros, deve passar pelas Três Peneiras da Sabedoria, antes de ser retido, acreditado e repassado. Ouça com atenção e me responda: Tens absoluta certeza de que o que te contaram é realmente verdade?

– Não, não tenho certeza Venerável Mestre. Apenas sei o que me contaram. – Disse meio sem jeito o monge.

– Então, se não tens certeza, a informação já vazou pelos furos da primeira peneira que é a da profunda investigação da Verdade. Agora ela repousa sobre a segunda peneira, e por isso eu lhe pergunto: – O que tens a me dizer é algo que gostaria que dissessem sobre ti?

– De maneira alguma, Mestre! É claro que não! diz o monge.

– Então tua estória acaba de passar pelos furos da segunda peneira que é a da compaixão, pois nunca deverias dizer ou fazer a alguém aquilo que não quisesses que fizessem ou dissessem de ti. Agora, tua estória repousa sobre a terceira e última peneira, e por isso lhe faço a última pergunta: – Achas que me contando essa estória sobre o seu irmão e companheiro de mosteiro, ela será útil a ele de alguma maneira?

– Não, Mestre, – respondeu já ruborizado o monge -. Refletindo profundamente, sob a Luz da Sabedoria, vejo que nada de útil poderia surgir dessas estórias e boatos.

– Então, essa estória acaba de vazar pela terceira peneira, para dissolver-se na terra. Nada restou para contar. E assim, lembra-te sempre que devemos ser como as abelhas que mesmo no mais imundo dos pântanos, buscam sempre as flores para delas retirar o doce néctar e nunca como as moscas que mesmo em um corpo sadio, buscam as feridas para delas se alimentar.


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As Três Peneiras

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