Crimes e homenagens às vítimas

Para comentar sobre crimes e homenagens às vítimas dos crimes, preciso estabelecer que tipo de crimes.

Há muitos tipos de crimes, mas, por uma enorme falha de caráter do povo brasileiro – claro que não do povo inteiro, mas de um número considerável de pessoas que não conhecem ou foram impedidas de aprender sobre valores morais – há o crime de destruir o caráter (vulgarmente chamamos de reputação) de determinadas pessoas que nunca se incomodaram em agir de modo cidadão para receber prêmios ou obter vantagens pessoais e financeiras por terem cultivado essa reputação ao longo de suas vidas pessoais e profissionais.

As pessoas que sempre agiram de modo cidadão – sem esperar recompensa por isso – mesmo quando já morreram são respeitadas por aqueles que, também, as admiram por motivos naturais, que não esperam, também, usá-las como escadas, trampolins ou corrimões para seus interesses pessoais mesquinhos.

Quem respeita os que agem ou agiram como cidadãos os citam como exemplos a serem seguidos – não precisam, necessariamente, publicar um livro sobre elas – transmitem, espontaneamente, esses exemplos aos filhos, aos parentes, aos amigos e, desse modo, os verdadeiros cidadãos nunca são esquecidos, mesmo que não se erijam monumentos, não se confeccionem placas comemorativas nem os admirados entrem na lista dos “mais bem” do ano, do século, do milênio.

Há, no entanto, uma parcela da população brasileira que destrói com uma facilidade imensa toda e qualquer reputação que não lhe interesse, porque não é espelho de suas personalidades defeituosas e exatamente por esse motivo. Quero com isso significar que as pessoas que construíram algo são perigosas para os que apenas se aproveitam de outros em benefício próprio e, como já citei inúmeras vezes, os detratores fazem essa destruição por tabela, porque “ouviram” dizer isto ou aquilo (e quem disse nunca é localizado), assumem como verdade e, no lodaçal de suas personalidades mal amadas e mal resolvidas, espalham as maledicências como um travesseiro de penas que é aberto, ao vento, do alto de um edifício.

Aprendi isso com meu pai: detratores são como aquela personagem que espalhava fofocas e maledicências pela cidade em que morava até que foi penalizado com a sentença de subir ao edifício mais alto, com um travesseiro de penas debaixo do braço, num dia de muito vento e abri-lo, para que as penas voassem sobre a cidade.

Cumprida a sentença, o detrator voltou à presença de quem a proferira.. A resposta que recebeu foi ótima: “Muito bem! Agora, no chão, recolha todas as penas que espalhou ao abrir o travesseiro num dia de vento”. “Mas como? Como recolher tudo que voou para árvores, campos, até para outras cidades?”. “E de que modo o senhor gostaria de recolher suas maledicências? Há outro modo?”.

Quem espalha maledicências, seja por qual motivo for, pelo meio que espalhar, muitas vezes, tenta corrigir esses crimes que cometeu prestando homenagens às vítimas.

Só que não há como recolher as calúnias, as injúrias, as difamações. Lembram-se de Inês de Castro, aquela que “depois de morta foi rainha” (Camões, Os Lusíadas)? Então, essa é a origem da expressão “Agora, Inês é morta”. De que adianta transformar alguém em rei ou rainha, num determinado momento, se o que resta da pessoa difamada, injuriada, caluniada são os sonhos destruídos, o caráter vilipendiado, o desânimo e a descrença serem seus sentimentos constantes e que leva a vida adiante para que os inimigos a tenham, sempre, como uma lembrança de como agiram de modo criminoso (Salmo 23: “O Senhor é meu pastor / nada me faltará…”).

Homenagear vítimas de crimes coletivos (em determinado momento, muitos resolvem “copiar” as atitudes de detratores) de assédio moral é desconhecer, por completo, capacidades humanas de empatia, simpatia, respeito pelo próximo. É rotular as vítimas de “otárias”.

Mais recentemente, uma das estratégias de se defender de crimes cometidos com auxílio de Tecnologia da Informática é espalhar, feito penas ao vento, denúncias de invasão de correios eletrônicos (nos provedores) e, desse modo, fingir que os criminosos não utilizaram endereços eletrônicos furtados por meio de “escarafunchar” hardwares de micros que foram entregues para conserto, por exemplo, mas não exclusivamente por esse meio, clonar esses endereços e corresponder-se com os destinatários dos “otários” como se fossem os próprios “otários”.

Como uma empresa que presta serviços de conserto permite que isso aconteça? Já não foi dito, redito, tredito que em todos os segmentos da sociedade existem pessoas sem caráter? Então, os criminosos que se utilizaram desses recursos estarão se defendendo de acusações de invasão de micros, de correspondências com endereços eletrônicos falsos por meio desse álibi: meu endereço foi clonado e não fui eu quem cometeu esses crimes.

Quem cometeu crimes que citei deve estar se “rebolando” para utilizar álibi de que teve o endereço eletrônico furtado. Vade retro!

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