Sinhá, cadê “seu” padre que a moça ficou presa numa cela com outros vinte presidiários? sexta-feira, nov 30 2007 

Pois então, ninguém sabia que, há muitas décadas, a situação carcerária já era alvo de críticas e de denúncias, sinhá! Que a Pastoral Carcerária existia, mas não podia agir, de verdade, por absoluta falta de interesse público em solução para o problema de reintegrar o presidiário na sociedade, dando-lhe condições mínimas de dignidade, de escolarização, profissionalização que a maioria dos condenados jamais teve acesso quando não era um condenado. Enquanto isso, sinhá, outras crenças religiosas se refestelavam, cantando suas conquistas em verso e prosa, até elegendo integrantes delas para cargos do Legislativo e do Executivo.

Ninguém sabia o que acontecia dentro e fora dos presídios.

Ninguém sabia que, até pouco tempo, no Estado de São Paulo, as Delegacias de Polícia abrigavam presidiários que fugiam, constantemente, causando terror na população, pois as Delegacias de Polícia costumam ficar, nas cidades do interior, no centro dessas cidades. Downtown! Sorte dos moradores de condomínios (uptown; nos EUA, suburbanos, mas, aqui, a palavra é pejorativa), que fugiram para os arredores das cidades, sinhá! Construíram muros, guaritas, contrataram seguranças particulares – lógico que, dentre os seguranças contratados sempre houve policiais que, em períodos de folga do serviço público, são, também, seguranças privados. Que fique entre nós, sinhá, mas, nos EUA, os condomínios têm até prefeitos! Santa Sinhá! Se resolvem imitar isso aqui!

Interessante, sinhá, e cadê "seu" padre para nos fazer entender, que, assim como professores de escolas públicas também são professores de escolas particulares, parece que os policiais funcionários públicos, a serviço particular, são muito mais eficientes do que quando exercem suas funções como funcionários públicos! Só que tem um detalhe, sinhá, as condições de trabalho, tanto para professores de escolas privadas quanto para os policiais que trabalham como seguranças particulares, são muito melhores. Parece que os salários também são melhores. Outro porém: não é producente ou competente, na área privada, ra re ri ro RUA! Porque há supervisão e, aparentemente, os supervisores não podem se dar ao luxo de gozar a vida pelo fato de serem supervisores. Se fizerem isso, dormir em berço esplêndido porque são supervisores, ra re ri ro RUA! Fiscal fiscaliza, professor tem que ministrar aulas, têm que estar atualizados, desenvolver projetos (nada de um desenvolve projeto e os demais "assinam" como se tivessem participado), policiais têm que vigiar e educar os que não estão agindo de modo correto. Se bem que, na hora do "vamos ver", tem que recorrer à Segurança Pública, pois não podem deter, não podem "enfiar" o delinqüente no carro da patrulha privada e levar para a Delegacia. Os "pagantes" do serviço é que têm que fazer todo o serviço. Tanto, sinhá, que para nós, mortais, que não moramos em condomínio, chamar a polícia não adianta. Tem que "descer" ou "subir" até o Distrito de jurisdição, aguardar, pacientemente, a vez de lavrar o Boletim de Ocorrência e, se der sorte, sair com uma via do B.O. assinada pelo Delegado, porque não é sempre que o Delegado está na Delegacia. Uma falta de sorte! O dia e a noite anteriores… ficou de plantão e o bandido resolveu atacar quando o Delegado está no seu merecido repouso. Sinhá, cadê "seu" padre?

Sinhá, cadê seu padre para resolver mais essa possibilidade de privatização? Claro! Quando a escola pública não funciona, o jeito é privatizar. Quando a segurança não funciona, o jeito é privatizar. Não foi assim que tudo começou a funcionar? A partir do momento em que houve privatizações? Andam, inclusive, forçando a barra no sentido de revitalizar, digo, reconstruir o transporte ferroviário por meio de privatização! Já existe até um processo de privatização de linha do metrô, sinhá!

Será que a solução para o problema carcerário será privatizar os presídios? Ora, sinhá, ou sonhei ou li, mesmo, uma manchete de que, nos EUA, estão pensando, seriamente, em voltar o Poder Judiciário para responsabilidade do Estado. Sabia que lá os promotores e os juízes, faz um bocado de tempo, se elegem? E as campanhas para eleição são um "pega para capar". Vence quem tem maior respaldo da mídia, ou seja, tem que ter muito sucesso junto à mídia, que avisa a população quem presta e quem não presta para ser promotor, juiz etc e tal. Daí para um cargo no Executivo ou no Legislativo, é um pulo. Os candidatos a promotores, a juízes têm, também, os que colaboram em suas campanhas para eleição.

Sinhá, cadê "seu" padre que, no Brasil, tudo anda ao contrário?

Cavernas e grutas brasileiras quarta-feira, nov 28 2007 

Antes que novembro acabe, entre inúmeros "Sinhá, cadê ‘seu’ padre?", para que eu possa resolver pendências provocadas pelos assediadores pobres de espírito (só causam "pobremas", porque são pobres) usuais e corruptos "por princípio", que nos prejudicam e só se beneficiam, consigo, finalmente, inserir:

Cavernas e grutas brasileiras: pausa para a beleza diante da realidade medíocre do Brasil

Inspirada, estimulada pela leitura de “No vale das montanhas furadas”, edição 187, novembro de 2007, da revista Os caminhos da Terra, Editora Peixes, leitura só disponível na revista, embora alguns assuntos da edição e de edições anteriores estejam disponíveis em  http://www.assinepeixes.com.br/index.shtml, busquei “Cavernas brasileiras” e encontrei esta preciosidade de endereço:

http://www.mre.gov.br/cdbrasil/itamaraty/web/port/meioamb/ecossist/caverna/apresent.htm ou “Cavernas Brasileiras”, por Clayton Ferreira Lino. Em Minas Gerais, das inúmeras grutas citadas, conheci duas: a Gruta de Maquiné, em Cordisburgo (saravá, João Guimarães Rosa!) e, numa segunda viagem, além de rever a Gruta de Maquiné (onde foram filmadas cenas de “Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa”, tropeços de minha adolescência ingênua) e conheci a Gruta Rei do Mato.

Quem perder as duas indicações, tanto a da revista Os caminhos da Terra quanto a visita, pela Internet, do “Cavernas Brasileiras”, não apenas perderá tempo, mas a grande oportunidade de confirmar, inclusive, algo que em “Cavernas Brasileiras” não está escrito. É um alerta do texto da revista Os caminhos da Terra: “/…/ Tanto zelo [na Caverna Santana, um dos salões só pode ser visitado por seis pessoas por ano, sem botas e com meias], no entanto, não se aplica à Caverna Cristal. Localizada numa propriedade particular, só é preciso pagar 10 reais para o dono das terras e pegar a chave do portão. /…/”. Bem que uma empresa com esse nome poderia “abraçar” a causa, no intuito de preservá-la.

Em “Cavernas Brasileiras”, o texto se encerra assim (mas há muito que ler, muito que visitar, muito que conhecer pelo texto completo!): “O importante patrimônio natural, cultural, científico e turístico representado pelas cavernas brasileiras está hoje protegido pela mais abrangente legislação sobre o assunto. No Brasil, por força da Constituição de 1988, todas as cavernas passaram a ser propriedade da União, e ampla legislação federal, estadual e municipal protege essas cavidades no território nacional, revertendo um quadro de destruição das mesmas por vandalismo, mineração e obras irregulares. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é o órgão responsável pela proteção e manejo das cavernas e grande parte delas está preservada em parques e em outras áreas protegidas”.

Na continuação do texto de Os caminhos da Terra, sobre o alerta em relação à Caverna Cristal, lemos “/…/ A visitação sem controle reduziu muito esses frágeis espeleotemas [no caso da Caverna Cristal, paredes do Salão das Flores cobertas por escorrimentos brancos com estrelas brilhantes e, alguns passos para o lado, os raríssimos “algodões” brancos como a neve], que além daqui só podem ser encontrados na Caverna Toca da Boa Vista, na Bahia /…/”.

Nem perderei meu tempo comentando o que “diz” a legislação de proteção ambiental e o que é a realidade do Brasil, pois o título desta inserção já o fez.