CPMF (10 anos) / Sucateamento da Saúde Pública / Plínio Marcos terça-feira, ago 29 2006 

CPMF (10 ANOS) / SUCATEAMENTO DA SAÚDE PÚBLICA / PLÍNIO MARCOS

Dez anos de CPMF, obviamente o recurso não foi destinado à Saúde Pública, e um texto de Plínio Marcos, antes do editorial de Folha de São Paulo sobre o mesmo drama de sempre: o coquetel de antiretrovirais está, como sempre, à beira da falência.

Revista Istoé, 13/11/1996
Jatene chora por último
O ministro da Saúde aprova a impopular CPMF, mas, antes de gastar o dinheiro, é fritado para que Fernando Henrique monte o ministério da reeleição

ANDREI MEIRELES

Um chato que só sabe cobrar, não mostra resultados e ainda cria um problema por mês. Com essa imagem nos principais gabinetes do Palácio do Planalto, o cirurgião Adib Jatene não resistiu à rara unanimidade palaciana e se demitiu do Ministério da Saúde na terça-feira 5. Foi uma fritura notável. Respaldado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, preparou uma armadilha para forçar Jatene a pedir o boné. De maneira ostensiva, Carvalho pagou para ver a carta de demissão que o ministro da Saúde várias vezes ameaçou sacar em suas infindáveis batalhas pela aprovação do imposto do cheque, a CPMF. Apanhado no contrapé, Jatene entregou os pontos. "Até o presidente achava que eu estava blefando", justifica, amargurado. Ele jogou a toalha depois de ver negado o pedido de R$ 1,6 bilhão para fechar as contas de um ministério que nos últimos seis meses somou tragédias como as 60 mortes de Caruaru (PE), os 100 velhinhos da Clínica Santa Genoveva, no Rio de Janeiro, e os 21 bebês da maternidade de Boa Vista (RO).

Mesmo nesses tempos de recesso temporão em Brasília, quando dezenas de parlamentares decidiram tirar férias no Exterior, a queda do ministro da Saúde foi o bastante para aguçar os apetites por cargos. Antes mesmo da demissão ser formalizada, a vaga de Jatene já era abertamente disputada por PMDB, PSDB e, mais discretamente, pelo PPB malufista. Além disso, precipitou as articulações em torno das mudanças previstas para fevereiro ou março, quando FHC promete recompensar com ministérios os grupos e partidos que votarem a favor da emenda da reeleição.

[…]

Embora fosse esperado na segunda-feira 4 para uma conversa com o presidente no Planalto, Jatene passou o dia em São Paulo. Foi preciso nova cobrança de Clóvis Carvalho pelo telefone para que o ministro finalmente percebesse que sua saída do governo estava mesmo definida. "Ao contrário do combinado, o senhor ainda não procurou o presidente", reclamou o chefe da Casa Civil. "Pelo que eu havia entendido, o presidente é quem ficou de me telefonar", devolveu o ministro da Saúde. Mesmo assim, Jatene só viajou para Brasília no dia seguinte. Depois de desgastar-se durante dois anos numa solitária e vitoriosa luta pela recriação do imposto sobre cheque, Jatene acabou morrendo na praia. Com requintes de crueldade, puxaram o seu tapete no governo dois meses antes de começar a pingar nos cofres públicos o dinheiro da CPMF. […]
Já na condição de ex-ministro, Jatene rebateu as críticas do palácio. "Não sou chorão nem pedinte. Eles dizem que não tem dinheiro, mas eu acho que tem", afirmou em entrevista coletiva. Menos de uma hora depois, Jatene caiu em prantos ao se despedir dos funcionários do Ministério. No seu lugar, por enquanto, fica o sanitarista José Carlos Seixas, que até então era secretário executivo do Ministério da Saúde.

[…]

 

O Brasil sempre viveu de ações isoladas para continuar a sobreviver

O texto a seguir foi escrito e interpretado pelo ator e dramaturgo Plínio Marcos. Trata-se de transcrição de um vídeo exibido na Casa de Detenção, em São Paulo

In Língua Portuguesa no Ensino Médio, Hermínio Sargentim, Coleção Horizontes, IBEP, São Paulo / SP, página 234, Gramática, Unidade 1, Variações Lingüísticas, Gíria.

 

            Aqui é bandido: Plínio Marcos! Atenção, malandrage! Eu num vô te pedir nada, vô te dá um alô! Te liga aí: Aids é uma praga que rói até os mais fortes, e rói devagarinho. Deixa o corpo sem defesa contra a doença. Quem pega essa praga está ralado de verde e amarelo, de primeiro ao quinto, e sem vaselina. Num tem doto que dê jeito, nem reza brava, nem chove, nem vela, nem ai, Jesus. Pegou Aids, foi pro brejo! Agora sente o aroma da perpétua; Aids passa pelo esperma, pelo sangue, entendeu?, pelo esperma e pelo sangue! (pausa)

            Eu num to te dando esse alô pra te assombrá, então se toca! Não é porque tu tá na tranca que virou anjo. Muito pelo contrário, cana dura deixa o cara ruim! Mas é preciso que cada um se cuide, ninguém pode vale pra ninguém nesse negócio de Aids! Então já viu: transá só de acordo com o parceiro, e de camisinha! (pausa)

            Agora, tu aí que é metido a esculachá os outros, metido a ganhá o companheiro na força bruta, na congesta! Pára com isso, tu vai acabá empesteado! Aids num toma conhecimento de macheza, pega pra lá e pega pra cá, pega em home, pega em bicha, pega em mulhé, pega em roçadeira! Pra essa peste num tem bom! Quem bobeia, fica premiado. E fica um tempão sem sabê. Daí, o mais malandro, no dia da visita recebe mamão com açúcar da Família e manda pra casa o Aids! E num é isto que tu qué, né, vago mestre? Então te cuida! Sexo, só com camisinha. (pausa)

            Quem descobre que pego a doença se sente no prejuízo e qué ir à forra passando pros outros. (pausa) Sexo, só com camisinha.

            Quanto a tu, mais chegado ao pico, eu tô sabendo que ninguém corta o vício só por ordem da chefia. Mas escuta bem, vago mestre, a seringa é o canal pro Aids. No desespero, tu não se toca, num vê, num qué nem sabê que, às vezes, a seringa vem até com um pingo de sangue, e tu mete ela direta em ti. Às vezes, ela parece que vem limpona, e vem com a praga! E tu, na afobação, mete ela direto na veia. Aí tu dança. Tu, que se diz mais tu, mas que diz que não pode agüentá a tranca sem pico, se cuida. Quem gosta de tu é tu mesmo. (pausa) E a tua farinha que tu cheira e a erva que tu barrufa enfraquece o corpo e deixa tu chué da cabeça e dos peitos. E aí tu fica moleza pro Aids! Mas o pico é o canal direto pra essa praga que está aí. Então, malandro, se cobre! Quem gosta de tu é tu mesmo. A saúde é como a liberdade. A gente só dá valor pra ela quando ela já era!

 

Alerta sobre a Aids

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2808200601.htm

Custo da distribuição gratuita de drogas contra o HIV sobe, pondo em xeque a sustentabilidade do programa de combate

A ACLAMADA política brasileira de combate à Aids, baseada na prevenção e no acesso universal dos doentes a medicamentos, pode se aproximar da exaustão. Faltaria uma atitude decidida do governo federal na área sensível da propriedade intelectual, alertam especialistas e militantes do setor. Sem ela, o custo de distribuir gratuitamente os anti-retrovirais pode tornar-se proibitivo e insustentável.
O alerta já circula há algum tempo entre ativistas. Chegou ao periódico científico americano "Science". Antes da 16ª Conferência Internacional sobre Aids, encerrada dia 18, a revista publicou um dossiê de 24 páginas sobre o panorama mundial da síndrome, três delas sobre o Brasil, em tom de preocupação.
O balanço de uma década do programa é amplamente positivo. Graças a ele, nunca se verificou a projeção alarmista do Banco Mundial, feita em 1992, de que no ano 2000 haveria 1,2 milhão de HIV-positivos no país. São 600 mil, atualmente.
Segundo a "Science", citando dados do Ministério da Saúde, a mortalidade por Aids caiu 50% de 1996 a 2002. Noventa mil mortes foram evitadas; ao mesmo tempo, houve economia de US$ 1,2 bilhão com gastos hospitalares. Hoje, 172 mil pacientes recebem os anti-retrovirais.
O cerne da preocupação se encontra no custo por paciente da distribuição. Ele partiu de US$ 6.240 anuais, em 1997, e caiu até US$ 1.336, em 2004. No ano passado, saltou para US$ 2.500.
Por trás da queda vertiginosa esteve uma bem-sucedida política de fabricação e importação, mas também uma tensa negociação com a indústria. Não faltaram ameaças de licenciamento compulsório. Trata-se de medida justificável, prevista -em caso de emergência de saúde pública- nas regras da Organização Mundial do Comércio sobre propriedade intelectual.
Já a disparada do custo em 2005 se explica pelo preço crescente das novas gerações de medicamentos. Drogas como efavirenz, lopinavir/ritonavir, tenofovir e T-20 são mais eficientes, mas importadas a peso de ouro. Isso forçou o governo a aumentar em 72% o desembolso, nos últimos quatro anos. Nesse ritmo, em 2008 o país despenderia R$ 1,25 bilhão ao ano para medicar 215 mil HIV-positivos. O gasto hoje é de R$ 945 milhões, 82% dos quais com a importação de nove drogas (outras oito são fabricadas no Brasil).
Em junho passado, o governo ameaçou quebrar a patente de três medicamentos. Voltou atrás e à mesa de negociações, que consumiram meses. Terminou por obter reduções de até 50%.
Na Conferência Internacional, a diretora do Programa Nacional de DST/Aids, Mariângela Simão, reafirmou o acesso universal como eixo da política brasileira. Alertou, ainda, para as dificuldades erguidas por regulamentos internacionais. Há razões para crer que logo o governo terá de endurecer novamente a negociação, recorrendo ao instrumento de pressão da quebra de patentes -além da política de ampliar a gama e a quantidade de anti-retrovirais feitos no país.

 

Saramago: “Não sou um pessimista, sou um otimista bem informado” terça-feira, ago 29 2006 

 

26/08/2006
Saramago volta à infância

"Não poderia dar uma visão idílica de tempos que não tinham nada de idílicos", explica o escritor português, de 83 anos, a propósito de sua infância. Ele acaba de escrever "As Pequenas Memórias"

Juan Cruz

José Saramago tem 83 anos e acaba de voltar à infância, escrevendo "As Pequenas Memórias", que terminou na semana passada (15 de agosto) em sua casa em Lanzarote. Conversamos com o prêmio Nobel português na biblioteca que ele acaba de estrear. "Posso ter pensado que um dia teria o Nobel, mas jamais me passou pela cabeça que teria uma biblioteca como esta. Claro, é obra de Pilar." Pilar é Pilar del Río, sua mulher, sua tradutora [para o espanhol]; já está trabalhando na tradução de "As Pequenas Memórias".

A biblioteca é totalmente informatizada e está conectada à Universidade de Granada e a outras instituições docentes e literárias do mundo. Saramago já publicou mais de 40 livros; o último foi "Intermitências da Morte". "As Pequenas Memórias" será lançado em 16 de novembro por sua editora portuguesa, Caminho, coincidindo com o aniversário do escritor, e será apresentada no mesmo dia em sua cidade natal, Azinhaga. Na Espanha o livro será publicado pela Alfaguara, como toda a sua obra.

El País – O que o senhor sente ao terminar um livro?

José Saramago – Emoção. Às vezes lágrimas. Aconteceu com o "Ensaio sobre a Cegueira", com "Intermitências da Morte". Quando você acaba, se despede, entra numa espécie de vazio: e agora, o quê? Sempre.

EP – Aconteceu com este?

Saramago – Aconteceu. É um livro de memórias de quando eu era pequeno; ia chamar-se "O Livro das Tentações", mas me pareceu pretensioso, então dei este título, que é idêntico a seu propósito: as pequenas memórias. Permaneci sempre muito ligado ao menino que fui, e agora me surpreendeu a quantidade de recordações que tinha daquela época. O livro me fez sofrer um pouco. No final também houve alívio.

EP – Sofreu para escrevê-lo?

Saramago – Porque algumas coisas que conto são dolorosas. Lembranças familiares que não são agradáveis, que me afetaram negativamente; poderia tê-las omitido, mas não poderia dar uma visão idílica de tempos que não tinham nada de idílicos. Isso me causou dor. E às vezes me bloqueou. Só me havia acontecido com o "Manual de Pintura e Caligrafia".

EP – Dor na infância.

Saramago – Coisas que um menino não deveria ter visto. Quando você ler saberá de quê estou falando.

EP – Oitenta e três anos. O que o fez voltar a uma idade tão remota?

Saramago – É uma idéia que já estava há mais de 20 anos em minha cabeça. Agora ou nunca. São 150 páginas. Não é literatura sobre o que eu vivi, mas o que vivi. Se tivesse literaturizado a vida, teriam saído 500 páginas.

EP – Que efeito sentimental produz uma confissão assim?

Saramago – Um adulto escreve memórias de adulto, talvez para dizer:
"Vejam como sou importante". Eu fiz memórias de criança e me senti criança fazendo-as; queria que os leitores soubessem de onde saiu o homem que sou. Por isso me concentrei em alguns anos, dos 4 aos 15.

EP – E de onde vem?

Saramago – O livro tem uma epígrafe, que vem de um livro que inventei, "O Livro dos Conselhos": "Deixe-se levar pela criança que você foi". Se eu não tivesse vivido aquela infância não seria exatamente quem sou. Alguns pontos significativos de minha forma de ser são daquele menino.

EP – Escrever memórias rejuvenesce?

Saramago – Talvez sim. A verdade é que escrevi como se estivesse vivendo naquele momento.

EP – Dois Nobel, Grass e o senhor, escrevendo memórias.

Saramago – As dele são diferentes.

EP – Qual foi sua reação ao que aconteceu com Grass?

Saramago – Primeiro senti perplexidade. Nunca teria pensado que ele tivesse estado nas Waffen-SS… e menos ainda que tivesse ido como voluntário. E me surpreendeu a violência das reações. Ele tinha 17 anos. E o resto da vida, não conta? Parece-me uma reação hipócrita a que houve, de muita gente que não deve consultar sua própria consciência. Muita gente quer procurar pés de barro em personalidades influentes. Lembram-me daquele que ia de cidade em cidade seguindo um circo. Um dia lhe perguntaram: "Por que segue tanto esse circo?" "Porque quero ver quando o trapezista cair e morrer." E me parece indigna, infame, a insinuação de que Grass agora diz isso por motivos promocionais de seu livro. Que juiz pode dizer que alguma confissão chega tarde demais? A verdade é que ele disse, aí está sua confissão.

EP – O senhor assinou uma declaração de notáveis sobre Cuba. Como vê o futuro?

Saramago – Observa-se menos tensão no exílio. E estamos percebendo sinais de que começa a transição. Oxalá seja feita pelo povo cubano, sem interferências, embora sempre caiba perguntar se os EUA vão se limitar a assistir a essa transição.

EP – O povo cubano de dentro e de fora?

Saramago – Claro. Espero que haja negociação, diálogo, já não há lugar para invasões nem para assassinatos, mas para que haja acordos básicos que também contemplem as indubitáveis conquistas da revolução: saúde, cultura, educação…

EP – Outro assunto de sua preocupação. O Oriente Médio explode.

Saramago – Enquanto não se resolver o problema da Palestina, que tenha seu Estado, não haverá paz ali. Israel produz uma ocupação militar da Palestina, manda seus cidadãos para guetos. Não sai da minha memória o que disse um intelectual judeu, Leibovitz, sobre o caráter judeu-nazista de seu exército, das reações de seu exército; e não sai da minha memória a dor que causa ver crianças das quais se quebravam os ossos das mãos com martelos, durante a primeira intifada. Quando digo que as vítimas, com as quais todos nos solidarizamos, não podem agir como verdugos e chamo a atenção sobre esse caráter da reação militar israelense, sempre ouço vozes – "lá vem o Saramago de novo" -, mas o que digo é a verdade, tem a ver com os fatos…

EP – O que fazer?

Saramago – Oxalá os organismos internacionais compreendam de uma vez por todas: enquanto isso não for resolvido, Israel sempre se sentirá ameaçado e responderá com a agressividade que mostra seu exército, o mais poderoso da região. Vi alguns sinais positivos ultimamente: a possível aliança da Al Fatah com o Hamas para governar.

EP – O senhor não é um homem otimista.

Saramago – Como se pode ser otimista quando se lê o jornal? O mundo é o lugar do inferno; milhões nascem para sofrer, não importam nada a ninguém. Não sou um pessimista, sou um otimista bem informado.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Visite o site do El País

Fonte: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2006/08/26/ult581u1794.jhtm

 

 

Ensaio Sobre a Lucidez

JOSE SARAMAGO

Fonte: www.submarino.com.br – 1.º Capítulo

 

Mau tempo para votar, queixou-se o presidente da mesa da assembleia eleitoral número catorze depois de fechar com violência o guarda-chuva empapado e despir uma gabardina que de pouco lhe havia servido durante o esbaforido trote de quarenta metros desde o lugar onde havia deixado o carro até à porta por onde, com o coração a saltar-lhe da boca, acabava de entrar. Espero não ter sido o último, disse para o secretário que o aguardava um pouco recolhido, a salvo das bátegas que, atiradas pelo vento, alagavam o chão. Ainda falta o seu suplente, mas estamos dentro do horário, tranquilizou o secretário, A chover desta maneira será uma autêntica proeza se cá chegarmos todos, disse o presidente enquanto passavam à sala onde se realizaria a votação. Cumprimentou primeiro os colegas da mesa que actuariam como escrutinadores, depois os delegados dos partidos e seus respectivos suplentes. Teve o cuidado de usar para todos as mesmas palavras, não deixando transparecer na cara nem no tom de voz quaisquer indícios que permitissem perceber as suas próprias inclinações políticas e ideológicas. Um presidente, mesmo de uma assembleia eleitoral tão comum como esta, deverá guiar-se em todas as situações pelo mais estrito sentido de independência, ou, por outras palavras, guardar as aparências.
Além da humidade que tornava mais espessa a atmosfera, já de si pesada por ser interior a sala, apenas com duas janelas estreitas que davam para um pátio sombrio mesmo em dias de sol, o desassossego, empregando a comparação vernácula, cortava-se à faca. Teria sido preferível adiar as eleições, disse o delegado do partido do meio, p.d.m., desde ontem que está a chover sem parar, há derrubamentos e inundações por toda a parte, a abstenção, desta vez, vai subir em flecha. O delegado do partido da direita, p.d.d., fez um gesto concordante com a cabeça, mas considerou que a sua contribuição para a conversa deveria revestir a forma de um comentário cauteloso, Obviamente não minimizo esse risco, contudo penso que o acendrado espírito cívico dos nossos concidadãos, em tantas outras ocasiões demonstrado, é credor de toda a nossa confiança, eles são conscientes, oh sim, absolutamente conscientes, da transcendente importância destas eleições municipais para o futuro da capital. Dito isto, um e outro, o delegado do p.d.m. e o delegado do p.d.d., com ar meio céptico, meio irónico, viraram-se para o delegado do partido da esquerda, p.d.e., curiosos de saber que espécie de opinião seria ele capaz de produzir. Nesse preciso instante, salpicando água por todos os lados, irrompeu na sala o suplente da presidência, e, como seria de esperar, visto que ficava completado o elenco da mesa da assembleia, o acolhimento foi, mais do que cordial, caloroso. Não chegámos portanto a conhecer o ponto de vista do delegado do p.d.e., porém, avaliando por alguns antecedentes conhecidos, é de presumir que não deixaria de exprimir-se segundo a linha de um claro optimismo histórico, numa frase como esta, por exemplo, Os votantes do meu partido são pessoas que não se amedrontam por tão pouco, não é gente para ficar em casa por causa de quatro míseros pingos de água que caem das nuvens. Na verdade, não eram quatro pingos míseros, eram baldes, eram cântaros, eram nilos, iguazús e iangtsés, mas a fé, abençoada seja ela para todo o sempre, além de arredar montanhas do caminho daqueles que do seu poder se beneficiam, é capaz de atrever-se às águas mais torrenciais e sair delas enxuta.
Constituiu-se a mesa, cada um no lugar que lhe competia, o presidente assinou o edital e ordenou ao secretário que fosse afixá-lo, como a lei determina, à porta do edifício, mas o mandado, dando prova de uma sensatez elementar, fez notar que o papel não se aguentaria na parede nem um minuto, em dois améns se lhe esborrataria a tinta, ao terceiro o levaria o vento. Coloque-o então dentro, aonde a chuva não o alcance, a lei é omissa neste particular, o importante é que o edital fique afixado e à vista. Perguntou à mesa se estava de acordo, todos disseram que sim, com a ressalva de ter requerido o delegado do p.d.d. que a decisão ficasse exarada na acta para prevenir impugnações. Quando o secretário voltou da sua húmida missão, o presidente perguntou-lhe como estava o tempo e ele respondeu, encolhendo os ombros, Na mesma, como a lesma, Há algum eleitor lá fora, Nem sombra dele. O presidente levantou-se e convidou os membros da mesa e os representantes dos partidos a acompanhá-lo na revista à câmara de voto, que se viu estar limpa de elementos que pudessem vir a desvirtuar a pureza das escolhas políticas que ali iriam ter lugar ao longo do dia. Cumprida a formalidade, voltaram aos seus lugares para examinar os cadernos de recenseamento, que também encontraram limpos de irregularidades, lacunas e suspeitas. Tinha chegado o momento grave em que o presidente destapa e exibe a urna perante os eleitores para que possam certificar-se de que está vazia, a fim de que amanhã, sendo necessário, sejam boas testemunhas de que nenhuma acção delituosa havia introduzido nela, pela calada da noite, os votos falsos que corromperiam a livre e soberana vontade política dos cidadãos, que não se repetiria aqui uma vez mais aquela histórica fraude a que se dá o pitoresco nome de chapelada, cuja, não o esqueçamos, tanto se poderá cometer antes como durante ou depois do acto, conforme a ocasião e a eficiência dos seus autores e cúmplices. A urna estava vazia, pura, imaculada, mas não havia na sala um só eleitor, um único para amostra, a quem pudesse ser exibida. Talvez algum deles ande por aí perdido, lutando com as enxurradas, suportando as chicotadas do vento, apertando contra o coração o documento que o acredita como cidadão com direito a votar, mas, tal como estão as coisas no céu, vai tardar muito a cá chegar, se é que não acaba por voltar para casa e deixar os destinos da cidade entregues àqueles que um automóvel preto vem deixar à porta e à porta depois virá recolher, cumprido o dever cívico de quem o ocupava no banco de trás.
Terminadas as operações de inspecção dos diversos materiais, manda a lei deste país que votem imediatamente o presidente, os vogais e os delegados dos partidos, assim como as respectivas suplências, desde que, claro está, estejam inscritos na assembleia eleitoral cuja mesa integram, como era o caso. Mesmo a fazer render o tempo, quatro minutos bastaram para que a urna recebesse os seus primeiros onze votos. E a espera, não havia outro remédio, começou. Ainda meia hora não tinha passado quando o presidente, inquieto, sugeriu a um dos vogais que fosse espreitar a ver se vinha alguém, se calhar apareceram eleitores, mas deram com o nariz na porta que o vento havia fechado, e logo se foram dali a protestar, se as eleições tinham sido adiadas, ao menos que tivessem a delicadeza de avisar a população pela rádio e pela televisão, que para informações dessas ainda servem. Disse o secretário, Toda a gente sabe que uma porta que se feche atirada pelo vento faz um barulho de trinta mil demónios, e aqui não se ouviu nada. O vogal hesitou, irei não irei, mas o presidente insistiu, Vá, faça-me o favor, e tenha cuidado, não se molhe. A porta estava aberta, firme no seu calço. O vogal pôs a cabeça de fora, um instante foi suficiente para olhar a um lado e a outro, e logo para recolhê-la a escorrer como se a tivesse metido debaixo de um duche. Desejava proceder como um bom vogal, agradar ao seu presidente, e, sendo esta a primeira vez que havia sido chamado a funções, queria ser apreciado pela rapidez e eficiência nos serviços que tivesse de prestar, com o tempo e a experiência, quem sabe, alguma vez chegaria o dia em que também ele presidisse a uma assembleia de voto, voos mais altos que este têm cruzado o céu da providência e já ninguém se admira. Quando ele regressou à sala, o presidente, entre pesaroso e divertido, exclamou, Homem, não era preciso deixar-se molhar dessa maneira, Não tem importância, senhor presidente, disse o vogal enquanto enxugava o queixo à manga do casaco, Conseguiu ver alguém, Até onde os meus olhos alcançaram, ninguém, a rua é como um deserto de água. O presidente levantou-se, deu uns passos indecisos diante da mesa, foi até à câmara de voto, olhou para dentro e voltou. O delegado do p.d.m. tomou a palavra para recordar o seu prognóstico de que a abstenção dispararia em flecha, o delegado do p.d.d. pulsou outra vez a corda apaziguadora, os eleitores tinham todo o dia para votar, deviam estar à espera de que o temporal amainasse. Já o delegado do p.d.e. preferiu ficar calado, pensava na triste figura que estaria a fazer se tivesse deixado sair pela boca fora o que se dispunha a dizer no momento em que o suplente do presidente entrou na sala, Quatro miseráveis gotas de água não é coisa que chegue para amedrontar os votantes do meu partido. O secretário, para quem todos olharam à espera, optou por apresentar uma sugestão prática, Creio que não seria má ideia telefonar ao ministério a pedir informações sobre como está a decorrer o acto eleitoral aqui e no resto do país, ficaríamos a saber se este corte de energia cívica é geral, ou se somos os únicos a quem os eleitores não vieram iluminar com os seus votos. Indignado, o delegado do p.d.d. levantou-se, Requeiro que fique exarado na acta o meu mais vivo protesto, como representante do partido da direita, contra os termos desrespeitosos e contra o inaceitável tom de chacota com que o senhor secretário acaba de se referir aos eleitores, esses que são os supremos valedores da democracia, esses sem os quais a tirania, qualquer das que existem no mundo, e são tantas, já se teria apoderado da pátria que nos deu o ser. O secretário encolheu os ombros e perguntou, Tomo nota do requerimento do senhor representante do p.d.d., senhor presidente, Opino que não será caso para tanto, o que se passa é que estamos nervosos, perplexos, desconcertados, e já se sabe que num estado de espírito assim é fácil dizer coisas que na realidade não pensamos, tenho a certeza de que o senhor secretário não quis ofender ninguém, ele próprio é um eleitor ciente das suas responsabilidades, a prova está em que, como todos os que nos encontramos aqui, arrostou com a intempérie para vir aonde o dever o chamava, no entanto, este reconhecimento sincero não me impede de rogar ao senhor secretário que se atenha ao cumprimento rigoroso da missão que lhe foi consignada, abstendo-se de qualquer comentário que possa chocar a sensibilidade pessoal e política das pessoas presentes. O delegado do p.d.d. fez um gesto seco que o presidente preferiu interpretar como de concordância, e o conflito não foi além, para o que fortemente contribuiu ter o representante do p.d.m. recordado a proposta do secretário, Na verdade, acrescentou, estamos aqui como náufragos no meio do oceano, sem vela nem bússola, sem mastro nem remo, e sem gasoil no depósito, Tem toda a razão, disse o presidente, vou ligar para o ministério. Havia um telefone numa mesa afastada e para lá se dirigiu levando a folha de instruções que lhe havia sido entregue dias antes e onde se encontravam, entre outras indicações úteis, os números telefónicos do ministério do interior.
A comunicação foi breve, Fala o presidente da mesa da assembleia de voto número catorze, estou muito preocupado, algo francamente estranho está a acontecer aqui, até este momento não apareceu um único eleitor a votar, já lá vai mais de uma hora que estamos abertos, e nem uma alma, sim senhor, claro, o temporal não há meio de parar, chuva, vento, inundações, sim senhor, continuaremos pacientes e a pé firme, claro, para isso viemos, nem é preciso dizer. A partir deste ponto o presidente não contribuiu para o diálogo com mais que uns quantos acenos de cabeça sempre concordantes, umas quantas interjeições abafadas e três ou quatro começos de frase que não chegou a terminar. Quando pousou o auscultador olhou para os colegas da mesa, mas na realidade não os via, era como se tivesse diante de si uma paisagem toda feita de salas vazias, de imaculados cadernos de recenseamento, com presidentes e secretários à espera, delegados de partidos a olharem desconfiados uns para os outros, deitando contas a quem poderá ganhar e a quem poderá perder com a situação, e lá longe algum vogal molhado e prestimoso regressando da entrada e informando que não vem ninguém. Que foi que responderam do ministério, perguntou o delegado do p.d.m., Não sabem que pensar, é natural que o mau tempo esteja a reter muita gente em casa, mas que em toda a cidade suceda praticamente o mesmo que aqui, para isso não encontram explicação, Por que diz praticamente, perguntou o delegado do p.d.d., Em algumas assembleias de voto, é certo que poucas, apareceram eleitores, mas a afluência é reduzidíssima, como nunca se viu, E no resto do país, perguntou o representante do p.d.e., não é só na capital que está a chover, É isso que desconcerta, há lugares onde chove tanto como aqui e apesar disso as pessoas estão a votar, como é lógico são mais numerosas nas regiões onde o tempo está bom, e por falar nisto, dizem que os serviços meteorológicos prevêem melhoria do tempo para o final da manhã, Também pode acontecer que vá de mau a pior, lembrem-se do ditado, ao meio-dia carrega ou alivia, advertiu o segundo vogal, que até agora ainda não tinha aberto a boca. Fez-se um silêncio. Então o secretário enfiou a mão num dos bolsos exteriores do casaco, sacou de lá um telefone portátil e marcou um número. Enquanto esperava que o atendessem, disse, É mais ou menos como o que se conta da montanha e de maomé, uma vez que não podemos perguntar a eleitores que não conhecemos por que é que não vêm votar, fazemos a pergunta à família, que é conhecida, olá, viva, sou eu, sim, continuas aí, por que é que ainda não vieste votar, que está a chover sei-o eu, ainda tenho as perneiras das calças molhadas, sim, é verdade, desculpa, esqueci-me de que me tinhas dito que virias depois do almoço, claro, telefonei-te porque isto aqui está complicado, nem imaginas, se eu te disser que até agora não apareceu ninguém a pôr o voto, és capaz de não acreditar, bom, então cá te espero, um beijo. Desligou o telefone e comentou, irónico, Pelo menos um voto está garantido, a minha mulher virá à tarde. O presidente e os restantes membros da mesa entreolharam-se, saltava à vista que havia que seguir o exemplo, mas não menos que nenhum deles queria ser o primeiro, seria reconhecer que em rapidez de raciocínio e desembaraço quem leva a palma nesta assembleia eleitoral é o secretário. Ao vogal que tinha ido à porta ver se chovia não lhe custou muito a compreender que ainda teria de comer muito pão e muito sal antes de chegar à altura de um secretário como o que temos aqui, capaz, com a maior sem-cerimónia do mundo, de sacar um voto de um telefone portátil como um prestidigitador tiraria de uma cartola um coelho. Vendo que o presidente, retirado a um canto, falava para casa através do seu portátil, e que outros, utilizando os seus próprios aparelhos, discretamente, em sussurros, faziam o mesmo, o vogal da porta apreciou a honestidade dos colegas que, ao não usarem o telefone fixo ali colocado, em princípio, para uso oficial, nobremente economizavam dinheiro ao estado. O único dos presentes que por não ter telefone portátil tinha de resignar-se a esperar as notícias dos outros era o representante do p.d.e., devendo acrescentar-se, no entanto, que, vivendo sozinho na capital e tendo a família na província, o pobre homem não tem a quem chamar. Uma após outra as conversas foram terminando, a mais demorada é a do presidente, pelos vistos está a exigir à pessoa com quem fala que venha imediatamente, a ver como aquilo acaba, seja como for, ele é quem deveria ter falado em primeiro lugar, se o secretário decidiu passar-lhe à frente, bom proveito lhes faça, já vimos que o tipo pertence à espécie dos vivaços, respeitasse ele a hierarquia como nós a respeitamos e teria simplesmente transmitido a ideia ao seu superior. O presidente soltou o suspiro que se lhe havia entalado no peito, meteu o telefone no bolso e perguntou, Então, souberam alguma coisa. A pergunta, além de escusada, era, como diremos, um poucochinho desleal, em primeiro lugar porque saber, aquilo a que se chama saber, sempre alguma coisa se sabe, mesmo quando não sirva para nada, em segundo lugar porque era óbvio que o perguntante se estava a aproveitar da autoridade inerente ao cargo para eludir a sua obrigação, que seria inaugurar ele, em voz e pessoa, o intercâmbio de informações. Se ainda não nos esquecemos daquele suspiro e do ímpeto exigente que em certa altura da conversa nos pareceu notar nas suas palavras, lógico será pensar que o diálogo, supõe-se que do outro lado estaria uma pessoa de família, não foi tão plácido e instrutivo quanto o seu justificado interesse de cidadão e de presidente merecia, e que, sem serenidade para lançar-se a improvisos mal amanhados, se furta agora à dificuldade convidando os subordinados a expressar-se, o que, como também sabemos, é outra maneira, mais moderna, de ser chefe. O que disseram os membros da mesa e os delegados dos partidos, tirando o do p.d.e., que, falto de informações próprias, estava ali para ouvir, foi, ou que aos familiares não lhes apetecia nada apanhar uma molha e esperavam que o céu se resolvesse a escampar para animar a votação popular, ou então, como a mulher do secretário, pensavam vir votar durante o período da tarde. O vogal da porta era o único que se mostrava contente, via-se-lhe na cara a expressão complacente de quem tem motivos para orgulhar-se dos seus méritos, o que, ao ter de traduzir-se em palavras, veio a dar nisto, Da minha casa ninguém respondeu, só pode querer dizer que já vêm aí a caminho. O presidente foi sentar-se no seu lugar e a espera recomeçou.
Foi quase uma hora depois que entrou o primeiro eleitor. Contra a expectativa geral e desalento do vogal da porta, era um desconhecido. Deixou o guarda-chuva a escorrer à entrada da sala e, coberto por uma capa de plástico rebrilhante de água, calçando botas também de plástico, avançou para a mesa. O presidente levantara-se com um sorriso nos lábios, este eleitor, homem de idade avançada, mas ainda robusto, vinha anunciar o regresso à normalidade, à habitual fila de cumpridores cidadãos avançando lentamente, sem impaciência, conscientes, como havia dito o delegado do p.d.d., da transcendente importância destas eleições municipais. O homem entregou o bilhete de identidade e o cartão de eleitor ao presidente, este anunciou com voz vibrante, quase feliz, o número do cartão e o nome do seu possuidor, os vogais encarregados da descarga folhearam os cadernos de recenseamento, repetiram, quando os encontraram, nome e número, marcaram o sinal de visto, depois, sempre pingando água, o homem dirigiu-se à câmara de voto com o boletim, daí a pouco voltou com o papel dobrado em quatro, entregou-o ao presidente, que o introduziu com ar solene na urna, recebeu os documentos e retirou-se, levando o guarda-chuva. O segundo eleitor tardou dez minutos a aparecer, mas, a partir dele, se bem que a conta-gotas, sem entusiasmo, como folhas outonais desprendendo-se lentamente dos ramos, os boletins de voto foram caindo na urna. Por mais que o presidente e os vogais retardassem as operações de escrutínio, a fila não chegava a formar-se, havia, quando muito, três ou quatro pessoas a esperar a sua vez, e de três ou quatro pessoas nunca se fará, por muito que elas se esforcem, uma fila digna desse nome. Razão tinha eu, observou o delegado do p.d.m., a abstenção será terrível, maciça, depois disto ninguém se vai entender, a única solução está na repetição das eleições, Pode ser que o temporal remita, disse o presidente, e, olhando o relógio, murmurou como se rezasse, É quase meio-dia. Resoluto, aquele a quem temos dado o nome de vogal da porta levantou-se, Se o senhor presidente me dá licença, agora que não temos ninguém a votar, vou ver como está o tempo. Não tardou mais que um instante, foi no pé esquerdo e voltou no pé direito, novamente feliz, anunciando a boa notícia, Chove muito menos, quase nada, e já começam a ver-se claros no céu. Pouco faltou para que os membros da mesa e os delegados dos partidos se juntassem num abraço, mas a alegria foi de curta duração. O monótono gotejo de eleitores não se alterou, vinha um, vinha outro, vieram a esposa, a mãe e uma tia do vogal da porta, veio o irmão mais velho do delegado do p.d.d., veio a sogra do presidente, a qual, faltando ao respeito que se deve a um acto eleitoral, informou o abatido genro de que a filha só apareceria lá para o fim da tarde, Disse que estava a pensar em ir ao cinema, acrescentou cruelmente, vieram os pais do presidente suplente, vieram outros que não pertenciam a estas famílias, entravam indiferentes, saíam indiferentes, o ambiente só se animou um pouco quando apareceram dois políticos do p.d.d., e, minutos depois, um do p.d.m., como por encanto uma câmara de televisão saída do nada tomou imagens e voltou para o nada, um jornalista pediu licença para uma pergunta, Como está a decorrer a votação, e o presidente respondeu, Podia estar melhor, mas, agora que o tempo parece ter começado a mudar, estamos certos de que a afluência de eleitores aumentará, A impressão que temos recolhido em outras assembleias eleitorais da cidade é de que a abstenção vai ser muito alta desta vez, observou o jornalista, Prefiro ver as coisas com optimismo, ter uma visão positiva da influência da meteorologia no funcionamento dos mecanismos eleitorais, bastará que não chova durante a tarde para que consigamos recuperar o que o temporal desta manhã tentou roubar-nos. O jornalista saiu satisfeito, a frase era bonita, poderia dar, pelo menos, um subtítulo de reportagem. E, porque havia chegado a hora de dar satisfação ao estômago, os membros da mesa e os delegados dos partidos organizaram-se por turnos para, com um olho posto nos cadernos de recenseamento e outro na sanduíche, comerem ali mesmo.

 

 

 

Especialistas reprovam “projeto gerencial” implantado pelo PSDB em SP sábado, ago 19 2006 

Thanks a lot, Carta Maior", por apresentar esta matéria da Editoria – Educação – porque, antes de pedir aposentadoria por tempo de serviço, estava a ponto de entrar e me trancar, como em O alienista, de Machado de Assis, em um manicômio e soltar todos os que lá estivessem, pois tinha certeza absoluta que a única louca, no Brasil, era eu mesma.

Matéria da Editoria:
Educação
19/08/2006

EDUCAÇÃO BÁSICA

Especialistas reprovam ‘projeto gerencial’ implantado pelo PSDB em SP

Diminuição do número de professores, fechamento de escolas, baixos salários, municipalização e aprovação automática dos alunos são alguns dos problemas apontados após 12 de governo tucano no Estado de SP, marcados por visão gerencial. Secretaria da Educação não atendeu a pedido de entrevista feito pela reportagem.

Fernanda Sucupira – Carta Maior

Data: 18/08/2006

SÃO PAULO – Nos últimos doze anos de governo tucano no Estado de São Paulo, a predominância da visão gerencial e administrativa marcou quase todas as áreas. Na educação básica essa situação não foi diferente. Ainda que o acesso ao ensino fundamental tenha sido praticamente universalizado, seguindo um movimento que ocorreu nacionalmente, a qualidade da escola pública no Estado ainda deixa muito a desejar, e pouco foi feito para reverter esse quadro. Pelo contrário, os sucessivos governos do PSDB no Estado adotaram medidas que priorizam a redução de gastos, sem levar em conta os efeitos disso no cotidiano das escolas. Diminuição do número de professores, fechamento de escolas, superlotação das salas de aula, baixos salários, municipalização do ensino fundamental e aprovação automática dos alunos são alguns dos principais problemas apontados por especialistas e militantes da área.

A progressão continuada no ensino fundamental, possibilidade prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), implantada em São Paulo a partir de 1998, é alvo de duras críticas. Ela consiste na divisão dessa etapa da educação básica em dois ciclos de quatro anos: um de 1ª a 4ª série e o outro de 5ª a 8ª série. Nesse sistema, a reprovação só ocorre no fim de cada ciclo ou no caso de excesso de faltas; são feitas avaliações permanentes e oferecidas aulas de recuperação paralela para aqueles que tiverem dificuldade de acompanhar a turma.

Na teoria, pode ser um projeto interessante por respeitar o ritmo de aprendizado de cada aluno e combater problemas históricos da educação brasileira como a reprovação e a evasão. No entanto, especialistas afirmam que a maneira como essa idéia foi concretizada em São Paulo fez com que a progressão continuada se transformasse simplesmente em “aprovação automática” dos estudantes, sem prepará-los para o ensino médio.

“Ela aumentou a permanência do aluno na escola, já que o grande mecanismo de exclusão é a reprovação, mas o grande problema é o impacto brutal que provocou na qualidade da educação. A criança fica na escola, é aprovada, só que não aprende. A escola não sabe trabalhar com esse aluno que antes era excluído, e por isso passou a ser um espaço de frustração para crianças e professores. Colocar a escola em condições de enfrentar isso é um grande desafio para o próximo período”, avalia o especialista em política educacional Romualdo Portela, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP).

Para o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), que se dedica a acampanhar a educação pública, se levada a sério tal medida poderia trazer bons resultados, mas nesse caso foi adotada por razões exclusivamente econômicas. “O aluno chega nos últimos anos do ensino fundamental sem saber ler um texto ou fazer uma operação matemática simples. A lógica para evitar a repetência não foi adotar um método pedagógico mais avançado, foi simplesmente eliminar a repetência para conseguir estatísticas melhores, seguindo orientações do Banco Mundial. Não prepara a escola, o professor, nem tem recursos para fazer o aluno avançar de forma mais consistente, aprendendo e sem causar traumas”, completa.

Outra medida bastante polêmica que marcou a gestão do PSDB em São Paulo é a municipalização do primeiro ciclo do ensino fundamental. O processo teve início em 1995, no começo da gestão de Mário Covas no governo estadual e de Rose Neubauer à frente da Secretaria Estadual de Educação. Até 1994, apenas 64 dos 645 municípios do Estado atendiam essa etapa da educação, e a participação da rede estadual correspondia a 87,5% do total. Depois do esforço e dos estímulos dos sucessivos governos estaduais tucanos pela municipalização, em outubro de 2004 já havia 556 municípios com rede de ensino fundamental, 86% do total, praticamente invertendo a proporção em uma década.

O processo foi impulsionado pela implementação, em nível federal, do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e da Valorização do Magistério (Fundef), que prevê a vinculação de 60% de toda a receita estadual e municipal de educação para o ensino fundamental. O resgate desses recursos é feito proporcionalmente ao número de matrículas dessa etapa nos Estados e municípios, por isso estes se interessaram em aumentar sua rede de ensino. Tal mecanismo financeiro de indução, somado a uma forte posição política do governo do PSDB nesse sentido, favoreceu a aceleração dessa mudança.

Segundo Portela, a rede estadual garantia certa homogeneidade com funcionamento bem razoável e problemas enfrentáveis, mas esse processo levou que municípios sem capacidade técnica instalada passassem a gerenciar redes de escolas de ensino fundamental. “Até eles se darem conta de como fazer isso, foi um caos, que em muitos lugares não se resolveu até hoje. Isso provocou também uma incidência maior dos prefeitos na gestão da educação, já que a rede estadual paulista está menos sujeita à interferência política do que a municipal”, diz Portela. Além disso, ele destaca que existe uma diferença grande entre os municípios paulistas e uma desigualdade no aporte financeiro entre o Estado e o município.

“Não foi um processo de negociação, mas sim de imposição, e agora não há diálogo entre os dois ciclos. Ainda estamos colhendo os frutos desse equívoco político e educacional”, completa a especialista em política educacional Lisete Arelaro, chefe do departamento de Administração Escolar e Economia da Educação da FE-USP.

A fim de preparar as escolas para a municipalização, a Secretaria Estadual de Educação fez uma divisão das escolas de ensino fundamental, que passaram a ser exclusivamente de 1ª a 4ª série ou de 5ª a 8ª, o que desagradou muitos educadores e especialistas. São Paulo era um dos únicos Estados brasileiros, se não o único, a ter uma escola de oito anos, tornando mais suave e menos traumática a transição do primeiro ciclo para o segundo, já que a 5ª série é considerada um ponto de inflexão, por ter taxas de reprovação maiores do que outras séries. A motivação do governo estadual era essencialmente gerencial: racionalizar o uso do espaço e facilitar a municipalização.

Para Lisete, essa divisão, sem levar em conta o contexto histórico, social ou cultural das escolas, foi o pior projeto intervencionista na rede pública de ensino do Estado de São Paulo nos últimos trinta anos. “Eles acabaram com a escola de oito anos, uma escola com projeto pedagógico, com maior qualidade. Cortaram as escolas no meio, passando por cima da história cultural e pedagógica delas, sem considerar se a comunidade havia se unido para criar essa escola, sem levar em conta a distância da casa das pessoas, nem a cultura local. Qual é a melhoria da qualidade de ensino que essa medida trouxe, o que jovens e crianças lucraram com isso?”, questiona a professora.

Superjornada de trabalho dos professores
De acordo com a presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Noronha, nesses doze anos, as condições de trabalho dos professores pioraram muito. A diminuição do número de aulas, em 1998, provocou a demissão de 20 mil professores da rede pública estadual. Além disso, a categoria reivindica o piso salarial indicado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), de aproximadamente R$ 1,5 mil reais, enquanto atualmente o piso é de R$ 650 para 1ª a 4ª e de R$ 770 para 5ª a 8ª.

Os baixos salários levam os professores a uma superjornada de trabalho, muitos com emprego na rede municipal, estadual e privada de ensino, chegando a dar até 70 aulas semanais. Além disso, têm que lidar com a superlotação das salas de aula. No ensino fundamental, elas variam de 35 a 42 alunos por turma, chegando até a 47 no ensino médio, quando antes o máximo permitido eram 35 alunos. De acordo com a presidente da Apeoesp, mais de mil escolas foram fechadas no Estado desde 1995. A sindicalista também critica a municipalização, afirmando que ela provocou uma fragmentação pedagógica e profissional, já que as condições dos professores municipais são diferentes das dos estaduais.

De acordo com o deputado Ivan Valente, o governo estadual adotou ao longo dos anos uma lógica de dar gratificações aos professores, que chegam a 40% do total ganho, e que não são incorporadas ao salário. “Foram criados estímulos como um 14º salário para quem não faltar nenhuma vez, uma série de penduricalhos no holerite que não se consolidaram com o tempo como ganho efetivo”, avalia o deputado. Segundo ele, São Paulo adotou orientações do Banco Mundial em diversas questões ligadas à educação. Um exemplo disso é a redução do número de professores, já que o servidor público passou a ser visto como encargo, e o aumento do número de alunos por sala de aula. “Essa economia de recursos provocou uma queda da qualidade no processo de ensino e aprendizagem, que se encontra num alto grau de degradação”.

“É uma política de visão meramente administrativa, dentro da lógica do Estado mínimo, cada vez se assumindo menos como provedor e promotor de políticas públicas. O PSDB acabou indo na contramão da qualidade de ensino, por ter escolhido o caminho administrativo para resolver o problema do acesso à escola e da permanência nela. Na educação, está muito claro o projeto de enxugamento da máquina”, resume a presidente da Apeoesp.

A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo foi contatada desde segunda-feira (14) para rebater as críticas, mas até o fechamento da matéria não respondeu à solicitação de entrevista sobre o tema.

http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=12003

 

Os donos da Internet sábado, ago 19 2006 

Comprometi-me a fazer comentários sobre o texto "Os donos da Internet", mas o texto dispensa comentários.
Assim, agradeço a mais uma das mais preciosas fontes de informação e formação PARA O BEM, que utilizo desde o ano de 1991, quando passei a ser assinante da revista Superinteressante, Editora Abril S. A.
Preparei conteúdos didáticos, para as minhas aulas, copiando, quando não tinha acesso à Internet, e, depois, quando já era uma associada a provedor e pagava pelo uso da empresa de comunicação, por estar conectada ao telefone, a facilidade foi maior, SEMPRE ANOTANDO E ORIENTANDO OS ALUNOS PARA QUE CITASSEM A FONTE.
Thanks a lot, Superinteressante, só não assinarei mais a revista quando o valor do que pago ao Plano de Saúde for exatamente o que recebo como professora aposentada.
Do mesmo modo, agradeço a todos, sem exceção, que me permitem, citando a fonte, inseri, em meu blog, o que considero essencial a ser lido, porque eu não poderia fazer melhor, sem descarregar toda a amargura de ser, como Claudio Weber Abramo citou em seu blog A coisa aqui tá preta, mais uma pessoa que conta as decepções como quem conta os dias.
 
Os donos da internet
Gigantes das telecomunicações querem tomar posse da web e lucrar com taxas sobre sites e serviços online. Telefonia via rede pode estar com os dias contados
Por Ernesto Rinaldi

A rede foi projetada para resistir a uma guerra nuclear. Mas agora sofre com algo mais ameaçador: a fúria das empresas de telecomunicações. Elas querem acabar com a igualdade de condições entre todos os sites conectados à web. A coisa é simples: as gigantes de telecom, como a americana AT&T, controlam boa parte da infra-estrutura da rede (os cabos que conectam países e continentes). E agora elas querem fazer valer esse "direito de propriedade" cobrando taxas. Na prática, só os sites que pagarem uma tarifa mensal teriam a garantia de acesso rápido. Já os que não colocarem a mão no bolso podem acabar com páginas mais lentas. "Essas empresas estão com a cabeça no século 19", afirma o engenheiro americano Vinton Cerf, um dos criadores da internet. Imagine pagar por uma conexão com velocidade de 500 Kbps, por exemplo, e descobrir que ela fica mais lenta quando você entra em alguns sites. Você tem de receber pela conexão que pagou. A proposta das empresas de telecomunicações deve ir a votação no Senado americano em setembro. Gigantes da rede, como o Google, cogitam processar as telecoms. E não faltam usuários revoltados: o movimento Save the Internet, por exemplo, organiza um abaixo-assinado virtual, que já tem mais de 1 milhão de assinaturas (http://www.savetheinternet.com/). "A ameaça é que companhias determinem, por razões comerciais, o que você pode e o que você não pode acessar", diz Tim-Berners Lee, outro criador da rede. As empresas de telefonia se defendem: o "imposto" seria uma forma de obter mais retorno pelo que elas investem. Só a AT&T gastou 11,5 bilhões de dólares com a infra-estrutura da web no último ano. Mas o objetivo central, dizem os especialistas, é outro: barrar o crescimento da telefonia via internet, bem mais barata que a tradicional, e que pode ser cortada pelas telecoms se a medida passar. O jornalista de tecnologia Robert Cringely, um dos mais influentes dos EUA, resume: "A telefonia é um negócio de 1 trilhão de dólares. Não é surpresa que desejem reassumir o controle".

A NADA ADMIRÁVEL REDE NOVA
O que pode acontecer com a web

O computador
A máquina continua acessando a internet como faz hoje: por linhas telefônicas ou de TV a cabo, a velocidades que, no Brasil, vão de 56 Kbps (as linhas discadas comuns) a 8 Mbps (a banda larga mais veloz que temos por aqui).

O provedor
O meio de campo não muda: o provedor recebe os pedidos do seu micro (tipo endereços de sites), e manda para a rede. Para chegar aos servidores de internet, esses bits passam pelos cabos das multinacionais de telefonia.

Dados
Hoje, todos os dados fluem com uma velocidade equivalente. Amanhã, se as companhias donas da infra-estrutura da internet assumirem o controle, elas terão como filtrar qualquer tipo de dado. Isso significa que…

Internet
…as empresas de telefonia poderão cobrar taxas dos sites. Quem não pagar pode ficar com uma conexão mais lenta, e chegar sem qualidade ao seu micro. Já serviços como os de telefonia on-line podem acabar bloqueados.

Publicado na Edição 229 – 08/2006

Contribuições são bem-vindas, críticas, não quinta-feira, ago 17 2006 

Antiquíssima advertência afixada na Associação Comercial e Industrial de Itu.

Tentarei reproduzi-la de memória.

 

Você que está chegando, agora, para criticar o que está feito, deveria ter chegado antes.

Assinado: Quem fez, quando ninguém sabia como fazer.

 

Ao que acrescento: Não se trata de uma advertência a quem tenha contribuições, mas a quem critica, depois que as pedras sobre as águas foram colocadas, ou seja, depois que aprendeu a andar sobre o caminho das pedras às custas dos outros. É fácil apontar o dedo sujo de parasita, para criticar e “ensinar” como era para ser feito, e não ter estado presente no momento em que todos precisavam de sugestões de como fazer.

O modelo indiano quinta-feira, ago 17 2006 

Do Blog do Emir Sader

14/08/2006

O "modelo" indiano

“Cerca de 260 milhões de pessoas sobrevivem com menos de um dólar por dia. Quase 50% das crianças com menos de seis anos são subnutridas. Mais da metade das mulheres são analfabetas. Metade dos domicílios não tem eletricidade.” “…muitas, se não a maioria das crianças, terminam a escola primária pública incapazes de dominar a aritmética simples.” “Outro estudo detectou que de 1999 a 2003 o percentual de crianças totalmente imunizadas contra enfermidades que atacam na infância caiu de 52% a 45%.”

“Mas há só cinco paises no mundo com um gasto público menor no setor” (de saúde). “Assim, até os pobres estão pagando por assistência médica privada.” “Em muitas cidades….mais da metade das crianças está em escolas particulares. Uma pesquisa de abrangência nacional, baseada em visitas de surpresa a escolas públicas, descobriu que menos de metade dos professores nas folhas de pagamento estava presente e dando aulas. Enquanto em muitos países pobres os moradores nas cidades têm acesso ininterrupto à água, em muitas cidades …. as torneiras só não estão secas durante umas poucas horas por dia. Os ricos compram bombas, abrem poços e constróem caixas d´água. Os pobres ficam horas nas filas para obter água de bicas e caminhões.”

E no entanto os dados se referem a um país que a direita considera “modelo”, que tomam como referência para se perguntar “por que o Brasil não cresce como eles”.

Esse país é a Índia e as citações são tiradas do último número da revista conservadora The Economist. Este é o novo “modelo” que o pensamento liberal tem a propor ao mundo.

Postado por Emir Sader às 18:54

Fonte: http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=35

Sem pé nem cabeça quinta-feira, ago 17 2006 

Sem pé nem cabeça, mesmo, parece coisa do "demo", em vez de ação de pessoas supostamente esclarecidas, que desejam que seu partido político seja depurado e fiquem apenas os que, de fato, comungam com ideais de política e não de politicalha.

Blog do Cláudio Weber Abramo – A coisa aqui tá preta:

http://crwa.zip.net/

 

Sem pé nem cabeça

Hoje, no Diário do Comércio de São Paulo, 18/08/2006:

A Transparência Brasil foi surpreendida, anteontem, pela notícia de que o PT de São Paulo havia entrado com notícia crime contra a campanha “Não vote em mensaleiro”, que a organização promove, bem como com pedido liminar para que menções à campanha fossem extirpadas de nosso sítio de Internet (www.transparencia.org.br).

No desenvolvimento da representação, o partido faz confusão entre a campanha “Não vote em mensaleiro” (e sanguessuga, vampiro, piranha e assim por diante) e outra iniciativa da entidade, o projeto Excelências.

Este último (endereço perfil.transparencia.org.br) consiste num cadastro com os históricos de todos os candidatos que buscam reeleição à Câmara dos Deputados, de todos os estados e de todos os partidos. Tais perfis são compostos exclusivamente com informações de domínio público, extraídas da Câmara dos Deputados, do Tribunal Superior Eleitoral, dos tribunais superiores de Justiça, dos Tribunais de Justiça estaduais, dos Tribunais de Contas etc.

Alega o PT que a reunião de informação relativa a candidatos que pertencem a seu partido ser-lhes-ia prejudicial, e que portanto a Transparência Brasil incorreria em crime eleitoral ao fazê-lo.

A defesa jurídica da Transparência Brasil está sendo preparada pelo escritório Rubens Naves – Santos Júnior – Hesketh, e os argumentos jurídicos apropriados serão expostos nessa defesa.

Deixando tecnicalidades de lado, não se compreende, absolutamente, qual poderia ser o fundamento da reclamação do Partido dos Trabalhadores.

É um direito constitucionalmente garantido a emissão de opinião a respeito de preferências ou rejeições eleitorais. Afirmar-se “Não vote em mensaleiro” (como continuamos a reafirmar) é um direito de qualquer um. Espanta que o PT se insurja contra isso, considerando-se, inclusive, o extensíssimo uso que esse partido fez, no passado, de mensagens idênticas, dirigidas contra adversários.

No mais das vezes, esses adversários do passado do Partido dos Trabalhadores mereceram o que ouviram à época. Como hoje merecem mensaleiros de todos os partidos, incluindo-se os do PT, ouvir opiniões no sentido de que o eleitor não deve votar neles, como não deve votar em sanguessugas etc. etc. etc. Votar nesse pessoal faz mal à saúde cívica.

O próprio presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Marco Aurélio de Mello, declarou publicamente na segunda-feira que os parlamentares envolvidos em escândalos “não são dignos de respeito e muito menos de voto".

De modo que se o PT de São Paulo pretende censurar a Transparência Brasil, deveria antes, por motivo de coerência, representar contra o ministro Marco Aurélio.

Independentemente do que possam imaginar os próceres do PT que inspiraram o oferecimento de notícia crime contra a Transparência Brasil, a mensagem de que o eleitor fará melhor se não votar em mensaleiro e fênix e faraó não fere nenhum direito individual, não afirma nenhuma inverdade e não constitui ataque a candidatos de nenhum partido político em específico.

Afinal, além de mensaleiros e sanguessugas, mais de uma centena de candidatos à reeleição à Câmara dos Deputados rspondem a processos na Justiça por crimes os mais diversos.

Quando o Partido dos Trabalhadores de São Paulo reclama só da menção a mensaleiros, parece não dar-se conta de que com isso abrange – pois a situação é idêntica – todos esses sujeitos indiciados em crimes. Por isso, chega a ser difícil acreditar que, de fato, a direção do partido tenha pensado bem no que fez.

Essa atitude é incondizente com as tradições senão do partido, ao menos de muitos de seus integrantes, é incompatível com sua história e com o que representou para o país nos anos de sua existência anteriores à sua assunção ao poder central.

A Transparência Brasil não tem nenhuma dúvida de que a reclamação do PT de São Paulo não conseguirá prosperar na Justiça Eleitoral, por completa falta de fundamento ou mesmo lógica elementar.

Melhor faria o PT se desistisse dessa ação sem pé nem cabeça.


Não abra nova conta bancária, se for servidor público e recebe pelo Santander Banespa quinta-feira, ago 17 2006 

De decreto em decreto, governos municipais, estaduais e o governo federal desviam dinheiro público e ou se apossam dele ou entregam aos lacaios e credores.
O mais recente decreto, do governo de São Paulo, n.º 50.964, de 18 de julho de 2006, obriga os servidores civis e militares, ativos, inativos, pensionistas e beneficiários de pensões especiais do Poder Executivo, da Administração Direta, Autarquias e Fundações, assim como aos beneficiários das Carteiras Autônomas administradas pelo IPESP do Estado de São Paulo a abrir conta no Banco Nossa Caixa S/A, para receber os salários.
Depois de destruir o Banespa, os mesmos criminosos alegam que, por conta da privatização do Banco do Estado de São Paulo – Banespa S. A., a opção pelo recebimento dos pagamentos por essa instituição bancária tem o prazo até 31 de dezembro de 2006.
 
O Santander Banespa enviou correspondência, muito antes da do governo do Estado, com as seguintes advertências:
Para aqueles que residem no Estado de São Paulo:
1. não é necessário transferir o vínculo de salário;
2. ninguém pode obrigar você a abrir uma conta corrente em nenhum banco;
3. você pode solicitar ao outro banco uma conta salário (sem custo) para o recebimento do seu salário (Resolução 2718, Banco Central)
 
A partir de 1.º de janeiro de 2007, a transferência do seu salário para o Santander Banespa será feita de uma forma simples, imediata e sem custo algum. Você terá opção de operar com o banco que o atende há muitos anos – no meu caso específico, desde o ano de 1972, não será, agora, que mudarei de banco, visto que a parte podre do Banespa, aquela que dos "empréstimos" e "financiamentos" que, até a presente data, não foram cobrados, desaparecerão, se eu mudar para Nossa Caixa, não é verdade?
 
Portanto, com o aprendizado, em 1985 – NÃO INGRESSEI NO MAGISTÉRIO PÚBLICO POR DECRETO, EM 1984, INGRESSEI POR MEIO DE CONCURSO PÚBLICO DE PROVAS E TÍTULOS – aprendi que decreto só serve para beneficiar apadrinhados ou credores de favores políticos, pois meu ingresso no Magistério Público foi para ministrar aulas de Inglês – ALÔÔÔÔ, POR MEIO DE CONCURSO PÚBLICO DE PROVAS E TÍTULOS – e, em 1985, repito, janeiro, mês de férias, após seis meses como professora titular de cargo efetivo, Inglês foi transformado em ATIVIDADE, o que deve ser motivo de muitos agradecimentos da parte de escolas particulares de Inglês, que passaram a existir aos montes! No ano seguinte, por decreto, Educação Física foi transformada em ATIVIDADE.
 
O fato de ser atividade implicou em não reprova por conceito, portanto, o aluno, supostamente, só não teria que faltar às aulas de Inglês e de Educação Física para que não ficassem retidos nessas duas atividades.
 
A decadência do ensino, o sucateamento das escolas e o desânimo dos professores – além da permanências de ZILHÕES DE PROFESSORES QUE SE ESTABILIZARAM, EM ESCOLAS PÚBLICAS, POR DECRETO, o famoso Trenzinho do Mário Covas – descanse em paz e venha buscar correligionários, por favor, estão detonando o Estado de São Paulo HÁ DOZE ANOS, com sua ajuda, Mário Covas – fez com que os parasitas que ocuparam e ocupam cargos e funções no Magistério Público dessem um "jeitinho" nas faltas dos alunos e, desse modo, os decretos permitiram com que alunos e pais de alunos ficassem mais sossegados em relação à PROMOÇÃO AUTOMÁTICA, uma forma de apresentar NÚMEROS de aprovações ao Banco Mundial e não ter que justificar dinheiro desviado que deveria ser aplicado no ENSINO PÚBLICO, jamais para financiar campanhas eleitoreiras ou ser entregue a credores de favores ilícitos.
 
Desse modo, comprovei que, de decreto em decreto, as escolas públicas foram sucateadas e os professores, cada vez mais desanimados, além do bandão mal intencionado – aquele bandão que transformou o Ensino Público em "bico", caso fosse mandado embora da empresa privada, além do bandão "apadrinhado", aquele que, em dirigência de ensino, em supervisão, em direção de escola, em sala de aula faz campanha política para os padrinhos e adoraria, também, "pegar uma boquinha na esteira de cargos no legislativo" e conclamo a todos os servidores públicos que procurem uma saída honrosa para mais essa imposição descabida, a pretexto de que o Santander Banespa foi privatizado. Alô, até que o Banespa, uma instituição estadual centenária, tenha TODOS OS PROBLEMAS CAUSADOS POR CRIMINOSOS DO COLARINHO BRANCO ESCLARECIDOS, mantenhamos nossas contas neles, porque será bem mais difícil acabar com todos os servidores que nunca lamberam as botas de criminosos.
 
Eu assiti à derrocada e o Banespa não são os criminosos do colarinho branco. O Banespa são os funcionários que deram o sangue, a vida, de modo honesto.
 
Nada contra o Santander, mas foi muito triste assistir, impotente, a uma instituição centenária ser dilapidada pelos mesmos que, até a presente data, continuam com cargos eletivos ou pretender voltar a ocupar cargos eletivos.
 
Passei por vários Secretários de Educação e Governadores. Tive o desprazer de assistir à instituição de escolas-padrão, uma das estratégias de desvio de dinheiro público da Educação para bolsos e contas no exterior: é a única explicação que encontro para escolas-padrão, enquanto as que não eram morriam à míngua ou passavam o píres entre os funcionários de escolas estaduais e pais de alunos, os únicos responsáveis pela manutenção de alguma qualidade e condições de ensino. Passei por Rose Neubauer, enquanto o marido era diretor do Banespa, passei por secretários de educação que nunca foram comprometidos com os cargos de confiança que ocupavam. Xô, Satanazes! Aposentei-me com um deslumbrado Chalita, que desconfio não ser autor de livro algum, mas que sugou de educadores, como eu, o material para publicações e, agora, disputa cargo eletivo – que decepção, Marta Suplicy, onde você estava com a cabeça em tê-lo como "companheiro". Fui massacrada, fui anulada, meu trabalho furtado ou usado para auto-promoção de parasitas!
 
Pedi aposentadoria, por tempo de serviço. Meu salário, que já era uma merreca, piorou. Mas é MEU, merecido. Consegui não mais ser descontada em IPESP, porque não tenho para quem deixar minha aposentadoria – GRAÇAS A DEUS! – e, por pagar Plano de Saúde, desde janeiro de 1995, consegui "dispensar" o desconto de IAMSPE – GRAÇAS À ORIENTAÇÃO JURÍDICA DA AFPESP.
 
Não devo nada ao ESTADO DE SÃO PAULO NEM AO MAGISTÉRIO PÚBLICO, pois, enquanto permanci EM SALA DE AULA, fui EDUCADORA, DENTRO E FORA DE SALA DE AULA. Comi o pão que o diabo amassou com os pés, além de PAGAR PARA MINISTRAR AULAS E FORNECER MATERIAL PEDAGÓGICO E DOAR LIVROS PARADIDÁTICOS às escolas públicas, livros paradidáticos que, na maioria, EU COMPRARA, para que os alunos pudessem ler, emprestando-os e ensinando-os a comentar, por escrito, os livros lidos.
 
Não vou abri conta na Nossa Caixa POR CAUSA DE DECRETO, porque você, "decretistas", passarão e não serão reconhecidos como bons administradores.
 
Nunca me prostituí para ganhar a merreca que eu ganhava como professora. Antes de ingressar, como titular de cargo efetivo, sabia muito bem que o salário era merreca, mas nunca fui EDUCADORA na proporção do salário, porque ao ter que pagar para ministrar aulas, lutava para que todos os que pertenciam à minha categoria recebessem salário justo, digno. GRAÇAS AOS MEUS PAIS, pude permanecer como EDUCADORA.
 
Nunca aliciei alunos para que votassem neste ou naquele candidato. No entanto, como aposentada, PSDB, PFL, PMDB, PL: vade retro, satanazes!
 
Ah, tem gente honesta no meio dos partidos citados? Sorry, periferia, sempre fui, como educadora, nivelada por baixo. Experimentem o gostinho de serem nivelados por baixo. Nunca fui Miss Simpatia, porque chamava a atenção de meus pares, de diretores, discutia com quem fosse necessário. Nunca fui, portanto, conivente ou omissa, mesmo porque, Miss Simpatia não ganha concurso, é título de consolação. Também não queria – e continuo a não querer – ser candidata, nem a síndica de prédio. Simpatia não resolve problema algum, é preciso ser o que a gente é, gostem de nós ou não. O que importa é não ter peso na consciência por atos ou omissões.
 
Sem conferir se há erros, publique-se.
 

Alckimin destrói serviços públicos quinta-feira, ago 17 2006 

Alckmin destrói serviços públicos

(Jornal da Apeoesp, junho de 2006, n.º 269 – mesma página de EDITORIAL)

            O novo governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL / SP), representa a continuidade da política implementada pelos tucanos nos últimos doze anos. Este governo foi responsável pelo abandono e sucateamento dos serviços públicos;  desvalorização do funcionalismo; desmonte da máquina administrativa do Estado; proliferação de pedágios, enquanto a maioria das estradas do interior está deteriorada; descaso com a educação; aumento da insegurança da população; crise na Febem; ausência de políticas para a agricultura, privilegiando apenas alguns setores do agronegócio e latifundiários; desvio de recursos da saúde, com a conseqüente queda da qualidade do atendimento; superfaturamento de obras, como o Rodoanel e o desassoreamento do rio Tietê; entre tantas outras conseqüências de uma política que privilegia corte de gastos e o atendimento a interesses localizados dos aliados do governo. Este governo não cumpriu suas promessas de ampliar o metrô da capital e a construção da linha 4 sofre denúncias de corrupção e superfaturamento, além de reproduzir o modelo privatizante de gestão do Estado.

            Também é um governo marcado por rebeliões e fugas na Febem e nos presídios e pelo aumento no número de seqüestros e de furtos de veículos, aumentando a insegurança da população. Isso é reflexo da falta de investimento. O governo deixou de aplicar R$ 260 milhões, previstos em Segurança, apenas em 2004.

            O tão propagado saneamento das contas públicas foi possível devido ao sistemático calote dos precatórios – pagamentos determinados pela Justiça, mas que foram represados. Reportagem da Folha de São Paulo (30/04) afirma que “… Análise dos relatórios fiscais de 2001 a 2005 [mostra que] o estoque de precatórios não pagos totaliza hoje R$ 13 bilhões e há dívidas com sete anos de atraso – quase o dobro do prazo existente no início da gestão tucana em 1995 … Se essa dívida tivesse sido quitada, em vez de superávit orçamentário o estado teria déficit”. Muitos professores, professoras e demais funcionários públicos figuram como importante parcela dos credores do Estado e, portanto, são vítimas desse calote.

            As denúncias de corrupção crescem de maneira acelerada. Através do Banco Nossa Caixa, foram realizadas milionárias operações de financiamento de políticos e empresários ligadas ao esquema tucano em todo o estado. Sabe, também, que, na sindicância interna montada em 2005 para tentar culpar unicamente o ex-gerente de marketing e isentar a cúpula do Banco e do governo, foram invadidos ilegalmente os sigilos bancários de diversas pessoas. [Negrito de Maria Lúcia, para comentário a ser inserido sobre DECRETO que me obrigará a receber a aposentadoria na Nossa Caixa, para com minha aposentadoria e de outros milhares de servidores públicos, “tapar” buracos de dinheiro desviado pela corrupção.]

            De fato, mais uma vez, o governo Alckimin – Lembo tenta manter a sujeira embaixo do tapete e impede a formação de mais uma CPI, para investigar o caso Nossa Caixa, o favorecimento do ex-governador, com verbas públicas a seu acupunturista, do qual é sócio indireto, através do filho e uma série de outras irregularidades que vêm sendo reveladas.

            Corrupção no governo Alckimin – O deputado estadual José Caldini Crespo (PFL), presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembléia Legislativa, afirmou, em entrevista à Agência Carta Maior, que “houve corrupção no governo Alckimin”. Crespo é autor do requerimento para a formação de CPI com a finalidade de auxiliar o Ministério Público na investigação de 973 contratos irregulares firmados pela administração estadual entre 1997 e 2005, durante a gestão Covas / Alckimin. Todos os contratos foram considerados irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Crespo estima que o prejuízo ao tesouro paulista pode chegar a R$ 2 bilhões. A CPI proposta por Crespo é mais uma entre as mais de 70 CPIs barradas pela bancada governista.

            O processo de transferência do governo para o PFL apenas expôs de maneira mais clara a incompetência administrativa e política da coligação que governa São Paulo. E os dados aí estão. A epidemia de dengue cresceu em todo o estado no decorrer de 2005. As rebeliões e motins em presídios atingiram a alarmante marca de mais de 50 ocorrências somente em 2006 – antes dos ataques do PCC, ocorridos em maio – conforme informações do Sindicato dos Funcionários do Sistema Penitenciário. Cresceram, também, os casos de estupro, segundo levantamento da própria Secretaria de Segurança Pública.

            A onda de violência que atingiu o estado de São Paulo, vitimando dezenas de policiais, suspeitos e cidadãos sobre os quais não foi demonstrada qualquer ligação com atividades criminosas, evidenciou com inusitada crueza o grau de estruturação do crime organizado em nosso estado. As ações mostraram a total falência do estado e sua incapacidade em lidar com uma situação de grave crise. Após ter anunciado que o PCC não existia mais, o governo do estado ficou exposto ao ridículo. Apesar da violência ser uma questão complexa, o atual episódio é marcado por uma seqüência de erros primários. O Ministério Público de São Paulo foi duro ao criticar o governo estadual, durante uma audiência pública realizada na Assembléia Legislativa. Para o Ministério Público, não houve vontade política do governo de São Paulo para conter a organização do PCC.

            Esses lamentáveis fatos demonstram que a solução do problema da criminalidade passa por uma política séria e articulada de segurança pública, mas, sobretudo, por maior investimento nas áreas sociais, especialmente em educação. Infelizmente, no estado mais rico da federação, a Educação ainda está longe de ser a prioridade dos sucessivos governos. Levando em conta todo esse cenário, o processo eleitoral será o momento de se fazer um balanço real do governo Covas – Alckimin – Lembo e eleger sucessores comprometidos com a recuperação dos serviços públicos, dos investimentos sociais e com a maioria da população.

Juízes no banco dos réus sexta-feira, ago 11 2006 

De Frederico Vasconcelos, Publifolha, Divisão de Publicações do Grupo Folha, impresso em abril de 2005, narra, de forma objetiva e educada, educada como eu jamais seria, nas palavras de Taís Gasparian, casos, dentre eles a chamada Operação Anaconda, cuja origem remonta muito tempo antes da reforma do Judiciário, aprovada em dezembro de 2004, episódios que envolvem um tema caro ao Judiciário: a reputação de seus membros, casos esses que, além de costurar informações já divulgadas de forma esparsa, Frederico Vascocelos também resgata fatos e detalhes diversos, que provavelmente passaram despercebidos aos leitores de jornais e revistas.

Todos, sem exceção, têm Anjos protetores e os melhores são aqueles que não estendem faixas avisando que são Anjos nem exigem retribuição por serem Anjos.

Não conheço o jornalista Frederico Vasconcelos pessoalmente, embora seja autor de outro livro, de 1994, editora Scritta, de título Fraude.

Certamente, cruzou, mais de uma vez, com o nome de minha irmã, Maria Ignez Bernardini, e, tenho certeza, aquela brilhante delegada de polícia federal, embora já esteja em paz, por meio de minha pessoa, envia-lhe vibrações muito fortes de desejo de muita saúde e paz de espírito. Certamente, meus pais, também, estão juntos nesse desejo, ao lado de minha irmã, porque eu acredito e, porque como disse minha amiga de quase 50 anos, embora, hoje, longe, em outro país, ao meu afilhado, quando não tinha mais do que quatro anos: "Se existe fada? Se você acreditar que existe, então existe!".

Não me fio em pessoas que tentem impor crenças ou sugestões de crenças, mas confio na minha intuição e o jornalista Frederico Vasconcelos, além de livre, é gente boa, gente fina. Que Deus o proteja, em todos os sentidos, dos que não possuem, ao contrário desse jornalista, a graça de Deus.

O exercício absolutamente correto da profissão de jornalista permitiu que Frederico Vasconcelos, nas entrelinhas de Juízes no banco dos réus, contasse o calvário e o exercício correto da profissão de delegada de polícia federal de minha valente e brilhante irmã.

A dedicatória não poderia ser mais correta: "Em memória de Stela", estrela.

Que todos os citados, nos agradecimentos que fez, recebam, também, as bênçãos, pois posso vislumbrar o calvário para que as reportagens se transformassem num livro. Uma grande contribuição para o exercício da cidadania.

 

 

Epitáfio 2 terça-feira, ago 1 2006 

Epitáfio 2

 

Died on Wednesday

This tombstone[1] comes from a place actually called Tombstone, in Arizona. It was put up in the memory of a man called Lester Moore, a Wells Fargo[2] agent, who was shot in a quarrel.

 

HERE

 LIES

LESTER MOORE

FOUR SLUGS [3]

FROM A 44 [4]

NO LES

NO MORE[5]


[1] Tombstone: the stone above a grave.

[2] Wells Fargo: the famous Wild West coach service.

[3] Slugs: bullets.

[4] 44: a gun.

[5] NO LES NO MORE: a play on words: I) Les is no more, i.e. he is dead; II) No Les(ter); no Moore; III) No less (fewer), no more, i.e., exactly 4 bullets.

Epitáfio 1 terça-feira, ago 1 2006 

Epitaph 1

 

ELIZA ANN

HAS GONE TO REST;

SHE NOWS RECLINES

ON ABRAHAM’S[1] BREAST

PEACE AT LAST FOR ELIZA ANN

BUT NOT FOR

FATHER ABRAHAM


[1] ABRAHAM = God.