Canção “Offer”, Allanis Morissette, vídeo ilustrado, legendas versos em português. terça-feira, jun 30 2009 

Após ler os versos em inglês, assista ao vídeo em que a canção é ilustrada por fotos, legendas com a tradução de “Offer” em

http://cid-a465ed4d8857cffb.skydrive.live.com/self.aspx/P%c3%bablico/AllanisMorissette%7C_can%c3%a7%c3%a3o%7C_ilustra%20reflex%c3%a3o%20sobre%20a%20vida.wmv

a pasta “Público” deste espaço.

Versos, em inglês, da canção

Fonte: http://offer.alanismorissette.letrasdemusicas.com.br/

Who?
Who am I to be blue?
Look at my family and fortune
Look at my friends and my house.
Who?
Who am I to feel deadend?
Who am I to feel spent ?
Look at my health and my money.
And where
Where do I go to feel good ?
Why do I still look outside me
When clearly I’ve seen it won’t work ?
Is it my calling to keep on when I’m unable?
And is it my job to be selfless extraordinary?
And my generosity has me disabled
By this my sense of duty to offer?
And why?
Why do I feel so ungrateful?
Me who is far beyond survival?
Me who see life as an oyster?
Is it my calling to keep on when I’m unable?
And is it my job to be selfless extraodinary?
And my generosity has me disabled
By this my sense of duty to offer?
And how?
How dare I rest on my laurels?
How dare I ignore an outstretched hand?
How dare I ignore a third world country?
Is it my calling to keep on when I’m unable?
And is it my job to be selfless extraodinary?
And my generosity has me disabled
By this my sense of duty to offer?
Who?
Who am I to be woo?

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Para conhecer o casal Michael e Inessa Garmash: aqui mesmo no meu Espaço sábado, jun 27 2009 

O último a lembrar de nós, de Martha Medeiros quarta-feira, jun 10 2009 

Nunca me preocupei com quem se lembrará de mim.

O texto, no entanto, é tão instigante que me estimulou a inserção tardia.

 

Recebi de minha prima Maria Adelaide em 26/04/2009.

O último a lembrar de nós

Martha Medeiros

O Globo, 26/04/09

"Qual será a data de minha morte definitiva? Não será a do meu último suspiro, e sim a do último suspiro daquele que ainda me carrega na sua lembrança afetiva—ou no seu ódio".


O israelense Amós Oz é um dos meus escritores preferidos. Acabo de ler o seu “Rimas da vida e da morte”, que narra os delírios de um escritor que, ao participar de um sarau literário, começa a olhar para cada desconhecido na plateia e a criar silenciosamente uma história fictícia para cada um deles, numa inspirada viagem mental. Eu estava viajando junto quando, em determinado capítulo, o autor fez uma observação que veio ao encontro de algo que sempre me perturbou: diz ele que a gente vive até o dia em que morre a última pessoa que se lembra de nós. Pode ser um filho, um neto, um bisneto ou um admirador, mas enquanto essa pessoa viver, mesmo a gente já tendo morrido, viveremos através da lembrança dele. Só quando essa pessoa morrer, a última que ainda se lembra de nós, é que morreremos em definitivo, para sempre. Estaremos tão mortos como se nunca tivéssemos existido.


Pra minha sorte, tive poucas perdas realmente dolorosas. Perdi um querido amigo há mais de 20 anos, e perdi uma avó que era como uma segunda mãe. Lembro deles constantemente, sonho com eles, busco-os na minha memória, porque é a única homenagem possível: mantê-los vivos através do que recordo deles. Daqui a cem anos, ninguém mais se lembrará nem de um, nem de outro, eles não terão mais netos ou bisnetos vivos, eles estarão definitivamente mortos, e pensar nisso me dói como se eu estivesse testemunhando um assassinato.


Aquele que compõe músicas, faz filmes, escreve livros, bate recordes ou é um Pelé, um Picasso, um Mozart, consegue uma imortalidade estendida, mas, ainda assim, será sempre lembrado por sua imagem pública, não mais a privada, não mais a lembrança da sua voz ao acordar, da risada, do bom humor ou do mau humor, não mais daquilo que lhe personificava na intimidade. Serão póstumos, mas não farão mais falta na vida daqueles com quem compartilharam almoços, madrugadas, discussões, já que esses parceiros também não estarão mais aqui.


Alguém me disse: se você acreditasse em reencarnação, nada disso te ocuparia a mente.


De fato, não acredito, e mesmo que eu esteja enganada, de que me serve essa teoria sem poder comprová-la? Se sou um besouro reencarnado ou se já fui uma princesa egípcia, que diferença faz? Minha consciência é que me guia, não minhas abstrações. Sou quem sou, sou aquela que pode ser lembrada. Não me conforta ser uma especulação.


É provável que ainda não tenha nascido aquele que será o último a me recordar, a rever minhas fotos, a falar bem ou mal de mim. Nem tive netos ainda. Qual será a data de minha morte definitiva? Não será a do meu último suspiro, e sim a do último suspiro daquele que ainda me carrega na sua lembrança afetiva — ou no seu ódio por mim, já que o ódio igualmente mantém nossa sobrevivência.


Cafajestes e assassinos célebres: eles também se mantêm vivos através daqueles que lhes temeram um dia.


Mórbido esse assunto, reconheço. Mas queria fazer uma homenagem a ele: ao último ser humano a lembrar de nós, a ter saudade de nós, a recordar nosso jeito de caminhar, de resmungar, o último a guardar os casos que ouviu sobre nós e a reter nossa história particular. O último a pronunciar nosso nome, a nos fazer elogios, ou a discordar de nossas ideias. O último a permitir que habitássemos sua recordação.


Louvada seja essa criatura, que ainda nos manterá vivos pra muito além da vida.