Maria Angula – conto folclórico, resgatado da tradição oral, de origem equatoriana quinta-feira, set 25 2008 

Maria Angula

(Conto de tradição oral equatoriana, contribuição de Inês Zennaro à O. T., professora em Itu)

Maria Angula era uma menina alegre e viva, filha de um fazendeiro de Cayambe. Era louca por uma fofoca e vivia fazendo intriga com os amigos para jogá-los uns contra os outros. Por isso, tinha fama de leva-e-traz, linguaruda e era chamada de moleca fofoqueira.

Assim viveu Maria Angula até os dezesseis anos, dedicada a armar confusão entre os vizinhos, sem ter tempo para aprender a cuidar da casa e a preparar pratos saborosos.

Quando Maria Angula se casou, começaram os seus problemas. No primeiro dia, o marido pediu-lhe que fizesse uma sopa de pão com miúdos, mas ela não tinha a menor idéia de como prepará-la.

Queimando as mãos com uma mecha embebida em gordura, acendeu o carvão e levou ao fogo um caldeirão com água, sal e colorau, mas não conseguiu sair disso: não fazia idéia de como continuar.

Maria lembrou-se, então, de que na casa vizinha morava Dona Mercedes, cozinheira de mão cheia e, sem pensar duas vezes, correu para lá:

– Minha cara vizinha, por acaso a senhora sabe fazer sopa de pão de miúdos?

– Claro, Dona Maria. É assim: primeiro, coloca-se o pão de molho em uma xícara de leite, depois despeja-se este pão no caldo e, antes que ferva, acrescentam-se os miúdos.

– Só isso?

– Só, vizinha.

– Ah – disse Maria Angula – mas isso eu já sabia! – e voou para a sua cozinha a fim de não esquecer a receita.

No dia seguinte, como o marido lhe pediu que fizesse um ensopado de batatas com toicinho, a história se repetiu.

– Dona Mercedes, a senhora sabe como se faz o ensopado de batatas com toicinho?

E, como da outra vez, tão logo a sua boa amiga lhe deu todas as explicações, Maria Angula exclamou:

– Ah É só? Mas isso eu já sabia! – e correu imediatamente para casa, a fim de prepará-lo.

Como isso acontecia todas as manhãs, Dona Mercedes acabou se enfezando. Maria Angula vinha sempre com a mesma história: “Ah, é assim que se faz arroz com carneiro? Mas isso eu já sabia!! Ah, é assim que se prepara a dobradinha? Mas isso eu já sabia!!”. Por isso, a mulher decidiu dar-lhe uma lição e, no dia seguinte:

– Dona Mercedinha!

– O que deseja, Dona Maria?

– Nada, querida, só que o meu marido quer comer no jantar um caldo de tripas e bucho e eu…

– Ah, mas isso é fácil demais! – disse Dona Mercedes. E antes que Maria Angula a interrompesse, continuou:

– Veja, vá ao cemitério levando um facão bem afiado. Depois, espere chegar o último defunto do dia e, sem que ninguém a veja, retire as tripas e o estômago dele. Ao chegar, lave-os muito bem e cozinhe-os com água, sal e cebolas. Depois de ferver por uns dez minutos, acrescente alguns grãos de amendoim e está pronto. É o prato mais saboroso que existe.

– Ah! – disse, como sempre, Maria Angula – É só? Mas isso eu já sabia!

E, num piscar de olhos, estava ela no cemitério, esperando pela chegada do defunto mais fresquinho. Quando já não havia mais ninguém por perto, dirigiu-se, em silêncio, à tumba escolhida. Tirou a terra que cobria o caixão, levantou a tampa e… Ali estava o pavoroso semblante do defunto! Teve ímpetos de fugir, mas o próprio medo a deteve ali. Tremendo dos pés à cabeça, pegou o facão e cravou-o uma, duas, três vezes na barriga do finado e, com desespero, arrancou-lhe as tripas e o estômago. Então, voltou correndo para casa. Logo que conseguiu recuperar a calma, preparou o jantar macabro que, sem saber, o marido comeu, lambendo os beiços.

Nessa mesma noite, enquanto Maria Angula e o marido dormiam, escutaram-se uns gemidos nas redondezas. Ela acordou sobressaltada. O vento zumbia misteriosamente nas janelas, sacudindo-as e, de fora, vinham uns ruídos estranhos, de meter medo a qualquer um.

De súbito, Maria Angula começou a ouvir um rangido nas escadas. Eram os passos de alguém que subia em direção ao seu quarto, com um andar dificultoso e retumbante, e que se deteve diante da porta. Fez-se um minuto de eterno silêncio e, logo depois, Maria Angula viu o resplendor fosforescente de um fantasma. Um grito surdo e prolongado paralisou-a:

– Maria Angula, devolva as minhas tripas e o meu estômago que você roubou da minha santa sepultura!

Maria Angula sentou-se na cama horrorizada e, com os olhos esbugalhados de tanto medo, viu a porta se abrir, empurrada, lentamente, por essa figura luminosa e descarnada.

A mulher perdeu a fala. Ali, diante dela, estava o defunto, que avançava mostrando-lhe o semblante rígido e o ventre esvaziado.

– Maria Angula, devolva as minhas tripas e o meu estômago que você roubou da minha santa sepultura!

Aterrorizada, escondeu-se debaixo das cobertas para não vê-lo, mas imediatamente sentiu umas mãos frias e ossudas puxarem-na pelas pernas e arrastarem-na, gritando:

– Maria Angula, devolva as minhas tripas e o meu estômago que você roubou da minha santa sepultura!

Quando Manuel acordou, não encontrou mais a esposa. Muito embora tenha procurado por ela em toda parte, jamais soube do seu paradeiro.

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Peça teatral sobre a fundação de Itu/SP quinta-feira, set 25 2008 

Texto elaborado por Maria Lúcia Bernardini para apresentação em gincana de 18/04/1991.

Em forma de peça teatral, o texto, totalmente baseado na fonte descrita abaixo, foi apresentado no ginásio da Associação Atlética Ituana, por alunos da escola “Convenção de Itu”.

Eu, Maria Lúcia Bernardini, não assisti à peça, pois não foi permitido que quem estivesse em período de aula, no meu caso e dos alunos sob minha responsabilidade, saísse da escola para assistir a participação da EEPSG “Convenção de Itu”.

 

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 Bibliografia para a peça teatral: Itu, cidade histórica, separata da Revista n.º 1, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Nossa Senhora do Patrocínio. Texto da Prof.ª Irmã Maria José de Toledo Pizza, 1972, Itu/SP.

 

Observação: o mapa de Itu e das cidades vizinhas fez parte de uma apostila que apresentava dados do IBGE, de 1991. Itu possuía, então, 116.694 habitantes.

O texto foi digitado a partir de um rascunho datilografado, com  inserções manuscritas por Maria Lúcia, encontrado em 29/08/2008.

 

Foram feitas cópias das páginas, reduzidas a A4, escaneadas para servir de prova de que o rascunho pertence à Maria Lúcia, bem como a autoria..

Peça teatral que recriou a fundação de Itu.

Comemorada no dia 02 de fevereiro, por causa da padroeira Nossa Senhora da Candelária. O ano foi 1610.

(Em séquito composto por homens vestidos de bandeirantes, índios e uma das personagens com uma cruz entram no palco. Duas figuras – a de Domingos Fernandes e a de Cristóvão Diniz – deverão estar trajadas a caráter. Os demais serão figurantes e não falarão nada. Não aparecerão mulheres, pois este séquito marcará a posse da sesmaria por Domingos Fernandes e as mulheres serão trazidas depois. No palco, haverá uma mesa com uma cadeira que não precisam ser de época, basta que sirvam para uma cena posterior. Sobre a mesa deverá estar uma folha de papel e uma pena dentro de um tinteiro. O séquito acomoda-se de frente para o público e para a Comissão organizadora do evento, A UM SINAL DE “ALTO” FEITO COM O BRAÇO pela personagem que representa Domingos Fernandes – Domingos e Cristóvão permanecem em pé, de frente para o público – os figurantes se acomodam, sentados ou agachados, de costas para o público, ao redor dos dois bandeirantes. Cristóvão aproxima-se de Domingos Fernandes):

CRISTÓVÃO: Meu sogro, já estamos em sesmaria de tua propriedade?

DOMINGOS: Há muito, meu genro. Este é o local de nossa parada. Neste ano de 1610, tomo posse desta sesmaria.

CRISTÓVÃO: Deixaremos Parnaíba, fundada por teu pai?

DOMINGOS: Certamente. Iniciaremos um povoado aqui. Para isso, traremos nossas famílias e os índios que me couberem da partilha de minhas entradas pelo sertão.

CISTÓVÃO: Que Deus nos abençoe nessa empreitada!

DOMINGOS: ELE está conosco. Sob a Santíssima Trindade e em nome de Deus, neste local que pisamos, campos de Pirapitingüí, construiremos um orago à Nossa Senhora da Candelária.

(Cristóvão abaixa a cabeça e parece rezar. Domingos se dirige ao séquito acomodado ao redor dele e de Cristóvão. O séquito passa a prestar atenção ao sertanista):

DOMINGOS: Eu, Domingos Fernandes, o terceiro de sete filhos de Manuel Fernandes Ramos e Suzana Dias, deixo Parnaíba, fundada por meu pai, para fixar residência entre a estrada das monções e o caminho para o salto do Anhembi, local denominado em língua indígena de “Ytu-Guassu”.

(Cristóvão apruma o corpo e toma a palavras):

CRISTÓVÃO: Eu, Cristóvão Diniz, filho de Domingos Dias o moço, casado com Isabel da Costa, filha de Domingos Fernandes e D.ª Ana da Costa, acompanho meu sogro e o mesmo fará minha mulher, Isabel, para aqui residirmos com os nossos familiares e com todos aqueles que quiserem nos acompanhar. (Aponta Domingos com uma das mãos) Este sertanista paulista, rico, dono de escravos, de criações, de vastíssimas terras, de jóias e adornos e de móveis tem algo para vos dizer…

DOMINGOS: Eu mesmo povoarei Ytu-Guassu, trazendo para cá toda a família e os que quiserem me acompanhar. Meu pai era de fidalga linhagem portuguesa. Minha mãe era paulista, filha de Lopes Dias e de D.ª Beatriz Dias, filha de João Ramalho e de Bartira, neta do chefe guaianá Tibiriçá. Sou, pois, bisneto do cacique Tibiriçá. Sou tido como mameluco. Sou cristão pela vontade e misericórdia de Deus Nosso Senhor e merecimentos de Cristo, batizado na Santa Madre Igreja Romana.

CRISTÓVÃO: Eu, Cristóvão Diniz, acompanho meu sogro que, como sesmeiro, se estabilizará em sua sesmaria com a família, com os escravos, como o gado. Nela, construirá habitação e dedicar-se-á à cultura da terra, à criação. Acompanho meu sogro e com ele erigirei um orago à Nossa Senhora da Candelária. Tragam, portanto, a cruz que marcará o local.

(Os que estavam sentados ou agachados levantam-se, tiram os chapéus ou qualquer coisa que tragam na cabeça. O figurante que carrega a cruz aproxima-se de Domingos. Dois outros figurantes encenam estar escavando e, depois, o figurante que carrega a cruz faz gesto de fincá-la num buraco. Cena rápida. As luzes se apagam, Domingos Fernandes se dirige à mesa/escrivaninha e molhando a pena no tinteiro, aguarda que o palco fique livre. Um foco de luz, apenas, deverá estar sobre Domingos Fernandes que escreve enquanto o palco fica livre. Quando tudo se aquieta, Domingos olha para o público e para a Comissão organizadora do evento. Domingos poderá ter tirado o colete de bandeirante ou pode permanecer com a roupa completa, como for mais conveniente):

DOMINGOS: Escrevo meu testamento. Corre o ano de 1652. Ao redor da singela ermida em honra de Nossa Senhora da Candelária, esboçou-se um povoado, hoje um núcleo civilizado. A capelinha de taipa rebocada e caiada foi sentinela das casas rústicas de moradores altivos, briosos e corajosos. Esse povo ituano tem raízes profundas na história e fará história. Minha mulher, meu genro Cristóvão, outros genros e até alguns de meus filhos já estão mortos. Quero ser enterrado na capela que erigi com Cristóvão Diniz. Se no dia de minha morte eu estiver em Parnaíba, desejo ser enterrado na Igreja Matriz daquela vila, na mesma sepultura de minha mulher, Ana da Costa. Deixo à Nossa Senhora da Candelária, de cuja capela sou padroeiro, parte de meus bens, depois de dividido entre meus herdeiros. Será meu substituto, como padroeiro, o filho mais velho do meu filho mais velho, meu neto Domingos Dias da Costa o manco, que, juntamente com a tia, Isabel da Costa, minha filha viúva de Cristóvão Diniz, administrarão a capela. Liberto todos os gentios que possuo como escravos. Estão livres depois de minha morte. Deixo uma filha, com seis ou sete meses por esta época, filha que tive com uma índia livre depois que enviuvei e que, também, é minha herdeira como os demais filhos que nomeio no testamento. Encomendo muitas missas e recomendo: quero ser enterrado na capela que erigi. Pretendo que ali meus ossos aguardem o juízo universal e, assim, por nenhum modo, consinto que a capela e os meus ossos sejam mudados. Deverão permanecer onde a capela agora está levantada. A não ser que este lugar se despovoe… a não ser que este lugar se despovoe…

(baixando o tom de voz, vota-se para o papel, Domingos repete “a não se que este lugar se despovoe”, enquanto a luz se apaga. Então, apenas o vulto de Cristóvão escrevendo, ouve-se uma gravação do Hino de Itu ou um poema que exalte Itu).

 

Hino de Itu

Letra: Prof. José Luiz de Oliveira

Música: Prof. Roberto Manzo


 

I

Suba aos céus nosso brado de orgulho

exaltando a cidade sem par

que jamais se deixou igualar,

pelo brio dos filhos que tem!

 

ESTRIBILHO

Teu início foi Utu-Guaçu,

que Fernandes fundou para a glória

de tornar-se a cidade de Itu

Fidelíssima, berço da História!

Quem tuas ruas percorre insensível?

Quem te vê, minha Itu sem igual,

e não vibra, ao sentir, invisível,

renascer o Brasil colonial?

 

II

Glória a Itu, que enviou bandeirantes

para a mata fechada explorar

e, afastando as fronteiras do mar,

o gigante Brasil desdobrou!

 

ESTRIBILHO

 

III

Nos teus templos de tanto esplendor

o presente revive o passado!

Foi em ti que, de alerta num brado,

a República disse: “Presente”!

 

ESTRIBILHO

 

IV

Mas não só de passado tu vives,

minha Itu: teu progresso é brilhante!

Marcha em frente, com passo gigante

Para a glória de um grande amanhã!

 

ESTRIBILHO


 

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Observação: a letra do Hino de Itu não fez parte do rascunho nem do original entregue a quem preparou os alunos para a apresentação, bem como, ao digitar, algumas correções foram necessárias.

 

Ética e Cidadania – o que era isso mesmo, Sinhá? segunda-feira, set 22 2008 

Mandamentos cívicos

(Coelho Neto)

Os dez mandamentos que se seguem completam, em resumo harmonioso e patriótico, a educação moral e cívica do homem:

1º – Honra a Deus, amando a Pátria sobre todas as coisas, por nô-lo haver Ele dado por berço, com tudo o que nela existe de esplendor no céu e de beleza e fortuna na terra.

2º – Considera a Bandeira como imagem viva da Pátria, prestando-lhe o culto do teu amor e servindo-a com todas as forças do teu coração.

3º – Honra a Pátria no passado, sobre os túmulos dos heróis; glorificando-a no presente, com virtude e dedicação que é a força da Fé.

4º – Instrui-te, para que possas andar por teus passos na vida, e transmite aos teus filhos a instrução, que é dote que não se gasta, direito que não se perde, liberdade que não se limita.

5º – Pugna pelos direitos que te confere a Lei, respeitando-a em todos os seus princípios, porque da obediência que se lhe presta resulta a Ordem, que é a força suave que mantém os homens em harmonia.

6º – Ouve e obedece aos teus superiores, porque sem disciplina não pode haver equilíbrio. Quando sentires o tentador, refugia-te no trabalho, como quem se defende do domínio na fortaleza do altar.

7º – Previne-te na mocidade, economizando para a velhice, que assim prepararás de dia a lâmpada que te há de iluminar à noite.

8º – Acolhe o hóspede com agasalho, oferecendo-lhe a terra, a água e o fogo, sempre, porém, como senhor da casa: nem com arrogância que afronte, nem com submissão que te humilhe, mas serenamente sobranceiro.

9º – Ouve os teus, que têm interesse no que lhes é próprio, reservando-te com os de fora. Quem sussurra segredos é porque não pode falar alto, e as palavras cochichadas nas trevas são, sempre, rebuços de idéias que não se ousam manifestar.

10º – Ama a terra em que nasceste e à qual reverterás na morte. O que por ela fizeres por ti mesmo farás, que és terra e a tua memória viverá na gratidão dos que te sucedem.

Esses dez mandamentos encerram em dois: Amar a Pátria sobre todas as coisas e aos que conosco trabalham para engrandecê-la.

Pátria / Política e Politicalha / Sinhá, cadê Rui Barbosa? segunda-feira, set 22 2008 

Pátria

(Rui Barbosa)

A Pátria não é ninguém: são todos.

E cada qual tem no seio dela

o mesmo direito à idéia, à palavra, à associação.

A Pátria não é um sistema,

nem uma seita, nem um monopólio,

nem uma forma de governo:

é o céu, o solo, o povo, a tradição,

a consciência, o lar, o berço dos filhos

e o túmulo dos antepassados,

a comunhão da lei, da língua e da liberdade.

Os que a servem são os que não invejam, os que não infamam,

os que não conspiram, os que não desalentam,

os que não emudecem,

os que não se acovardam, mas resistem,

mas se esforçam, mas pacificam,

mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo.

(In Educação Moral, Cívica e Política, de Douglas Michalany e Ciro de Moura Ramos, Gráfica-Editora Michalany S.A., São Paulo, 1.ª edição,1970.)

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Política e politicalha

A política afina o espírito humano, educa os povos no conhecimento de si mesmos, desenvolve nos indivíduos a atividade, a coragem, a nobreza, a previsão, a energia, cria, apura, eleva o merecimento.

Não é esse jogo de intriga, da inveja e da incapacidade, a que entre nós se deu a alcunha de politicagem. Esta palavra não traduz ainda todo o desprezo do objeto significado. Não há dúvida que rima bem com criadagem e parolagem, afilhadagem e ladroagem. Mas não tem o mesmo vigor de expressão que os seus consoantes. Quem lhe dará com o batismo adequado? Politiquice? Politiquismo? Politicaria? Politicalha? Neste último, sim, o sufixo pejorativo queima como um ferrete, e desperta ao ouvido uma consonância elucidativa.

Política e politicalha não se confundem, não se parecem, não se relacionam uma com a outra. Antes se negam, se excluem, se repulsam mutuamente.

A política é a arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas ou tradições respeitáveis. A politicalha é a indústria de explorar o benefício de interesses pessoais. Constitui a política uma função, ou um conjunto das funções do organismo nacional: é o exercício normal das forças de uma nação consciente e senhora de si mesma. A politicalha, pelo contrário, é o envenenamento crônico dos povos negligentes e viciosos pela contaminação de parasitas inexoráveis. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada.

(Rui Barbosa, Trechos escolhidos de Rui Barbosa, Edições de Ouro, Tecnoprint, Rio de Janeiro, 1964. In Reflexão & Ação em Língua Portuguesa, 8ª Série, Marilda Prates, Editora do Brasil S/A, São Paulo, 1984.)

Se eu recomendar Bisa Bia, Bisa Bel para um de meus sobrinhos, o livro precisará ser comprado novamente. segunda-feira, set 22 2008 

Fonte: http://www.anamariamachado.com/livros/livro_mes.php?codDestaque=1

Bisa Bia, Bisa Bel

clip_image001 Bisa Bia, Bisa Bel é um fenômeno que já recebeu vários prêmios desde que foi escrito, começando com o Prêmio Maioridade Crefisul de 1981, oferecido pelo Crefisul para Originais Inéditos, até a presença na lista dos 40 Livros Essenciais escolhidos pela Nova Escola.

É também um dos livros mais vendidos da Ana Maria e um dos mais editados no exterior. 

 “…E dentro disso tudo é que estava a fofura maior. Uma menininha linda de cabelo todo cacheado, vestido claro cheio de fitas e rendas…”
Mas isso tudo não é nada perto da quantidade e variedade de atividades escolares que foram inspiradas pelo livro. Recentemente, no final de 2002, em Apucarana, no Paraná, a professora Lauzinha Rosa de Jesus Andolfato coordenou um projeto chamado “No tempo da Bisa”, com sete turmas, dos colégios Alberto Santos Dumont e Polivalente. Os alunos leram Bisa Bia, Bisa Bel, redigiram, pesquisaram, e desenvolveram atividades de aproximação de gerações, visitando o asilo de idosos do local e conversando muito com os mais velhos.

Ana Maria gostou muito de ter inspirado essa idéia, que resultou em um projeto de solidariedade e alcance social e humano.

Bisa Bia, Bisa Bel foi escrito num momento em que Ana Maria estava com muitas saudades das suas avós, com vontade de falar sobre elas. Talvez esse seja o principal segredo do fenômeno Bisa. Afinal, tem poucas coisas mais saborosas do que lembranças de avó, seja no interior do Brasil, no México ou em Berlim.

No embalo desse fenômeno, Ana já tomou chá com avós em colégios de várias cidades diferentes, com direito a receitas de biscoitos, bordados de presentes e exposições de fotos de família. E como toda avó tem que ter netos e netas, nas mesmas visitas, Ana ouviu rock e utopias sobre o futuro, até mesmo com desfiles de moda intergalática.

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Lembrei-me desse livro (foi doado, juntamente com outros 320 títulos, à biblioteca da escola “Pinheiro Júnior”, em Itu/SP, para onde “fui removida”, compulsoriamente, na época da “Reorganização das escolas”, idos de 1995 / 1996, embora concursada e, obrigatoriamente, ter que ser submetida a um concurso de remoção), por causa do livro Álbum de família, de Lino de Albergaria, que minha sobrinha leu, durante as férias de julho/2008, para apresentar uma tarefa na volta às aulas em agosto/2008. 

Lembrei-me de quê? Bem, que doei, dentre os livros, o de Ana Maria Machado, Bisa Bia, Bisa Bel e os livros doados deveriam ter ficado à disposição de todos os alunos da escola “Pinheiro Júnior”, mas que, inexplicavelmente, não constavam dos títulos à disposição dos alunos nas prateleiras da biblioteca da escola “Pinheiro Júnior” até a data de minha aposentadoria. E eu já tinha ensinado à diretora em exercício que qualquer doação deveria ser tombada e uma carta de agradecimento, com cópia para os arquivos da escola, deveria ser enviada a quem fez a doação. Uma questão de formação moral e intelectual. Ela já tinha feito isso, a meu pedido, com a doação dos livros clássicos, comprados da editora do jornal O Estado de São Paulo, livros esses que pedi a meu pai que fizesse em nome dele, pois foi ele quem adquiriu a coleção de clássicos. A diretora em exercício providenciou um documento de agradecimento na época. Esse agradecimento está guardado em nossos arquivos

Todavia, na dança política de interesses de troca de diretores que vão para estas escolas, diretores que vão para aquelas escolas (e como o Governo do Estado de São Paulo estava “tirando o seu da reta”, porque essa dança de mudança de diretores era continuação da passagem de responsabilidade pela educação para os municípios, iniciada com a “Reorganização das Escolas”, vade retro, PSDB) a escola “Pinheiro Júnior” parecia um laboratório de experiências para ver quem mandava mais: coronéis locais, coronéis estaduais, coronéis federais ou… o crime organizado, o que dá na mesma, porque onde todo mundo manda, inclusive sapo de fora, e ninguém tem razão, é o crime organizado que está mandando. Assim, de diretores em diretores em exercício, sabei-me para quantas mãos criminosas o que doei e o que elaborei – para aplicar em sala de aula, às minhas custas – foi parar em mãos criminosas.

Assim, dentre os 320 títulos doados de livros paradidáticos, literatura infanto-juvenil (alguns recebidos como cortesia das editoras, mas a maioria absoluta comprados por mim, para que os alunos sob minha responsabilidade pudessem ter acesso à leitura contemporânea e à clássica), todos identificados como de minha propriedade estava o livro Bisa Bia, Bisa Bel com o comentário sobre ele copiado e colado no início desta inserção.

Alguém dirá: você não fez controle desses títulos doados? Ficou esperando que pessoas de caráter duvidoso, submetidas a criminosos é que fizessem essa lista de controle? Fiz, sim, uma lista completa dos livros doados. Acontece que desde que comprei meu primeiro micro, mesmo não estando conectada à Internet, o crime organizado “deu um jeito” de, sempre, manipular tudo. Assim, salvei a lista dos livros doados em disquete e… para variar, a impressora travou. Levei o disquete para o micro de meu irmão e o conteúdo do disquete se transformou em meia dúzia de símbolos que eu não imaginava como recuperar, como converter para o arquivo salvo em meu micro. Tenho o disquete guardado até hoje, mas a quem recorrer para conseguir recuperar o conteúdo? Quem é confiável?

E o que fiz com o conteúdo que estava no hardware do meu micro? Na época, não me lembro o que fiz, mas foi excluído, portanto está lá, embora o micro tenha que ter sido reformatado umas três ou quatro vezes, porque os criminosos tinham que apagar os rastros de merda que sempre deixam quando manipulam meu micro à distância e quando contatam o técnico em informática antes da visita. Só que nem tudo se apaga no disco rígido, ficam os fragmentos. Pois é, quantos técnicos mexeram nesse micro? E no micro “novo” de 2002? Não vendo, não troco e não dou o primeiro micro, anterior ao de 2002, nem o de 2002, mas duvido que o arquivo dessa lista dos 320 títulos possa ser recuperado.

Lembro-me de muitos títulos, dentre eles estava Bisa Bia, Bisa Bel. Alguns, já doados na época, apareceram em bancos da praça em frente à escola, como se os alunos que os tomaram emprestados da biblioteca da escola os tivessem esquecido no banco da praça. Por que me fizeram saber disso? Por que quem sabia – e continua a saber – em que mãos, na verdade, a maioria dos livros foi parar – será que, dentre os criminosos, estão os que escreviam livros infanto-juvenis contando com a ignorância dos que não liam os livros infanto-juvenis nem os de “adultos” (não existem livros infantis, infanto-juvenis ou adultos; o que existe são leitores semi-alfabetizados que não conseguem ler nenhum deles; isso eu já dizia em sala de aula há muito anos e escrevi para os alunos também) – com o objetivo de assumir autoria de livros que já estavam editados, ou seja, de parasitas que vivem às custas de furto intelectual e de dinheiro público para editar os livros cujo enredo foi todo furtado? Sim não importa o número de livros lidos, mas a qualidade da leitura que o leitor faz deles, mas educador recomendar leitura de livros aos alunos sem que tenha lido o que manda ler é o fim da picada! Adotam, então, a técnica de saber o conteúdo do que mandam ler por meio de alunos que sabem ler?

Como eu estava fazendo – e ainda continuo a fazer – a “catança” de informações sobre meus bisavós, tudo perdido no tempo ou espalhado entre os descendentes, o livro que minha sobrinha leu veio bem a calhar, pois a tarefa era levar, no primeiro dia de aula, objetos ou pertences de antepassados ou testemunhos de épocas, para estabelecer uma linha do tempo.

Minha sobrinha decidiu por moedas (ela sabia que tínhamos várias antigas), por jogo de lençóis dos pais da avó materna (lindo! branco! com bordado inglês!), por dinheiro em notas, que a avó materna tinha guardado, pelo brinquedo da avó materna (um ferrinho de passar roupa de brinquedo; uma emocionante lembrança de brinquedos antigos), pela visita ao Museu da Energia (cujos exemplares antigos são de arrepiar e que foram fotografados para a apresentação do trabalho) e, claro, a colaboração desta tia, com o auxílio de todos os descendentes dos tataravós de meus sobrinhos, para contar, numa linha do tempo, o que sabemos a respeito de nossos antepassados imigrantes.

Com a orientação dos pais, em especial da mãe, com a colaboração de avó materna, de tias dos lado materno e paterno, minha sobrinha apresentou a tarefa proposta antes do início das férias de julho/2008.

Acredito não ser necessário desdobrar todas as conseqüências boas do que acabei de relatar. No entanto, minha sobrinha (e os demais sobrinhos) é privilegiada, porque têm familiares que se importam com a educação do lar e com a educação formal para que possa descobrir suas aptidões e desenvolver todas as habilidades de que necessitará para que se torne cidadã de verdade.

Lamento, muito, que os alunos sob minha responsabilidade não tenham aproveitado as oportunidades que lhes dei para descobrir suas aptidões e desenvolver todas as habilidades. Criei as condições, na marra, com prejuízos morais e financeiros imensos. Porém, muitas vezes, não por culpa de todos os alunos sob minha responsabilidade, o crime organizado “se meteu”, pois cidadãos não se envolvem com criminosos e cidadãos são perigosos para o crime organizado, porque, na maioria das vezes, não se tornam lacaios dos “patrões” que cometem crimes do colarinho branco: recusam-se a se submeter a esse papel.

Falando sobre Tabaco causou 2,4 milhões de casos de câncer nos EUA–relatório – Artigo – notícias quinta-feira, set 4 2008 

  O tabaco, o filho de "um marrom que fuça", causou dois milhões e quatrocentas mortes, só nos EUA!

Sinhá, cadê "seu" padre que a poluição que tem origem, também, no monóxido de carbono de fábricas, escapamentos de todos os tipos de veículos não têm a mesma atenção nem a mesma pesquisa? E o tal do amianto?

Eu "se" esqueci de que a pesquisa é nos EUA, que, embora não tenham assinado o Protocolo de Kyoto, têm qualidade de vida muito melhor que a nossa, no Brasil, um país de "piolhentos" (lesados pela corrupção endêmica) e que segue os moldes dos países mais desenvolvidos do mundo quanto à legislação "preventiva" dos males do tabaco.

Sim, tem que pagar Plano de Saúde, mas, por favor, "seu" padre, tem que parar de fumar, para não dar despesa para o plano de saúde e para não provocar câncer nos fumantes passivos. É? E quem não fuma, não bebe também (o álcool é responsável por câncer, viu, Sinhá?), não é verdade? E não resolve os complexos de inferioridade comprando carros vistosos e poluindo a atmosfera com a emissão de gases do escapamento.

E, para não me esquecer de um detalhe maravilhoso: a frota de veículos velhos, daqueles que trafegaram na lama do dilúvio, dos mortais e frotas de caminhões e ônibus…

Quando ouço as palavras de "conselheiros" que só não têm um vício, o de fumar, de resto têm todos os vícios, fico com muita raiva de mim mesma por não estar desobedeçendo a etiqueta – não fumando em recintos fechados, por exemplo, e todas as obediências a que me obrigo, porque faço parte da sociedade organizada – lembro-me das raposas que tomam conta do Poder Legislativo, as que se apossam de dinheiro público e mesmo aquelas que não se apossam do dinheiro público, mas nada fazem para impedir que isso aconteça e fazem propostas de decretos de proibições hipócritas, fariséias, pergunto:

Sinhá, cadê "seu" padre para expulsar os vendilhões de câmaras de vereadores, de deputados e de senadores? E os vendilhões dos demais poderes também. 

Citação

Tabaco causou 2,4 milhões de casos de câncer nos EUA–relatório – Artigo – notícias

Prêmio DERSA 1987: o que a corrupção provoca de tragédia pode ser comprovada pela passagem do tempo segunda-feira, set 1 2008 

clip_image002O aluno premiado viajou, com acompanhante, até Brasília/DF, e, entre os prêmios, em 1987, ganhou a oportunidade de iniciar um curso de informática,

Antes que me esqueça, todos os que se envolveram no concurso tinham direito a dar um "palpite" no texto. Ao premiado, coube as honras de ter sido um pretexto para que o texto acima tivesse o resultado que teve: era para escrever uma mensagem, sobre a segurança no trânsito, envolvendo os poderes executivo, legislativo e judiciário. Claro que os alunos, todos, de 8.ª série, aprenderam ou recordaram o que sabiam sobre esses três poderes fundamentais de uma sociedade organizada.

Para desgosto do crime organizado e de qualquer parasita que queira se promover às minhas custas, apresento esse panfleto que demonstra que não sou visionária, profetisa ou louca de pedra: apenas demonstro o que, não corrigido a tempo, provoca as tragédias de “injustiça social” pois a corrupção é, cem por cento, a responsável por injustiça social seja ela num dos poderes ou nos três. Sinhá, cadê "seu" padre?

Para não me esquecer do verso do panfleto, o Banespa ainda existia e era um dos patrocinadores do concurso. A Vasp também existia.