Oceanos são feitos de gotas d’água terça-feira, maio 29 2007 

Oceanos são feitos de gotas d’água

Em junho/2002, recebi de minha tia Alzira, via correio eletrônico, o texto “Oceanos são feitos de gotas d’água”, que transcreverei abaixo.

Hoje, já dia 29 de maio de 2007, procurei o texto, novamente, para poder citar a autoria. Surpresa! O blog www.cadernodapoetisa.blogger.com.br inseriu o texto, agora em maio de 2007, e atribuiu a autoria a Mário Quintana.

Antes de transcrever o texto “Oceanos são feitos de gotas d’água”, convém refletir sobre a necessidade de paciência para que tudo o que está fora do lugar, todas as ofensas, todos os desaforos recebidos terminem por ser esclarecidos e os autores de tanto tormento, tanta calúnia, injúria e difamação recebam o julgamento divino e o julgamento humano no devido tempo, de acordo com seus crimes.

Há um número incrível de boçais que insiste em afirmar que é preciso esquecer o passado, esquecer as ofensas, as injúrias, as calúnias, os dissabores, as perseguições típicas de molestadores, psicopatas, criminosos seriais (aqueles que precisam de troféus para que comprovem que seus malfeitos foram bem-sucedidos; ainda estou procurando uma série de objetos que “desapareceram”, como que por um passe de mágica. e, certamente, estão nas mãos desses molestadores, psicopatas, criminosos seriais que precisam deles por causa de seus “pobremas sequissuais”) e não me esquecerei, não, de que esses objetos me foram furtados para que parasitas consigam alguma forma de prazer, porque não se deve esquecer, nunca, o passado, mesmo que tenhamos fracassado ou tenhamos agido de modo ridículo (de fazer rir), pois são experiências com as quais devemos aprender algo.

Quem quer que o passado seja esquecido e que “andemos para frente” são os criminosos que querem esconder seus crimes. O passado não deve ser esquecido, exceto se a pessoa pagou pelos crimes que cometeu. Aí, sim, sem esquecer, sem apagar como se nada tivesse feito, não devemos julgá-la pelo que já “pagou”. A não ser que essa pessoa nada tenha aprendido com o que sofreu como penalidade.

Uma das características de psicopatas é repetir, sempre, os mesmos crimes. Outra característica é a de atribuir a outros os crimes que cometem ou cometeram. Os “outros” são os culpados, porque psicopata não tem o botão que se chama ética, ou seja, a ética só existe porque, para ele, só ele existe. Portanto, sua ética é privada, e olhe lá! Nada dessa de que são amorais. São imorais, mesmo.

 

Para ser ouvido, fale.

Para ser compreendido, exponha claramente suas idéias sem jamais abrir mão daquelas que julga fundamentais, apenas para que os outros o aceitem.

Acima de tudo, busque o prazer antes do sucesso, a auto-realização antes do dinheiro, fazer bem feito antes de pensar em obter qualquer recompensa.

Nenhum reconhecimento externo vai substituir a alegria de poder ser você mesmo.

“Status” é comprar coisas que você não quer, com o dinheiro que você não tem, a fim de mostrar para gente de quem você não gosta uma pessoa que você não é.

Nada tem graça se não for bom para o seu corpo, leve para o seu espírito e agradável para seu coração.

Para conseguir, tente sem pensar que o êxito virá logo da primeira vez.

Cuide de ter saúde, energia, paciência e determinação para continuar tentando quantas vezes forem necessárias. Mas ao perceber que já fez tudo o que pôde ou até mesmo um pouco além, mude de alvo para não se tornar, em vez de vitorioso, apenas mais um teimoso.

Para poder recomeçar sempre, perdoe-se pelos fracassos e erros que cometer, aprenda com eles e, a partir deles, programe suas próximas ações.

Nunca se deixe iludir que será possível fazer tudo num dia só ou, quando tiver todos os recursos, tal dia nunca virá.

Para manter-se motivado, sonhe.

Para realizar, planeje, pensando grande e fazendo pequeno, um pouco a cada dia e todos os dias um pouco, porque são pequenas gotas d’água que fazem todo grande oceano.

Como fabricar um bandido segunda-feira, maio 7 2007 

(Enviado por Maria Adelaide)

 

Opinião: Como fabricar um bandido
Siro Darlan, desembargador

Jornal do Brasil, 22 de Abril de 2007

http://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/papel/2007/04/22/pais20070422020.html

 


Escolha uma criança, de preferência negra e de uma família de prole numerosa; é recomendável o sexto ou sétimo filho, e que o pai seja omisso no cumprimento do exercício do poder familiar e sequer tenha registrado seu filho. Os irmãos devem preferencialmente ser de pais diferentes e a mãe, se não for alcoólatra, deve estar desempregada. Deve residir em comunidade onde o poder público só comparece para trocar tiros e deixar vítimas. Esta não pode ter escola, nem posto de saúde e deve receber com freqüência a visita do "caveirão". Será fácil achar essa comunidade no Rio.

 

Ensine, desde cedo a essa criança, que ela não é amada, que é rejeitada por sua própria mãe, que a todo instante demonstra sua insatisfação com a maternidade. Para tanto, espanque-a pelo menos três vezes ao dia para que ela saiba que, na vida, tudo tem que ser tratado com muita violência. Impeça qualquer possibilidade de desenvolver-se sadia, pois esse fato estragará todo o seu projeto. Importante: repita sempre para essa criança que ela é má, coisa ruim e odiada pela família, principalmente porque chegou para dividir o pequeno espaço que os abriga e a escassa alimentação.

 

Pode-se optar por deixá-la em casa, na ociosidade, afinal faltam vagas nas creches do município, ou se preferir, encaminhe-a para uma escola onde os professores faltem muito e que as greves sejam freqüentes, caso contrário ela pode correr o risco de gostar de estudar e aí ser muito difícil continuar analfabeto, o que pode colocar em risco o seu projeto.

 

Uma opção interessante é colocar a criança para trabalhar desde muito cedo. Infância pra quê? Perder tempo com brincadeiras não é coisa para criança favelada. Tem mesmo é de ganhar a vida muito cedo e ainda trazer dinheiro para sustentar a família faminta. A rua está cheia de espaço público para que elas fiquem vendendo balas e jogando bolinhas até que possa ser "usada" na exploração sexual – uma atividade lucrativa muito estimulada por adultos.

 

Fragilize-a. Não permita qualquer acesso à saúde; médicos e medicamentos devem ser mantidos à distância. Para acelerar sua debilidade, aproxime-a das drogas; a cola de sapateiro é um bom começo e ajuda a "matar a fome".

 

A campanha pela redução da responsabilidade penal é imprescindível para pôr logo esses "perigosos bandidos" na cadeia. Afinal são eles os grandes responsáveis por tanta violência – ainda que os índices oficiais não cheguem a 2% dos atos violentos atribuídos aos jovens, e o Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro tenha constatado que eles são agentes de violência num percentual de 9,8%, contra 91,2% onde são vítimas. Reduzindo a responsabilidade penal você fica livre mais rápido dessa "sujeira" que ocupa os logradouros públicos, denunciando a incompetência dos administradores públicos para implementar as políticas públicas necessárias para a promoção dos excluídos à categoria de cidadãos.

 

É claro que eles já têm maturidade para responder por seus atos criminosos. Afinal, assistem diariamente às nossas pedagógicas novelas e são informados pelos despretensiosos noticiários, que mesmo tratando o telespectador como a família Flinstones, a mídia jamais influencia a nossa "livre" opinião. E, claro, todas as crianças e adolescentes do Brasil têm à sua disposição as melhores escolas do mundo.

 

A educação pública também deve ser da pior qualidade. Aquela idéia maluca de construir escolas de atendimento integral, com médicos, dentistas, atividades profissionalizantes, prática esportiva felizmente já saiu de pauta. Ficamos livres daqueles insanos, que já morreram. Queriam aplicar todo nosso dinheirinho dos mensalões e sanguessuga em educação. Que desperdício!

 

Pode-se até fazer concessões com relação ao lazer. Deixe-a soltar pipas e foguetes, somente se estiver a serviço dos bandidos. Isso pode ser muito lucrativo para essa criança. O tráfico dá a ela a oportunidade que os empresários negam, de participar na divisão das riquezas com seu "trabalho ilícito".

 

Mantenha-a em uma comunidade comandada pela bandidagem. Ali ela não terá outra opção: ou adere ou morre. Se aderir, isso será por pouco tempo, porque logo será presa; é mais fácil prender crianças como "bucha de canhão" do que os adultos que as exploram e coagem; ou, então, logo ela será um número nas estatísticas do extermínio. Vez por outra, deixe-a fazer um estágio nas "escolas de infratores". A convivência com outros adolescentes de mais idade, que praticam infrações mais graves, poderá aperfeiçoá-la e promovê-la a outra categoria do crime. Detalhe: essa "escola" deve estar à margem das normas do Estatuto da Criança e do Adolescente e os "educadores" devem odiar crianças e estar sempre munidos de palmatórias e cassetetes. Não pode essa escola ser dotada de qualquer proposta pedagógica, porque corre o risco de desviar o adolescente de seu destino criminológico.

 

Providencie uma poderosa campanha publicitária na mídia para que a opinião pública eleja essa criança seu inimigo público número um. Exiba sempre, nas primeiras páginas dos jornais, toda e qualquer infração praticada por criança ou adolescente, ainda que essa violência a eles atribuída seja uma raridade. Repita, sempre, nos maiores jornais e emissoras de televisão, que ela é uma perigosa assassina, responsável por toda a violência existente no país. Nunca admita a efetivação dos preceitos constitucionais que lhe garantem direitos fundamentais que são costumeiramente desrespeitados pela família, pelo Estado e pela sociedade. Nunca diga que ela é vítima da omissão e da ausência de políticas básicas; isso pode ser considerado demagogia e até podem acusar você de defensor dos direitos humanos – o que é um conceito pejorativo no meio dos humanos.

 

Tudo que você proíbe a essas crianças estimule aos outros adolescentes. Deixe que freqüentem boates promíscuas onde podem exercitar suas carências afetivas agredindo os outros e usando drogas. Lá a venda de bebidas alcoólicas é livre para adolescentes abastados. O sexo é livre e sem limites. Nossos filhos precisam aprender a ser "homens" desde cedo. O acesso às drogas é permitido e até estimulado. Deixe que essa criança perceba que existe essa diferença no tratamento aos cidadãos que vivem sob a mesma lei. Isso servirá para aumentar as diferenças sociais, o ódio e a frustração de não poder ser tratada como o outro.

 

Pronto, você conseguiu, finalmente, criar o seu monstro. Agora, conviva com ele.


 

 

Planeta Sustentável domingo, maio 6 2007 

Recebi o site abaixo como recomendação da própria organização que o mantém.
Um dos assuntos, na "home page" é desconfiar quando se fala sobre aquecimento global, assunto da "Superinteressante" de maio de 2007, que ainda não li.
Porque, para que estejamos completamente informados, devemos ler tudo o que é publicado ou falado (embora sejamos, todos, asnos carregados e nos omitam informações de quaisquer lados), considero a possibilidade de ingressar em
como mais uma oportunidade para "peneirar" as informações e confirmar o que sobra.
 

Derrubar veto [da Emenda 3] é rasgar legislação trabalhista sábado, maio 5 2007 

Nada contra terceirizadas, se muitas empresas que terceirizam não agissem como gigolês e cafetinas de trabalhadores que não têm direitos trabalhistas garantidos, a não ser que quem os contratou fique COM TODAS AS DESPESAS e as terceirizadas nem impostos pagam, somem do mapa, mudam de "fachada", entram em falência e os prestadores de serviço processam quem usou os serviços. Não é mesmo, construtoras de fachada?

Ficaremos sem faxineira como retaliação? Ela, no devido tempo, sentirá, na pele, o deslumbramento das aranhas que atraem moscas ("entre", diz a aranha à mosca), pois, no ano passado, arrecadou quase novecentos reais, limpinhos, para sustentar marido e filhos. Quer aposentar-se? Separe a porcentagem correta para pagar o direito à aposentadoria. Se tivesse feito isso desde que começou a trabalhar… Façamos as contas: quase novecentos reais no ano de 2006 e não trabalhou o ano inteiro. Cinco casas por semana, a 900,00 ao ano, quatro mil e quinhentos reais, metade do que ganhei como EDUCADORA aposentada. Mais marido trabalhando, mais filho que começou a trabalhar, casa própria em bairro de habitação popular. Ó, xente! Atendimento de saúde em postos, exatamente em dias em que tem faxina em nossa casa (uma vez por semana), além de indicação de fisioterapia. Não traz material de limpeza nem utensílios. Toma café da manhã, almoça e lancha. Se passa roupa, ganha para isso, alem de não gastar energia elétrica, ferro elétrico (manutenção). Ó, xente! País de população que quer viver padrão de Rede Globo, mas não quer pagar os tributos?

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14019

EMENDA 3

Derrubar veto é rasgar legislação trabalhista, dizem sindicalistas

Sindicalistas participam de audiência no Senado e expõem estudos que relacionam terceirização do trabalhador ao aumento do desemprego. Texto alternativo à Emenda 3 que será enviado ao Congresso segue em preparação no governo.

Jonas Valente – Carta MaiorData: 03/05/2007

BRASÍLIA – Em meio à trégua entre Governo e Congresso para que os parlamentares não votem o veto à emenda 3 enquanto o Executivo não apresentar uma proposta de regulamentação da prestação de serviço por pessoas jurídicas, as comissões de Direitos Humanos e Assuntos Sociais do Senado realizaram nesta quinta-feira (3) uma nova audiência sobre a questão, agora ouvindo representantes de centrais sindicais e advogados especialistas no tema. No encontro, os convidados repetiram as críticas já feitas em outra audiência na semana passada pelo ministro Carlos Lupi (Trabalho).

A emenda 3, aprovada por ampla maioria no Congresso, proíbe fiscais de multar uma empresa que substitua funcionário CLT por prestador de serviço pessoa jurídica (PJ). Na prática, sem a ameaça de multa, as empresas estariam mais à vontade para sonegar direitos aos trabalhadores. “Se mantiverem a emenda, a precarização não é só salarial, mas irá retirar direitos como férias, 13o e o respeito às normas de segurança e de saúde. Derrubar o veto é rasgar legislação trabalhista”, declarou Antônio Fernandes Neto, da Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil.

No entanto, sabedores de que a retórica não será suficiente em um ambiente hostil à sua posição e muito simpático à emenda, os presentes buscaram atacar os argumentos mais utilizados na defesa do dispositivo. O principal deles: com as irregularidades tendo de ser levadas à Justiça, o uso de pessoas jurídicas para baratear contratações diminuiria as despesas com mão-de-obra das empresas, dando-lhes mais competitividade e capacidade de contratar mais pessoas.

Para Rosa Maria Campos Jorge, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), a terceirização decorrente da “pejotização” (neologismo usado para o uso de pessoas jurídicas, “PJs”, no lugar de empregados com carteira assinada) não só não gera mais empregos como aumenta o desemprego. Ela citou estudo do professor da Unicamp Marcio Pochmann, mostrando que no mesmo período em que foi verificado aumento de 174 vezes do número de Pessoas Jurídicas na Grande de São Paulo, o desemprego cresceu de 12% para 17%.

Segundo Carlos Henrique Silva, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), é possível estabelecer uma relação direta entre o aumento de PJs e a terceirização, pois esta forma de ente jurídico, de uma pessoa só, representava em 2004 80% das 4,5 milhões de Pessoas Jurídicas registradas. O representante da CUT reforçou o ponto de vista da presidente do Sinait, citando outra pesquisa segundo a qual a adoção de medidas que precarizam as relações de trabalho semelhantes à Emenda 3 aumentaram o desemprego na Alemanha (saiu de 4,5% para 8,7%), na Espanha, (15,9% para 16,3%) e na França, (9% para 11,3%).

“O que gera emprego é crescimento econômico. A emenda 3 vai usar uma brecha da Lei para precarizar as relações de trabalho”, concluiu Sebastião Caixeta, da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT). Carlos Henrique Silva também desmistificou a noção difundida que os encargos sociais elevam o custo do trabalhador no Brasil a um nível quase insustentável. Segundo dados apresentados por ele, o custo hora/trabalho do Brasil é de US$ 3, enquanto o mesmo é de US$ 19,6 no Japão, US$ 20,3 na Europa e US$ 13,7 em Israel.

Outra justificativa da Emenda 3 rebatida pelos presentes foi o argumento de que a fiscalização do trabalho é um ato “arbitrário”, que só poderia ser efetuado pelo Judiciário. O advogado trabalhista Roberto Caldas, da Ordem dos Advogados do Brasil, se posicionou na direção contrária, defendendo que o país precisa de mais fiscalização do que a atual. Ele alertou que caso a Emenda 3 seja mantida, o Congresso irá na contramão de todo o processo de modernização do Judiciário em curso no mundo e também no Brasil.

A argumentação principal dos críticos à Emenda 3 é que a transferência da autuação hoje feita pelos fiscais para a justiça abarrotaria os tribunais de processos. Segundo dados do Sinait, entre 1996 e 2007 os fiscais registraram 5,5 milhões de trabalhadores em alguma situação que merecia ser investigada. “Se cada um tivesse que recorrer na Justiça, seriam mais 5,5 milhões de processos”, critica Rosa Maria Campos Jorge. Ao final, ela e os outros presentes fizeram um apelo aos senadores pela manutenção do veto à emenda.

Compasso de espera
No entanto, o apelo não teve muito efeito pelo baixo quorum de senadores na audiência. O clima morno deve esquentar quando o governo finalizar sua proposta alternativa de regulamentação do uso da pessoa jurídica em determinadas funções e enviá-la ao Congresso. Segundo Antônio Fernandes Neto, da CGTB, as centrais mantêm-se contrárias à Emenda, mas reconhecem a importância de negociar um texto que “entregue os anéis para não perder os dedos”.

A saída apontada por algumas centrais é o estabelecimento de piso de faturamento. A pessoa jurídica que ganhasse a partir de R$ 600 mil por ano seria considerada uma exceção e poderia prestar serviço mesmo mantendo as características de vínculo empregatício previstas na Consolidação das Leis do Trabalho. Dentro do governo, outra alternativa em discussão é fazer um recorte por categorias regulamentadas, tendo para estas um tratamento diferenciado nas exigências para a contratação de pessoas jurídicas.

O envio da proposta ao Congresso estava previsto para esta semana, mas a difícil negociação de um texto consensual parece estar demandando mais tempo. Se no governo a posição majoritária pelo veto tem prevalecido como pólo importante de resistência, no Congresso o jogo se inverte e os críticos da Emenda entrarão em terreno pantanoso.

As faces do sandinismo – entrevista com Ernesto Cardenal sábado, maio 5 2007 

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=13273

ENTREVISTA – ERNESTO CARDENAL

As faces do sandinismo

"Ortega é falsamente de esquerda. Tem traído a esquerda, tem traído os princípios da Revolução, tem traído o sandinismo, tem traído o Sandino e o povo da Nicarágua", desabafa o poeta nicaraguense, um dos pioneiros da Teologia da Libertação.

Latinautas*Data: 12/01/2007

Ernesto Cardenal, que completa 82 anos no próximo dia 20, intitula-se cristão, marxista, poeta e militante. Desde moço, combateu as ditaduras da família Somoza. Após o fracasso da insurreição de 1954, deixou a Nicarágua para dedicar-se à vida monástica. Tornou-se sacerdote em Manágua, no ano de 1965 e, na década de 70, adotou a linha da Teologia da Libertação. Julgou, em 1976, em Roma, os crimes contra os Direitos Humanos na América Latina. Fundou a Comunidade de Solentiname, na qual se fomentou a criação de cooperativas e diversos espaços culturais. Com o triunfo da revolução de 1979, foi nomeado Ministro da Cultura.

Signatário de vultoso currículo acadêmico nas áreas de filosofia, letras e teologia, que inclui passagens por universidades no México, Nova Iorque, Columbia, Madri e Roma, Cardenal é, além de notório poeta, prosador e escultor.

Carta Maior – Por que o senhor envolveu-se na luta armada contra Somoza?
Ernesto Cardenal – Não me envolvi diretamente na luta armada, envolvi-me na revolução, apoiando-a. Fiz como todo povo da Nicarágua fez. Foi a única maneira de sair de uma ditadura de quase 50 anos dos Somozas. Não permitiam nenhuma outra oposição, nenhuma outra luta cívica. Todo povo da Nicarágua apoiou esta luta e eu também apoiei.

CM – Como nasceu a sua ligação com a Teologia da Libertação?
EC – Eu tenho sido um discípulo da Teologia da Libertação. Não sou teólogo, mas eu posso dizer que sou um poeta da Teologia da Libertação. Ela influenciou definitivamente as minhas poesias. Além disso, para mim, a única maneira de poder entender os dogmas cristãos é por meio da Teologia da Libertação e também por meio do marxismo, porque muito dela também está influenciada pelo marxismo e eu me considero um cristão marxista, que acredita em alguns dogmas cristãos e também na doutrina de Marx.

CM – Por que a Igreja Católica fez aquela crítica que acusava de perigosa a Teologia da Libertação e por que suspenderam o senhor em 1985?
EC – Não é a Igreja. O Papa Pio XII que era conservador e um reacionário, dizia que a Igreja não se envolve em política. O Papa, os bispos e os cardeias condenaram a Teologia da Libertação, isso porque são inimigos de toda libertação, ou seja, de toda revolução. Teologia da Libertação quer dizer teologia da revolução. Quando o Papa João Paulo II veio de viagem de avião à Nicaragua, (em 1983) os jornalistas lhe perguntaram sobre a Teologia da Libertação e ele respondeu que já não era mais um perigo porque o comunismo estava morto. Mas o bispo do Brasil, Monsenhor Casaldaliga, contestou lá do Brasil, dizendo que “enquanto no mundo houver pobres continuará existindo a Teologia da Libertação”.

CM – O senhor foi, em 1976, enviado pela FSLN a Roma para julgar as violações aos direitos humanos na América Latina. Quais foram as violações e qual resultado deste julgamento?
EC – São muito conhecidas todas as violações que praticaram os somozistas: as torturas, os assasinatos, as prisões por muitos anos, crianças degoladas, prisioneiros que denunciaram, por exmplo, que alguns eram levados em helicópteros e jogados lá de cima. Todos esses tipos de coisas, violações a mulheres, crianças e idosos. Todos os tipos de tortura. Já se sabe o que fizeram as ditaduras militares como a da Nicarágua, como a do Uruguai, como a do Chile, como a da Argentina, talvez um pouco pior a da Nicaragua. Foi isso que eu fui denunciar em Roma no Tribunal em que estavam julgando as ditaduras militares na América Latina, inclusive a da Nicarágua.

CM – O processo democrático na América Latina é recente. Por quê? O senhor acredita que os países no continente são realmente democráticos?
EC – Certa democracia sim. Uma democracia, digamos, eleitoral é o que tem ocorrido, a democracia verdadeira não, execeto nos países que tem revolução, como Cuba, como teve a Nicarágua e agora não tem mais. Como a que tem a Venezuela e que, agora, começa a ter a Bolívia.

CM – O que é Utopia para o senhor?
EC – Para alguns, Utopia é algo irrealizável. Para mim é realizável. O que dizem os evangélicos sobre Utopia, poderíamos contestá-los dizendo que simplesmentes eles próprios não acreditam no Evangelho. Porque Cristo veio anunciar o Reino de Deus, o reino do Céu na Terra, ou seja, um reino de justiça, de paz, fraternidade e de amor. O mesmo que o comunismo perfeito de Marx. E se isso é “Utopia”, irrealizável, então não acredito no Evangelho. O que pedimos ao nosso Pai: “que venha a nós o vosso reino”. Creio que virá.

CM – Qual foi a importância do início de um novo processo social na Nicarágua com a criação da Comuna de Solentiname?
EC – Não teve muita importância, Solentiname foi uma pequena experiência modesta, sempre disseram que foi importante, mas para mim foi algo modesto. Simplesmente o que se podia fazer naqueles tempos de ditadura na Nicarágua, e ali foi um espaço bom para os campesinos e também para todos que iam nos visitar e conhecer nosso lugar. Posso dizer que foi um exemplo de algo que foi feito na Revolução e que se poderia fazer depois dela também.

CM – Ernesto Cardenal acredita que Daniel Ortega é de esquerda?
EC – Falsamente de esquerda. Tem traído a esquerda, tem traído os princípios da Revolução, tem traído o sandinismo, tem traído o Sandino e o povo da Nicarágua. Há um sandinismo verdadeiro que está contra o sandinismo oficial imposto pelo partido de Daniel Ortega, este que ganhou a eleição. Eu pertenço ao outro sandinismo, aqule que mantém os princípios e os ideais da Revolução.

CM – O que necessita a esquerda Nicaraguense hoje?
EC – O mesmo de que necessitou antes: de sermos honestos, de realizarmos o poder com o povo… porque o partido que se chama sandinista, e que na realidade não é, é constituído por aqueles que roubaram muito e hoje são milionários. Estes não podem mais construir a Revolução.

N.E. – Leia a seguir um poema de Ernesto Cardenal que acalenta a sutileza e profundidade de seu pensamento. Título de seu livro de 1971, lançado após o avassalador Salmos, de 1968. A nossa tradução vem seguida do original em espanhol:

Oração por Marilyn Monroe
Senhor
recebe esta moça conhecida em toda parte pelo nome de Marilyn Monroe
mesmo não sendo seu verdadeiro nome
(mas Tu conheces seu verdadeiro nome,
o da órfãzinha violada aos 9 anos
e da empregadinha de loja que aos 16 já quisera se matar)
e que agora se apresenta diante de Ti sem nenhuma maquiagem
sem Assessor de Imprensa
sem fotógrafos e sem dar autógrafos
sozinha como um astronauta diante da noite espacial.

Ela sonhou quando menina que estava nua numa Igreja (segundo conta a revista Time)
ante uma multidão prostrada, com as cabeças ao chão
e tinha de caminhar na ponta dos pés para não pisar nas cabeças.
Tu conheces nossos sonhos melhor do que os psiquiatras
Igreja, casa, cova são a segurança do seio materno
mas também algo mais que isso…
As cabeças são os admiradores, é claro
(a massa de cabeças na escuridão debaixo do facho de luz).
Mas o templo não são os estúdios da 20th Century Fox.
O templo – de mármore e ouro – é o templo de seu corpo
em que está o Filho do Homem com um chicote na mão
expulsando os mercadores da 20th Century Fox
que fizeram de Tua casa de oração um covil de ladrões.

Senhor
neste mundo contaminado de pecados e radioatividade
Tu não culparás tão-somente a empregadinha da loja.
Que como toda empregada de loja sonhou ser estrela de cinema.
E seu sonho fez-se realidade (mas com a realidade do technicolor).
Ela não fez senão atuar conforme o script que lhe demos
– O de nossas próprias vidas – E era um script absurdo.
Perdoe-a Senhor e perdoa-nos pela nossa 20th Century Fox
por esta Colossal Superprodução em que todos nós temos trabalhado.

Ela tinha fome de amor e lhe ofertamos tranqüilizantes,
para a tristeza de não ser santa, recomendamos-lhe a Psicanálise.
Lembra-te Senhor de seu crescente pavor à câmera
e do ódio à maquiagem – insistindo em maquiar-se em cada cena – e como foi se tornando maior o horror e maior a impontualidade nos estúdios.

Como toda empregada de loja
sonhou tornar-se estrela de cinema.
E sua vida foi irreal como um sonho que um psiquiatra interpreta e arquiva.

Seus romances foram um beijo com os olhos fechados
olhos que quando se abrem
descobre-se que foi sob os refletores e apagam os refletores!
e desmontam as duas paredes do aposento (era um set cinematográfico)
enquanto o Diretor afasta-se com suas anotações porque a cena já foi filmada.
Ou uma viagem de iate, um beijo em Cingapura, um baile no Rio
uma recepção na mansão do Duque e da Duquesa de Windsor
vistos na TV de um apartamento miserável.
O filme terminou sem o beijo final.
Foi achada morta em sua cama com a mão no telefone.
E os detetives não souberam para quem ela ia ligar.
Foi como alguém que discou o número da única voz amiga
e ouviu tão-só a voz de uma gravação que diz: WRONG NUMBER.
Ou como alguém que ferido pelos gangsters
estende a mão a um telefone desligado.

Senhor
quem quer que tenha sido a quem ela ia telefonar
e não telefonou (e talvez fosse ninguém
ou era Alguém cujo número não está na Lista de Los Angeles)
atende Tu ao telefone!

Oración por Marilyn Monroe
Señor
recibe a esta muchacha conocida en toda la tierra con el nombre de Marilyn Monroe
aunque ese no era su verdadero nombre
(pero Tu conoces su verdadero nombre, el de la huerfanita violada a los 9 años
y la empleadita de tienda que a los 16 se había querido matar)
y que ahora se presenta ante Ti sin ningún maquillaje
sin su Agente de Prensa
sin fotógrafos y sin firmar autógrafos
sola como un astronauta frente a la noche espacial.

Ella soñó cuando niña que estaba desnuda en una Iglesia (según cuenta El Time)
ante una multitud postrada, con las cabezas en el suelo
y tenía que caminar en puntillas para no pisar las cabezas.
Tu conoces nuestros sueños mejor que los psiquiatras.
Iglesia, casa, cueva, son la seguridad del seno materno
pero también algo más que eso…
Las cabezas son los admiradores, es claro
(la masa de cabezas en la oscuridad bajo el chorro de luz).
Pero el templo no son los estudios de la 20th Century Fox.
El templo — de mármol y oro — es el templo de su cuerpoen el que está el Hijo del Hombre con un látigo en la mano
expulsando a los mercaderes de la 20th Century Fox
que hicieron de Tu casa de oración una cueva de ladrones.

Señor
en este mundo contaminado de pecados y radioactividad
Tu no culparás tan sólo a una empleadita de tienda.
que como toda empleadita soñó ser estrella de cine.
Y su sueño fue realidad (pero como la realidad del technicolor).
Ella no hizo sino actur según el script que le dimos
— El de nuestras propias vidas — Y era un script absurdo.Perdónala Señor y perdónanos a nosotros
por nuestra 20th Century
por esta Colosal Super-Producción en la que todos hemos trabajado.

Ella tenía hambre de amor y le ofrecimos tranqüilizantes.
Para la tristeza de no ser santos se le recomendó el Psicoanálisis.
Recuerda Señor su creciente pavor a la cámara
y el odio al maquillaje — insistiendo en maquillarse en cada escena —y como se fue haciendo mayor el horrory mayor la impontualidad a los estudios.

Como toda empleadita de tienda
soñó ser estrella de cine.
Y su vida fue irreal como un sueño que psiquiatra interpreta y archiva.

Sus romances fueron un beso con los ojos cerrados
que cuando se abren los ojos
se descubre que fue bajo los reflectores y apagan los reflectores!
y desmontan las dos paredes del aposento (era un set cinematrográfico)
mientras el Director se aleja con su libreta porque la escena ya fue tomada.
O como un viaje en yate, un beso en Singapur, un baile en Rio
la recepción en la mansión del Duque y la Duquesa de Windson
vistos en la salita del apartamento miserable.
La película terminó sin el beso final.
La hallaron muerta en su cama con la mano en el teléfono.
Y los detectives no supieron a quién iba a llamar.
Fue
como alguien que ha marcado el núnero de la única voz amiga
y oye tan solo la voz de un disco que le dice: WRONG NUMBER
O como alguien que herido por los gangsters
alarga la mano a un teléfono desconectado.

Señor
quienquiera que haya sido el que ella iba a llamar
y no llamó (y tal vez no era nadie
o era Alguien cuyo número no está en el Directorio de Los Angeles)
contesta Tú el telefono!

(*) Latinautas é o apelido dado pela Carta Maior à equipe da expedição "Da América para as Américas", formada por Milena Costa de Souza, Pedro José Sorroche Vieira, Thiago Costa de Souza e Ligia Cavagnari. Eles atravessam as américas, passando por 17 países, percorrendo mais de 25 mil km em busca de uma identidade de resistência à hegemonia política, econômica e cultural exercida pelos EUA.

Leia o especial LATINAUTAS, com a íntegra dos relatos e comentários sobre a expedição "Da América para as Américas". (Leia aqui)

Privatizações podem voltar com Serra; Secretaria da Fazenda nega sábado, maio 5 2007 

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14026

ESTADO TUCANO

Privatizações podem voltar com Serra; secretaria da Fazenda nega

Em português cifrado para a população em geral, mas de conteúdo claro e direto para quem conhece o ‘tucanês’, decreto assinado por Serra abre espaço para novas privatizações em São Paulo.

Antonio Biondi – Carta Maior

SÃO PAULO – “Atribui à Secretaria da Fazenda a incumbência de proceder a coordenação dos estudos técnicos relativos ao levantamento, avaliação, modelagem e execução de venda de participações societárias detidas pelo Estado e dá providencias correlatas”.

Para bom entendedor, o decreto 51.760/2007, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo (DO) no dia 18 de abril, diz a que veio. Em bom e claro “tucanês”, o decreto, assinado pelo governador José Serra e pelos secretários da Fazenda, Mauro Ricardo Machado Costa, e da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira Filho, revela a possibilidade de o governo vender a participação do Estado em empresas das quais possui ações. Em outras palavras, de retomar o Programa Estadual de Desestatização paulista (PED) – que remonta a 1996. Ou, ainda, de voltar à carga as privatizações em São Paulo.

De 1997 a 2005, foram arrecadados em São Paulo pouco mais de R$ 26 bilhões com o PED, segundo dados da secretaria do Estado da Fazenda. Também de acordo com texto disponível na página da secretaria na internet, “considerando-se ainda a transferência do passivo financeiro existente nas estatais, o resultado global do PED passou a R$ 35.558 milhões”, sendo incluídas neste cômputo “as mais recentes operações envolvendo a venda de ações da Nossa Caixa Previdência (R$79 milhões) em ago/05 e, em nov/05, a venda de 28,7% ações da Nossa Caixa (R$954 milhões)”. Em valores corrigidos pela inflação do período, a cifra contabilizada pela secretaria ultrapassa os R$ 70 bilhões.

O decreto de Serra causou euforia na grande imprensa. Mereceu manchete do Valor Econômico no dia 19 de abril – “Serra retoma projeto de privatização da Cesp”, em referência à Companhia Energética de São Paulo – e editorial do jornal Estado de S. Paulo poucos dias depois, defendendo que o governador paulista deveria encaminhar a venda da empresa.

A reportagem de Carta Maior buscou entrevistar um representante da secretaria da Fazenda sobre o decreto e sua relação com retomada das privatizações, bem como sobre a possibilidade de a Cesp entrar no rol das privatizáveis – a empresa agora seria o ativo mais interessante a ser oferecido ao mercado, depois de Banespa, Eletropaulo, Cosipa, CTEEP e tantas outras terem sido vendidas. Dentro de um resultado global do PED de R$ 35,56 bilhões, a secretaria da Fazenda estima que R$ 24,78 bilhões (ou 69,6%) tiveram origem nas privatizações do setor energético.

Como resposta ao pedido de entrevista, a reportagem recebeu da assessoria de comunicação da secretaria da Fazenda uma nota oficial do governo, de 19 de abril, segundo a qual o decreto “trata apenas de atribuir à Secretaria da Fazenda a incumbência de coordenar o levantamento e proceder a avaliação, a modelagem e a execução de venda dos ativos mobiliários detidos pelo Estado” e que “não existe atualmente neste governo qualquer deliberação quanto à alienação do controle acionário de quaisquer de suas empresas estatais”. Por fim, a nota defende ser “pura especulação falar que o Decreto n° 51.760/2007 do Governador de São Paulo, ‘dá pistas da intenção do governo de vender a empresa’”, conforme afirmava o conteúdo da matéria do jornal Valor.

Leia mais
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O arqueiro verde – Cláudio Weber Abramo sábado, maio 5 2007 

Do site "A coisa aqui tá preta": http://crwa.zip.net/
 
3.5.07

O Arqueiro Verde

Atendendo a pedidos, aí vai artigo de umas semanas atrás no mesmo Diário do Comércio:

Li na Internet que alguém se prepara para fazer um filme com o Arqueiro Verde. Esse era um herói de gibi (gibi era como se chamavam as histórias em quadrinhos) que, como dizia o nome, arrostava os malfeitores com arco e flecha.

O Arqueiro tinha um escudeiro, do tipo Robin do Batman, chamado Speedy (não me recordo o nome com o qual foi batizado em português; “Rapidinho”, talvez? não, não creio). Ambos usavam um bonezinho enfeitado com uma pena. Tudo bastante ridículo, como de hábito.

Também pela Internet, aprendo que esse Arqueiro Verde teve diversas encarnações. Pelas imagens disponíveis, perdeu o Rapidinho ou como se chamasse, ganhou músculos e mais uma barbicha de Guilherme Tell.

Sob o ponto de vista técnico, os arcos que o Verde original usava eram muito mal desenhados e as flechas espessas demais. Aquilo não poderia funcionar direito. Havia também um problema sério com a vestimenta do herói. Ele envergava um par de luvas com cano longo, que se abriam no antebraço. Quem já praticou arco e flecha (como é o caso deste que escreve) sabe que, com isso, a corda do arco se chocaria em alta velocidade com o cano da luva e de jeito nenhum a flecha seria lançada. A tentativa certamente terminaria em ferimentos no braço do sujeito, pois a corda vem com tudo, impulsionada pela súbita liberação da tensão do arco. (Flechas têm muito mais penetração do que balas de revólver.) Versões mais modernas do Arqueiro deram conta do problema e o personagem ganhou um protetor de antebraço adequado.

De toda forma, mesmo observando a técnica apropriada, a probabilidade de um indivíduo armado de arco e flecha derrotar malfeitores com metralhadoras não é grande. Só mesmo em gibi.

É com arco e flecha que, no Brasil, se combate a corrupção, que vem municiada de tanques, mísseis teleguiados e hordas de praticantes. Cada vez que as causas reais da corrupção são exibidas, aqueles que teriam por responsabilidade preveni-la sacam do arco e de umas flechas tortas e gastas. Isso quando não olham para o outro lado.

Tome-se, por exemplo, o projeto de emenda à Constituição que proíbe o nepotismo. Se aprovado, detentores de funções públicas serão proibidos de contratar parentes para ocupar funções em sua própria área de atuação.

Pois bem, é difícil posicionar-se contrariamente a uma medida que proíba a contratação de parentes. O problema é que a questão fundamental, a do direito de nomear, permanece intocada. Uma vez que se aprove a proibição da contratação de parentes, haverá a tendência de se considerar que não seria mais necessário mexer com as nomeações.

Ocorre que as nomeações de pessoas para ocupar cargos chamados “de confiança” são responsáveis pela praga do loteamento do setor público. Como o presidente, o governador, o prefeito, os ministtros e secretários, os deputados e os vereadores podem nomear pessoas, eles usam esse poder como moeda de troca para amealhar apoios. Os jornais estão cheios de uma conversinha sobre reivindicações de que ministérios sejam entregues a partidos aliados em regime de “porteira fechada” – a saber, a entrega de inteiras estruturas do Estado a partidos políticos em troca de apoio parlamentar. Não é difícil imaginar o que esses partidos políticos farão lá depois que a porteira for fechada.

Farão o mesmo que os grupos – muitas vezes verdadeiras quadrilhas – que nos estados e nos municípios se valem da ocupação dos espaços públicos para satisfazer a interesses lá deles, e que nada têm a ver com o interesse público.

Os parlamentares que discutem e votam emendas à Constituição sabem muito bem de tudo isso. É por saberem muito bem, e se aproveitarem da liberdade de nomear, que não atacam o problema real.

Em vez de proibir as nomeações de modo geral, mandam o Arqueiro Verde flechar o nepotismo.

Curso preparatório para o Enem? sábado, maio 5 2007 

Curso preparatório para o ENEM?
Será que aqueles que lêem o que insiro neste blog, mas fingem que não lêem, conseguirão entender a razão de tanta amargura, tanta desesperança, tanta agressão – de minha parte – ao meu passado de Educadora e ao meu presente de CIDADÃ?
Obviamente, que não, pois esta otária nunca pensou em ganhar dinheiro em aulas particulares, para sanar as falhas, as defasagens que os alunos sob sua responsabilidade apresentavam, que denunciava, dentro da escola e para superiories hierárquicos, mas, como retorno, recebia ameaças de retaliações, retaliações por meio de criminosos que aliciavam transgressores, ameaças de ser "catada" por quadrilhas de transgressores que depredavam outras escolas públicas e diziam que a próxima seria a escola em que esta otária ministrava e PAGAVA para ministrar aulas, explica, também, um Boletim de Ocorrência feito contra esta otária, tomadora de sorvete pela testa, com a participação de direção e, comprovadamente, supervisão de escola.
De fato, esta otária merece todo o desrepeito da parte de medíocres que sempre viveram à custa do dinheiro público (e a eles chegou de modo muito fácil) por não ter tripudiado sobre os alunos, os alvos de todos os desrespeitos pelo direito à cidadania, e não tê-los admitido como alunos particulares, de quem tiraria dinheiro "na maciota". Na maciota, porque medíocre só valoriza o dinheiro gasto quando, de modo concreto, sai do bolso. Medíocre não enxerga que paga imposto até no lápis, na borracha, no caderno, na cerveja, na pizza … Só valoriza "porque eu pago, porque eu paguei e não passei de ano".
 
Não bastasse a comprovação de que não adianta concluir o Ensino Médio e ter a certeza de que não está preparado para freqüentar o Curso Superior, temos, agora, os cursos preparatórios para o Enem (Exame NACIONAL do Ensino Médio). Após o término do Curso Superior, para exercer uma carreira ou prestar exames da Ordem, por exemplo, os formandos precisam de cursos preparatórios para esse fim. Para prestar concursos públicos, qualquer pessoa precisa freqüentar cursos para se preparar para os Concursos.
Usualmente, os concursos – municipais, estaduais ou federais – não medem, absolutamente, se o concursado sabe ler, escrever (sentido amplo de ENTENDE O QUE LÊ, CONSEGUE EXPRESSAR-SE POR ESCRTO) nem se sabe, pelo menos, as quatro operações fundamentais, se sae onde se encontra, qual é a capital, se sabe em que país mora e se está a par de acontecimentos mais recentes.
CURSO PREPARATÓRIO PARA O ENEM?
Onde estão as AUTORIDADES que deveriam questionar cursos particulare para o ensino desde a alfabetização até o Ensino Médio, quando, então, descobrir-se-ia A FONTE de o Ensino Público não estar cumprindo os objetivos – estabelecidos pela Constituição Federal – e abrindo espaço para a privatização de Ensino Formal em qualquer nível?
Quanto me esfalfei para estimular os alunos sob minha responsabilidade para que participassem do Enem!
Até exame simulado, com a primeira prova do Enem, planejei e coloquei em execução, convidando alunos de outras séries para participar!
A maioria dos alunos sob minha responsabilidade não participou!
Minha ira é santa, mas criminosos não permitem que outros saibam a razão!
Eu sou louca, eu sou maníaca.

Evidentemente, os cursinhos preparatórios estão mascarado os resultados do Enem de alunos de escolas particulares, porque quem estuda em escola pública não tem dinheiro para pagar "cursinho preparatório para o Enem". Após a divulgação de fraudes em vestibulares, aparentemente, nem as escolas particulares estão cumprindo os objetivos a que se propõem…

Vejamos os objetivos do Enem – Exame Nacional do Ensino Médio

O que é o Enem?

O Enem – Exame Nacional do Ensino Médio foi instituído em 1998 para ser aplicado, em caráter voluntário, aos estudantes e egressos deste nível de ensino. Realizado anualmente, tem como objetivo principal avaliar o desempenho do aluno ao término da escolaridade básica, para aferir o desenvolvimento de competências fundamentais ao exercício pleno da cidadania.

Também são objetivos do Enem:

– oferecer uma referência para que cada cidadão possa proceder à sua auto-avaliação com vistas às suas escolhas futuras, tanto em relação ao mundo de trabalho quanto em relação à continuidade dos estudos;

– estruturar uma avaliação ao final da educação básica que sirva como modalidade alternativa ou complementar aos processos de seleção nos diferentes setores do mundo de trabalho;

– estruturar uma avaliação ao final da educação básica que sirva como modalidade alternativa ou complementar aos exames de acesso aos cursos profissionalizantes pós-médios e à Educação Superior;

– possibilitar a participação e criar condições de acesso a programas governamentais.

A estrutura do Exame tem como base uma matriz com a indicação de competências e habilidades associadas ao conteúdo do Ensino Fundamental e Médio que são próprias ao sujeito na fase de desenvolvimento cognitivo, correspondente ao término da escolaridade básica. O Enem é constituído por uma prova única contendo 63 questões objetivas de múltipla escolha e uma proposta para redação.

Fonte: http://www.inep.gov.br/basica/enem/default.asp

 

 

 

Entramos no reino da razão cordial quinta-feira, maio 3 2007 

Texto de Leonardo Boff, AO ARQUEÓLOGO DO FUTURO
Não custa sonhar!
Longa vida à Carta Maior!

AO ARQUEÓLOGO DO FUTURO

Entramos no reino da razão cordial

O arqueólogo do futuro ficará pasmado pelas mudanças que foram possíveis quando os seres humanos, no maior aperto e no instinto de sobrevivência, aceitaram viver a razão cordial e o cuidado de uns para com os outros.

Leonardo BoffData: 02/05/2007

Da História, aprendemos que não aprendemos nada da história. Mas aprendemos tudo do sofrimento. E aprendemos.

Sabíamos dos alertas dos cientistas e sábios que nos advertiram acerca do aquecimento global que ocorria de forma irrefreável. Devíamos proteger e cuidar de todos os ecossistemas, da imensa biodiversidade da Terra, da água potável cada vez mais escassa. O que não podíamos era romper o limite do intransponível.

Eis que nos inícios de fevereriro de 2007, o organismo da ONU que envolveu mais de 2.500 cientistas de 130 paises, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) comunicou-nos a trágica notícia: acabávamos de romper a barreira de não retorno. A Terra encontraria um novo equilíbrio subindo sua temperatura entre 1,4 até 6 graus Celsius, estabilizando-se provavemente por volta de 3 graus Celsius.

Caso isso viesse a ocorrer, representaria a inauguração da era das devastações. Se nada fizéssemos até os anos 2030-2040 conheceríamos a tribulação da desolação. Pelo final do século XXI, teríamos uma Planeta devastado, grande parte de nossas florestas dizimadas, a biodiversidade tremendamente reduzida e milhões de pessoas teriam desparecido. Nos recantos ainda habitáveis, viveriam milhões de pessoas acotoveladas, com outros milhões de refugiados do clima, forçando os limites do espaço, na busca desesperada de alimentos e de chances de sobrevivência.

Mas eis que algo inaudito aconteceu. Estava dentro das possibilidades humanas a emergência da cooperação e da razão cordial, mas que, na civilização imperante, marcada pela competição e pela razão instrumental, tinha poucos espaços de realização. Agora, face ao iminente perigo de que não houvesse uma Arca de Noé que salvasse alguns e deixasse perecer os demais e de que todos igualmente poderíamos perecer, verificou-se uma lenta, mas progressiva transformação no estado de consciência da humananidade.

Tomamos consciência de que somos uma única e grande família habitando uma única Casa Comum, o planeta Terra. Temos que nos salvar a nós mesmos e o nosso habitat humano.

Governos, grandes instituições multilaterais, empresas globais, movimentos sociais mundiais, igrejas, religiões, centros de pesquisa e universidades, articulações de camponeses do mundo inteiro e outros grupos menores, mas não menos importantes, começaram a fazer encontros para buscar caminhos salvadores. Houve muitas discussões, contraposições, propostas e contrapopostas. Mas todos viam a urgência de encontrar pontos mínimos comuns. Ao redor deles, dever-se-ia elaborar um consenso geral.

A primeira coisa que constataram foi que dispomos de meios técnicos e econômicos mais do que suficientes para enfrentar com sucesso o risco. Apenas faltava o consentimento de todos para participarem do projeto-salvação-da-vida-e-da-Terra. Todos teriam que fazer alguma renúncia e oferecer todo tipo de colaboração.

Quando grande é o perigo, grande também é a chance de salvação submetida à condição de que todos queiram ser salvos. Quem é tão inimigo de si mesmo e da vida a ponto de sucumbir ao apego aos bens materiais que, na verdade, apenas pesam, que não nos podem assegurar a vida e nem podemos levá-los conosco junto com a morte?

Mesmo com a relutância de um bom número de milhardários, todos convieram na seguinte decisão, baseada na sabedoria antiga da humanidade: quando estamos todos em perigo de vida, tudo fica comum. Então os bens de todos os países e das pessoas deveriam servir a todos no propósito de salvar a todos e o nosso querido planeta.

Esta decisão implicava fazer uma moratória no desenvolvimento e no crescimento. Parar para permitir universalizar todas as conquistas em benefício de todos a começar pelos mais retardatários e pobres. Viu-se que com os capitais acumulados nos bancos mundiais, nos bancos centrais de cada pais, nas bolsas do mundo inteiro e nas contas de grandes ricos e de todos, haveria tantos meios capazes de dar casa, saúde, educação e lazer a todos os seres humanos.

Logicamente esta moratória implicaria fechar milhões e milhões de postos de trabalho. As fábricas cessariam de produzir. Mas com os fundos globais da humanidade todos poderiam ganhar salário de subsistência e de decência. Não apenas para não morrer, mas para viver desafogados e felizes. Fariam os trabalhos de manutenção das cidades, das ruas, dos serviços essenciais, das fábricas e edifícios públicos. Grande parte do trabalho seria feito no resgate da natureza levando a sério os quatro erres: reduzir, reutilizar, recliclr e rearborizar.

Ninguém seria perdulário ou viveria no luxo. O projeto de vida é viver na simplicidade voluntária. Mas todos decentemente, podendo comer três ou mais vezes ao dia de forma mais que suficiente. O efeito seria um bem-estar inimaginável e anulariam-se as causas principais que levam ao conflito e à vontade de dominação de uns sobre outros.

Todos decidiram fazer uma retirada sustentável das atividades que implicavam degradação da natureza. O propósito coletivo era regenerar a Terra das feridas inflingidas e prevenir feridas futuras. Era o império da ética do cuidado e da compaixão.

Mais ainda, cientistas dos mais sérios. sugeriram utilizar a tecnologia mais avançada, a nanotecnologia, para reduzir o aquecimento da Terra. Descobriram que milhões de nanopartículas de ferro colocadas nos oceanos diminuiriam o calor das águas ao mesmo tempo que estimulariam os corais e os planctons a produzirem mais oxigêncio. Colocadas na estratosfera, refletiriam os raios solares para fora da Terra e assim a resfriariam. Haveria riscos com esta nanotecnologia, cujos efeitos finais ainda não controlamos. Mas face à iminência do perigo coletivo, fomos obrigados a aceitar certas ameaças.

As religiões, as igrejas e as tradições espirituais esqueceram suas diferenças e juntas colocaram-se a serviço da vida e dos valores que mais protegem a vida como a reverência e o respeito, a colaboração de todos com todos e a profunda compaixão por aqueles que ainda continuam sofrendo por causa da condição humana deficiente. Com isso, criou-se uma aura espiritual nas sociedades que facilitou a aceitação das diferenças e o apreço dos valores dos mais diferente povos. Elas nos convenceram de que realmente somos irmãos e irmãs de uma mesma família habitando a mesma Casa Comum.

As quatro virtudes básicas do convívio humano foram cultivadas com extremo empenho: a hospitalidade de todos com todos, o respeito por todas as diferenças de raça, de religião, de cultura e de valores, a convivência irrestrita que levou a superar a intolerância e o fundamentalismo e, por fim, a comensalidade: todos sentados ao redor da mesma mesa planetária, como irmãos e irmãs em casa, desfrutando da generosidade dos bens da mãe Terra.

Todos se puseram a venerar a Fonte originária de onde nos vêm todas as coisas, valorizando os diferentes nomes que cada grupo humano lhe deu: Javé, Olorum, Tao, Shiva, Tupã, Deus. Essa crença ensinou os seres humanos a confiarem o seu futuro a um Maior e sentir-se carregados na palma de sua mão. Seu desígnio não é a morte, mas a vida, não o caos mas o sentido. Eles detém a última palavra.

Assim todos, confiados na salvação da humanidade e da Terra, inauguram o reino da razão cordial.

E todos começaram a dançar e a louvar, a louvar e a celebrar, a celebrar e magnificar a alegria de estarem juntos, irmanados entre si e reconciliados com a Terra, contentes por terem ainda futuro e por estarem certos de que a aventura terrenal e cósmica pode seguir pelos séculos sem fim.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=13937

Violência (adaptação) quarta-feira, maio 2 2007 

Violência

(Adaptação)

[Pretexto extraído de livro didático – e a exploração das atividades de Estudo do Vocabulário, Estudo do texto e Estudo das estruturas do texto também – de apoio que foi utilizado como avaliação escrita de alunos sob minha responsabilidade. Uma piolhenta duma supervisora de ensino, que nem era minha supervisora, me perguntou, certa vez, se eu não era muito exigente em minhas avaliações. Dançou, piolhenta, porque você é uma das causas da desgraça a que se reduziu a Educação Formal. Os alunos não estavam sendo avaliados para conceitos, mas estavam aprendendo, enquanto respondiam às questões.]

 

 

            Para compreender a violência nas suas verdadeiras dimensões, é importante não reduzi-la à criminalidade. Violência, com efeito, é tudo o que fere ou esmaga a dignidade de qualquer pessoa humana. Violência são todas as formas de violação dos direitos humanos.

            As notícias, por exemplo, nos informam sobre o aumento dos conflitos nos meios urbanos; sobre o aumento das taxas de criminalidade, incluindo homicídios, assaltos, roubos e seqüestros; sobre o aumento dos crimes perpetrados por menores e dos crimes relacionados com o uso e o tráfico de drogas.

            Também a sociedade rural é oprimida por formas silenciosas de violência na maneira pela qual são tratados os peões e bóias-frias, submetidos a uma vida degradante, espécie de continuação do regime escravagista, sem possibilidades de promoção humana e religiosa.

            Existe, ainda, a violência aos que sofrem no atendimento às necessidades básicas, aos que sofrem privação na saúde, na habitação, na educação, na alimentação, reduzidos que são à subnutrição, à fome, ao analfabetismo e a moradias indignas. É a violência contra os desempregados, aos despedidos em massa ou em doses discretas e os reduzidos ao subemprego. É a violência aos que sofrem as conseqüências de salários vis ou sonegados, que os mantêm, a eles e a suas famílias, na permanente angústia pela sobrevivência.

            A principal violência, no entanto, que se comete contra o povo, é retirar-lhes a possibilidade de participar na vida política, econômica e social da Nação.

            Portanto, é urgente e indispensável encarar o problema com sinceridade para consciência das formas e dimensões que ele vem assumindo entre nós e discernir as causas que o provocam. Não queremos a violência. Queremos a fraternidade.

 

Trechos extraídos do texto-base: Fraternidade – Sim; Violência – Não. CF [Campanha da Fraternidade] 1983 – CNBB.

1983 – CAMPANHA DA FRATERNIDADE.

Exceto por um vocábulo ou outro, quem não se recordava mais deste texto, pensou que era contemporâneo, não pensou?

Editorial n.º 05 – O futuro de Carta Maior quarta-feira, maio 2 2007 

Somos todos doutores! quarta-feira, maio 2 2007 

Ou um tapa, com luva de pelica, em todos os presunçosos "donos" do saber, em qualquer aspecto da vida privada ou pública, em todos os acomodados que aceitam, sem refletir, porque não têm capacidade para reflexão, nunca lhes despertaram essa habilidade, como verdades os falsos sofismas.

Somos todos doutores!

O orgulho é um feitiço duradouro, e não há de se extinguir durante a nossa geração.

Chico GuilData: 30/04/2007

Eu estava chegando à universidade, guiando o velho Gol bege da assessoria de imprensa. Na calçada encontravam-se três senhores e uma senhora, todos vestidos a caráter. Saindo do veículo, logo percebi que eram professores de outras cidades. Estavam dando curso de mestrado. Perguntavam-se quanto tempo teriam de esperar o ônibus, que os levaria ao hotel, no centro.

Como a tarde já estava vencida, tarefas cumpridas, ofereci uma carona aos letrados. Logo que dei a partida ao automóvel, o homem sentado ao meu lado virou-se e disse:

— Você está em boa companhia. Aqui só tem peso pesado. Somos todos doutores! — e soltou uma gargalhada sonora.

Não era um comentário irônico, mas uma declaração orgulhosa por sua condição. Sentia prazer, como quem devora o apetitoso momento de estar acompanhado por seus iguais, sendo todos eles poderosos. Algo parecido com o que apreciam os presidentes dos países ricos quando se reúnem para decidir os rumos do mundo. Ou com as hienas, enquanto devoram a carniça.

Limitei-me a dizer ao espetacular letrado que havia muito tempo eu desistira de ser doutor. E a partir dali seguimos em fúnebre silêncio rumo ao centro de Guarapuava. Deixei-os na frente do Atalaia Palace, onde estavam hospedados — às expensas da universidade.

Lado a lado com os atores de novelas, que costumam se autodenominar artistas — quando o verdadeiro artista é o autor da trama — os maiores orgulhos brasileiros estão dentro das universidades. Colecionam diplomas, títulos, certificados, como se essas peças, que são confeccionadas em série, fossem prêmios aos produtos de sua criatividade. Citam autores de renome — a maioria estrangeiros — suas frases, seus feitos, querendo tomar para si a glória da criação, da descoberta e da invenção. Como na velha Grécia, gastam seu tempo — destinado ao ensino e à pesquisa e comumente remunerado pelo Estado — em jogos retóricos cujo conteúdo encontra-se numa dimensão avessa aos propósitos fundamentais da universidade — qual fosse, lançar pedras de sustentação para o desenvolvimento de uma nova sociedade.

Mas o orgulho é um feitiço duradouro, e não há de se extinguir durante a nossa geração. Se os cabeças da nossa sociedade conseguem ter visão tão estreita de sua condição de indivíduos — somos todos doutores! — teremos de esperar a virada do terceiro para o quarto milênio se queremos ver uma humanidade digna do nome.

Demora muito para se chegar à condição de “doutor”, anos suficientes para que todos os sonhos estejam mortos. E quem não tem sonhos, não possui a capacidade de transformar. O que eles fazem, nesse caso, é revirar as páginas dos velhos escritos na esperança de reconstruir as antigas teorias, dando-lhes novo formato e velha essência.

A universidade deveria aposentar aqueles que já não conseguem sonhar com um mundo melhor. Mas que fazer, quando os próprios dirigentes das universidades brasileiras não acreditam em sonhos? Se há entre eles um sonhador, que apareça, e conte-nos o que anda sonhando.