Loteamento político e corrupção, de Cláudio Weber Abramo segunda-feira, ago 27 2007 

 

Loteamento político e corrupção

Prática generalizada, em níveis municipal, estadual e federal, o “loteamento oficial do Estado” entre os aventureiros (aqueles que não trabalham, mas vivem, de modo parasita do suor, do sangue e das lágrimas de trabalhadores e o vocábulo “trabalhadores” não significa o Partido dos Trabalhadores), o comentário de Cláudio Weber Abramo é de 23 de agosto de 2007.

Fonte: http://crwa.zip.net/

Loteamento político e corrupção

A denúncia que o Procurador-Geral da República ofereceu contra os integrantes do esquema do Mensalão, cujo recebimento está sendo decidido pelo Supremo Tribunal Federal, identifica, logo de início, a origem do problema: a nomeação, pelo Executivo, de pessoas indicadas por partidos políticos para ocupar funções administrativas em troca de apoios parlamentares.

O que permite a prática, que nada mais é do que o loteamento oficial do Estado, é a excessiva liberdade de que os governantes gozam de nomear quem queiram.

Trata-se de verdadeira usina de corrupção, cujos produtos são visíveis não só no governo federal como também nas administrações estaduais e municipais, bem como no Legislativo e no Judiciário. Ao assumir um cargo importante, a primeira providência do sujeito é trazer a sua turma.

Além de estimular a corrupção, o comportamento funciona como suporte para o estabelecimento e manutenção de grupelhos e máfias no seio da administração pública. A cada mudança de administração, as pessoas que ocupavam posições de responsabilidade são afastadas ou demitidas, para ceder lugar a uma nova turma.

No mais das vezes, a operação não é acompanhada de qualquer pudor. Não há a mínima preocupação em justificar os motivos pelos quais alguém é substituído por alguma outra pessoa. “Preciso do cargo”, dizem os novéis gestores, sem ruborizar. Na seqüência, nomeiam o cumpincha, não raro alguém sem qualquer espécie de qualificação para ocupar o tal cargo.

É evidente, ou deveria ser, que além de abrir as portas do poder a aventureiros de todo tipo, a prática desestimula a formação de um quadro profissional responsável na administração pública. Os agentes públicos contratados pela CLT não podem confiar em que a sua capacidade profissional será relevante numa decisão de continuidade ou interrupção de seus contratos. E os funcionários concursados sabem que, se não se acertarem com alguma dessas máfias, terão diminuídas as suas oportunidades de progressão.

É extraordinário observar que tais práticas de desmoralização da função pública são exercidas a torto e a direito por todas as agremiações políticas e pela virtual totalidade dos chefes de Executivos, ministros, secretários estaduais e municipais, presidentes de autarquias e empresas de economia mista etc. etc.

Quando inquiridos, esses praticantes de ocupações mafiosas costumam justificar-se pela alusão à necessidade de contar com quadros “confiáveis” para conduzir a administração, bem como pela alegação oposta, de que necessitariam “limpar” de agentes de administrações anteriores as verdadeiras satrapias em que transformam as instituições de que, literalmente, “tomam posse”.

Com o suceder-se das administrações, cada uma delas ocupando as instituições públicas com hordas de cabos eleitorais, passando por aventureiros de diferentes estirpes e não raro quadrilheiros dedicados à pilhagem sistemática do Estado, o que é público é privatizado.

Pessoas são afastadas e demitidas, e outras admitidas e promovidas, sem que nem uns nem outros sejam submetidos a qualquer espécie de avaliação a respeito de sua proficiência profissional. Como não há critérios, constitui fato incidental que alguém incompetente seja demovido de função ou demitido, ou que alguém competente seja guindado a algum posto. Tanto faz. Como decorrência, ficam todos, competentes e incompetentes, aventureiros e pessoas de bem, aspones e profissionais, reunidos numa mesma categoria mediocrizante.

E ainda há quem diga que tudo isso se faz em nome do interesse público.


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A globalização venceu: acentuação sofre modificações a partir de 1.º/01/2008 quarta-feira, ago 22 2007 

 A globalização venceu: acentuação sofre modificações a partir de 1.º de janeiro de 2008
Não se esqueça, porém, de, em cartões de fim de ano, continuar a acentuar "próspero", pois as proparoxítonas continuam a ser acentuadas.
Ah, não sabe o que é proparoxítona? Que pena! É produto de aprovações automáticas! Sem saber ler ou escrever, foi aprovado!
É esse "pogréssio" (ups, não será mais preciso acentuar "pogréssio" em 2008) que "astravanca" a comunicação.
Na década de 1980, a irmã de uma grande amiga, então na sexta série ("série" não será mais acentuada a partir de 2008), ao ler um classico de José de Alencar, em voz alta, em casa, deixou minha grande amiga absolutamente chocada, pois lia "Cêci", "Pêri" e, sintomaticamente, a professora de "Bortugueis" não estava corrigindo a pronúncia dos alunos em sala de aula.
Mais tarde, a minha grande amiga, educadora em sala de aula, ouvia dos alunos (quinta a oitava séries) que não sabiam o que era "ochitôna, parochitôna e proparochitôna" (estou tentando reproduzir a fonética), mesmo OLHANDO, mas não enxergando que havia acentos agudos em oxítona, paroxítona e proparoxítona.
Aparentemente, como a língua inglesa não tem sinal de acentuação, isso não se torna uma dificuldade para os que a usam como língua materna. Contundo, há que se considerar o nível de ensino / aprendizagem nas escolas públicas e privadas dos que têm o inglês como língua materna, além do acesso à escolarização. Na Grã-Bretanha, por exemplo, nos idos de antes do primeiro ano 1.000, houve um rei, de nome Alfred, que instituiu as primeiras escolas públicas. Deve ter sido por volta dos anos 600 D.C. , mas não consultarei minha farta bibliografia (nem a apostila que montei, baseada no acervo a respeito da Literatura Inglesa e da Literatura Norte-Americana, porque sou "uma" fóssil).
No Brasil, a meu ver, acentuação incorreta nunca ELIMINOU concursandos seja para Vestibular, para Concursos Públicos ou Privados seja para "passar de ano" nas escolas formais.
No entanto, a meu ver também, a acentuação correta, que entra em ortografia (= igual a escrita correta, portanto, "erro de ortografia" não existe; existe erro de grafia) sempre foi a linha delimitadora de alfabetizados e fingidores de que são alfabetizados. Por quê? Porque quem lê, de fato, cruza (ou tropeça nas) com as palavras acentuadas de modo correto e detecta (ups!, perdão, deteta) falta de acentuação ou acentuação incorreta.
Há uma palavra, em português, que se lida como a pronúncia inglesa de mister, "senhor", não significa nada. É mistér que se continuem com determinados acentos diferenciais ou determinativos de oxítona terminada em "r". Mas as "ochitonas" não estão sendo ameaçadas.
Os ameaçados, de acordo com a leitura de "O que muda", fonte www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2008200703.htm (não me processem, estou citando a fonte para fazer os comentários, estou fazendo "popraganda de grátis", algo que fiz a vida toda, como educadora, para, há muito anos, ser motivo de chacota de impotentes sexuais e intelectuais) são em relação a hífen (palavra acentuada por ser paroxítona terminada em "n"), trema (que já foi abolido, inclusive pela Folha de São Paulo, há uns trocentos anos; procurar, em Freud, a razão), em acento diferencial (eu, ainda, uso acento em "fôrma", porque é estranho colocar a massa em fôrma em forma (ou formato) de coração, se não houver acento em "fôrma"), alfabeto (que voltará a admitir as letras "k", "w" e "y", o que, sem dúvida, despertará a atenção de quem bate-papo em chats, pois esta aki, seria denunciada pela ortografia), acento circunflexo (aqueles chapéus em crer, ler dar, ver e seus derivados, além daqueles em enjôo, vôo, que serão grafados enjoo, voo e, com o tempo, alguém perguntará por que têm – acento será abolido – dois "os" e um será abolido), acento agudo nos ditongos abertos (será que ditongo é de comer ou é para falar mal?), nas palavras paroxítonas com "i" e "u" tônicos (tônicos? o que é isso?), nas formas verbais que têm (esse circunflexo será abolido) o acento tônico na raiz (do que estão falando? sinhá, cadê seu padre?), com "u" tônico precedito de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i (bobinhos, não precisarão mais acentuar averigúe, apazigúe.
Visto que as edições de livros serão partilhadas entre os países cuja língua materna é o português, quem ganhará com mais essa globalização? Como defensora de absoluta necessidade de se prestigiar editoras de livros didáticos e paradidáticos, não estou sendo má ao afirmar que apenas a editoras de livros e os importadores e exportadores. Como tudo já está devidamente informatizado, é uma mentira muito grande, da globalização, afirmar que haverá "geração de postos de trabalho".
Li, em jornal de hoje, 22 de agosto, que adorável governador de São Paulo promete reduzir reprovas (de alunos) pela metade. Alguém precisa ensinar aritmética ao governador, pois zero de reprova não pode ser reduzido à metade. Exceto se considerarem uma hipótese que elaborei há muitos anos: toda e qualquer criança, ao ter seu registro de nascimento confirmado pelo Cartório, "teje", "tomaticamente" cosiderada "matriculada", portanto, já está aprovada e o dinheiro público que DEVERIA ser utilizado em Educação Pública não precisa ser destinado a ela, já pode ser desviado para os bolsos e contas correntes C5 particulares e para pagar os gastos de futuras eleições.
Preciso, certamente, colocar placa na porta de casa, "Ensino a ler e a escrever", pois já sou aposentada e não serei acusada de não ministrar aulas de forma correta, para garantir dinheiro por meio de aulas particulares. Quando na ativa, concursada e efetiva, jamais teria coragem de ministrar aulas particulares, pois era o mesmo que trair meu juramento, ao me tornar Bacharel em Letras, de ensinar tudo o que soubesse e o que aprendesse aos educandos. Fracassei e pedi aposentadoria.
Por esse motivo, só tomei conhecimento das mudanças na acentuação pelo texto que foi publicado em 20/08/2007, pois tudo o que se relaciona com Educação está tão distante para mim quanto criminosos de qualquer cor de colarinho. Tomei asco. Não cansei, porque não apóio (acento será eliminado) aqueles que rezam para Deus e para o diabo, dependendo de quem pague melhor. Sou a favor de Reage, Brasil, mas não pela violência. Pela denúncia! Quem é a autoridade competente que tome as medidas legais cabíveis. Isto é, se não estiver comprometido com um dos dois citados, dependendo de quem pague melhor.
 
 
 

SINHÁ, CADÊ SEU PADRE? terça-feira, ago 7 2007 

 

“Depois da greve, Metrô anuncia demissão de 61 funcionários”.

“Rodoanel – Serra autoriza privatização do trecho oeste, que vai ter pedágio”

Manchetes da página inicial do UOL, 07-08-2007, 24h43m.

Sinhá, cadê seu padre? Que a Nossa Caixa comprou a folha de pagamento dos funcionários públicos, contrato celebrado em 27-03-2007, por dois bilhões e oitenta e quatro milhões, à vista, sendo que:

  1. Um bilhão e oitenta e quatro milhões serão destinados ao Rodoanel (mas vai precisar privatizar o trecho oeste, com instalação de pedágio; parece até compra de apartamento em construção, igualzinho! Ô saco sem fundo!).
  2. Trezentos milhões são para as estradas vicinais (ai, seu Padre, quem vigiará isso?).
  3. Seiscentos milhões para as obras do Metrô e da CPTM (parece que o dinheiro não chegou, porque nem a tal da “antecipação nas participações dos resultados do ano que vem [2008]” aconteceu! A greve de 02 e 03 de agosto foi por esse motivo).
  4. Cem milhões para reforma e construção de fóruns de justiça em vários municípios (e tiram dos funcionários públicos barnabés para construir e reformar fóruns de justiça para os juízes e promotores que podem, eventualmente, não aceitar processos contra o governo do Estado, visto que dinheiro, para eles, aparentemente também, não é problema, os salários são muito mais altos do que os dos funcionários barnabés, de onde sairá o dinheiro para construir e reformar fóruns de justiça para que os juízes, promotores além de muitos advogados de criminosos do colarinho branco possam ter um teto para atuar!).

Sinhá, cadê seu padre? Tem alguém aí? Alô! Será que me fiz entender? Será que se fosse para a construção e reforma de escolas e para pagar os professores com salários dignos eu não estaria tão indignada? Estaria, sim, pois sei que esse dinheirão jamais chegaria, muito menos serviria para a construção e reforma de escolas e para pagar salários dignos para os professores. Precisa babar e tomar sorvete pela testa para acreditar nisso!

Origem do Bairro Brasil, Itu / SP, na visão da família Bernardini segunda-feira, ago 6 2007 

 

Certo! O Bairro Brasil se originou de três bairros. Que os demais depoentes apresentem, inclusive, os documentos cartoriais que comprovem essa origem e completem este depoimento. Da parte que foi destacada da Fazenda Paraíso, pelo Sr. Joaquim da Fonseca Bicudo, tudo absolutamente em ordem.

Com relação ao loteamento “Pesqueiros Paraíso”, iniciativa “detonada” pelo fato de o rio Tietê se tornar esgoto a céu aberto, nos anos de 1960 (sempre tivemos governantes e demais membros do Poder Legislativo, Executivo e Judiciário com cérebros de ostras em estado de coma, exceto para preservar os interesses próprios), bastaria apresentar os recibos de quitação, pois o Sr. “Quinzó” Bicudo esperou durante muitos e muitos anos para entregar os títulos de propriedade (meu pai e o Sr. Orlando da Silva os têm, agora, o Espólio de ambos os têm).

Alguém tem que dar um BASTA em calúnia, injúria e difamação da parte de que “é muito importante e está assim, ó, de amigos poderosos”, que ajudam a distorcer a verdade, a História em benefício próprio, em prejuízo das vítimas das calúnias, injúrias, difamações e,acima de tudo, da população ituana, pois esses criminosos “loteiam” a província de Itu, digo, a cidade de Itu, repartem o “lucro” e os lacaios aplaudem com as patas, se prestam a “laranjas” e, quando não conseguem pagar o que venderam e não tinham (a dignidade), querem nos usar como escada, corrimão, trampolim.

Precisam, urgentemente, “se catar” e catar os parasitas que carregam,pois são hospedeiros. 

 

Origem do Bairro Brasil em Itu na perspectiva da família Bernardini

 

            Em 5 de abril de 1997, trigésimo aniversário da Someba, até então a sigla de Sociedade Pró-Melhoramento dos Bairros, na solenidade de homenagem aos sócios remidos – dentre eles Agenor Bernardini – a família Bernardini expressou a emoção por meio de recordações do significado dos nomes de pessoas e de locais: Joaquim da Fonseca Bicudo (Quinzó Bicudo), Fazenda Paraíso, Jardim Bela Vista, Brazil Bernardini, Agenor Bernardini, Bairro Brasil.

            Os pais de Brazil Bernardini (Pietro e Maria Fortunata) e os pais de Ignez Micai (Maximo e Domenica), oriundas da Itália, aportaram no Brasil em 19 de março de 1897. O ano de 1997 marcou, portanto, não apenas os trinta anos da Someba, mas também os cem anos da chegada das famílias Bernardini e Micai ao Brasil.

            Joaquim da Fonseca Bicudo e sua mulher Maria Adelaide do Amaral Bicudo haviam comprado a Fazenda Paraíso, em 23 de novembro de 1910, do Coronel Carlos Augusto de Vasconcellos Tavares.

Brazil Bernardini, já casado há alguns anos com Ignez Micai, por volta do ano de 1925 morava e trabalhava na Fazenda Paraíso. O casal, que já tinha os filhos Pedro e Agenor, permaneceu por mais de trinta anos nela e ali nasceram e criaram Alzira, Wanda, Yolanda, Domingos, Mílton, Antônio Carlos e Maria Estela.

Em 03 de fevereiro de 1959, Joaquim da Fonseca Bicudo averbou, no Cartório de Registro de Imóveis de Itu, o desmembramento de uma área de 101.173,09m2 da Fazenda Paraizo, dividindo-a em chácaras que receberam a denominação de “Chácaras Paraíso” e, Agenor Bernardini assim se expressou em depoimento escrito, com data de 30 de setembro de 2000: “Em princípios de 1959, o Sr. JOAQUIM DA FONSECA BICUDO (Quinzó Bicudo) me encarregou de levar a efeito o Loteamento da área da ‘Fazenda Paraíso’, situada entre a Rodovia Itu-Jundiaí e terrenos da Chácara São Luís e do Quartel (nos fundos), no Bairro Chafariz, nesta cidade de Itu, pouco mais de quatro (04) alqueires. A gleba foi dividida em Chácaras de, em média, cinco mil (5.000) metros quadrados de área, com pagamento facilitado de cem (100) parcelas mensais, conforme ilustra o incluso prospecto da época (DOC. 1). As vendas alcançaram êxito, havendo muito interesse de compradores das glebas, onde hoje se situam algumas indústrias, como: Cerâmica São Paulo, Cerâmica Nossa Senhora do Patrocínio, Frigorífico Julinho, Brassuco e outras. Também vendi, na época, os terrenos onde hoje se situam o Posto e Restaurante Paineira (ao falecido Sr. Abílio Piunti, hoje pertencente aos seus filhos) e, também, onde está a Viação Microtur (na época do Sr. Araldo José Rodrigues e seu cunhado) e, ainda, para a Viação Anhangüera (Sr. Achiles Brunietti e Vicente Di Ciero). Estes terrenos ficam contíguos às “CHÁCARAS PARAÍSO”, o primeiro em continuação delas e outros em frente, separados pela Rodovia Marechal Rondon (Itu – Jundiaí). Na época, o meu pai, Sr. Brazil Bernardini, administrava a ‘Fazenda Paraíso’, o que fez por mais de trinta (30) anos”.

Em 20 de março de 1959, Agenor Bernardini e sua mulher Adalgisa de Souza Bernardini adquiriram, de Joaquim da Fonseca Bicudo e sua mulher Maria Adelaide do Amaral Bicudo, um imóvel cujo terreno se situava no Bairro do Pedregulho, desmembrado da Fazenda Paraíso, de frente para a Estrada de Juru-Mirim, fundos para o loteamento “Jardim Bela Vista”. A título de curiosidade, em 05 de março de 1979, foi lavrada a averbação, junto às demais transcrições desse imóvel, para que ficasse consignado que a Estrada de Juru-Mirim, no Bairro Pedregulho, teve sua denominação alterada para Avenida Brasil Bernardini, e o Bairro se denomina Bairro Brasil e que os imóveis objetos das referidas transcrições passaram a fazer parte integrante do perímetro urbano da cidade. Também a título de curiosidade, o primeiro documento de pagamento de imposto predial, oito por cento, foi sob o número 34123, à Prefeitura Municipal de Itu, exercício de 1957, no valor de Cr$ 288,00 (duzentos e oitenta e oito cruzeiros), pagos por Agenor Bernardini, “de seu prédio à rua Jardim Bela Vista s/n – pelo ano de 1957. Tesouraria Municipal de Itu, em 6 de junho de 1957”.  

Quando os serviços de Brazil Bernardini não eram mais necessários na Fazenda Paraíso, Agenor Bernardini, no início dos anos de 1960, já havia construído uma casa simples no imóvel que adquirira de Sr. Quinzó Bicudo e, embora ainda morasse de aluguel, no centro da cidade, convidou os pais Brazil e Ignez e os irmãos solteiros para que residissem na casa que construíra. O Bairro Brasil, de então, possuía pouquíssimas casas e algumas chácaras, tais como a de Agenor Bernardini e a dos Brock.

Desde a aquisição do imóvel, denominado em família “terreno” e, logo depois, da aquisição do “pesqueiro”, em sociedade com Orlando da Silva (da “Casa das Máquinas”), Agenor Bernardini trabalhou, ativamente, pelo desenvolvimento do antigo Jardim Bela Vista, seja na forma de benfeitorias para sua própria propriedade, inclusive pedindo à antiga Light, e pagando por isso sozinho, para que a energia elétrica chegasse até o “terreno” [ao longo da atual rua Pernambuco], seja como colaborador e prestigiador da Someba, uma das primeiras associações de moradores do Estado de São Paulo.

            Na memória dos filhos de Agenor e Adalgisa, em especial de uma das filhas, Maria Regina, andar de charrete pelas ruas de terra com o “Vô Brasílio” tornou-se inesquecível. A chácara era ponto de reunião da família, dos filhos, genros, noras e netos de Brazil e Ignez Micai Bernardini. A presença de Brazil Bernardini na Chácara do Bairro Brasil foi tão marcante que, mesmo após a morte dele, os conhecidos e até familiares se referiam a ela como “a chácara do Seu Brasílio” ou “a chácara do vovô Brasílio”.

            Nas lembranças das crianças da família, a chácara ficava muito longe do centro da cidade e caminhar até lá ou pelo bairro, todas ruas de terra, com cheiro do restilo que era aspergido para aplacar o pó ou ir ao bosque, continuam a ser referências de crescer de modo sadio, criativo, seguro, pois o mundo estava ao alcance dos desejos: bastava realizá-los.

            A área que o Sr. Alceu Geribello determinou que jamais seria vendida, porque permaneceria verde, foi  respeitada por Projeto de Lei de Agenor Bernardini (primeira gestão como vereador) que homenageou Alceu Geribello pela visão humanista de preservar um trecho do loteamento com exemplares da Mata Atlântica num bairro residencial. Alvo da cobiça de inconseqüentes, que não imaginam o que signifique a palavra estadista, que enxergam apenas a oportunidade de autopromoção, caso arranquem placas anteriores e coloquem novas placas com seus nomes em destaque, o Bosque já foi alvo de disputas, tais como se pertence ao Bairro Brasil ou à Prefeitura, no auge da febre de declarar áreas de proteção ambiental (Apas). Pelo fato de a maioria dos moradores do Bairro Brasil, com raras exceções, terem-no perdido como referência, a manutenção e a conservação se tornaram complicadas.    

Dentre as recordações dos filhos de Agenor Bernardini estão, também, o respeito que o pai sempre nutriu por “Seu” Quinzó Bicudo, o dono da Fazenda Paraizo – cuja posse integral se tornou impraticável em virtude das mudanças sociais e econômicas, considerando-se a história da fazenda de produtora de cana-de-açúcar e, depois, de café – que loteou algumas glebas da fazenda, possibilitando que inúmeras pessoas, entre elas os filhos do ex-administrador da Fazenda Paraizo, comprassem lotes e construíssem suas casas. Uma dessas glebas postas à venda deu origem ao Bairro Brasil e, certamente, os elos se fecharam, pois Joaquim da Fonseca Bicudo, Fazenda Paraíso, Jardim Bela Vista, Brazil Bernardini, Agenor Bernardini, Bairro Brasil são nomes de pessoas e locais inseparáveis, não importa quem e por que tenha apagado tudo isso da memória ou das lembranças.

Ilustrações (não estão citadas na ordem)

  • Folheto de propaganda de venda de responsabilidade de Agenor Bernardini (Doc. 1 da declaração de Agenor Bernardini. Acervo da família Bernardini).
  • Foto da inauguração do Parque Alceu Geribello, 1966. Fonte: Informativo SACI, Sociedade Amigos da Cidade de Itu, ano V – n.º 9 – Itu, 25 de junho de 2001 Fundada em 25/06/1961. A flecha aponta para a localização de Agenor Bernardini.
  •  Foto de dezembro de 1976, na sede da Someba. Agenor Bernardini em primeiro plano.
  •  Família Bernardini, na sede da Someba, em 05/04/1997, 30.º aniversário da Sociedade Pró-Melhoramento de Bairros. Da esquerda para a direita: Maria Lúcia, Adalgisa (Dalza), Sônia Marilze, Agenor Bernardini, Roseli de Fátima, Washington Júnior, Maria Regina, Maria do Carmo, Washington Luiz. (Acervo da família Bernardini)
  • Agenor Bernardini, foto de 1999, na varanda da casa em que morou, com os pais e os irmãos, quando o pai, Brazil Bernardini, era administrador da Fazenda Paraíso. (Acervo da família Bernardini)
  • Foto de 05/11/2000. Agenor Bernardini e a neta, Marina Bernardini, aos seis meses de idade, tirada na Chácara dos Bernardini, Bairro Brasil. Agenor Bernardini faleceu em 30/11/2000.

 Itu, 28 de maio de 2007.

Maria Lúcia Bernardini.