Certo! O Bairro Brasil se originou de três bairros. Que os demais depoentes apresentem, inclusive, os documentos cartoriais que comprovem essa origem e completem este depoimento. Da parte que foi destacada da Fazenda Paraíso, pelo Sr. Joaquim da Fonseca Bicudo, tudo absolutamente em ordem.

Com relação ao loteamento “Pesqueiros Paraíso”, iniciativa “detonada” pelo fato de o rio Tietê se tornar esgoto a céu aberto, nos anos de 1960 (sempre tivemos governantes e demais membros do Poder Legislativo, Executivo e Judiciário com cérebros de ostras em estado de coma, exceto para preservar os interesses próprios), bastaria apresentar os recibos de quitação, pois o Sr. “Quinzó” Bicudo esperou durante muitos e muitos anos para entregar os títulos de propriedade (meu pai e o Sr. Orlando da Silva os têm, agora, o Espólio de ambos os têm).

Alguém tem que dar um BASTA em calúnia, injúria e difamação da parte de que “é muito importante e está assim, ó, de amigos poderosos”, que ajudam a distorcer a verdade, a História em benefício próprio, em prejuízo das vítimas das calúnias, injúrias, difamações e,acima de tudo, da população ituana, pois esses criminosos “loteiam” a província de Itu, digo, a cidade de Itu, repartem o “lucro” e os lacaios aplaudem com as patas, se prestam a “laranjas” e, quando não conseguem pagar o que venderam e não tinham (a dignidade), querem nos usar como escada, corrimão, trampolim.

Precisam, urgentemente, “se catar” e catar os parasitas que carregam,pois são hospedeiros. 

 

Origem do Bairro Brasil em Itu na perspectiva da família Bernardini

 

            Em 5 de abril de 1997, trigésimo aniversário da Someba, até então a sigla de Sociedade Pró-Melhoramento dos Bairros, na solenidade de homenagem aos sócios remidos – dentre eles Agenor Bernardini – a família Bernardini expressou a emoção por meio de recordações do significado dos nomes de pessoas e de locais: Joaquim da Fonseca Bicudo (Quinzó Bicudo), Fazenda Paraíso, Jardim Bela Vista, Brazil Bernardini, Agenor Bernardini, Bairro Brasil.

            Os pais de Brazil Bernardini (Pietro e Maria Fortunata) e os pais de Ignez Micai (Maximo e Domenica), oriundas da Itália, aportaram no Brasil em 19 de março de 1897. O ano de 1997 marcou, portanto, não apenas os trinta anos da Someba, mas também os cem anos da chegada das famílias Bernardini e Micai ao Brasil.

            Joaquim da Fonseca Bicudo e sua mulher Maria Adelaide do Amaral Bicudo haviam comprado a Fazenda Paraíso, em 23 de novembro de 1910, do Coronel Carlos Augusto de Vasconcellos Tavares.

Brazil Bernardini, já casado há alguns anos com Ignez Micai, por volta do ano de 1925 morava e trabalhava na Fazenda Paraíso. O casal, que já tinha os filhos Pedro e Agenor, permaneceu por mais de trinta anos nela e ali nasceram e criaram Alzira, Wanda, Yolanda, Domingos, Mílton, Antônio Carlos e Maria Estela.

Em 03 de fevereiro de 1959, Joaquim da Fonseca Bicudo averbou, no Cartório de Registro de Imóveis de Itu, o desmembramento de uma área de 101.173,09m2 da Fazenda Paraizo, dividindo-a em chácaras que receberam a denominação de “Chácaras Paraíso” e, Agenor Bernardini assim se expressou em depoimento escrito, com data de 30 de setembro de 2000: “Em princípios de 1959, o Sr. JOAQUIM DA FONSECA BICUDO (Quinzó Bicudo) me encarregou de levar a efeito o Loteamento da área da ‘Fazenda Paraíso’, situada entre a Rodovia Itu-Jundiaí e terrenos da Chácara São Luís e do Quartel (nos fundos), no Bairro Chafariz, nesta cidade de Itu, pouco mais de quatro (04) alqueires. A gleba foi dividida em Chácaras de, em média, cinco mil (5.000) metros quadrados de área, com pagamento facilitado de cem (100) parcelas mensais, conforme ilustra o incluso prospecto da época (DOC. 1). As vendas alcançaram êxito, havendo muito interesse de compradores das glebas, onde hoje se situam algumas indústrias, como: Cerâmica São Paulo, Cerâmica Nossa Senhora do Patrocínio, Frigorífico Julinho, Brassuco e outras. Também vendi, na época, os terrenos onde hoje se situam o Posto e Restaurante Paineira (ao falecido Sr. Abílio Piunti, hoje pertencente aos seus filhos) e, também, onde está a Viação Microtur (na época do Sr. Araldo José Rodrigues e seu cunhado) e, ainda, para a Viação Anhangüera (Sr. Achiles Brunietti e Vicente Di Ciero). Estes terrenos ficam contíguos às “CHÁCARAS PARAÍSO”, o primeiro em continuação delas e outros em frente, separados pela Rodovia Marechal Rondon (Itu – Jundiaí). Na época, o meu pai, Sr. Brazil Bernardini, administrava a ‘Fazenda Paraíso’, o que fez por mais de trinta (30) anos”.

Em 20 de março de 1959, Agenor Bernardini e sua mulher Adalgisa de Souza Bernardini adquiriram, de Joaquim da Fonseca Bicudo e sua mulher Maria Adelaide do Amaral Bicudo, um imóvel cujo terreno se situava no Bairro do Pedregulho, desmembrado da Fazenda Paraíso, de frente para a Estrada de Juru-Mirim, fundos para o loteamento “Jardim Bela Vista”. A título de curiosidade, em 05 de março de 1979, foi lavrada a averbação, junto às demais transcrições desse imóvel, para que ficasse consignado que a Estrada de Juru-Mirim, no Bairro Pedregulho, teve sua denominação alterada para Avenida Brasil Bernardini, e o Bairro se denomina Bairro Brasil e que os imóveis objetos das referidas transcrições passaram a fazer parte integrante do perímetro urbano da cidade. Também a título de curiosidade, o primeiro documento de pagamento de imposto predial, oito por cento, foi sob o número 34123, à Prefeitura Municipal de Itu, exercício de 1957, no valor de Cr$ 288,00 (duzentos e oitenta e oito cruzeiros), pagos por Agenor Bernardini, “de seu prédio à rua Jardim Bela Vista s/n – pelo ano de 1957. Tesouraria Municipal de Itu, em 6 de junho de 1957”.  

Quando os serviços de Brazil Bernardini não eram mais necessários na Fazenda Paraíso, Agenor Bernardini, no início dos anos de 1960, já havia construído uma casa simples no imóvel que adquirira de Sr. Quinzó Bicudo e, embora ainda morasse de aluguel, no centro da cidade, convidou os pais Brazil e Ignez e os irmãos solteiros para que residissem na casa que construíra. O Bairro Brasil, de então, possuía pouquíssimas casas e algumas chácaras, tais como a de Agenor Bernardini e a dos Brock.

Desde a aquisição do imóvel, denominado em família “terreno” e, logo depois, da aquisição do “pesqueiro”, em sociedade com Orlando da Silva (da “Casa das Máquinas”), Agenor Bernardini trabalhou, ativamente, pelo desenvolvimento do antigo Jardim Bela Vista, seja na forma de benfeitorias para sua própria propriedade, inclusive pedindo à antiga Light, e pagando por isso sozinho, para que a energia elétrica chegasse até o “terreno” [ao longo da atual rua Pernambuco], seja como colaborador e prestigiador da Someba, uma das primeiras associações de moradores do Estado de São Paulo.

            Na memória dos filhos de Agenor e Adalgisa, em especial de uma das filhas, Maria Regina, andar de charrete pelas ruas de terra com o “Vô Brasílio” tornou-se inesquecível. A chácara era ponto de reunião da família, dos filhos, genros, noras e netos de Brazil e Ignez Micai Bernardini. A presença de Brazil Bernardini na Chácara do Bairro Brasil foi tão marcante que, mesmo após a morte dele, os conhecidos e até familiares se referiam a ela como “a chácara do Seu Brasílio” ou “a chácara do vovô Brasílio”.

            Nas lembranças das crianças da família, a chácara ficava muito longe do centro da cidade e caminhar até lá ou pelo bairro, todas ruas de terra, com cheiro do restilo que era aspergido para aplacar o pó ou ir ao bosque, continuam a ser referências de crescer de modo sadio, criativo, seguro, pois o mundo estava ao alcance dos desejos: bastava realizá-los.

            A área que o Sr. Alceu Geribello determinou que jamais seria vendida, porque permaneceria verde, foi  respeitada por Projeto de Lei de Agenor Bernardini (primeira gestão como vereador) que homenageou Alceu Geribello pela visão humanista de preservar um trecho do loteamento com exemplares da Mata Atlântica num bairro residencial. Alvo da cobiça de inconseqüentes, que não imaginam o que signifique a palavra estadista, que enxergam apenas a oportunidade de autopromoção, caso arranquem placas anteriores e coloquem novas placas com seus nomes em destaque, o Bosque já foi alvo de disputas, tais como se pertence ao Bairro Brasil ou à Prefeitura, no auge da febre de declarar áreas de proteção ambiental (Apas). Pelo fato de a maioria dos moradores do Bairro Brasil, com raras exceções, terem-no perdido como referência, a manutenção e a conservação se tornaram complicadas.    

Dentre as recordações dos filhos de Agenor Bernardini estão, também, o respeito que o pai sempre nutriu por “Seu” Quinzó Bicudo, o dono da Fazenda Paraizo – cuja posse integral se tornou impraticável em virtude das mudanças sociais e econômicas, considerando-se a história da fazenda de produtora de cana-de-açúcar e, depois, de café – que loteou algumas glebas da fazenda, possibilitando que inúmeras pessoas, entre elas os filhos do ex-administrador da Fazenda Paraizo, comprassem lotes e construíssem suas casas. Uma dessas glebas postas à venda deu origem ao Bairro Brasil e, certamente, os elos se fecharam, pois Joaquim da Fonseca Bicudo, Fazenda Paraíso, Jardim Bela Vista, Brazil Bernardini, Agenor Bernardini, Bairro Brasil são nomes de pessoas e locais inseparáveis, não importa quem e por que tenha apagado tudo isso da memória ou das lembranças.

Ilustrações (não estão citadas na ordem)

  • Folheto de propaganda de venda de responsabilidade de Agenor Bernardini (Doc. 1 da declaração de Agenor Bernardini. Acervo da família Bernardini).
  • Foto da inauguração do Parque Alceu Geribello, 1966. Fonte: Informativo SACI, Sociedade Amigos da Cidade de Itu, ano V – n.º 9 – Itu, 25 de junho de 2001 Fundada em 25/06/1961. A flecha aponta para a localização de Agenor Bernardini.
  •  Foto de dezembro de 1976, na sede da Someba. Agenor Bernardini em primeiro plano.
  •  Família Bernardini, na sede da Someba, em 05/04/1997, 30.º aniversário da Sociedade Pró-Melhoramento de Bairros. Da esquerda para a direita: Maria Lúcia, Adalgisa (Dalza), Sônia Marilze, Agenor Bernardini, Roseli de Fátima, Washington Júnior, Maria Regina, Maria do Carmo, Washington Luiz. (Acervo da família Bernardini)
  • Agenor Bernardini, foto de 1999, na varanda da casa em que morou, com os pais e os irmãos, quando o pai, Brazil Bernardini, era administrador da Fazenda Paraíso. (Acervo da família Bernardini)
  • Foto de 05/11/2000. Agenor Bernardini e a neta, Marina Bernardini, aos seis meses de idade, tirada na Chácara dos Bernardini, Bairro Brasil. Agenor Bernardini faleceu em 30/11/2000.

 Itu, 28 de maio de 2007.

Maria Lúcia Bernardini.

 

 
 
 
 
 
 
 
Anúncios