Mensagem sobre “estilo” de vida sexta-feira, mar 30 2007 

Sarau na Chácara do Rosário segunda-feira, mar 19 2007 

Colocado na categoria "Viagens" por ser uma viagem no tempo
Sarau na Chácara do Rosário, em Itu / SP, é um dos eventos no meio rural.
Para conhecer mais sobre o assunto:
 
 

Quem ensina sempre aprende segunda-feira, mar 19 2007 

Embora deteste ser analisada por picaretas de plantão – por esse motivo meu subtítulo "nunca mais ser vidraça" – penso ter alguma vivência para analisar comentários estupefatos, tais como "nooooossa" à minha fala de que aprendi o que é "solstício" com alunos, em aula de língua inglesa, antigo colegial, quando disse aos alunos que a palavra, em inglês, significava solstício em português, mas eu não tivera tempo de procurá-la no dicionário e não saberia, naquele momento, defini-la. Os alunos explicaram de que se tratava, pois tinham aprendido em aula de Geografia (era escola particular, bem entendido, nos bons tempos) e a pessoa a quem relatei isso, ontem, dia 17 de março de 2007, exclmou esse "nooooossa", olhando para minha irmã, e eu interpretei como sendo algo horrendo, nunca esperado pela pessoa que fez o comentário. Digitei que tenho um pouco de vivência para analisar o comentário – e como o entendi, ou seja, um sinal de ignorância de minha parte que essa pessoa jamais demonstraria – de forma que esse "nooooossa" prova, que a maioria das pessoas nunca assume ignorar algo ou a maior parte de tudo. A maioria age como se soubesse tudo e, certamente, são as mesmas que ocupam cargos de uma responsabilidade tão grande que destroem toda e qualquer possibilidade de evolução, de progresso, porque demolem o que já está construído e não reconstroem nada, porque, presunçosas, sabem tudo.
A propósito disso, procurei a famosa frase de Guimarães Rosa, usualmente resumida assim: "Mestre é aquele que, de repente, aprende" e a indicação é:
Destaco alguns trechos, mas precisa ser lido inteiro:
Mestre não é quem sempre ensina,
mas quem de repente aprende.

(Guimarães Rosa)

 

Quatro palavras

Nesta breve meditação sem maiores pretensões proponho que analisemos os quatro termos do título acima: quem, ensina, sempre, aprende. Cada palavra tem riquezas a vislumbrarmos. Lembrando que a disposição das palavras pode alterar o sentido da frase, desdobrando nosso pensamento. “Quem ensina sempre aprende” não tem o mesmo sentido de “quem sempre ensina aprende”, ou de “sempre ensina quem aprende”. Caberá ao leitor brincar com as palavras e fazer suas próprias descobertas.

 Quem é quem?

“Quem” é pronome. Para dizer o óbvio, que muitas vezes nos abre os olhos: o pronome está no lugar do nome… e qualquer pessoa pode ocupar esse lugar. Quem é quem? Quem pensa? Quem faz? Quem veio?

Primeiramente, portanto, “quem” como pronome interrogativo. Quem sabe? Quem poderia imaginar? Quem é você? Quem é você, professor? Quem é você, professora? Quem você pensa que é? Quem eu penso ser? Uma das perguntas de Gauguin em seu famoso quadro: “quem somos nós?”

Mas o “quem” é também pronome indefinido. Perguntamos sobre a identidade de quem quer que seja, e podemos permanecer na indefinição. Conhecer uma pessoa ou exercitar-se no autoconhecimento não são tarefas simples. Embora sejam tarefas urgentes.

Autoconhecimento, em especial, é urgente tarefa de auto-esclarecimento. Jung dizia: “quem olha para fora, sonha — quem olha para dentro, desperta.” Despertar é conhecer-se. Uma pessoa que se conhece de maneira insuficiente terá sérias dificuldades para ensinar, porque está “dormindo”. Pode estar sonhando, mas seu sonho não se tornará realidade. Sonhamos com uma escola melhor, com dias melhores, com alunos melhores, com um país melhor, com melhores condições de trabalho… estes sonhos somente sonhos continuarão a ser, uma vez que os sonhadores não despertam! E dormindo não podem contribuir para que as coisas melhorem.

Conhecer-se é despertar. Acordado, percebo que há em mim conflitos, paradoxos, incongruências, possibilidades, talentos inexplorados. E percebo, sobretudo, que preciso ser melhor (evidentemente, esse “melhor” requer parâmetros, referências etc.). “Devo ser no mundo a mudança que eu quero ver no mundo”, lema de Gandhi. Mais ainda. Se para mudar o mundo eu preciso mudar quem eu sou, ao adquirir novas atitudes e abandonar certos comportamentos, ao mudar algo em mim começarei a mudar algo do mundo, porque eu faço parte do mundo. Se eu me torno menos intolerante, o mundo perde intolerância. Se eu me torno mais generoso, o mundo ganha generosidade.

A mudança do mundo, de certa forma, começa em mim. E como poderia mudar aquele “quem” que não conheço e sou eu? Provérbio oriental: “o melhor educador é aquele que conseguiu educar a si mesmo.”

Daí para diante, o texto continua e só quem tem, de fato, vontade de aprender o lerá inteiro.

Sorry, periferia que gosta de analisar outros e não tem a mínima idéia do que seja estar preparado para fazê-lo, pois não se critica – no bom sentido – para não apontar dedo sujo para outros. 

 

 

Para ler poemas infantis e adultos de Cecília Meireles sábado, mar 3 2007 

Dentre vários endereços, destaco este, há muito tempo em "Favoritos"

Meu blog está de “ânus” em festa. Salve, comadre Munira! quinta-feira, mar 1 2007 

Iniciado em 1.º de março de 2006, mesmo que só eu o leia, tem sido uma fonte de inspiração pessoal, como o texto que republico, para comemorar o que minha comadre costumava dizer, em dia de aniversário de nascimento, "estou de ânus em festa".
Vida vivida
Quem disse que sou um covarde
Sucumbindo ante as dificuldades?
Quem disse que sou corpo feito de alimentos?
A Vida não é figura de cera, não é figura de gesso.
Eu sou ciclone, sou furacão, sou redemoinho.
Eu transformo o ambiente, como se dobrasse um arame,
No aspecto que eu desejo.
Eu sou uno com a poderosa força
Que criou o Universo.
Eu sou a própria energia
Que da atmosfera faz o relâmpago,
Que transforma os raios solares em arco-íris,
Que faz eclodir do negro solo as rubras flores,
Que faz explodir os vulcões.
E que criou o sistema solar a partir da nebulosa.
Que é ambiente?
Que é destino?
Na hora exata, quando eu quiser,
Eu me liberto do mais triste destino
Como o peixe que se esgueira pelas fendas.
Não sou ferro,
Não sou argila,
Sou Vida.
Sou energia viva.
Não sou matéria inerte
Moldado pela situação
Ou pelo destino.
Eu sou como o ar:
Quanto mais comprimido for,
Mais força manifesto.
Tal como a bomba explode a rocha.
Eu sou Vida que,
No momento certo,
Rompe impetuosamente a situação ou destino.
Sou também como a água.
Nenhuma barreira poderá represar-me.
Se barrarem a minha passagem
Colocando grandes pedras no meu leito,
Converter-me-ei em torrente, cachoeira,
E saltarei impetuosamente.
Se me fecharem todas as saídas,
Eu me infiltrarei no subsolo.
Permanecerei oculto por algum tempo,
Mas não tardarei a reaparecer.
Em breve estarei jorrando
Através de fontes cristalinas
Para saciar deliciosamente a sede dos transeuntes.
Se me impedirem também de penetrar no subsolo
Eu me transformarei em vapor,
Formarei nuvens e cobrirei o céu.
E, chegando a hora,
Atrairei furacão, provocarei relâmpagos e trovões,
Desabarei torrencialmente, inundarei e romperei
Quaisquer diques e serei finalmente um grande oceano."

("Vida Vívida", Masaharu Taniguchi)

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