Combate à corrupção: imperdível terça-feira, out 31 2006 

COMBATE À CORRUPÇÃO

FHC foi mais omisso que Lula e extinguiu comissão de investigação

Tucanos acreditavam que a melhor forma de combater a corrupção era reduzindo o tamanho do Estado. Para cumprir esse projeto, não se importaram em fazer vistas grossas ao que ocorria no interior e no entorno do governo federal.

Nelson Breve – Carta Maior

BRASÍLIA – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e seus seguidores do PSDB e do PFL não se cansam de apontar o governo Lula como conivente com a corrupção, que teria alcançado, segundo eles, uma escala jamais vista na história do país. A favor dessa acusação contam com o espetáculo das denúncias que ocorreram na atual gestão do governo federal. Da renovação do contrato da Caixa Econômica Federal com a multinacional Gtech (Caso Waldomiro Diniz) às licitações fraudulentas para compra de ambulâncias com recursos do Orçamento Federal (Esquema das Sanguessugas). Passando pelos repasses ilegais de recursos a partidos e parlamentares, a pedido de dirigentes do PT, por intermédio de um lobista, proprietário de uma agência de publicidade contratada pelo governo federal (Mensalão). Sem falar na frustrada tentativa de compra de um dossiê com recursos de origem desconhecida para atacar candidatos tucanos na campanha eleitoral (Caso Dossiê).

Contra a avaliação da oposição, ministros do atual governo arrolam o diagnóstico feito pelo insuspeito ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles na prestação de contas realizada no ano passado e publicada este ano pela Escola Superior do Ministério Público da União sob o título “Visão do Biênio 2003 – 2005”. Para ele, o afloramento dos casos de corrupção no atual governo foi uma decorrência de um inédito processo de interação entre os serviços de investigação da administração pública e o Ministério Público Federal. “O que acontece é que, pela primeira vez interagindo as instâncias governamentais de investigação e o MPF, a corrupção acumulada por décadas vem à mostra. (…) incisão é feita no tecido social apodrecido e o pus da corrupção é posto para fora, a olhos vistos”, reconhece Fonteles, registrando que o governo anterior alimentava o antagonismo entre essas instituições.

O governo anterior nunca teve um compromisso forte com o combate à corrupção. Isso não significa, necessariamente, que tenha ocorrido conivência com o roubo de dinheiro público, o tráfico de influência ou outros tipos de improbidade administrativa. Fernando Henrique e seus principais assessores acreditavam que a melhor forma de reduzir a corrupção na administração pública era reduzindo o tamanho do Estado. Para cumprir esse projeto, que consideravam mais apropriado aos tempos modernos, não se importaram em fazer vistas grossas ao que ocorria no interior e no entorno do governo federal. Os escândalos eram resolvidos com afastamentos e demissões, nunca com investigações independentes e profundas. Para executar com sucesso o plano de estabilização econômica e Reforma do Estado era necessário, na avaliação deles, não deixar ventos semearem tempestades. Por isso, controlavam com mão-de-ferro a Polícia Federal, o Ministério Público e o Congresso, não permitindo a instalação de CPIs incômodas.

Operações abafa
Não faltaram denúncias de corrupção no governo FHC. Primeiro foi o Caso Sivam. Denúncias de tráfico de influência derrubaram o embaixador Júlio César dos Santos e o ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Mauro Gandra. Depois foram os casos de intervenção do Banco Central nos Bancos Econômico e Nacional, que teriam funcionado por vários meses com ajuda federal, mesmo depois de quebrados. Agravado pelo Caso da Pasta Rosa, no qual o dono do Banco Econômico guardava a relação das contribuições de campanha que fazia pelo caixa dois, quase virou objeto de uma CPI. Mas o governo impediu que fosse instalada mesmo tendo as assinaturas necessárias. Caixa dois nas campanhas de para aprovar a emenda constitucional que permitiu a reeleição do presidente que estava no cargo, alterando as regras com o jogo em andamento.

O escândalo da privatização do Sistema Telebrás derrubou ministros e graduados funcionários do governo tucano, mas jamais foi apurado devidamente. Grampos telefônicos divulgados revelaram que o governo procurou direcionar o resultado do leilão, com irresponsabilidade administrativa e abuso de poder, no mínimo. E com o conhecimento do presidente, conforme declarações do próprio ministro das Comunicações da época, Luiz Carlos Mendonça de Barros, que posteriormente foi dirigente nacional do PSDB. “Porque tudo que está envolvido aí o presidente foi mantido a par… Evidentemente que nós não fizemos essa intervenção no consórcio sem avisá-lo. Foi uma decisão minha, do André, mas ele foi avisado porque era um negócio não normal”, revelou Mendonça de Barros em entrevista à revista IstoÉ. Alguém pode imaginar o que aconteceria com o presidente Lula se algum ex-ministro dele fizesse uma confissão semelhante?

A oposição até que fez barulho, tal qual os atuais oposicionistas. Denunciaram, colheram assinaturas para instalação de CPI. Mas, em nome da governabilidade, até porque o país tinha acabado de ver sua moeda desvalorizada em cerca de 20% e estava sob forte instabilidade econômica, foram usados todos os métodos do receituário governista para impedir uma investigação, especialmente no âmbito do Congresso. “CPI é palanque eleitoral’, justificavam, os líderes governistas da época. O governo teve de usar, inclusive, uma manobra que chega ao cúmulo do absurdo. Manteve funcionando por anos na Câmara algumas “CPIs fantasmas”, como as da crise da borracha e da TORMB, que vem a ser uma taxa paga pela produção de borracha. Essas CPIs, que não produziram resultado algum em benefício do país, bloquearam a instalação de outras com o objetivo deliberado de impedir a instalação da CPI da privatização da Telebrás. Investigação, mesmo, só sobre a origem dos grampos ilegais que revelaram os crimes cometidos por funcionários públicos que conduziam a maior privatização da história do país.

Teve ainda as falcatruas na Sudam e na Sudene, os ralos do DNER, o rombo da Encol, os desvios de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e as operações de socorro aos bancos Marka e FonteCindam, que foram surpreendidos com a desvalorização cambial de janeiro de 1999 porque o canal de informações privilegiadas com que contaram por muito tempo falhou. Sem falar no caso do lobista que denunciou extorsão por parte de funcionários do Ministério da Saúde na gestão do ex-ministro José Serra e acabou acusado de oferecer propina para facilitar a compra de medicamentos de determinados laboratórios. Não há registro de que alguém tenha sido condenado por quaisquer desses casos. Simplesmente porque eles nunca foram apurados com seriedade.

Fim do controle externo
Essa determinação de abafar os escândalos de corrupção pode ser originalmente percebida em um dos primeiros gestos de FHC. Duas semanas após assumir a Presidência, em 1995, ele extinguiu, por decreto, a Comissão Especial de Investigação (CEI), instituída no governo Itamar Franco e composta por representantes da sociedade civil, que tinha como objetivo investigar um conjunto de denúncias de corrupção e propor medidas para combater os desvios de conduta na Administração Pública. A Comissão havia sido criada pelo presidente Itamar Franco no calor da CPI do Orçamento e da pressão do Movimento pela Ética na Política (OAB, ABI, CNBB, CUT, PNBE). Foi a primeira experiência de controle social, externo, da corrupção, em contraposição ao controle corporativo. Era independente e com amplos poderes para ajudar a sanear a administração Pública Federal. Instalada em 4 de fevereiro de 1994, tinha poderes para determinar suspensão de procedimentos ou execução de condutas suspeitas, recomendar investigações, auditorias e sindicâncias e propor ao presidente da República providências, inclusive legislativas, para coibir fatos e ocorrências contrárias ao interesse público.

No fim do governo Itamar, a CEI apresentou um relatório mostrando a tipologia das fraudes praticadas em três ministérios. A formulação de custos excessivos pela Gerencia de Custos Rodoviários do DNER para usar como referência nas licitações e elaboração do orçamento, causando superfaturamento; aditamento de contratos; inexistência de fiscalização de obras e serviços; fraudes em convênios de repasses de recursos a estados e municípios; pacotes fechados das empreiteiras, que ofereciam obra a prefeitos com promessa de financiamento da Caixa, faziam edital de concorrência e se responsabilizavam pela liberação dos recursos, que tinham acréscimos de até 300%. A Comissão já apontava, no fim de 1994, problemas nas contas CC5, de estrangeiros, indicando remessas suspeitas de lavagem de dinheiro no valor de US$ 11 bilhões.

Na Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde as denúncias já haviam derrubado vários dirigentes por supostos pagamentos de propinas e falsificação de assinaturas para registro de alimentos, medicamentos e cosméticos. Na época, doze mil produtos aguardavam registro no Ministério da Saúde para serem comercializados. No inquérito da CEI sobre a SVS, a indústria farmacêutica aparecia como suspeita de práticas de corrupção. Porém, a Comissão foi extinta sem que tivesse sido concluído nenhum dos inquéritos que apuravam as denúncias do setor. Eis aí o embrião dos esquemas que resultaram nas sanguessugas e vampiros e que já vinha impregnado desde o governo Collor. As primeiras denúncias do tráfico de influência de PC Farias ocorreram no Ministério da Saúde.

Corrupção endêmica
O relatório elaborado pelo professor Candido Antonio Mendes de Almeida, reitor da Universidade Candido Mendes, do Rio de Janeiro, concluía que a corrupção não é uma questão de governo, mas de Estado. Além de vontade política para instituir mecanismos permanentes de combate à corrupção sistêmica, o governo deveria tratá-la como política de combate à criminalidade e convocar a cidadania para assumir o seu papel de controladora social nessa luta. “É imprescindível que a sociedade tome consciência de que a corrupção é um fenômeno permanente, latente na estrutura do poder estatal. A luta contra ela, portanto, não se esgota na identificação de seus focos e punição de corruptos e corruptores. Ao invés, é ampla e envolve um constante esforço no sentido de retemperar e preservar, na coletividade, o sentimento de integridade pública”, constatava o relatório da CEI.

No entanto, além de extinguir a Comissão por meio do decreto 1.376/95, o presidente FHC engavetou o Código de Ética Profissional dos Servidores Públicos instituído pelo antecessor e acabou com as comissões de ética que já estavam instaladas nos ministérios. O acervo documental proveniente de diligências e investigações realizadas pela CEI deveria ficar sob a guarda do Ministério da Justiça e a Secretaria Federal de Controle do Ministério da Fazenda (antecessora da Controladoria-Geral da União) ficaria encarregada dos procedimentos sobre diligências e investigações, a propósito de fatos, atos e contratos, relativos a órgãos ou entidades da Administração Pública Federal direta e indireta.

Em discurso proferido no Senado em 14 de setembro de 1995, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse que ainda no início do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, disse-lhe pessoalmente que sua assessoria o havia levado a “cometer um equívoco, que foi o de extinguir a Comissão Especial de Investigação – CEI, no combate à corrupção na coisa pública”. Ele lembrou que Itamar Franco havia deixado com o sucessor os dossiês com os 47 processos que haviam sido apurados. “A um pedido meu de informação, a resposta veio do Ministério da Justiça: extinguiu a CEI, extinguiu a Comissão. Sem mais nem menos, sem explicar por que, baixou um decreto extinguindo a Comissão. Mandou os processos, dizem, para o Ministério da Justiça. Pergunto ao Ministério da Justiça e este me responde que ainda não os recebeu. São 20 caixas que estão lá no Ministério da Administração. Fui ao presidente e aconselhei-lhe reabrir a CEI. Argumentei: é um grupo que vossa excelência escolherá, será composto de pessoas do mais alto gabarito, pessoas de fora do governo e de sua confiança, diretamente ligado a vossa excelência, para que vossa excelência não fique sabendo, a posteriori, através dos jornais, o que está acontecendo. Nenhuma palavra (de FHC)”, relatou Simon, que naquela oportunidade apontava quatro casos de denúncias de condutas incompatíveis envolvendo conflitos de interesses de funcionários de alto escalão do governo.

A crítica do senador é compartilhada pelo advogado Modesto Carvalhosa, um dos brasileiros notáveis que integrou a Comissão. Na introdução do Livro Negro da Corrupção, onde são publicadas na íntegra os relatórios da CPI de PC Farias e da CEI sobre a corrupção na Administração Pública Federal, ele considera que a forma mais efetiva de combate à corrupção é o controle social sobre os fatos e contratos administrativos e suas conexões com o mundo político. “Não obstante, o presidente FHC ao extinguir a CEI logo na primeira semana de seu governo, sem ouvir qualquer segmento da sociedade civil, eliminou esse controle social, entregando o precioso acervo de provas e conclusões da CEI à ‘guarda’ do mais acendrado corporativismo incrustado nos Ministérios da fazenda e da Justiça, para onde foram remetidas”, condenou Carvalhosa.

A despeito dessas considerações feitas na vigência do governo anterior, outro integrante da mesma Comissão não acredita que a instituição de um colegiado como aquele traga eficácia ao combate à corrupção nos tempos atuais. Trata-se do relator daquela CEI, professor Candido Mendes, que considera que a corrupção tornou-se um fenômeno social total, impregnado nas instituições governamentais e na sociedade. Para ele, o Brasil vive um “estado devastador de desmoralização cívica”, no qual até a noção de combate à corrupção está mais desmoralizada, até por conta do fracasso das CPIs que investigaram todo tipo de denúncia contra o governo Lula no Congresso, mas não foram capazes de punir “mensaleiros e sanguessugas”. Mendes elogia a atuação da Polícia Federal “que averigua e algema”, considerando essa mudança de perfil a “grande vantagem e evolução deste governo”. E aponta o Poder Judiciário como a esperança da sociedade e o alvo da pressão social. “A situação é muito desalentadora. Não é com comissões do Executivo e do Legislativo que vai resolver isso. Vai ter que ser resolvida no campo dos movimentos sociais, com ação popular e pressão direta sobre o Poder Judiciário”, aconselha o professor.

Leia também:
• Reflexões sobre a experiência vivida na CEI, por Modesto Carvalhosa

Fonte: http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=12687

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Psicopatas ofendidos tendem a fingir-se de correspondentes terça-feira, out 31 2006 

Xô, parasitas!
Sente necessidade de provar algo?
Comigo, não, violão!
Não estou disponível para qualquer um, muito menos para quem tem nível intelectual de substrato de pó de ameba.
Ameba se reproduz de forma assexuada!
Xô!
 

E-mail: um novo gênero textual terça-feira, out 31 2006 

Sou alérgica a parasitas – sempre são covardes – que entram de gaiatos em listas de correspondências, conseguem furtar endereços de correspondentes, inserem recursos para nos acompanhar e outros crimes. Ao procurar por normas, etiquetas de envio de mensagens eletrônicas, encontrei este esclarecimento muito interessante, que vale a pena ser visitado e lido:
 
 
 

Formiga e gafanhoto: fábula adaptada quarta-feira, out 25 2006 

Estive à procura, na Internet, da adaptação da fábula "A cigarra e a formiga" para "A formiga e o gafanhoto", porque queria tê-la como pano de fundo para trabalhador X aventureiro.
Foi interessante observar que, em todos os blogs onde essa adaptação foi incluída, não há menção de autoria, mas num deles há menção à colaboração de uma determinada pessoa.
Observei, também, num dos blogs, uma interpretação como sendo uma "forçada" para justiça social. Não li o texto todo, apenas a introdução, e posso estar enganada sobre o fato de considerá-lo como crítica ao socialismo.
Entretanto, desde a primeira vez em que li a adaptação da fábula intitulada "A formiga e o gafanhoto", entendi como sendo os oportunistas, os parasitas que, sem plantar, querem colher os frutos e chegam a processar quem plantou, porque são "uns injustiçados".
Se quem plantou não roubou nem matou para isso, o fruto pertence a quem plantou.
Se quem comprou a colheita, vende a quem a beneficia, e essa colheita passa de mão em mão e chega ao consumidor final por um valor muito maior do que aquele que foi comprado, somando-se as taxas de impostos e os lucros, então, sim, temos os famosos intermediários, aqueles que, gafanhotos, prejudicam o consumidor final, que paga a conta de todos os intermediários que precederam à compra final.
Todavia, esse não é o problema que eu queria tratar, eu queria chamar a atenção para os aventureiros (corruptos e parasitas) psicopatas que se metem onde não foram chamados e, pelas características psicopáticas, acreditam ser os que devam ganhar sem nada fazer.
Dou um exemplo prático: tenho um imóvel perfeitamente legalizado e sem débitos de taxas muncipais e de consumo de água e de eletricidade. Coloco esse imóvel para alugar e o mais seguro é por meio de uma imobiliária. 
Pelas péssimas experiências até a presente data, fico com todos os prejuízos e a imobiliária e o inquilino se sentem injuriadas, porque estão fazendo um imenso favor para mim, visto que o imóvel estava fechado – com consumo mínimo de água e de luz sendo pagos religiosamente – e é muita audácia de minha parte exigir que tanto o inquilino quanto a imobiliária cumpram seus deveres, apresentem os documentos em ordem – os do imóvel do exemplo foram todos apresentados, bem como os recibos de contas de água e de luz quitados – e os gafanhotos têm a audácia de se dirigir a outros membros da família, que nada sabem das falcatruas do inquilino e da imobiliária, porque "comigo não tem condição de diálogo, não tenho jogo de cintura, é preciso discutir com calma", mesmo tendo passado meses de espera por solução do que não foi providenciado, ou seja, de nada acontecer para garantir o cumprimento do contrato de aluguel. Contrato? Cadê a cópia dele, do laudo de vistoria, das assinaturas com firmas reconhecidas?
Outro exemplo é o referido imóvel, antes de ser alugado para gafanhotos, por meio de outros gafanhotos – porque é um risco muito grande alugar sem intermédio de gafanhotos, deixe os problemas conosco, nós os resolveremos e, findo o contrato, com os gafanhotos locatários devendo um ano de água, luz cortada, aluguéis atrasados, a formiga ter que recorrer a, no mínimo, três advogados, até aprender, otária, que poderia ter resolvido o assunto, sem pagar por despesas de custas e de advogados, ao denominado popularmente "pequenas causas" e todos os gafanhotos terem ganho dinheiro, menos a formiga – é haver, antes do aluguel, um interessado em alugar o imóvel, de olho na propriedade inteira em que esse imóvel está localizado, com grandes planos, mas sem dinheiro, para explorar esse imóvel, devendo aluguel pessoal.
Não sei se me fiz entender, mas gafanhoto, na cadeia alimentar, deve ter algum valor (é prato típico de habitantes do deserto, acho), mas para nossa lavoura é uma praga. Para a civilização dos trabalhadores (e aí não é nenhuma conotação partidária) é uma desgraça.
Já leram algo a respeito do ladrão que, ao invadir uma casa foi mordido pelo cão e processou a vítima de invasão porque ficou ferido?
Quer exemplo mais inteligível de gafanhoto do que aquele que, desesperado por trabalhar, após alguns meses começa a se sentir prejudicado, o salário é pouco – apesar de todos os direitos trabalhistas estarem garantidos – e decidir "danar" a empresa e o empregador, porque gafanhoto é aventureiro, aventureiro é parasita, parasita é psicopata?
Não está contente com o serviço? Procure outro, de preferência aquela conotação pejorativa de "emprego". De nada adianta fazer "fusquinha" para quem lhe deu uma oportunidade em seu momento de desespero, porque a casa em que mora – de graça – bem como o consumo de água, de luz não lhe é cobrado, mas a casa não fica num condomínio, ora, bolas, nem pode "negociar" dentro do serviço nem usar e abusar do que é de propriedade da formiga.
É a velha história: aventureiros danam a vida de trabalhadores, assim como os gafanhotos danam as plantações de trabalhadores.
  

Aos corruptos que sempre se utilizaram do expediente de “laranjas” terça-feira, out 24 2006 

Viu como foi bom ter operações da Polícia Federal que deixaram a elite indignada?
Se não tivessem acontecido, como teriam vindo à tona as operações criminosas do PT? 
Ups! Terão as falcatruas do PT vindo à tona por vingança? "Vocês contaram nossos podres, agora os seus serão contados"? Ups!
Quero mais briga de foice no escuro como essas.
Na metrópole de Itu, "otoridades" civis, militares, eclesiásticas e representantes de todos os poderes fizeram passeata, carreata, moções de apoio, declarações em jornal em favor de empresas psicopatas piolhentas: eram os piolhentos, provavelmente apavorados de serem incluídos como "laranjas", que ganhavam dinheiro, inclusive por meio de "investimento em esportes"! Empresas psicopatas mandam seus lacaios desfilar com veículos identificados – ou não, mas muitos com vidros negros, como aqueles que são usados como carros funerários – para circular pelas estreitas ruas da metrópole, mal cabem nelas, e, ostensivamente, demonstrar que estão "de olho"!
 
Mais duas colocações, antes de entrar no mérito da nota de "Folha de São Paulo".
Clodovil Hernandes sempre afirmou que quem vive de fachada é igreja histórica de Minas Gerais, obviamente, querendo incluir todas as pessoas que vivem de falcatruas e atuam como "laranjas" também.
Aprendemos, em "O poderoso Chefão" e em filmes policiais que a melhor maneira de se descobrir os integrantes da quadrilha do "falecido" é acompanhar os funerais.
 
Segue apenas parte da nota que se refere a esses comentários, mas que os "humildes laranjas" deverão responder por seus atos inescrupulosos, deverão: afinal, Justiça é para todos e receber dinheiro fácil por emprestar "documentos" para acobertar crime apenas demonstra que "piolhentos" (os lesados pela corrupção de 500 anos) sabem, muito bem, como ganhar dinheiro fácil.
 
Humildes não se curvam, até que o "bumbum" apareça, para ganhar dinheiro fácil. Humildes são otários e, quando encontram carteira com dinheiro, procuram entregar a quem pertence, mesmo que, de repente, a carteira pertença a alguém que não seja honesto (recheada de dólares não declarados).
 
Na metrópole de Itu, há, ainda, botecos de "fachada" para acobertar transações ilícitas, enquanto os alunos de escolas públicas ficavam sem as verbas para a educação (que dependem dos impostos, IMPOSTOS PORQUE SÃO IMPOSIÇÕES, EXIGÊNCIAS, considera-os ilegais? utilize seu aparato judicial para combatê-los e ajudar as microempresas a sobreviver, caramba!) e à mercê de profissionais da educação cada vez menos aptos, o que se tornou um círculo vicioso, pois criou muitos "piolhentos", tais como aquele trombadão que, junto com a mãe, na rua, na tarde de 20/10/2006, jogou, a meus pés, uma folha de propaganda amassada. O que o lacaio do crime organizado quis dizer com isso? Que é um soldadinho do crime organizado? Como se eu não soubesse disso, trombadão piolhento, acompanhado da pistoleira e mais integrantes da quadrilha, num bloco de gente que, nas calçadas, lembra hostes de hunos, godos e visigodos invadindo espaço dos outros. Quem gritou "piolhento" para você fui eu, porque jogou lixo aos meus pés. E eu espero outra coisa do crime organizado e dos piolhentos?
 
Estou no aguardo de que outras operações peguem não só os integrantes de todos os partidos políticos existentes no Brasil que fazem parte do crime organizado, como também outras empresas psicopatas da metrópole de Itu. Serão dias de glória! Os calhordas que vivem de dinheiro público distribuído para acobertar os que roubam esse dinheiro público da população honesta, os 10% da metrópole: 50% passam a mão no dinheiro, 40% fingem que não vêem, 10% vivem sob a ameaça do crime organizado, que os difama, injuria e calunia, além de praticar assédio moral, como segurar esses 10% em portas giratórias de banco, sob a mira de "empregados", dentre eles, muitos piolhentos, de empresas de segurança, também de origem duvidosa, com psicopatas nos vigiando do outro lado das câmeras, vigiando-nos pela televisãozinha e se masturbando pelo "puder" a eles conferidos?
 
O, yeah, fui, novamente, barrada, por três vezes, na porta giratória de um banco, desta vez, da Caixa Econômica Federal, 23/10/2006, com "empregados" uniformizados, mas não podia ficar, para esperar na fila e falar com o gerente para saber qual é o nome, endereço e irresponsável pela empresa de segurança que, muito provavelmente, não está legalizada. Depois, matam alguém por causa do despreparo ou a mando do crime organizado e tudo fica como antes no quartel de Abrantes.
 
Eu, uma caipira que mora numa metrópole!
 

23/10/2006 – 19h31

PF identifica "laranjas" que compraram dólares para dossiê

Por Áureo Germano

BRASÍLIA (Reuters) – A Polícia Federal já identificou um grupo de pessoas que teriam sido utilizadas como "laranjas" na aquisição dos dólares que serviriam para a compra de um dossiê com informações contra candidatos do PSDB.

Segundo uma fonte ligada à investigação, a PF tenta, agora, agendar o depoimento destes supostos "laranjas" no inquérito que apura o caso, o que poderá ocorrer ainda esta semana.

O grupo, de acordo com o informante, é composto por pessoas de uma mesma família, de origem humilde, residente no subúrbio do Rio de Janeiro.

Os documentos dessas pessoas podem ter sido utilizados sem a autorização delas para a compra dos US$ 248,8 mil apreendidos no dia 15 do mês passado juntamente com R$ 1,1 milhão. O dinheiro estava em poder de Valdebran Padilha e Gedimar Passos em um hotel na capital paulista.

"Temos de ouvir esses ‘laranjas’ para saber a verdadeira origem do dinheiro que seria usado na negociação", explicou a fonte.

DÓLARES

A maior parte do montante em moeda americana foi adquirido, segundo a fonte, na Vicatur Câmbio e Turismo Ltda, uma agência de turismo instalada em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.

O policial destaca, no entanto, que o fato de parte dos recursos ter sido adquirida nessa casa de câmbio não significa que ela esteja envolvida em irregularidades.

A PF já recebeu do Banco Central todas as informações relativas à Vicatur. A empresa está em atividade há cerca de 20 anos e, desde abril de 1999, possui autorização para comercializar dólares.

 

O corrupto é, antes de tudo, um psicopata sábado, out 21 2006 

O CORRUPTO É, ANTES DE TUDO, UM PSICOPATA

Em julho de 2006, edição 228 de Superinteressante, Editora Abril S. A, texto de Leandro Narloch intitulado "Seu amigo psicopata", a cabeça do corrupto foi desvendada, no meu modo de entender, tornando o aventureiro um, na verdade, psicopata, pois há cinco milhões de brasileiros incapazes de sentir emoções, podem até matar sem culpa e estão incógnitos ao nosso lado. Não é fácil identificá-Ios, pois não têm crises como doentes mentais; o transtorno é constante, ao longo da vida; outras funções cerebrais, como a capacidade de raciocínio não são afetadas e algumas características são evidentes:

– capacidade de mentir = todo mundo mente, mas psicopatas fazem isso o tempo todo, com todo mundo, inclusive com eles mesmos;

– espertos, não se contentam só em dizer que são neurocirurgiões, por exemplo, sem nunca ter completado o colegial: usam e abusam de termos técnicos das profissões que fingem ter;

– o diagnóstico de transtorno antisocial depende de um exame detalhado, mas dá para perceber características de um psicopata num falso médico que, além de mentir, mostra ausência de culpa quando descoberto, não se considera fazendo nada de errado, só queria fazer o bem aos pacientes;

– um dos atributos-chave de um psicopata, portanto, é ser "cabeça fresca", irresponsável, não ter pesos na consciência;

– justamente por acreditar que não fazem nada de errado, repetem seus erros, pois psicopatas costumam reincidir 3 vezes mais que criminosos comuns – afirma Hilda Morana, que traduziu e adaptou a escala Hare para o Brasil – e mais: acham que estão imunes a punições;

– pessoas comuns, afirma o neurocientista James Blair, mudam a estratégia quando não obtêm recompensa, mas crianças e adultos com tendências psicopáticas continuam a ação, mesmo sendo repetidamente punidos com a perda de pontos,  por exemplo, porque os sociopatas não aprendem com punições; quando crianças, não adianta dar-Ihes palmadas;

– James Blair, autor de um livro, sem edição brasileira, intitulado The Psychopath Emotion and Brain (tradução literal : "O psicopata – emoção e cérebro") afirma; psicopata é gabola, orgulha-se das ações criminosas: pode ser o marido que trai a mulher e se gaba disso; pode ser um assassino que, pela característica de propagandear os atos criminosos, confessa um assassinato, contam detalhes do assassinato, cheio de orgulho; trata as pessoas como "coisas" e isso acontece, porque, simplesmente, não assimila emoções;

– criminosos comuns têm reações, diante de cenas ou sons que demonstrem ou lembrem desumanidade; psicopatas não apresentam, sequer, variação de batimento cardíaco; têm dificuldade de nomear expressões de tristeza, medo e reprovação em imagens de rostos humanos; outros estudos ligaram psicopatia com a falta de nojo e problemas em reconhecer qualquer tipo de emoção na voz das pessoas;

– são incapazes de enxergar e sentir emoções; não as enxergam nem as sentem, pelo menos do mesmo jeito que os outros fazem; em vez disso, só teriam o que os psiquiatras denominam proto-emoções, sensações de prazer, euforia e dor menos intensas que o normal; o que os impede de se colocar no lugar dos outros (empatia);

no livro No ventre da besta cartas da prisão, o escritor Jack Abbott descreve, com honestidade, o que acontece na sua cabeça de psicopata: "Existem emoções que eu só conheço de nome. Posso imaginar que as tenho, mas, na verdade, nunca as senti";

– a crença de que tudo é causado por famílias instáveis ou condições sociais pobres nos faz fingir que o problema não existe, afirma Hare; para a neurologia, os circuitos do cérebro de um psicopata são fisicamente diferentes dos de uma pessoa normal;

– no ano 2000, o neuropsiquiatra Ricardo de Oliveira Souza e o neurologista Jorge Moll Neto identificaram, com imagens de ressonância magnética, as partes do cérebro ativadas, quando as pessoas fazem julgamentos morais: os participantes da pesquisa tiveram o cérebro mapeado enquanto decidiam se eram certas ou erradas frases como "podemos ignorar a lei quando necessário" ou "todos têm direito de viver", além de outras de julgamento moral, como "pedras são feitas de água"; a maioria dos voluntários ativou uma área bem na testa, chamada Broadmann 10, ao responder às perguntas; o estudo foi repetido, em 2005, com pessoas identificadas como psicopatas e descobriu-se que ativam menos essa parte do cérebro, o que origina a incompetência para sentir o que é certo e o que é errado; resta saber se são deficiências genéticas ou surgem após o nascimento;

– sabe-se, hoje, que boa parte da estrutura cerebral se forma durante a vida, sobretudo na infância, mas os cientistas buscam uma causa genética porque a psicopatia parece surgir independentemente do contexto ou da educação; psicopatas também surgem em famílias equilibradas, são irmãos de pessoas normais e deixam os pais perplexos, perguntando-se onde foi que erraram;

– James Blair afirma que estudos com pessoas da mesma família, gêmeos e filhos adotados, indicam que o comportamento dos psicopatas e as disfunções emocionais são hereditárias, mas, mesmo quem defende uma origem 100% genética para a psicopatia não descarta a importância do ambiente: a criação seria fundamental para determinar que tipo de psicopata uma pessoa com tendência será; fatores sociais e práticas familiares influenciam no modo como o problema será expresso no comportamento; por exemplo: psicopatas que cresceram sofrendo ou presenciando agressões teriam uma chance bem maior de usar essa "habilidade" psicopática para matar pessoas; é citado o exemplo de Charles Mason, filho de uma prostituta alcoólatra, com características sociopatas, Mason não estava presente ao massacre que vitimou, entre outras pessoas, a atriz Sharon Tate, grávida de 8 meses, porém usou sua capacidade de liderança para convencer o grupo de seguidores a realizar o massacre;

– já os que se originam de famílias equilibradas e viveram uma infância sem grandes dramas teriam uma probabilidade maior de se transformar naqueles que mentem, trapaceiam, roubam, mas não matam; isso inclui mais de 70% dos psicopatas diagnosticados;

– não é motivo de alívio, pois se infiltram na política, em igrejas ou em grandes empresas: são citados os exemplos do político absurdamente corrupto que é adorado por eleitores, cativa jornalistas durante entrevistas, não entra em contradição nem parece sentir culpa por ter recheado suas contas bancárias com dinheiro público, o do líder religioso que enriquece às custas de doações de fiéis, porque costumam se dar bem em ambientes pouco estruturados e com pessoas vulneráveis; agem como cartomantes, pais de santo, líderes messiânicos; psicopatas não tão fanáticos, mas com a mesma falta de escrúpulos, também estão em grandes empresas, sugando dinheiro e tornando a vida dos colegas um inferno;

– a habilidade de mentir despudoradamente, sem levantar suspeitas faz com eles se dêem bem já nas entrevistas de emprego;

– o charme que simulam ajuda a conquistar a confiança dos chefes e a pressionar para que colegas que atrapalham sua ascensão profissional acabem demitidos; não raro, costumam ocupar postos hierárquicos mais altos;

– Hare, que escreveu juntamente com Babiak o livro Snakes in suits when psycopaths go to work (inédito no Brasil, tradução literal: "Cobras de terno ­quando os psicopatas vão trabalhar"), afirma que, certamente, há mais psicopatas no mundo dos negócios do que na população em geral; para ele, sociopatas corporativos são responsáveis por escândalos como o da Enron, em 2002, quando a empresa norte-americana mentiu sobre seus lucros para aumentar os preços das ações; que o poder de controle sobre os outros tornam grandes empresas atraentes para os psicopatas;

– sobre o que fazer, o texto se encaminha para a conclusão de que os psicopatas são, tecnicamente, incapazes de frear seus impulsos, mas isso não significa que não devam ser responsabilizados pelo que fazem; que psicopatas têm plena consciência de que seus atos não são corretos – afirma Hare – apenas não dão muita importância para isso; se cometem crimes, devem ir para a cadeia como outros criminosos;

– todavia, até depois de presos psicopatas causam mais dores de cabeça que a média dos criminosos, pois tendem a se transformar em líderes e agir no comando de rebeliões, por exemplo, mas nunca aparecem, sabem como manter suas fichas limpas e acabam saindo mais cedo da prisão;

– por causa disso, a psiquiatra forense Hilda Morana, em 2004, foi a Brasília tentar convencer deputados a criar prisões especiais para psicopatas; conseguiu fazer a idéia se tornar um projeto de lei, mas não foi aprovado;

– nas prisões brasileiras, não há procedimento de diagnóstico de psicopatia para os presos que pedem redução de pena e a realidade prova que países que aplicam o diagnóstico têm reincidência dos criminosos diminuída em dois terços, já que mantêm mais psicopatas longe das ruas;

– tampouco há procedimentos para evitar que psicopatas entrem na polícia – uma instituição teoricamente tão atraente para eles quanto as grandes empresas; também não há testes de psicopatia na hora de julgar se um preso pode seguir para um regime semi-aberto;

– nas escolas, professores não estão preparados para reconhecer jovens com o transtorno;

– para o psiquiatra João Augusto Figueiró, de São Paulo, mesmo dentro da psiquiatria existe pouca gente interessada no assunto, já que os psicopatas não se reconhecem como tal e, dificilmente, mudarão de comportamento durante a vida; não existem tratamentos comprovados nem remédios que façam efeito;

– mais grave ainda: quando levados a consultórios, os psicopatas ficam piores, pois adquirem o vocabulário dos especialistas e se munem de desculpas para justificar o comportamento quando for necessário;

– diante da falta de perspectiva de cura, quem convive com psicopatas no dia-a-dia opta por vigiá-los o máximo possível; no entanto, quando esse papel cabe aos pais, a incerteza é a respeito do momento em que faltarem, quem fará esse papel.

Como funciona a cabeça do aventureiro sexta-feira, out 20 2006 

COMO FUNCIONA A CABEÇA DO AVENTUREIRO

Pelo fato de o aventureiro ser, antes de tudo, um corrupto, numa paráfrase a Euclides da Cunha, em Os sertões, sobre o sertanejo ser, antes de tudo, um forte, ao constatar, pessoalmente, que as notícias que chegavam ao, então, sul do país – sobre os conflitos em Canudos, com os sertanejos liderados por um profeta desvairado, Antônio Conselheiro- eram desvirtuadas pelo poder político vigente, dissecarei, com auxílio do texto de Superinteressante citado abaixo, a psique do corrupto, para atribuir os mesmos vícios aos aventureiros e, pior, pelo fato de haver cinco (5) milhões de psicopatas no Brasil, os aventureiros só podem encaixar-se na classificação de psicopatas.

Em outubro de 1993, na edição de número 73, revista Superinteressante, Editora Abril S. A., a jornalista Judith Patarra, assim contribuiu para o meu entendimento de Como funciona a cabeça de um corrupto, que adaptei para Como funciona a cabeça do aventureiro:

– astucioso, egoísta, alerta às chances de burlar os cidadãos e o Estado, espantoso desrespeito ao bem comum e pelas leis;

– o psicanalista Manoel Tosta Berlinck, de São Paulo, provocava, no mesmo texto, perguntando: quem, afinal, são os corruptos? Aqueles que trabalham para o governo e se apropriam dos bens públicos? Os profissionais liberais que não declaram, integralmente, seu imposto de renda? O chefe de compras que aceita propina para escolher o fornecedor da empresa onde trabalha? Toda a população, enfim, porque não exige nota fiscal ao fazer suas compras e facilita aos comerciantes lesar o fisco?

– o advogado Marcelo Caserta Lemos aproveita, nesse texto, para lembrar o conceito jurídico de corruptíssima república: ele expressa que a abundância de leis torna corrupta a organização da coisa pública;

– no caso, por exemplo, de um fiscal da prefeitura, que descobre um imposto atrasado numa determinada empresa e insinua uma propina para resolver tudo, pois "há um grande espaço de avaliação nas perdas de prazo", num escritório de arquitetura, e o contador contratado pela arquiteta sugere o pagamento da propina, pois, dali dois meses, aparecerá outro fiscal e que os múltiplos impostos municipais, estaduais e federais, com datas e procedimentos diferentes de pagamento, induzem à perda de prazos e o fiscal encontrará outro imposto atrasado é o exemplo de corruptíssima república que, por sua vez, favorece não só a impunidade, mas também a perpetuação da fama de que todo fiscal é corrupto e corruptível, salvo eloqüente prova em contrário;

– um fiscal lotado numa administração regional, na época do texto, contra-­argumenta, muito bem: ninguém se preocupa se uma obra prejudica os vizinhos ou se o beiral está para cair na cabeça de alguém; que quando os fiscais chegam, são, sempre, mal recebidos, alguém quer logo dar um jeitinho; os fiscais explicam as exigências da lei e o pensamento é de que estão insinuando extorsão, os fiscalizados ameaçam;

– que, às vezes, o fiscal é mesmo corrupto, uma só das multas que deve aplicar representa dez, vinte vezes o que ele ganha por mês, que os fiscais municipais [em 1993] não têm carreira profissional nem chefia própria;

– Contardo Calligaris, psicanalista lacaniano, de Porto Alegre, coloca que existem contextos culturais que ajudam a formar cabeças corruptas; que o Brasil destaca­-se nessa triste situação não só porque é forjado na cultura individualista, mas por sua História, sempre vulnerável à corrupção; insiste em que a história de um país explica muita coisa, pois é fruto de uma cultura específica: instituições, organização social, costumes, crenças, mitos; que no exercício de sua profissão, detectou, na fala e no inconsciente dos brasileiros, a presença de duas figuras supostamente perdidas no passado: o colonizador e o colono = o colonizador abandonou a mãe-pátria, Portugal, por uma nova terra, que vai explorar e explorar significa conhecer e também arrancar seus recursos; o colonizador veio impor sua língua e gozar a nova mãe, sem o interdito do pai [é o aventureiro, portanto, com base no mito de Édipo]; que o colono, ao contrário, não veio gozar a América, queria construir um nome, encontrar um novo pai, ser sujeito [portanto, é o trabalhador];

– explica-nos, Calligaris, que ser sujeito é submeter-se à autoridade e tornar-se alguém; que autoridade implica respeito e amor, valores simbólicos, mas o colono vira um escravo branco da fazenda, o que gera uma decepção sem remédio; a saída é fugir ou morrer; o falso pai é um explorador, não o assume como filho nem lhe dá um nome; o colono termina medindo a função paterna pelo gozo ao qual dá acesso, inscrevendo em seu inconsciente um cinismo radical em relação à autoridade; que Calligaris fica impressionado como uma família inteira, hoje, é capaz de desconsiderar um pai que não consegue enriquecer; que pouco vale o capital incrível de amigos, o valor de um nome respeitado;

– Berlinck segue a mesma trilha de raciocínio e afirma que nossa sociedade exige que as pessoas sejam bem-sucedidas; isso significa ser rico, poderoso, acumular propriedades; que saímos, todos, atrás disso, mais desembestados do que deixamos transparecer;

– o quadro piora quando pensamos nos políticos, nos funcionários do Estado, que representam a autoridade simbólica [o pai que interdita os filhos de agirem de modo antiético, dando bons exemplos de atitudes éticas]; mas, em boa parte, são como o colonizador, falsos pais, norteados pela frase famosa "é dando que se recebe"; a dádiva é que sustenta o poder do doador, impondo a quem recebe o dever de retribuir com dádiva semelhante ou maior; que é assim que se abrem as portas do clientelismo, fenômeno social em que os políticos oferecem, em troca de apoio eleitoral, toda sorte de ajuda e favores; monta-se uma rede de fidelidades pessoais que usa recursos públicos ou privados, sacos sem fundo de campanhas eleitorais, por exemplo;

quem fica fora de uma rede dessas, fatalmente, vai ouvir, em algum momento, o retumbante "sabe com quem está falando?";

– de acordo com a antropóloga Maria Lúcia Montes, da Universidade de São Paulo, quem funciona contra essa cultura é considerado excêntrico, criador de caso, trouxa, babaca; que, como fruto do clientelismo, a cabeça do brasileiro tende a buscar benefícios, valendo-se da influência de alguém; que, nesse caso, é bobagem reivindicar direitos por mérito; que tudo se torna legítimo, pois, ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão;  

– Roberto DaMatta acredita que a sociedade brasileira combina duas mitologias: uma se inspira na tradição moderna, da igualdade e da liberdade; a outra, na desigualdade; ao adotar ambas, instituiu-se a nossa ética da ambigüidade, mãe de nossa familiar corrupção, ou seja, o que não posso fazer como cidadão, faço como amigo do rei;

– a malandragem chegou a tais níveis que o brasileiro, hoje, clama por ética sem ambigüidade;

– para Renato Janine Ribeiro, professor de Filosofia Política da USP, as pessoas querem referências para saber o que é certo e errado; isso é um equívoco, porque ética significa agir de acordo com escolhas individuais, que se supõe voluntárias, muitas vezes racionais, baseadas em valores que nós julgamos certos ou errados;

– usa "supõe-se", porque depois dos trabalhos de Sigmund Freud, o pai da Psicanálise (1856 – 1939), sabe-se que, freqüentemente, não temos muita clareza acerca de nossas motivações inconscientes; além disso, os valores de certo e errado mudam com o tempo; não há mais preceitos absolutos; mesmo pessoas religiosas sabem que os mandamentos bíblicos não bastam para sustentar as escolhas éticas;

            – para esclarecer essa incerteza em relação a preceitos absolutos, o professor Renato Janine Ribeiro exemplifica: o médico, sanitarista e filósofo holandês Bernard de Mandeville (1670 – 1733), no livro A fábula das abelhas vícios privados e benefícios públicos, conta que, no século XVII, em Amsterdã, cidade portuária de sólida moral protestante, existia grande tolerância para com a prostituição; isso era possível, porque a cidade recebia muitos marinheiros, havia meses no mar sem ver mulher; donzelas e senhoras da sociedade correriam risco de assalto, na ausência das prostitutas; melhor tolerá-Ias, nas casas de tolerância, e proteger as famílias;

– esse exemplo mostra como valores do mundo privado nem sempre servem no mundo público; Janine destaca que a palavra "público" tem dois sentidos: bem comum, senso de coletividade e assistência de um espetáculo; quem representa, no espetáculo, interpreta um papel e um político também é um representante;

– o sociólogo e economista alemão Max Weber (1864 – 1920) analisou essa oposição, distinguindo ética de convicção e ética da responsabilidade; são dois universos, o público e o privado;

– a situação parece mais complicada se lembrarmos que os valores da vida privada nem sempre servem para orientar a vida pública;

– de acordo com Maria Lúcia Montes, a ética individual sugere: sou a favor de melhores salários; a ética da responsabilidade, esfera, entre outras, da política, acrescenta, mas não a ponto de piorar a situação do país; que a lógica desse impasse tem um elemento natural, a negociação; mas essa negociação deve se manter no nível do interesse público, senão, afundamos na reles barganha; na opinião dela, o presidente Collor caiu, porque seus eleitores poderosos, embora soubessem que viria roubalheira, julgavam-se capazes de controlá-lo, mas ele, onipotente, não barganhou;

– para os psicanalistas, há diferenças substantivas entre gente que, eventualmente, paga propina e alguém que, sistematicamente, desvia dinheiro público;

– na explicação de Berlinck, a cabeça do honesto é idêntica à do corrupto no que se refere à violência interna, contra a qual precisamos nos proteger, e a violência externa, que nos assalta; além disso, os seres humanos são voltados para o prazer e cometem desvarios; a civilização é essa tentativa, falha, de conter a violência, da qual somos todos sujeitos; por exemplo: salvo em casos excepcionais, a violência individual costuma ser condenada; já a violência de grupo – a polícia que se envolve em tiroteio com traficantes de droga – é justificada;

– e, aqui, entram as diferenças entre honesto e corrupto: o honesto, em sua criatividade originária da violência, cria vida, realizações; o corrupto, em sua criatividade igualmente originária da violência, é um parasita destruidor da vida, chupa a vida dos outros, permanece um bebê que mama nas tetas do Estado, faltou-lhe um pai [a autoridade do Estado] que, exercendo as funções paternas [amor, honestidade I recompensa, desonestidade I punição, auto-estima I respeito], estipulasse os limites da lei; por esse motivo, quando o chamam de corrupto, fica indignado, sente-se injustiçado;

– para mudar, realmente, o Brasil terá que se tornar uma nação real, descartando a identidade do colonizador que se fixou nos violões, nas praias, na bola de futebol, nos desfiles de carnaval em boa parte sustentados pela contravenção do jogo do bicho e do crime de tráfico de drogas; geralmente, um país se torna uma nação depois de viver episódios históricos penosos, guerras de libertação, resistência a invasores, busca de independência; cria-se, a partir daí, uma comunidade nacional, a partir de quase nada;

– ao brasileiro, parece faltar esse sentido de destino comum; pouco lutamos nos episódios marcantes de nossa história, a Independência, a abolição da escravatura; a República; nos primeiros anos, depois da descoberta, chamavam­-se brasileiros os comerciantes de pau-brasil; rapinavam a terra (gozavam a mãe sem o interdito do pai, no linguajar da Psicanálise) e extinguiram a preciosa madeira que servia para fazer tinturas;

– Judith Patarra encerra o texto: talvez seja necessário, tantos séculos mais tarde, marcando a diferença entre a cabeça destrutiva do corrupto, "um malandro burocratizado", no dizer de Roberto DaMatta, e a cabeça construtiva do honesto, simbolicamente, plantar uma muda de pau-brasil; é uma árvore majestosa, alta, belíssima, grosso tronco avermelhado, com muitas ramificações, generosa folhagem; que, em se cultivando, dá.

 

 

Trabalhador X Aventureiro sexta-feira, out 20 2006 

Trabalhador X Aventureiro

Para a produção deste texto, utilizei as fontes Trabalho e aventura, de Sérgio Buarque de Holanda Ferreira (trecho de Raízes do Brasil); definições de Professor Marins (sobre ser crível ou ser débil); Pra frente, Brasil, texto de Cláudio Weber Abramo, do blog “A coisa aqui tá preta”, publicado no jornal Diário do Comércio (SP), em 08/06/2006.

Primeiramente, a distinção entre trabalhador e aventureiro.

Para Sérgio Buarque de Holanda Ferreira, já nas formas de vida coletiva, podem assinalar-se dois princípios que se combatem e regulam diversamente as atividades do homem: os aventureiros e os trabalhadores.

Nas sociedades rudimentares, manifestam-se segundo sua predominância, na distinção fundamental entre os povos caçadores ou coletores e os povos lavradores. Para uns, o objeto final, a mira de todo esforço, ponto de chegada, assume relevância tão capital, que chega a dispensar, por secundários, quase supérfluos, todos os processos intermediários. Seu ideal será colher o fruto sem plantar a árvore.

Esse tipo humano, o aventureiro, ignora fronteiras. No mundo, tudo se apresenta a ele em generosa amplitude e onde quer que se erija um obstáculo a seus propósitos ambiciosos, sabe transformar esse obstáculo em trampolim. Vive dos espaços ilimitados, dos projetos vastos, dos horizontes distantes. É o aventureiro.

Sob a ética do trabalho, o tipo aventureiro atribui valor às ações que se relacionem com a concepção espaçosa do mundo, ou seja, audácia, imprevidência, irresponsabilidade, instabilidade, vagabundagem. Os esforços que se dirigem a uma recompensa imediata são enaltecidos pelos aventureiros; as energias que visam à estabilidade, à paz, à segurança pessoal e os esforços sem perspectiva de rápido proveito material passam por viciosos e desprezíveis para eles. Nada Ihes parece mais estúpido e mesquinho do que o ideal do trabalhador.

O trabalhador, ao contrário, é aquele que enxerga, primeiro, a dificuldade a vencer, não o triunfo a alcançar. O esforço lento, pouco compensador e persistente que, no entanto, mede todas as possibilidades de esperdício e sabe tirar o máximo proveito do insignificante, tem sentido bem nítido para ele. Seu campo visual é, naturalmente, restrito. A parte maior do que o todo. Sob a ética do trabalho, o tipo trabalhador só atribuirá valor positivo às ações que sente ânimo de praticar e, inversamente, terá por imorais e detestáveis as qualidades próprias do aventureiro.

Entre esses dois tipos não há, na verdade, tanto uma oposição absoluta como uma incompreensão radical. Ambos participam, em maior ou menor grau, de múltiplas combinações e é claro que, em estado puro, nem o aventureiro nem o trabalhador possuem existência real fora do mundo das idéias. Mas também não há dúvida de que os dois conceitos nos ajudam a situar e a melhor ordenar nosso conhecimento dos homens e dos conjuntos sociais. E é precisamente nessa extensão superindividual que eles assumem importância inestimável para o estudo da formação e evolução das sociedades.

Essa é a opinião de Sérgio Buarque de Holanda Ferreira, que desconhecia que, modernamente, existem, sim, trabalhadores e aventureiros em estado puro; época em que os trabalhadores são os otários e os aventureiros são os espertos. Acrescento, também, que os psicopatas engrossam o número dos aventureiros (visto que, no Brasil, de acordo com reportagem de capa de Superinteressante, o número de psicopatas é de cerca de cinco milhões), além dos, hoje, trombadões com mais de trinta anos, frutos daquele período em que as mulheres, tão independentes, engravidavam, criavam os filhos e esses trombadões têm certeza absoluta de que podem viver, perfeitamente, às custas dos outros, principalmente de mulheres, que enxergam como reflexos de suas mães, muitas vezes, mulheres de valor, que não puderam criar os filhos com imagens paternas dignas de respeito; às vezes, mães pistoleiras, já definidas em outra entrada deste blog.

O desprezo que os aventureiros sentem pelos trabalhadores é repassado à sociedade organizada, infiltrada de aventureiros, que, para alcançar seus objetivos, "não plantam as árvores", mas colhem a produção em benefício próprio, em prejuízo do coletivo.

O trabalhador é compromissado com o coletivo, é solidário; é, antes de tudo, um otário, principalmente, porque, crédulo, não presta atenção às teias construídas para anulá-lo ou desacreditá-lo como trabalhador. É alvo de profunda observação, da parte de aventureiros, com objetivo de "derrubá-lo", mesmo porque o trabalhador não percebe que, com seus atos cidadãos, atrapalha as ações criminosas dos aventureiros. O trabalhador é crível, porque tem credibilidade. Quando exerce suas funções, o faz de modo completo, além do que se espera dele, ficando, por isso, com crédito, com credibilidade.

O aventureiro é compromissado consigo mesmo, é ególatra. É, antes de tudo, um corrupto e um corruptor e, da mesma forma com que agem as máfias, as facções criminosas, o aventureiro não tem escrúpulo algum em eliminar, física, psicológica ou moralmente quem lhe atravessa o caminho ou o atrapalha de alcançar seus objetivos criminosos. O aventureiro é débil, não só porque não tem credibilidade, mas, porque, “exerce” suas funções sempre em débito, por falhas de caráter ou pelo fato de que não está a serviço da empresa ou do órgão em que está lotado (quando é servidor público), mas a serviço do crime organizado, a quem deve obediência de vassalo, lacaio porque é um facilitador de parasitismo, um destruidor de vidas, chupa a vida dos trabalhadores, está sempre em débito com os que lhe pagam para praticar crimes ou com os que o favorecem de algum modo.  

A seguir esse raciocínio de desprezo, da parte do aventureiro, pelo papel relevante que os trabalhadores desempenham na ação em prol do desenvolvimento e da manutenção da sociedade organizada, aventureiros e trabalhadores seriam incluídos em duas categorias, parafraseando Cláudio Weber Abramo, a saber:

Os da primeira categoria, os aventureiros, são aqueles cuja psique deforma-se a ponto de chegarem à conclusão de que o melhor é aderir ao comportamento antiético generalizado, institucionalizado. É a categoria dos indivíduos que começam com esperanças na vida, procuram praticar seu ofício com seriedade, ficam indignados com os malfeitos que testemunham à sua volta, mas como, ao agir assim, são sistematicamente prejudicados pelos colegas, pelos superiores e subordinados, um dia descobrem-se prejudicando a reputação de colegas que disputam o mesmo cargo. Sobem na vida e das mesquinharias de escritório evoluem para os conluios de máfias profissionais. Graduam-se, enfim, em alguma cadeira de diretor e, a essa altura, consideram natural cometer os crimes.

Na segunda categoria, a dos trabalhadores, incluem-se os que têm o ser esmagado pelo meio e não obstante os estímulos do meio, resistem. Alguns, porque são excepcionalmente competentes ou aplicados, conseguem levar a vida decentemente, mesmo sob condições agravantes. Outros, vão sendo derrotados na vida, porque não são aparelhados para enfrentar os aventureiros que pululam em todos os ambientes. São preteridos, "garfados", enganados, demitidos, ridicularizados. Fracassados, joões-ninguém, zeros à esquerda, contam as derrotas da vida como contam os dias.

Quando consideramos as metáforas do cristianismo, os trabalhadores irão para o céu; os aventureiros para o inferno que os carregue. Por via das dúvidas, o melhor mesmo é continuar a agir pela ética dos trabalhadores, para podermos dormir tranqüilos. Porém, apesar das mensagens positivas dos verdadeiros líderes, modelos ou bons exemplos, quando um aventureiro tem o fim que merece, não é pecado dizer, pelo menos, “bem feito! Aí, suíno capado, foi cevado e terminou do modo que merecia!”. O que, claro, não é tomar partido de quem o tenha assassinado com um tiro na barriga que, desde que eu assistia a filmes de guerra norte-americanos, aprendi ser a morte mais dolorosa e lenta que se possa imaginar.

             

 

 

 

José é vendido como escravo pelos irmãos sábado, out 14 2006 

Ao procurar por essa passagem bíblica, muito significativa, que conta o desrespeito dos seres humanos por motivos irracionais, tais como: inveja, ganância, recalques, imbecilidade, psicopatia. Como sempre, a metáfora envolve a "venda" de pessoas, a escravidão, para beneficiar o grupo incompentente e impotente intelectual e sexual. Encontrei o endereço eletrônico, cujo trecho exemplifica o conteúdo: 
O PATRIARCADO

Os patriarcas eram ao mesmo tempo, sacerdotes, juizes e chefes militares. O primeiro patriarca, ABRAÃO, foi substituído pelo seu filho ISAAC, e este por JACÓ, que teve seu nome mudado para ISRAEL que significava ‘forte com deus". Essa é a razão de o povo hebreu ser conhecido como israelita ou povo de Israel.
Por volta de 1700 a .C, a
PALESTINA enfrentou uma grande crise de fome, causada pela seca assolou a região. Sob o comando de JACÓ UMA PARTE DAS TRIBOS HEBRAICA MIGROU PARA O EGITO, ONDE HAVIA ALIMENTOS, ESTABELECENDO-SE NUMA DELTA DO RIO NILO
.
Permaneceram neste país cerca de quatrocentos anos. Alguns hebreus chegaram a ocupar altos cargos no governo. A presença dos hebreus no Egito coincidiu com a invasão dos hicsos.

O relato bíblico nos informa que JOSÉ era filho predileto de JACÓ e, por isso seus irmãos o invejavam. Um dia, quando estavam no campo cuidando dos rebanhos, os irmãos de José planejaram mata-lo. Entretanto, graças a um deles, RUBEM, acabaram desistindo ,mas venderam-no a uma caravana de mercadores que se dirigiam ao Egito.
No país do Nilo,
JOSÉ FOI VENDIDO COMO ESCRAVO, MAS GRAÇAS À SUA INTELIGÊNCIA, ATINGIU ALTOS POSTOS
. Ganhou fama pelas interpretações que fazia dos sonhos.
Certa vez, foi chamado para interpretar dois sonhos do faraó.No primeiro, o faraó havia visto, perto do Rio Nilo, sete vacas gordas e belas serem devoradas por sete vacas magras e feias.No segundo, vira sete espigas grossas serem comidas por sete espigas finas.
A interpretação que José deu foi a que haveria no Egito sete anos de fartura seguidos por sete anos de miséria e fome.
Então, sugeriu ao faraó que armazenassem os alimentos produzidos nos anos de fartura, para suprir as necessidades do povo nos sete anos de miséria. Satisfeito, o faraó escolheu
JOSÉ para administra o palácio.


Durante longo tempo, os hebreus gozavam de liberdade no Egito. Viviam unidos, preservando seus costumes e tradições. Contudo. Essa situação mudou após a expulsão dos hicsos. Os hebreus passaram a ser perseguidos, perderam seus bens e foram escravizados.
Por volta de 1250 a .C., sob o comando de
MOISÉS, conseguiram sair do país, acontecimento concedo como ÊXODO.
Ainda segundo a bíblia, após a saída do Egito, MOISÉS, recebeu de Deus, no alto do
MONTE SINAÍ,
as Tábuas da Lei. Eram os mandamentos que deveriam nortear o comportamento do povo em relação a DEUS e à comunidade. Os hebreus vagaram quarenta anos pelo deserto.
Moisés morreu antes de chegar à
PALESTINA e foi substituído por JOSUÉ.

A Bíblia nos informa que um Faraó teve medo de que o povo de Israel tornasse numeroso e dominasse o Egito.Por isso ordenou que todos os recém-nascidos judeus do sexo masculino fossem mortos. Para salvar seu filho, uma judia colocou-o num cesto e lançou-o no Rio Nilo. O menino foi encontrado e criado por uma filha do faraó,foi chamado de Moisés que significa "salvo das águas".
Durante a juventude Moisés viveu na corte do faraó. Descobrindo sua origem, revoltou-se contra a opressão ao seu povo e o conduziu de volta a Canaã.

Autor: João Lourenço da Silva Neto. ADVOGADO – HISTORIADOR – PROFESSOR – PESQUISADOR. JUIZ DE FORA – MINAS GERAIS – AGOSTO DE 200l.

http://paginas.terra.com.br/educacao/jlourenco/Mesopot%E2mia_seus%20povos.htm

 

Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos quinta-feira, out 5 2006 

PORNOGRAFIA ON LINE – 03/10/2006.

Governo criará plano nacional para combater pedofilia na internet

A inexistência de mecanismos institucionalizados que contribuam para driblar o anonimato e rastrear criminosos dificultam a apuração dos crimes. País é quarto do mundo em pornografia infantil na rede.

Jonas Valente – Carta Maior

BRASÍLIA – De janeiro a setembro deste ano, foram feitas 163 mil denúncias de crimes de violações de direitos humanos na internet. Deste total, 62 mil (38%) são referentes à disseminação e troca de pornografia infantil. São alvos de denúncias também a apologia e a incitação de crimes contra a vida (22%), maus tratos contra animais (12,8%), neonazismo (10,8%) e intolerância religiosa (6,4%). Os dados são da ONG SaferNet, que mantém uma central de denúncias sobre crimes cibernéticos desta natureza. No intuito de conter este quadro, o governo federal pretende desenvolver um plano nacional de combate à pedofilia e à pornografia infantil na internet. O tema foi discutido nesta segunda-feira (2) na reunião do grupo de trabalho que trata do assunto no âmbito da Comissão Intersetorial de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes, coordenada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH).

O debate traz a tona o chamado ‘outro lado’ da internet. “A rede mundial de computadores tem dado passos para oferecer mais informação à população, mas infelizmente tem servido também à disseminação de crimes de ódio, racismo”, comentou o secretário especial dos direitos humanos, Paulo Vannuchi. Segundo Thiago Tavares, presidente da ONG SaferNet, a pornografia na web assumiu uma dimensão “assustadora”, pois as pessoas usam a rede tanto para distribuir quanto para produzir estes conteúdos. O fenômeno se beneficia do caráter supranacional que a rede mundial de computadores possui.

“Ciberespaço não segue fronteiras nacionais. Hoje é muito fácil criminoso brasileiro hospedar página nos EUA com fotos de criança vitimada em um país da Ásia e ser visto por alguém na França”, diz Sérgio Suiama, da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão de São Paulo. Este ambiente, acrescenta a subsecretária dos direitos das crianças e adolescentes da SEDH, Carmen de Oliveira, facilita o trabalho dos criminosos, que têm mais condições de manter o anonimato e dissipar os vestígios dos crimes. Uma pessoa pode criar um e-mail ou perfil falso, criar um sítio e ao menor sinal de represália trocar a hospedagem para outro provedor em qualquer lugar do mundo.

O Brasil tem sido um dos ‘campeões’ deste ranking. O país está em quarto lugar no ranking mundial de páginas virtuais de pornografia infantil e pedofilia, atrás apenas de EUA, Rússia e Coréia, nessa ordem. No país, a grande maioria das cenas de sexo explícito com crianças é veiculada no Orkut, site de relacionamentos do provedor Google.

Na reunião realizada nesta segunda, dois pontos apareceram como fundamentais para a existência deste quadro: a inexistência de mecanismos institucionalizados que contribuam para driblar o anonimato e rastrear criminosos e as dificuldades na apuração deste tipo de delito. Hoje, um dos principais obstáculos às investigações de crimes desta natureza está no fato de não haver uma obrigação por parte dos provedores de manter as informações sobre os acessos aos sítios que disseminam conteúdo pornográfico envolvendo crianças. Todo computador que se conecta à rede recebe um número identificador, chamado de IP (Internet Protocol), uma espécie de impressão digital da máquina. Como os provedores registram o acesso a cada página virtual por meio desse número, é possível localizar os computadores utilizados para praticar tais crimes.

Representantes do governo, da sociedade civil e do Ministério Público defenderam a aprovação de obrigações legais para que os provedores mantenham estas informações por um período mínimo de tempo, entre seis meses e um ano. A medida foi caracterizada como fundamental para melhorar as condições de investigação sobre este tipo de crime. “Hoje, se é feita uma denúncia, o provedor tira a página do ar; e quando há investigação perdeu-se o rastro do crime”, explica a assessora parlamentar Mariana Mei, que participou da reunião representando a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

De acordo com estudo realizado pela Comissão, há cerca de 500 projetos de lei envolvendo crimes na internet. A maioria deles dispõe sobre esta regulamentação do armazenamento dos dados de cadastro e conteúdo disponível na rede. Outros temas recorrentes nas propostas de lei são aumentos na pena e criação de mecanismos de controle por parte dos pais sobre o conteúdo acessado pelos filhos. “A nossa legislação, do ponto de vista penal, prevê quase todos os crimes. Por outro lado, é praticamente inexistente em relação à responsabilidade dos provedores, seja de acesso ou de conteúdo. É essa lacuna que precisamos resolver”, defendeu Sérgio Suiama.

Segundo representantes do governo, o objetivo do plano nacional é congregar um conjunto de ações que resolvam as lacunas e obstáculos à apuração dos casos. A idéia é reforçar o sistema de recebimento de denúncias, hoje feito pela ONG SaferNet por meio do sítio http://www.denunciar.org.br. Segundo Thiago Tavares, as denúncias recebidas pelo site já resultaram na identificação de mais de cinco mil suspeitos de troca de pornografia na internet. Além destas ações, estão sendo pensadas medidas também para a prevenção do crime, sobretudo campanhas educativas que sensibilizem a população através de conteúdos que estimulem o uso saudável da internet. A proposta de plano deve ficar pronta em novembro, quando será submetida à consulta pública.

Orkut
Um caso emblemático do combate à pornografia na internet é a disputa entre o Ministério Público Federal e a Google, empresa responsável pelo sítio de relacionamentos Orkut. O sítio possui hoje 15 milhões de usuários, sendo 12 milhões (70%) brasileiros. Das denúncias recebidas pela SaferNet, 150 mil (90%) são relacionadas ao sítio. Desde 2005 a justiça tenta obter a cooperação da subsidiária da Google no Brasil (clique aqui para ler a cronologia do caso), mas a empresa se nega a repassar informações sobre os cadastros alegando que estas estariam sob responsabilidade da matriz estadunidense.

“No direito vale o princípio de que a lei do local rege os atos. Por conseguinte, as informações hospedadas nesses servidores dos Estados Unidos estão sujeitas às leis daquele país”, alegou o procurador da Google Inc. no Brasil, Durval Goyos, em entrevista coletiva realizada em 25 de agosto.

A posição da Google acirrou o conflito com o Ministério Público de São Paulo, que ajuizou Ação Civil Pública pedindo o cumprimento das ordens judiciais anteriores (que envolviam o repasse de informações sobre cadastrados) e estipulando multa de R$ 50 mil por dia de descumprimento. “Nós defendemos uma posição firme, de que a Google deve responder civil e criminalmente pelos serviços prestados no Brasil pra brasileiros, especialmente o Orkut. Estamos falando hoje de um dos serviços mais populares do Brasil e que a empresa deve ter mecanismos adequados pra receber as reclamações dos usuários e pra dar uma resposta rápida e eficaz, seja aos usuários, seja à Justiça”, afirma Sérgio Suiama.

A Justiça Federal de São Paulo decidiu favoravelmente à ação do MP de São Paulo. A Google Inc. tem até o início deste mês para apresentar sua defesa. A disputa não tem caráter somente simbólico, mas envolve o ambiente onde a parte majoritária dos crimes de troca de pornografia infantil acontece na rede.

De: http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=12424