Fonte: http://www.anamariamachado.com/livros/livro_mes.php?codDestaque=1

Bisa Bia, Bisa Bel

clip_image001 Bisa Bia, Bisa Bel é um fenômeno que já recebeu vários prêmios desde que foi escrito, começando com o Prêmio Maioridade Crefisul de 1981, oferecido pelo Crefisul para Originais Inéditos, até a presença na lista dos 40 Livros Essenciais escolhidos pela Nova Escola.

É também um dos livros mais vendidos da Ana Maria e um dos mais editados no exterior. 

 “…E dentro disso tudo é que estava a fofura maior. Uma menininha linda de cabelo todo cacheado, vestido claro cheio de fitas e rendas…”
Mas isso tudo não é nada perto da quantidade e variedade de atividades escolares que foram inspiradas pelo livro. Recentemente, no final de 2002, em Apucarana, no Paraná, a professora Lauzinha Rosa de Jesus Andolfato coordenou um projeto chamado “No tempo da Bisa”, com sete turmas, dos colégios Alberto Santos Dumont e Polivalente. Os alunos leram Bisa Bia, Bisa Bel, redigiram, pesquisaram, e desenvolveram atividades de aproximação de gerações, visitando o asilo de idosos do local e conversando muito com os mais velhos.

Ana Maria gostou muito de ter inspirado essa idéia, que resultou em um projeto de solidariedade e alcance social e humano.

Bisa Bia, Bisa Bel foi escrito num momento em que Ana Maria estava com muitas saudades das suas avós, com vontade de falar sobre elas. Talvez esse seja o principal segredo do fenômeno Bisa. Afinal, tem poucas coisas mais saborosas do que lembranças de avó, seja no interior do Brasil, no México ou em Berlim.

No embalo desse fenômeno, Ana já tomou chá com avós em colégios de várias cidades diferentes, com direito a receitas de biscoitos, bordados de presentes e exposições de fotos de família. E como toda avó tem que ter netos e netas, nas mesmas visitas, Ana ouviu rock e utopias sobre o futuro, até mesmo com desfiles de moda intergalática.

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Lembrei-me desse livro (foi doado, juntamente com outros 320 títulos, à biblioteca da escola “Pinheiro Júnior”, em Itu/SP, para onde “fui removida”, compulsoriamente, na época da “Reorganização das escolas”, idos de 1995 / 1996, embora concursada e, obrigatoriamente, ter que ser submetida a um concurso de remoção), por causa do livro Álbum de família, de Lino de Albergaria, que minha sobrinha leu, durante as férias de julho/2008, para apresentar uma tarefa na volta às aulas em agosto/2008. 

Lembrei-me de quê? Bem, que doei, dentre os livros, o de Ana Maria Machado, Bisa Bia, Bisa Bel e os livros doados deveriam ter ficado à disposição de todos os alunos da escola “Pinheiro Júnior”, mas que, inexplicavelmente, não constavam dos títulos à disposição dos alunos nas prateleiras da biblioteca da escola “Pinheiro Júnior” até a data de minha aposentadoria. E eu já tinha ensinado à diretora em exercício que qualquer doação deveria ser tombada e uma carta de agradecimento, com cópia para os arquivos da escola, deveria ser enviada a quem fez a doação. Uma questão de formação moral e intelectual. Ela já tinha feito isso, a meu pedido, com a doação dos livros clássicos, comprados da editora do jornal O Estado de São Paulo, livros esses que pedi a meu pai que fizesse em nome dele, pois foi ele quem adquiriu a coleção de clássicos. A diretora em exercício providenciou um documento de agradecimento na época. Esse agradecimento está guardado em nossos arquivos

Todavia, na dança política de interesses de troca de diretores que vão para estas escolas, diretores que vão para aquelas escolas (e como o Governo do Estado de São Paulo estava “tirando o seu da reta”, porque essa dança de mudança de diretores era continuação da passagem de responsabilidade pela educação para os municípios, iniciada com a “Reorganização das Escolas”, vade retro, PSDB) a escola “Pinheiro Júnior” parecia um laboratório de experiências para ver quem mandava mais: coronéis locais, coronéis estaduais, coronéis federais ou… o crime organizado, o que dá na mesma, porque onde todo mundo manda, inclusive sapo de fora, e ninguém tem razão, é o crime organizado que está mandando. Assim, de diretores em diretores em exercício, sabei-me para quantas mãos criminosas o que doei e o que elaborei – para aplicar em sala de aula, às minhas custas – foi parar em mãos criminosas.

Assim, dentre os 320 títulos doados de livros paradidáticos, literatura infanto-juvenil (alguns recebidos como cortesia das editoras, mas a maioria absoluta comprados por mim, para que os alunos sob minha responsabilidade pudessem ter acesso à leitura contemporânea e à clássica), todos identificados como de minha propriedade estava o livro Bisa Bia, Bisa Bel com o comentário sobre ele copiado e colado no início desta inserção.

Alguém dirá: você não fez controle desses títulos doados? Ficou esperando que pessoas de caráter duvidoso, submetidas a criminosos é que fizessem essa lista de controle? Fiz, sim, uma lista completa dos livros doados. Acontece que desde que comprei meu primeiro micro, mesmo não estando conectada à Internet, o crime organizado “deu um jeito” de, sempre, manipular tudo. Assim, salvei a lista dos livros doados em disquete e… para variar, a impressora travou. Levei o disquete para o micro de meu irmão e o conteúdo do disquete se transformou em meia dúzia de símbolos que eu não imaginava como recuperar, como converter para o arquivo salvo em meu micro. Tenho o disquete guardado até hoje, mas a quem recorrer para conseguir recuperar o conteúdo? Quem é confiável?

E o que fiz com o conteúdo que estava no hardware do meu micro? Na época, não me lembro o que fiz, mas foi excluído, portanto está lá, embora o micro tenha que ter sido reformatado umas três ou quatro vezes, porque os criminosos tinham que apagar os rastros de merda que sempre deixam quando manipulam meu micro à distância e quando contatam o técnico em informática antes da visita. Só que nem tudo se apaga no disco rígido, ficam os fragmentos. Pois é, quantos técnicos mexeram nesse micro? E no micro “novo” de 2002? Não vendo, não troco e não dou o primeiro micro, anterior ao de 2002, nem o de 2002, mas duvido que o arquivo dessa lista dos 320 títulos possa ser recuperado.

Lembro-me de muitos títulos, dentre eles estava Bisa Bia, Bisa Bel. Alguns, já doados na época, apareceram em bancos da praça em frente à escola, como se os alunos que os tomaram emprestados da biblioteca da escola os tivessem esquecido no banco da praça. Por que me fizeram saber disso? Por que quem sabia – e continua a saber – em que mãos, na verdade, a maioria dos livros foi parar – será que, dentre os criminosos, estão os que escreviam livros infanto-juvenis contando com a ignorância dos que não liam os livros infanto-juvenis nem os de “adultos” (não existem livros infantis, infanto-juvenis ou adultos; o que existe são leitores semi-alfabetizados que não conseguem ler nenhum deles; isso eu já dizia em sala de aula há muito anos e escrevi para os alunos também) – com o objetivo de assumir autoria de livros que já estavam editados, ou seja, de parasitas que vivem às custas de furto intelectual e de dinheiro público para editar os livros cujo enredo foi todo furtado? Sim não importa o número de livros lidos, mas a qualidade da leitura que o leitor faz deles, mas educador recomendar leitura de livros aos alunos sem que tenha lido o que manda ler é o fim da picada! Adotam, então, a técnica de saber o conteúdo do que mandam ler por meio de alunos que sabem ler?

Como eu estava fazendo – e ainda continuo a fazer – a “catança” de informações sobre meus bisavós, tudo perdido no tempo ou espalhado entre os descendentes, o livro que minha sobrinha leu veio bem a calhar, pois a tarefa era levar, no primeiro dia de aula, objetos ou pertences de antepassados ou testemunhos de épocas, para estabelecer uma linha do tempo.

Minha sobrinha decidiu por moedas (ela sabia que tínhamos várias antigas), por jogo de lençóis dos pais da avó materna (lindo! branco! com bordado inglês!), por dinheiro em notas, que a avó materna tinha guardado, pelo brinquedo da avó materna (um ferrinho de passar roupa de brinquedo; uma emocionante lembrança de brinquedos antigos), pela visita ao Museu da Energia (cujos exemplares antigos são de arrepiar e que foram fotografados para a apresentação do trabalho) e, claro, a colaboração desta tia, com o auxílio de todos os descendentes dos tataravós de meus sobrinhos, para contar, numa linha do tempo, o que sabemos a respeito de nossos antepassados imigrantes.

Com a orientação dos pais, em especial da mãe, com a colaboração de avó materna, de tias dos lado materno e paterno, minha sobrinha apresentou a tarefa proposta antes do início das férias de julho/2008.

Acredito não ser necessário desdobrar todas as conseqüências boas do que acabei de relatar. No entanto, minha sobrinha (e os demais sobrinhos) é privilegiada, porque têm familiares que se importam com a educação do lar e com a educação formal para que possa descobrir suas aptidões e desenvolver todas as habilidades de que necessitará para que se torne cidadã de verdade.

Lamento, muito, que os alunos sob minha responsabilidade não tenham aproveitado as oportunidades que lhes dei para descobrir suas aptidões e desenvolver todas as habilidades. Criei as condições, na marra, com prejuízos morais e financeiros imensos. Porém, muitas vezes, não por culpa de todos os alunos sob minha responsabilidade, o crime organizado “se meteu”, pois cidadãos não se envolvem com criminosos e cidadãos são perigosos para o crime organizado, porque, na maioria das vezes, não se tornam lacaios dos “patrões” que cometem crimes do colarinho branco: recusam-se a se submeter a esse papel.

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