Vingança não é justiça

A vingança é um sentimento torpe, baixo e mesquinho, próprio das pessoas que não se conformam com perdas e frustrações. Tais pessoas conseguem alimentar um sentimento de raiva até às raias do desequilíbrio. Invariavelmente, elas também trabalham arquitetando a maldade, dando o troco muitas vezes com bastante frieza e premeditação. Não sossegam até atingir o alvo que planejaram: destruir o outro com palavras e ações de uma forma sub-reptícia ou até bem direta. Algumas vezes, por covardia ou incompetência, essas pessoas partem para descontar suas frustrações em quem não tem nada a ver com a história. Que pobreza de espírito, não leitor?

Já a justiça, em si, não tem nada a ver com vingança. A justiça é a reparação de um mal cometido sem causa. Ela é um direito de todos os seres humanos feridos em sua honra, dignidade e patrimônio. Quando a pessoa é injustiçada, o mínimo que se exige não é uma vingança, mas, sim, uma boa retratação.

Pessoas de bom caráter também sentem suas raivas momentâneas. No entanto, devido à integridade que possuem, elas voltam rápido ao seu estado normal de equilíbrio e o que acaba prevalecendo, nelas, são a integridade e os valores éticos e morais com os quais foram criadas e formadas.

Bem, a justiça dos homens pode estar bem desacreditada pela maioria da população, mas resta sempre a justiça divina. Esta pode tardar, porém, acredite leitor, não falha nem falhará. Ela está ao lado das pessoas de bom caráter, que lutam para garantir seus direitos com todas as suas forças, mas jamais cometem o erro de praticar a justiça com as próprias mãos. Isso, embora, muitas vezes, dê uma tremenda vontade de fazer, devido à falência das nossas instituições jurídicas…

(Maria Helena Brito Izzo é terapeuta clínica e familiar. Revista Família Cristã, ano 67, n.º 784, abril/2001.)

Maria Lúcia Bernardini, digitado em 07/05/2001; arquivado em disquete.

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